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Poesias-->A Leal de Souza* -- 03/01/2019 - 19:33 (Benedito Pereira da Costa) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
A Leal de Souza*





Quando, à primeira vez, lhe vi a grandeza,

Foi nos tempos da longe meninice.

E quedei-me à mudez de quem sentisse

A alma de pasmos e terrores presa.





Depois, na mocidade, a olhá-lo, disse:

É moço o mar na força e na beleza!

Mas, ao dia apagado e à noite acesa,

Hoje o sinto entre as brumas da velhice,





Distanciado de escarpas e barrancos,

Vejo a morrer-me aos pés, calmo, ao abrigo

Das grandes fúrias e os hostis arrancos.





E ao contemplá-lo assim, tristonho digo,

Vendo-lhe, à espuma, os meus cabelos brancos:

O velho mar envelheceu comigo!





* Emílio de Menezes (CB, 31/12/2018, Diversão & Arte, Poesia, p. 5).
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