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Contos-->COLEÇÃO DE LIVROS DE COZINHA -- 16/05/2017 - 09:19 (valentina fraga) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
Braza, só para os íntimos, é um amigo escritor, que tenho em mais alta conta, visto seu vocabulário interminável e peculiar. Ele conta histórias maravilhosas de seu passado, e com isso, leva qualquer mortal a remexer num baú trancado à sete chaves. Obrigada Braza por estimular minhas melhores memórias.

Sendo assim, segue uma historinha guardada.

Era início da década de 70. Por força de parte dos parentes que tinham vindo para o RJ, à procura de melhoria de vida, viemos nós. Nosso núcleo familiar era pequeno, papai, mamãe e euzinha. Lembro bem que a mudança consistia em um conjunto belíssimo de armário de quarto, uma cama com estofado divino, uma cristaleira, uma mesa com cadeiras, uma cama de armar, onde eu dormia.
Meu pai veio sem emprego fixo, e os primeiros tempos foram penosos. Vivíamos em um quitinete do titio, e por lá passamos uns três anos, tempo de mamãe engravidar do meu irmãozinho que nasceu com 4 anos de diferença. As coisas estavam bem apertadas e pra ajudar no orçamento, mamãe resolveu fazer bolos e docinhos pra fora.
Naquela época, pouca mulher trabalhava, apesar de ter sido estatística na numa grande loja do nordeste.
Não existia internet, nem livros de receitas poderosos, coloridos, nem programas de televisão com receitas variadas, aliás, só pra constar, nós não tínhamos televisão.
A primeira, veio de um refugo, da casa de titia, e durou uma semana no máximo. Um móvel enorme, com uma televisão engastada nele, e tenho fotos para registro.
Na verdade a celeuma se deu, quando chegou em casa um carro, entregando um conjunto de 6 livros de capa dura com muita coisa escrita e algumas fotos em preto e branco de bolos decorados da época.
Apesar de papai ter traços finos de fidalgos europeus, sua origem era nordestina e com isso, uma baixa aceitação da mulher botar a mão na massa e correr atrás do prejuízo.
Lembro do estardalhaço no portão do prédio que morávamos, e das severas discussões por conta da compra do coleção.
Na verdade, a visão pouco ampliada de papai, não enxergava que dali, daquele custo inicial, haveria de sair parte do sustento familiar.
Quase deu separação, e as brigas foram intermináveis por conta de um conjunto de livros, pelo menos, isso é o que eu me lembro.
Liguei pra mamãe, a fim de aquecer a memória, mas não teve jeito dela lembrar do fato.
Já não sei se o problema é da minha memória, ou da memória dela,
mas que isso aconteceu, aconteceu.
Depois que começaram a surgir algumas encomendas, a coisa melhorou e a história virou fato passado.
E aqui fica a gratidão, por Braza me fazer buscar histórias tão esquecidas, de um passado que não me cabe mais.

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