Usina de Letras
Usina de Letras
   
                    
Usina de Letras
77 usuários online

 

Autor Titulo Nos textos

 


Artigos ( 54945 )
Cartas ( 21059)
Contos (12121)
Cordel (9543)
Crônicas (21131)
Discursos (3109)
Ensaios - (9910)
Erótico (13133)
Frases (39899)
Humor (17551)
Infantil (3560)
Infanto Juvenil (2308)
Letras de Música (5414)
Peça de Teatro (1311)
Poesias (135650)
Redação (2874)
Roteiro de Filme ou Novela (1035)
Teses / Monologos (2374)
Textos Jurídicos (1913)
Textos Religiosos/Sermões (4195)

 

LEGENDAS
( * )- Texto com Registro de Direito Autoral )
( ! )- Texto com Comentários

 

Nossa Proposta
Nota Legal
Fale Conosco

 



Contos-->TEATRO ESCOLAR -- 25/02/2017 - 14:47 (PAULO HENRIQUE COELHO FONTENELLE DE ARAUJO) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos



Neste momento, antes de uma delicada cirurgia no coração, o senhor Marcos, 57 anos, se lembra de dois teatrinhos em sua época de ginásio, há mais de quarenta anos atrás. Duas cenas em que, por coincidência, ele representou, nas duas ocasiões, o papel de um paciente em uma mesa de operação. Marcos emenda agora os episódios em sua cabeça. Na primeira encenação os outros alunos, em papeis de médicos, deveriam apresentar a cirurgia, tendo pela frente um paciente já quase perdido, mas devendo mostrar bons serviços médicos que trouxessem algum consolo à família do doente. Ocorreu que os alunos médicos riram e riram durante toda o drama. Isto desagradou muito a professora de Artes que no final comentou:




- A equipe dos alunos médicos estragou a cena! Médicos não riem em operações! Quem conhece médico que ri sobre o corpo do doente? Mal decoraram o texto! Se não fosse pelo Marcos com um desempenho verdadeiro, vocês levariam zero.




De fato, pensa Marcos, na primeira peça ele foi o morto, o anestesiado perfeito.




E na segunda peça, no ano seguinte, por coincidência, pensa Marcos, deram-lhe novamente o papel de vítima antes da cirurgia, mas a cena criava uma situação surreal, em que todos os alunos no papel de médicos desmaiavam durante a operação e o doente ao ressuscitar, dava um grito de desespero vendo os doutores naquela prostração e morria de vez caindo em frente a plateia.




A mesma professora de Artes, da terceira série do ginásio, no ano de 1972, novamente detestou a história que não fazia sentido e detestou a encenação dos outros alunos - eles voltaram a rir - mas soltou muitos elogios a ele, Marcos, pela sua interpretação magnífica e irretocável de anestesiado.




- O Marcos foi um verdadeiro ator. Fez o papel de forma brilhante.




Sim foram brilhantes, pensa Marcos antes da sua cirurgia real no coração... duas cenas teatrais, as únicas interpretadas por ele durante toda a sua vida. Sem qualquer diálogo, porque ele fez o dificílimo papel de alguém perto da morte.




Marcos aguarda a mesma cena, desta vez ela seria real e pergunta: “Onde está a professora de Artes para elogiar a minha atuação? Onde está a professora de Artes do ginásio que refreará os médicos quando eles entrarem rindo na sala, querendo encenar uma cirurgia sem observar a seriedade do roteiro?”




Marcos não precisa de experiência artística na sua cirurgia do coração. Uma intervenção cirúrgica tão delicada, com uma plateia pequena. Apenas sua esposa e dois irmãos e estão fora da sala.




Os médicos entram, começam a cirurgia. Marcos fica pensando, pensando até ouvir bem longe, a fala descabida de um dos médicos:




- Eu perdi o pulso!




Marcos sente vontade de rir. Por que não? Se a professora de Artes nem estava ali.




Marcos percebe, no entanto que os médicos desta vez estavam sérios e apreensivos. Era uma inadequação terrível dentro daquele momento teatral: uma comédia, que talvez precisasse de pausas, um pouco de informalidade e alguma leveza.





DO LIVRO:"TOUROS EM COPACABANA"      








 


Comentários

O que você achou deste texto?       Nome:     Mail:    

Comente: 
Informe o código de segurança:          CAPTCHA Image                              

De sua nota para este Texto Perfil do Autor Seguidores: 17Exibido 129 vezesFale com o autor