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Contos-->Cavalinho amarrotado -- 10/08/2017 - 22:56 (Adalberto Antonio de Lima) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
Caiu a tarde. Sonolento o sol inclinou a cabeça sobre o travesseiro das montanhas e a lua derramou luz prateada no terreiro. Logo, os vaqueiros chegaram para  ouvir  Generoso tocar viola. Euzébia serviu  chá com biscoito, e quando o relógio de parede pingou  nove estrelas no compasso da noite, as visitas bateram em retirada.  Os solteiros armaram suas redes nos esteios da oficina de farinha. Acariciados pela brisa fresca da noite,  dormiram numa casa sem paredes. Mal rompia a aurora,  a vaqueirama se apresentou fogosa,  na sede da fazenda.  Despreocupados, os  meninos ainda dormiam o sono que vem depois da primeira urinada  na rede. Vaqueiro  Onofre esfrega os olhos e escolhe um cavalo desbotado que cochila à beirada da cerca. João Velho matutou: ‘O meninote conhece! Esse cavalinho é o melhor da fazenda pra golpear boi arisco. Tem menos arranco que um grande, mas logo toma a dianteira. ’  Vaqueiros e fazendeiro seguiram a  batida. O boi fugidio  afasta a betônica com o peito, e a tritura nos cascos, abrindo passagem estreita. Correndo  no batedor, só se vê o lombo  do boi, que mais parece uma bruaca galopante. Generoso passa a mão no rabo da rês e puxa de lado.  O arreio arrebenta, e  a sela escorreu pros vazios do cavalo.   Com duas upas,  o animal  jogou o dono no chão.  Onofre apertou a montaria  nas esporas, levou  a mão no sedenho do boi e puxou pra esquerda.  Foi um tombo  só.
— Sangra o bicho, gritou o patrão.
— Mato Não! Agora sou o ‘padim’ deste boi.
E passou o laço no pescoço de  Chuvisco, que o seguia como um cordeiro.
— O patrão se machucou — quis saber o vaqueiro novo.
— Nada grave. Mas não quero que Corina saiba da queda. Coisa de homem. Quando o marido  cai do cavalo, a mulher não pode ver, nem saber que ele  caiu. 
Outros vaqueiros aproximaram-se mordendo os freios a poucos metros do acidente. Pisoteado pelos cavalos, o chapéu de Generoso, mais parecia uma bosta de gado esparramada no chão. Generoso  desamassou seu chapéu e amarrou o barbicacho. Apertou a cilha, conferiu as rédeas, firmou no estribo e montou novamente. Teve vontade de ferir a barriga do cavalo Presidente  com as rosetas da espora, mas não o fez. Olhou para Onofre que estava desmontado, segurando boi Chuvisco pelo cabresto.
— Daqui a dois dias temos um encontro marcado com uma pintada. Guarde suas forças, porque coragem  sei que tem de sobra!
 Turíbio Medonho aproxima-se  fumando um cigarro de palha.
— Que derrubou o boi.
— O vaqueiro novato.
— O novato? aquele paspalho, frangalho de gente mal empanada? Tem jeito de frangote que ainda mija nas calças!
— Brinca não! O cabra é macho.  Derrubou o boi na primeira apanhada. Agachado, grudado na sela feito chien em cabelo nêgo.
— Tem mosqueiro rodando a sela da montaria dele.
— Tem também um punhal na cintura. Fique esperto! Esse aí chegou pra botar ordem onde não tem. Já foi contratado pelo patrão.  Logo vai mandar até em João Velho.
***
Adalberto Lima, fragmento de Estrela que o vento soprou.
Adalberto Lima
Enviado por Adalberto Lima em 10/08/2017
 
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