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Contos-->Juntando as escovas (miniconto) -- 07/02/2018 - 22:30 (Adalberto Antonio de Lima) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos

O reencontro com frei Gaspar, gerou grande vexame.  Ravenala  apresentou Fernão como marido, para não ter que dar maiores explicações. Sabia o que pensava a Igreja Católica sobre a união de um homem com uma mulher, sem o sacramento do matrimônio. 

— Este é meu marido.
— Muito bem minha filha! Por que não escolheu a Basílica Santa Terezinha. Faria teu casamento com todo o prazer. Foi na pia de nossa igreja que foste batizada. Sabias disso?
— Sim.  A mãe me falou algumas vezes sobre.
— Não apareceram mais na Basílica?...
— É verdade! A mamãe faleceu e nos mudamos para o Aterro do Flamengo.
— Meus sentimentos pela morte de sua mãe. 
Ravenala  fingiu esquecer a pergunta sobre o casamento dela na Igreja Católica; e o Frei, não insistiu nem insinuou aguardar resposta. 
Despediram-se.
— Não sabia que me casei com uma carola! 
Com sabedoria,  Ravenala respondeu: 
— Faz parte de nosso pacto, não te lembras?
— Sim, mas não faça  armadilhas para  me casar na tua igreja.
Guardou com tristeza a palavra: ‘armadilha...’ E entendeu perfeitamente, que era um aviso de que Fernão  jamais se casaria com ela.
— Quero romper o pacto que fizemos — disse Ravenala.
— Estás propondo descasamento?
— Não! Quero romper o pacto de sermos anônimos, nada sabermos da vida do outro. Quero conhecer tua família!
— Vamos marcar um jantar com minha mãe! Sou filho único e meu pai é falecido. 
Vem a noite e cai como um aviso que se aproximava o momento  do compromisso familiar.  Raquel  precisava representar  o papel de anfitriã e ao mesmo tempo, convidada.  Evidentemente, na função de futura e quem sabe, fracassada sogra, se aquele encontro não ensejasse a oportunidade de outros tantos acontecerem, até que a amizade se transformasse em algo maior do que apenas amizade.
Com que roupa eu vou?... 
E escolheu a melhor roupa, nem tanto glamorosa  como em seus tempos de estrela, nem tão pequena no gosto. Cuidou ainda de não se dirigir a Ravenala, chamando-a de Vannini. Com certeza, qualquer desalinho de raciocínio causaria desconforto irreparável. Refez cenas e cenários, contemplou  cinco anos de glamour, somados a  meio século de  posterior anonimato: duas faces a vida lhe ofereceu: a primeira, tecida com fios  mágicos de encanto e beleza,  aplausos, fama e beijos; a segunda, indiferença, solidão  e desprezo.  No entanto, e apesar de tudo, ainda era seu o Cadillac vermelho-acetinado com o qual, no passado, esbanjara elegância e beleza na Avenida Nossa Senhora de Copacabana. 
— A senhora guarda muitos traços de beleza, fino trato e bom gosto — disse a moça.
— Minha filha, a mão poderosa do deus tempo, triturou-me os ossos. Sou estrela que o vento soprou. O resto, bem o resto, é o que ficou. 
As linhas do rosto revelavam as noites mal dormidas, jornadas de glamorosa fama que hoje Raquel  trocaria por uma velhice saudável.
— Para que me serviram os holofotes e as noites agitadas, se agora só tenho o negrume e a solidão? Não tenho sequer azeite para reacender a estrela que outrora, em mim brilhou. E logo após o tilintar de delicadas taças de cristais, Raquel conclui.
— Meus filhos! o amor é  a brisa suave soprada pela boca de Deus. Forças adversas, no entanto,  podem transformar o amor em ódio  e a brisa suave em tempestade.
Ravenala desconversou. Ou não quis entender.
— Canhoto, Fernão? Não sabia que eras canhoto!
— É impossível andar em linha reta, quando a estrada é curva. Nasci torto, por certo, tenho um anjo torto a guiar meus passos.
— Gauche — disse Raquel esboçando um sorriso drummondiano.
— Nem tanto sinistro — completou Ravenala.
— Pensei que o anjo torto fosse anjo do mal! Seria apenas um anjo canhoto?
— Anjos são ambidestros.
— Já deram asas aos anjos, mesmo eles não precisando delas para voar, e agora me trazem anjos destros e canhotos, como se não bastassem os seres mitológicos que além de terem pernas, braços e asas, andam por aí com um arco atirando flechas nos corações enamorados? Que amor é este que transpassa com flechas o coração?
— Deus se serve da inteligência humana, para colocar no coração do homem a pedagogia divina. É preciso ferir a terra para que ela produza frutos.
--O amor é lindo, e ao mesmo tempo, feio, se não vivido com maturidade...
--Tudo que se faz com amor e por amor, conduz à tão sonhada felicidade. 

A noite imensa. Infinda. Seguia devagar como se as horas andassem a passos de tartaruga. No ar pairavam dúvidas e incerteza: alguma coisa Raquel escondia.
***
Adalberto Lima, trecho de "Estrela que o vento soprou."(obra em construção.)
Adalberto Lima
Enviado por Adalberto Lima em 07/02/2018
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