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Contos-->VIDA DE CASADO - O ÚLTIMO PEDAÇO DA LASANHA -- 21/10/2017 - 07:46 (ALEXANDRE MOTTA JUSTO) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
ATENÇÃO: ESSE TEXTO CONTÉM DIVERSOS PALAVRÕES. SE VOCÊ NÃO GOSTA DE TEXTOS COM ESSE TIPO DE LINGUAGEM NÃO O LEIA.


A vida de casado tem dessas coisas. Um homem e uma mulher se amam e fazem votos sagrados. Era de se esperar que na hora da fome cada um abrisse mão da sua cota em favor do outro. Mas isso só acontece em outro tipo de relação: a amizade.





Pensa bem: dois amigos dividem um apartamento e no domingo fazem uma lasanha. Pratos vazios e na travessa um último pedaço que serve apenas uma pessoa. Eu sei, eu sei, fisicamente um pedaço de lasanha, não importa o tamanho, sempre pode ser dividido em inúmeras partes, mas não atrapalha o meu raciocínio. O que acontece? Uma luta mortal pela sobrevivência? Não. Um insiste que o outro coma o pedaço que sobrou.


- Come aí cara, tô satisfeitão.


- Não porra, a receita é da sua mãe.


- Come aí brother, de boa. Minha velha ia gostar.


- Não, não...


É uma insistência irritante, bichalesca e demorada até que um dos amigos se dá por vencido e come a lasanha com uma sincera dor no coração. Até se oferece para lavar a louça.





No casamento.





- Opa, opa, opa! Jorge Fernando o que você pensa que está fazendo? - isso é a mulher interrompendo o marido que já estava puxando o tabuleiro pro lado dele, porque homem que é homem come no tabuleiro, na panela, na lata. Eu mesmo aqui em casa como o doce de leite direto do pote e enfio sem cerimônia a colher babada para a segunda colherada. O sorvete também. Pudim, então, nem se fala: eu nem tiro da geladeira. Vou comendo às colheradas ali mesmo ajoelhado na cozinha.





Mas voltemos ao casal.





- Ué, diz o marido com sincera inocência, vou comer esse último pedaço. Desperdício, né?





Veja bem: a Elza Maria não é dessas coisas, pois se fosse o Jorge Fernando não arriscaria a própria vida por um pedaço de lasanha. Talvez ela estivesse estressada no trabalho, talvez estivesse realmente com muita fome, mas o fato é que reagiu assim:





- No seu cu que você vai comer esse último pedaço sozinho! Passa essa porra pra cá que eu vou dividir.





Entendam: quando uma mulher fala desse jeito com um homem ele fica amedrontado. Amedrontado não! Ele fica com medo. Medo é pouco. Apavorado. Só que é a lei da selva: ele não pode demonstrar o medo, não pode deixar que seus olhos revelem o verdadeiro terror que ele está sentindo diante da fêmea faminta. Ele deve enfrentá-la, até porque ele não está em uma selva de verdade e pelo menos morrer ele sabe que não vai. Então ele enfrenta. Se cagando de medo do que o futuro lhe reserva mas enfrenta.





- Elza Maria, que frescura é essa agora? - primeiro erro do cara: dizer que a mulher está de frescura. É o mesmo que dizer para um homem que ele está com medo da mulher.





- Que frescura Jorge Fernando? Desde quando eu sou fresca. Me diz uma vez que eu fui fresca? - essa é a tática covarde das mulheres. Elas invertem o jogo e enquanto você está pensando como ela conseguiu isso ela já deu outra invertida. Tipo um salto triplo twist carpado argumentativo: quando você vai ver já aconteceu.





- Não...não - os três pontinhos revelaram medo. Elza Maria está ganhando - você não é fresca não, é que como você sempre come só dois pedaços da lasanha eu pensei...


- Pensou que podia comer quatro.


O que o cara vai dizer numa hora dessas? Nada. Mas o Jorge Fernando quis falar e falou merda. A pior de todas.


- É...pensei...e como você está mais gordinha eu imaginei...





Consequências da cagada do Jorge Fernando: Elza Maria comeu os dois pedaços de lasanha com as mãos, deixando nacos de linguiça e presunto rolarem dos cantos da sua boca e caírem no chão. Quando acabou, soltou um arroto e correu para a cozinha.





Preocupado, Jorge Fernando foi atrás da esposa e a encontrou ajoelhada em frente à geladeira comendo o pudim em fartas e babadas colheradas.

















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