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Contos-->Lagoa azul ( texto reeditado) -- 25/08/2017 - 21:19 (Adalberto Antonio de Lima) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos


 








Tudo tremeu, saiu do prumo, depois aprumou a conversa:
— Viste A Lagoa Azul? 
— Sim, é uma linda história de amor que se passa numa ilha. Às vezes viajo na imaginação, e me sinto numa ilha deserta... 
— Que adianta ensinar a voar, se tu não voas? Ensinar a sonhar, se não sonha.   
—  Pecador... Tu és o relógio atrasado do santo ofício. 
 Sentiu-se constrangida. Teve vontade de dizer que viu estrelas, sentiu calafrios... 
—Nosso idílio morreu. 
— Então, afasta-te também de Chanana.  
— Chanana tem idade de ser minha mãe! 
— É por isso mesmo! Ela se parece muito com dona Leide. 
— Ela parece com minha mãe ou eu me pareço com teu pai? 
— Não respondo por Freud. 
— Tens vocação ao sacerdócio, mas esbarras na carne. É preciso que corpo e espírito formem um todo, único e indivisível com os olhos voltados para o céu. 
— Tenho um pé no céu e outro no mundo.  Alguma coisa superior à minha liberdade de escolha, domina meu ser. Não consigo controlar. 
— Podemos ser apenas amigos. 
— Impossível! Preciso repetir que não posso vê-la sem desejar? Não consigo desejar sem tocar?... 
Fez uma pausa. Enxugou uma lágrima, e disse com lábios trêmulos:  
— Quando estás comigo, e eu contigo, Deus também aí está. 
— Deus não está no abismo, mas é capaz de mergulhar nas profundezas do abismo para resgatar uma alma. Não vês que o anjo da guarda vira as costas, quando me acaricias o rosto?... quando sorve os cristais derretidos que banham minha face? 
— As próprias trevas não são escuras para Deus. Se eu subir até os céus, ali o Senhor estará; se descer à região dos mortos, lá O encontrarei também. 
— Pecador, pecador! Não vives o que pregas. És carne, simplesmente carnal. 
— Isto é a realidade da ficção. Não compreendes? 
— E como vou saber, quando atua Ravenala ou Chanana?
— Nunca se sabe. É impossível separar o espírito da carne. Se a carne morre, vivifica o espírito. E o espírito que é imortal passa a habitar outra esfera. Quando isso acontece, só haverá reencontro no juízo final. 
— Não te verei mais? 
— É preciso evitar situações que favorecem o pecado. “A ocasião não  faz o ladrão, o ladrão se revela, quando a ocasião é favorável.” 
 
— Não insistas comigo para te deixar. Posso ir para as mais longínquas paragens, mas meu coração estará sempre próximo ao teu. 


— Estou em  conflito com o nono mandamento. Sinto que  Androceu procura o momento certo para disparar sua flexa no calcanhar de Aquiles. 
— Falas como se estivesses com Chanana. Ela é casada. Fica com ela, então! Mas, deixo-te um conselho: “Troque os bens do tempo pelos da eternidade. Ajunte tesouros no céu, onde a traça e a ferrugem não os consomem. 
— Desculpe-me por despertar o psicanalista que dorme: “O  homem que está livre da religião tem uma oportunidade melhor de viver uma vida mais normal e completa.” 
— Viver no pecado não é ter uma vida normal. Também disse a alma que há pouco evocaste: “Somos feitos de carne, mas temos de viver como se fôssemos de ferro.” 
— Não sou Nietzsche nem tu és Freud, mas haveremos de concordar com quem tenha dito: “ A felicidade é um problema individual. Aqui, nenhum conselho é válido. Cada um deve procurar, por si, tornar-se feliz.” 
— Sinto-me mais forte quando sou  amada. 
— Não decides se quer e não pode, ou se pode e não quer. Deixas-me confuso. 
— Quero tua amizade. 
–— Não posso ter as duas coisas? 
— Não! Ou amarás a Deus e odiarás o mundo, ou terás o mundo e perderás a salvação. 
— Mas ainda estou no mundo!  
—  Nesta quadra da vida, sair de cena é doloroso. 
— Et finita trinus. 
— O quê? 
— Agora é a vez do leitor criar seu enredo, conforme lhe convém. 
— Nem tanto! Quero ser lida  por clérigos e leigos, crianças, velhos...Meu desejo é que todos: personagens e leitores, estejam presentes na vaquejada do céu.  
— Continuar a história no céu? 
— Quero ser a velhinha da carimbamba, passar de geração para geração. 
— É difícil viver ao mesmo tempo duas personagens. Ravenala deve sair de cena. Lembras que manchaste a parede de minha casa com tinta guache? 
— Sim! Quando transformava tua garagem em local de festa. 
—  Pois é. A tinta saiu com esponja e água. Como na vida, tudo que não tem consistência passa.  
— Gravei teu pensamento, no mais profundo de minha alma: “ Quase longe é quase perto. Quem mora em teu coração, mesmo estando longe, está perto. Isso é quase longe.” 
— Curas a ferida alheia com a mão esquerda, e com a direita, guarda tuas dores na gaveta. 
— Amarás uma pessoa, quando conheceres seu coração. Se nunca te aproximares, ela estará sempre longe, mesmo estando perto.  
— Tens boa memória! 
— Dize-me que não fui apenas personagem, por favor! 
Robert, silenciou, mas não conteve o impulso e  sorveu, lascivamente,  o doce mel dos lábios de ‘Iracema.’  
O tempo parou. 

***
 

Adalberto Lima, framento de Estrela que o vento soprou.  
Imagem: cinemaclassico.com

 



 


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