Usina de Letras
Usina de Letras
   
                    
Usina de Letras
71 usuários online

 

Autor Titulo Nos textos

 


Artigos ( 55217 )
Cartas ( 21066)
Contos (12156)
Cordel (9589)
Crônicas (21289)
Discursos (3112)
Ensaios - (9914)
Erótico (13140)
Frases (40120)
Humor (17564)
Infantil (3566)
Infanto Juvenil (2310)
Letras de Música (5416)
Peça de Teatro (1311)
Poesias (135847)
Redação (2879)
Roteiro de Filme ou Novela (1035)
Teses / Monologos (2375)
Textos Jurídicos (1913)
Textos Religiosos/Sermões (4226)

 

LEGENDAS
( * )- Texto com Registro de Direito Autoral )
( ! )- Texto com Comentários

 

Nossa Proposta
Nota Legal
Fale Conosco

 



Contos-->O RIVAL -- 08/10/2015 - 16:37 (Ricardo Barreto Ferreira) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos


Ele chegou sorrateiramente.

Silenciosamente ocupou um local privilegiado da casa.

No início até eu fiz-lhe festas. Gostava da sua companhia e me divertia com ele.

Aos poucos fui descobrindo que o maldito estava roubando tudo o que eu amava.

Primeiro minhas duas filhas, depois minha mãe e agora até minha mulher estava caindo ante sua sedução.

Ninguém escapava ao seu fascínio.

Comecei a odiá-lo cada dia com mais intensidade. Mas não sabia como livrar-me dele, ele já fazia parte da família.

Se tentasse expulsá-lo de casa, seria uma revolução, teria que enfrentar a reação das quatro mulheres e não tenho certeza se sairia vencedor.

Tentei dialogar, ameacei, procurei mostrar os perigos do relacionamento com aquele elemento sem alma e sem coração, que não conseguia avaliar o mal que estava causando a quem se deixava dominar por ele.

Tudo em vão.

Reconheço que o miserável não tinha culpa do que fazia. Fora concebido, certamente, para ações mais nobres e dignas, porém as más companhias haviam-no desencaminhado. Agora estava reduzido a isto, um simples agente do mal.

Se ninguém mexesse com ele, tornava-se inofensivo, mas quando provocado era capaz dos maiores desatinos.

Às vezes ele era terno, romântico, comovente. Outras vezes violento, trágico, terrível.

Era bastante imprevisível, mas sempre brilhante e sedutor. Como sabia fingir o traidor.

Elaborei um plano para liquidar com o meu rival sem despertar suspeitas.

Comecei por reatar a amizade com ele.

Perdoei todas as ofensas e voltamos a ser amigos como no início.

Depois, sem ninguém notar, comecei a sabotar a sua alimentação.

Aos poucos ele foi definhando, empalidecendo.

Todos ficaram apreensivos, sem saber o que estava acontecendo.

O coitado perdia forças a olhos vistos. Após algumas semanas estava irreconhecível.

"É preciso levá-lo a um especialista". Choramingava minha mulher.

"Está bem". Concordei finalmente.

Tomei o desgraçado nos braços, coloquei-o no carro e dirigi-me para a saída da cidade.

Enveredei por uma estradinha de terra no meio de um matagal e, depois de alguns quilômetros, parei próximo de uma ponte de madeira sobre um riacho relativamente largo.

Carreguei novamente o infeliz nos braços, caminhei até o meio da ponte e atirei-o na correnteza lá embaixo.

Envolto em borbulhas afundou lentamente.

Voltei para casa aliviado.

A família estava à espera, ansiosa.

Sem coragem para encará-las, dei-lhes a penosa notícia:

"Não resistiu, chegou lá nas últimas e não houve nada que conseguisse recuperá-lo."

Passado o choque inicial a minha mulher falou:

"Está bem. E quando é que vamos comprar outro televisor?"



Recife, 15 de março de 1992.


Comentários

O que você achou deste texto?       Nome:     Mail:    

Comente: 
Informe o código de segurança:          CAPTCHA Image                              

De sua nota para este Texto Perfil do Autor Renove sua assinatura para ver os contadores de acesso - Clique Aqui