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Poesias-->Diamante -- 28/10/2018 - 15:03 (Lita Moniz) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos




Diamante

Entre pedras me criei.

A sepultura mais funda suportei.

As idades fizeram comigo toda sorte de maldades.



A pressão era tamanha.

Tudo que não era meu derreteu.

Espremido até a menor partícula sair, se ir.



De todas as pedras a mais pura.

De tão pura, a mais dura.

Pensei comigo, até que enfim a paz da sepultura



A ganância fez na Terra sua morada.

Não sossegou enquanto não me achou.

Eu sabia, eu sabia, não a conhecia, mas sabia que havia.



A serra elétrica rotatória, ia-me raspar até tirar de mim todo o brilho que eu pudesse dar.

Os raios laser vieram aprimorar o processo de lapidação.



Arrancaram à força toda a luz que havia no meu coração.

Rasparam, cortaram.

Só pararam de raspar quando me tornei uma flor a brilhar.



A ganância ditou a minha sorte.

Sou uma joia trancada num cofre agora.

A pedir aos céus que a minha dona jogue a chave fora.

Lita Moniz


 


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