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Crônicas-->O Urubu do Ver-o-peso -- 12/09/2007 - 18:19 (TARCISO COELHO) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos

O Mercado popular mais popular do Brasil, para mim que conheci diversos pelo país afora, é o Ver-o-peso em Belém do Pará. Sua estrutura de ferro de origem européia da época do Brasil Império hoje conta com um complexo externo de barracas bem construídas e bem dimensionadas para abrigar o comércio das mais diversas mercadorias, desde ervas medicinais de uso popular até as espécies mais nobres de peixes da diversificada fauna paraense, além de tudo que se espera encontrar em centros comerciais da espécie. O seu nome, cuja origem, talvez seja de uma das primeiras formas de proteção à defesa do direito do consumidor, está simbolizado na balança sempre disponível em local de fácil acesso a todos que por ali passam, para conferir o peso dos produtos comprados.

A sabedoria popular sempre encontra na conversação das ruas a definição das situações vivenciadas pelo povo e não raro também pelos animais. No porto ali existente há uma grande concentração de urubus que ficam a cata de resto de alimentos que vão se desgastando no transporte ou mesmo no manuseio durante a comercialização, principalmente peixes. Embora em grande quantidade se tornam escassos diante da voracidade daquelas aves rapinantes. Em razão disso é grande o espetáculo da disputa entre os urubus em busca do melhor naco.

Na Ilha do Marajó a disputa já é quase inexistente, pois em toda a orla é abundante a quantidade de peixes, muitas vezes toneladas que se acumulam nas praias mortos por fenômenos até então não explicados. Outras vezes são búfalos que morrem em períodos de estiagem prolongada. Por isso a vida de urubu pela ilha é um tanto nababesca.

Assim, contam que um velho urubu do Ver-o-peso resolveu dar uma volta no Marajó e vivenciar a propalada fartura ali existente. Tudo foi confirmado, conseguiu boas companhias, já que não precisava entrar em contendas com seus pares para conseguir boas refeições. Os dias foram passando e o velho urubu ia engordando e entristecendo até que um dia confidenciou a outro urubu amigo: vou voltar para o Ver-o-peso. O amigo enalteceu a boa qualidade de vida no Marajó tentando demovê-lo da idéia. Porém, o tristonho urubu do Ver-o-peso disse: vou embora, pois nada aqui é melhor que aquela “sacanagem” do Ver-o-peso.

Tarciso Coelho
Soure (PA), 03.06.2006
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