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Contos-->QUANDO O AMOR NÃO ACABA - Cap. XXXIV -- 30/04/2016 - 19:58 (Edmar Guedes Corrêa****) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
QUANDO O AMOR NÃO ACABA - Capítulo XXXIV

ÍNDICE DOS CAPÍTULOS
I - II - III - IV - V - VI - VII - VIII - IX - X - XI - XII - XIII - XIV - XV - XVI - XVII - XVIII - XIX - XX - XXI - XXII - XXIII - XXIV - XXV - XXVI - XXVII - XXVIII - XXIX - XXX - XXXI - XXXII - XXXIII

Durante uma semana e meia não fui capaz de sentar diante do computador para narrar aquele último encontro, onde nos separaríamos por um longo tempo ou talvez para sempre, embora eu não pudesse aceitar que, na realidade, ele bem que poderia selar a nossa separação definitiva, pondo assim um ponto final naquela história de amor cheia de precalços e a qual sempre foi pautada na separação, nos longos hiatos, na saudade e na dor de um futuro improvável. Aliás, por diversas vezes durante os últimos quatro dias, cheguei a sentar por uma dezena de vezes diante do computador, mas as lembranças, apesar de tão vivas em minha memória, não se traduziam em palavras. Ou quando isso acontecia, estas não foram capazes de descrever e nem captar as emoções que eu – e possivelmente Diana – experimentei naquela noite na portaria daquele prédio, a qual foi até os primeiros rais de luz de um novo dia. Mas todas as vezes que procurava registrar aquelas cerca de oito horas em que passamos nos braços um do outro, eu me sentia impotente e incapaz de registrá-las. Era como se uma força inconsciente me impedisse de resgatar aquelas emoções, talvez por elas serem fortes demais e atentar contra a minha vida, já que a minha debilidade era evidente, pois, como eu já disse antes, eu vinha definhando à medida que registrava essas memórias.
Naquele começo de tarde, fiquei parado diante do computador com os olhos na tela, quase imóvel, por mais de meia hora, sem que uma única palavra fosse digitada, como ficara nos últimos dias. E isso não ocorrera duas ou três vezes, como pode deduzir o amigo leitor, mas o triplo disso. De quando em quando, eu chegava a digitar alguma coisa e até formar uma sentença, mas esta me parecia tão sem sentido, tão irreal que não me restava outra opção a não ser apagá-la e voltar à estaca zero. E em quatro oportunidades, depois de chegar a conclusão que não conseguiria, acabei por esmurrar o teclado do computador como se aquela máquina fosse a culpada pela minha inabilidade em registrar aquilo que tanto desejava. Na última vez, o soco foi tão forte que acabei quebrando a tecla Ctrl da direita. Aliás, a mesa chegou a tremer toda e o teclado foi parar no chão, provocando um estrondo tão alto que Meire surgiu em segundos na porta do escritório, perguntando:
-- Que susto, patão! Pensei que o senhor tinha se desmaiado e caído da cadeira.
-- Não, não foi nada. Foi só um murro que dei no teclado – expliquei.
-- O computador está com problemas? Se o senhor quiser eu ligo pro técnico.
Meire viera a meu encontro e se abaixara do meu lado para apanhar o teclado no chão com aquele seu jeito sempre prestativo e atencioso, como se procurasse a todo custo me agradar. Na verdade, embora eu não possa afirmar com precisão, essa atenção advinha do fato de trabalhar há mais de um ano em meu apartamento e por conhecer a minha história, pois nos momentos de solidão, era com ela que eu me abria a fim de encontrar um ombro amigo. As pessoas solitárias quando se apegam a alguém, não só fazem o impossível por ela como também lhe revelam os seus mais íntimos segredos.
-- Não, não. Fiquei com raiva porque não consigo escrever – falei.
-- Aquelas suas memórias?
-- Exatamente.
Ela apanhara o teclado e o recolocara no lugar. Em seguida, abaixou-se para catar a tecla Ctrl que faltava, embora não se podia ver onde poderia estar.
-- O senhor não consegue se lembrar?
-- Consigo sim. E muitíssimo bem. Consigo visualizar tudo como se fosse um filme passando diante dos meus olhos.
-- Mas por que o senhor não consegue então? Não é só escrever o que a gente vai lembrando? -- quis ela saber, enfiando por debaixo da mesa a procura da tecla perdida. Súbito ela, recuou e eu pue ver-lhe a tecla na mão.
-- Não é bem assim. Simplesmente registrar o que vem à nossa memória não é o bastante. Narrativa pode ficar muito artificial e impessoal como se eu estivesse inventando tudo. É preciso, além disso, captar as emoções de forma que qualquer um que a leia possa experimentar as emoções que eu e Diana experimentamos. -- falei olhando para baixo, para ela de joelhos ali do meu lado. Súbito, olhei para aquele traseiro, o qual estava coberto por uma bermuda verde, a qual delineava-lhe todo o contorno das nádegas, inclusive os limites da calcinha. Quase que instintivamente me ocorreu: “Ela tem um traseiro grande. Que nem os peitos dela. Ah, que falta eu sinto de uma mulher! Que vontade de sentir o sexo de uma transando de verdade…”
Meire levantou-se e me entregou a tecla.
-- Mas isso é impossível.
-- De certa forma sim – falei examinando a tecla e tentando recolocá-la no lugar. -- Mas quando se consegue traduzir exatamente o que ocorreu em palavras, o leitor, ao percorrer atentamente aquelas palavras, vai se por no nosso lugar e terá a oportunidade de experimentar, pelo menos em parte, aquilo que eu e Diana experimentamos. Principalmente se for um leitor sensível e imaginativo. Se eu não conseguir isso nessas memórias, a despeito dos fatos narrados, o resto terá sido em vão. E eu terei fracassado mais uma vez e deixado escapar a última oportunidade de fazer algo digno de elogio.
Consegui recolocar a tecla no lugar, mas ela não voltou a funcionar como antes.
-- Merda! Quebrei a tecla – deixei escapar.
-- E ele não dá pra escrever com ela assim?
-- Dá sim. Não é uma tecla muito importante. E além do mais tem essa outra aqui, a da esquerda. Por enquanto não fará muita falta. Quando for à rua, comprarei um teclado novo.
Houve um breve silêncio.
-- Por que o senhor não descansa um pouco? Senta na sala, liga a TV e deita um pouco no sofá. Enquanto isso eu preparo um cafezinho para o senhor. Eu sei que o senhor adora um cafezinho.
-- É acho que vou aceitar. Mais um dia que não consigo escrever sobre aquela noite – falei, apoiando-me na mesa e me levantando com dificuldade.
-- Por que o senhor não consegue? Aconteceu algo de ruim?
-- Não. Não. Foi uma noite inesquecível. Principalmente nas primeiras horas. Mas depois que foi chegando a hora de nos despedirmos, foi tão triste e doloroso. É como se a gente tivesse sonhando o sonho mais delicioso de nossas vidas e na melhor parte a gente sentisse que ia acordar, que ia se dar conta de que tudo não passou de um sonho bobo. Pois foi mais ou menos assim que aconteceu aquela noite.
Meire me segurava pelo braço enquanto íamos em direção à sala. Do escritório, era preciso passar por um pequeno corredor até chegar à sala.
-- O senhor já me contou partes dessa história um monte de vezes. Mas só uma coisa ainda não consegui entender: por que o senhor não ficou com essa moça, essa tal de Diana?
-- Porque não tive coragem. Eu sabia que meus pais não iam aprovar nosso namoro e eu não tive coragem de enfrentá-los. Eu fui fraco e tive medo.
-- Mas medo de quê? Eles eram seus pais. Talvez eles ficassem com raiva do senhor no começo. Isso acontece muito. Mas depois eles acabaria aceitando e fazendo as pazes com o senhor. Nenhum pai fica com raiva do filho para sempre, por mais que ele tenha desapontado. O amor de um pai e uma mãe é muito mais forte que qualquer outra coisa.
-- Talvez você tenha razão. Eu deveria ter feito isso mesmo. Mas não fiz. Não tive coragem. Fiquei com medo de perdê-los, de perder o conforto e a segurança que eu tinha. Eu tinha medo de enfrentar o mundo sozinho. E ainda tenho. Por isso eu renunciei a minha felicidade.
-- Eu vejo o senhor sofrer tanto por isso. Ah, como sinto pena do senhor!
-- Eu mesmo tenho muita pena de mim mesmo – confessei, apoiando a mão encosto do sofá e sentando. -- Mesmo sabendo que não há mais nada a ser feito. Não se pode voltar no tempo e corrigir nosso erros ou refazer nossas escolhas. Esta é a grande ironia da vida. Talvez o que eu deveria ter feito era ter pensado melhor nelas. Eu deveria ter me atentado ao fato de que nossas escolhas são definitivas e para o resto da vida. E o mais importante: ter me dado conta de que elas mudariam para sempre o meu destino. Mas não pensei nisso e nem me importei com isso também. Agora não há mais nada a ser feito. Só lamentar e viver o resto dos meus dias com essa dor. É o que me resta – Súbito, as lágrimas vieram-me aos olhos.
Meire sentou do meu lado, abraçou-me e, passando a mão na minha cabeça, disse:
-- Não fique assim. Como o senhor mesmo disse: não vai adiantar de nada. O senhor é um homem bom. Foi infeliz. Mas Deus há de recompensá-lo depois.
-- Obrigado – agradeci. Cheguei a pensar em dizer-lhe que Deus não tinha nada a ver com isso, já que eu não acreditava na sua existência. “Posso ter todos os defeitos do mundo, mas não vou atribuir a uma figura imaginária o meu fracasso como ser humano. Por mais simples e fácil que isso possa ser, tenho de assumir a responsabilidade pelo meu destino. Eu o tracei. E se algo deu errado, a culpa é inteiramente minha e de mais ninguém”.
Fez-se um breve silêncio. Estendi o braço e apanhei o controle da TV. Liguei-a. Meire me soltou e acrescentou:
-- Vou preparar um cafezinho. Aposto como depois de tomar ele o senhor vai se sentir bem melhor.
Ela se levantou e me deixou ali.
Enquanto ela se afastava, desviei os olhos da TV e a acompanhei com o olhar. “Seria uma boa companheira se não fosse casada. Apesar das minhas limitações, ainda seria capaz de copular com ela, de ter alguns momentos de prazer. Sinto falta do corpo de uma mulher. As putas não são iguais. São pagas para fingir. Principalmente o orgasmo. Fazem isso para terminar logo e se livrar da gente. Poderia lhe fazer uma resposta irrecusável e ela aceitaria ser minha esposa, amante ou qualquer coisa assim. Mas tem um marido. Não sei se ela o ama e nem se ele é um bom companheiro. Também isso não mudada nada. Não seria descente lhe fazer tal proposta. Poderia se ofender, isso sim, e me deixar. Pediria as contas. Não. Melhor não ariscar. Quando a vontade for grande demais, vou atrás de uma puta, como venho fazendo nos últimos anos. Um velho assim como eu não tem escolha. Só assim mesmo para ter uns momentos de prazer. Mas bem que aqueles peitões iam me fazer feliz. E um pouco de felicidade é tudo que um velho como eu precisa. Ela tem paciência. E teria na hora de me excitar. Demora. Às vezes nem levanta, nem fica duro. Impotência. Não reage. Mas com aqueles peitões não seria muito difícil. Não dá para ficar indiferente. Causariam uma reação. E nua com aquele traseiro. Eu pediria para ela rebolar na minha frente. Meu falo. Indiferente. E ela esfregando a bunda nele. Ele não ficaria. Não mesmo. Ia crescer. Deitaria de frente pra mim. Abriria as pernas. Parece ter uma vulva grande. Aberta com aqueles lábios rosados. Fazer ele crescer. Ela conseguiria. Nem que eu tivesse de meter a cara nela e chupar. Isso me excitava muito. Ela também pode acariciá-lo. Talvez não tenha coragem de chupá-lo. Gosto quando aquelas putas me chupam. Assim eu ficaria excitado. Ele já está até reagindo, querendo ficar. Bem que eu poderia lhe dizer que ela é uma mulher bonita, sensual. Veria a reação dela. Diria que estou assim porque estou sentindo falta de mulher. De fazer aquelas coisas. Talvez ela sentisse pena de mim e até concordasse. Elas sentem pena da gente. As mulheres são muito sensíveis. Se a gente sabe causar pena nelas direitinho, bem causado, elas farão de tudo pela gente. No fundo era isso que eu fazia com a Diana. Ela continuava comigo por pena. Eu me fazia de vítima. Eu voltava e dizia aquelas coisas pra ela. Punha a culpa no destino e ela ficava com pena. Luciana também. Quantas vezes não teve pena de mim? Ela só ficou comigo por todos aqueles anos por pena. Sabia que eu não tinha futuro algum, que eu era eu atraso de vida. Mas ainda assim ficou. Fabiana, ela também tinha pena de mim. Me deixava fazer aquelas coisas, abusar dela daquele jeito por pena. E quando ficou grávida fez o aborto porque sentiu pena do meu desespero. Não queria me magoar e achava que assim não ia me perder. Agora ela está morta. Por minha causa. Sempre eu. Sempre causando pena nos outros e fazendo elas sofrerem. Fiz isso com todos. Fui o mais vil dos homens. Agora me transformei nosso. Só estou pagando pelo que fiz…”
-- O senhor quer umas bolachinhas? – gritou Meire da cozinha, tirando-me daquele estado de abstração no qual eu me encontrava. Talvez se eu estivesse só, teria ficado por horas mergulhado naquelas reflexões, as quais muito provavelmente me teriam causado uma depressão profunda como acontecera por mais de uma vez. E então eu teria ficado num estado desesperador.
-- O que foi que você perguntou?
-- Se o senhor quer umas bolachinhas com o café – repetiu ela, surgindo na porta. -- O café já está quase pronto.
-- Não, não. Obrigado. Só o café.
Procurei prestar atenção à TV. Naquele meio de tarde passava a reprise de A lagoa Azul, um filme que eu assistira no cinema quando tinha quase vinte anos. Na época fez muito sucesso. Sucesso esse repetido na TV. Aliás, era a enésima vez que passava na TV. Acredito inclusive tratar-se do filme mais repetido na TV brasileira. E lembro-me de comentar com meus botões há poucos meses, por causa dessas intermináveis reprises, que ligar a TV à tarde era um ato de masoquismo, já que a programação era tão ruim que assemelhava mais a uma sessão de tortura. Contudo, vendo a beleza de Brooke Shields seminua na tela, não pude furtar de pensar: “A única coisa que vale a pena nesse filme é esse encanto de mulher. Assim como muitos rapazes naquela época, também eu sonhei e tive as minhas fantasias eróticas com ela. Também, quem não gostaria de ter beijado aqueles lábios e tocado aquele corpo? Quem não sonhou estar perdido numa ilha deserta com ela? Esse filme a transformou de vez num símbolo sexual, talvez mais do que aquele outro… Como era mesmo o nome dele? Passava num bodel... Ah, sim! Pretty Baby. Menina Bonita. Foi esse o título que deram aqui no Brasil. Ela só tinha doze anos e já era um encanto. Pena que depois da Lagoa Azul ela sumiu...”
-- Pronto! Aqui está! – disse Meire entrando pela sala com uma bandeja na mão, sobre a qual pude visualizar uma xícara.
Fitei-a mais uma vez. Súbito me veio à memória a imagem do outro dia, onde ela curvara-se diante de mim e então pude contemplar aqueles seios enormes e muito belos. “Será que ela vai fazer de novo? Que nem aquele dia? Vou poder olhar mais uma vez para eles. Grandes. Enormes. Ah, como sinto falta duns peitões assim! Bem que ela poderia me deixar pegar neles. Apertá-los...” Meire se aproximou e apoiou a bandeja na mesinha de centro.
-- Quer que eu sirva o senhor?
-- Quero – respondi, curvando-se para frente, tentando observá-la por baixo da blusa. Ela não usava uma tão folgada quanto da outra vez, mas, devido ao tamanho dos seios, não havia como ela cobri-los por inteiro.
-- Quantas colheres de açúcar?
-- Três, por favor.
Após despejar o açúcar, deu uma mexida. Nisso virou de frente para mim, ainda curvada. Foi inevitável não encarar aqueles seios grandes. Num primeiro momento, ela não percebeu o meu olhar, mas como eu não desviava os olhos deles, ela percebeu.
-- O senhor está sendo indiscreto – deixou ela escapar, entregando-me a xícara de café. -- Sou uma mulher direita. E casada também – lembrou-me.
-- Não fiz por mal. É que eles são tão grandes… e bonitos também. Já tinha reparado neles outro dia, aquele que a senhora usava uma blusa mais decotada – confessei. -- Não me leve a mal. Um homem nas minhas condições e nessa idade é quase invisível aos olhos das mulheres. Isso não quer dizer que não sentimos desejos e falta duns momentos de prazer. Principalmente com uma mulher mais jovem. E nós homens, por mais velhos que sejamos, sonhamos sempre com um corpo enxuto e tudo no lugar. E a senhora, assim na minha frente, com esses peitos… Não pude evitar.
Ela se erguera mas permanecia diante de mim com um sorriso que eu não fui capaz de interpretar. Parecia dizer tanta coisa.
-- Não. Tudo bem. Já estou acostumada. Sei que tenho seios fartos. Na rua, principalmente no ônibus, sei como os homens olham pra mim. Às vezes, fico até incomodada, sabe. Alguns tem a cara de pau de chegar perto de mim, aproximar o rosto do meu, e dizer: “Que peitões gostoso! Não me deixaria dar uma chupada”. Assim na lata mesmo! Outros dizem: “E aí, gostosa! Me dá seu número?” E tem aqueles que dizem coisas ainda piores. O senhor precisa ver. Já tive o constrangimento de ser agarrada dentro do ônibus. Ele me agarrou, disse para eu ficar quietinha senão ia me enfiar o canivete e enfiou a mão por baixo da minha blusa e ficou apertando eles. Foi horrível. Fora outras propostas que já recebi na rua por causa deles. Só o meu marido que não dá o devido valor.
-- Ele não a trata bem?
-- Não é que não trata. Mas não liga muito pra mim. Prefere ficar com os amigos. Chega tarde do trabalho e nos fins de semana, vai para o bar encher a cara ou jogar futebol. Raramente saímos juntos e ele só me procura se eu insistir. Às vezes, acho que no fundo ele não me ama; outras, até que ele tem uma amante.
-- É uma pena. No lugar dele, eu dedicaria todos os dias da minha vida a senhora – falei, com um certo exagero. Sei que a maioria dos homens não dão o devido valor a mulher que tem. É a força do hábito. Talvez no lugar dele, eu fosse um marido mais presente, mas não tanto quanto Meire desejaria. Aliás, nas palavras dela havia um tom de ressentimento e também um certo exagero. Não que eu fosse um especialista em mulheres, longe disso, mas sabia perfeitamente que elas, quando se queixam, tendem transformar um copo d’água em tempestade.
Meire deu uma risadinha. Em seguida acrescentou:
-- Tenho certeza que sim. O senhor é um homem bom. Vejo o quanto o senhor sofre por causa de uma mulher.
-- Eu não fui capaz de lidar com meus sentimentos. Nunca tomei a decisão correta. Fracassei em muita coisa na vida, principalmente com as mulheres.
-- Não fale assim. Me dá pena ouvir o senhor falar desse jeito.
Eu acabara de tomar o café e estendi a xícara na direção dela. Meire se curvou para pegá-la e mais uma vez não pude evitar de olhá-la nos seios. Ela, talvez para me agradar, demorou um pouco para se levantar. Em seguida porém, ao se abaixar e recolocar a xícara na bandeja, fez questão de se virar de frente para mim e, levando a mão à gola da blusa, puxá-la para baixo, descobrindo um deles até a metade.
-- Só para animar o senhor um pouquinho.
-- Lindo – respondi com os olhos vidrados. -- Você me deixaria tocá-lo?
-- Se o senhor me prometer se animar e depois sentar no computador para escrever…
-- Prometo – respondi num átimo, levantando o braço direito e levando a mão àquele seio. Toquei-o com as pontas dos dedos, perpassando-os sutilmente sobre a tez macia, como se tocasse algo muito precioso ou uma peça delicadíssima. Ela apenas me observava. -- Posso pedir uma coisa?
-- Depende. Se tiver ao meu alcance. E olha lá o que o senhor está pretendendo!
-- Não é nada demais – falei.
-- O que o senhor quer?
-- Enfiar a mão e apalpá-lo. Queria senti-lo na minha mão. Isso se a senhora não se sentir ofendida. Não quero parecer um aproveitador como aqueles homens.
-- Não. O senhor não é como eles. É um homem respeitador. Pode sim. Mas só um pouquinho.
Então minha mão trêmula escorregou-lhe por dentro da blusa e do sutiã. Procurei o mamilo e o toquei. Em seguida, fechei a mão sobre aquele seio macio, apertando-o como se apertasse as nádegas de uma jovem. Meu falo começou a dar saltos, reagindo àquelas sensações.
Confesso ter experimentado um grande prazer. Ainda mais quando senti o mamilo enrijecer, numa reação natural àquelas carícias. Talvez aquela não fosse tão natural assim e minhas carícias estivessem lhe causando deleite, embora não tanto quanto causava em mim. E tomado por aquelas sensações, desejei não só manter a mão ali como também enfiar a outra e puxar o outro seio para fora e depois chupá-lo. Mas antes que eu pudesse perder a cabeça e fazer alguma besteira, Meire se antecipou e recuando, disse:
-- É melhor a gente parar por aqui, antes que o senhor perca a cabeça. Sei como os homens são. Perdem a cabeça muito facilmente.
Concordei. Ah, quantas vezes ouvi essas mesmas palavras de Diana! Já tinha ouvido isso antes daquela noite e tornei a ouvi-la uma meia dúzia de vezes durante o tempo em que permanecemos na escadaria daquele prédio. E da mesma forma que eu voltara para o apartamento da minha avó com o ventre ardendo em chamas, levantei e fui para o escritório cumprir minha promessa. Meire havia apanhado a bandeja e retornado à cozinha.
Permaneci ali na sala por uns cinco minutos, com os olhos pregados na TV. Ainda afetado por aquele gesto, não fui capaz de prestar atenção ao filme. Contudo, houve um momento em que Brooke Shields mostrou toda a sua sensualidade e então contemplei-a, o que me fez pensar: “Daria o resto da minha vida para alguns momentos com ela assim”. Então ocorreu-me: “Mas ela já não é mais jovem. A frescura e a beleza desse corpo perdeu-se com os anos. O tempo esculpiu-lhe marcas e apagou o frescor da juventude. Não se pode tê-la mais. Agora é só uma lembrança, uma imagem eternizada nas películas dos filmes. Agora ela é uma mulher como qualquer outra: velha e cheia de rugas. Não é mais um símbolo sexual. Nenhum rapaz, ao olhar para ela, a desejará como a desejaram quando ela era jovem. Diana também. Não é ,mais aquela por quem eu me apaixonei. Tudo são lembranças de um passado que não pode ser recuperado, nem mesmo por um Proust.” E foram esses pensamentos que me fizeram desligar a TV e voltar ao escritório e sentar diante do computador.
Não comecei a escrever de imediato. Por algum tempo, fiquei ali, parado, com os olhos fixos na tela e com os pensamentos distantes. A imagem dos seios fartos de Meira ainda me alimentavam a imaginação. Lembro-me de imaginá-la se despindo para mim e depois oferecendo-me aquele par de peitos para eu agarrar e chupar. Então nos vi na minha cama, completamente nus. Ela estava deitada sobre mim, remexendo sobre meu falo ao mesmo tempo que minhas mãos agarravam aqueles seios, apertando-os fortemente. E num dos mamilos, meus lábios e meus dentes se divertiam.
-- E agora? O senhor está conseguindo escrever? -- perguntou ela, provavelmente da sala.
Surpreendido com aquela pergunta, levei as mãos ao teclado e respondi:
-- Tô sim.
E temendo que ela aparecesse e visse que eu não escrevera uma única palavra até então, procurei fixar a atenção nos meus passos naquele começo de noite, e começar pelos momentos que antecederam ao nosso encontro.
Não foi difícil descrever esses momentos.
Lembro-me de descer correndo a escadaria do prédio, atravessar a rua feito um fugitivo e só parar no ponto de ônibus a poucos metros dali. Estava muito ansioso, como quem parte para ver um enfermo que está nas últimas e com quem ainda tem algo muito importante a tratar, algo que poderá mudar-lhe completamente o destino.
Eu sabia que não estava atrasado. Pelo contrário, provavelmente chegaria antes do horário combinado e Diana não estaria pronta. Ainda sim me foi torturante esperar o ônibus. Antes de vir aquele que me levaria até São Matheus, passaram inúmeros outros. E toda vez que um vinha e não ia para São Matheus eu o amaldiçoava. Em dado momento cheguei a dizer: “Porra, Caralho! Cadê a merda do ônibus que não vem?” Mas quando li “São Matheus” no letreiro aquele que me deixaria na esquina da rua Padre Café, meu coração disparou e fui tomado por uma felicidade tão grande que se diria que era Diana quem se aproximava e não o ônibus.
Durante o trajeto, eu não sei o que me passou pela cabeça. Lembro-me apenas de ficar muito apreensivo e achar que o ônibus estava lento demais. De tudo aquilo que deve me ter passado pela cabeça naqueles poucos mais de vinte minutos, uma única frase restou: “Ela também deve estar assim, desesperada”. Não sei precisar exatamente em que momento e em quais circunstâncias essa frase foi pensada; menos ainda porque só ela me restou. Mas me parece que eu pensava no meu afã de estar com ela e concluíra que era bem capaz de ela estar na mesma situação.
Desci do ônibus com uma felicidade tamanha, parecendo um prisioneiro há muitos anos encarcerado que atravessa o portão da penitenciária e sente o sabor da liberdade mais de uma década depois. Sorrindo, mais uma vez atravessei a rua correndo para não ser atropelado, pois não tive paciência de esperar o carro que se aproximava, e, como se o meu tempo estivesse esgotando, corri até a portaria do mesmo prédio onde passara a última noite. Sem titubear, toquei o interfone.


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