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Contos-->Defunto ganha eleição para prefeito de Juramento -- 23/11/2017 - 22:28 (Adalberto Antonio de Lima) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos

Lá vem a boiada de Campo Grande pela estrada velha! Vaqueiro  Xandão sopra o berrante. Onofre assume a guia,  João Velho, o coice. 

Turíbio Soberbo não gostou da pessoa de João Velho na retaguarda. Pururuca e Dino também não! O projeto da fazenda de peixe-leiteiro teria que ficar para outra oportunidade. Guardou, no entanto, a pergunta de seu parceiro. ‘Vai criar baleia?’ E a resposta que deu, sem sentir: ‘Boto!’
— Não estou vendo Boto-cor-de-rosa! — Disse João Velho, julgando que a conversa dos vaqueiros era sobre o reprodutor rufião, que Generoso resolvera mandar para o abate.
— Tá perto de boi Matreiro. Nunca gostou mesmo de vaca! Só cheira. O garanhão é que cobre e faz a cria. ‘Aposta... objeto de aposta...o patrão recebeu gato por lebre’.
— O candidato de Generoso, ganhou jogando com carta suja. Onde já se viu atravessar jipe na ponte,  para os eleitores do adversário, não chegarem a tempo de votar?
— Um sobrinho de Preto, retirou o cabo da bobina. Enfiou no bolso, para recolocar quando lhe conviesse. — Ajuntou o outro.
— Meu patrão não é disso. O jipe dele estava cedido para ajudar na campanha de Sebastião. Foi um parente de Durão quem aplicou esse golpe. Ainda assim, dava para o eleitor  puxar a pé. Eram só duas léguas.
—Àquela hora da tarde, dava. Dava pra chegar à noite, e assistir a apuração dos votos!
— Votou no defunto para ajudar o patrão a ganhar uma aposta, João Velho?
— Sou homem pra isso não! Tião morreu, antes da eleição, mas a Lei garante ao partido a substituição do registro.
— Sem mudar a cédula, nem a foto  do ‘santinho?’
— E dava tempo?
— Deixa a prosa da eleição para depois, disse Onofre. Vaqueiro distraído,  boi debandado.
Alexandre Guedes tirou de lado. Apertou o cavalo nas esporas, e foi pro coice. Tunico Oliveira apressou o passo e fez barreira na cabeça da ponte. É estreita demais! Pode machucar o gado. Toda a boiada atravessa o rio a nado. Adiante, Montes Claros é toda avistada. O gado passa em desfile na cidade. Vira a cara em continência para a mulher que tem  um menino nos braços. Gente havia que fechava as portas com medo. E abriam janelas para ver a boiada. O velho Maximiano estima: ‘Lota dois trens... ’ Veríssimo calcula por baixo: ‘Maximiano errou. Só lota um. Já reparou quantos vagões tem o trem?’ 
Distraído, o pavão de Walkiria vira pasta entre os casos dos bois. Ninguém cobra  a conta. O gado passa. Passa boi. Passa boiada. Passa o vaqueiro na estrada. Só a saudade não passa.
***

Adalberto Lima, trecho de "Estrela que o vento soprou."
Imagem: Internet.
Adalberto Lima
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