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Contos-->Flanelinha de gravata(microconto) -- 10/03/2018 - 11:18 (Adalberto Antonio de Lima) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos



Meio solteira, meio viúva, ela deixou a  chave na portaria e afastou-se dirigido devagar. Carros passavam e a ofendiam com xingamentos:  Vá pra faixa da direita, sua vaca!.  Respire fundo e dê passagem disse para si mesma. E procurou uma rua aonde pudesse deixar o carro sem ter que pagar uma taxa à prefeitura. Sobretaxa. A via é pública, construída e mantida com o erário público. Posso olhar o carro para a senhora — perguntou o flanelinha de plantão.
— Claro, claro. Pode olhar. Não paga nada para olhar.
— Inteira pra mim o dinheiro de comprar o pão! Tenho dois filhos pra criar...
Mentira. Danos na pele indicavam que o trabalhador informal era usuário de crack ou cocaína, as duas coisas juntas ou apenas uma delas. E Ravenala que se apiedava tanto, quando via Vannini pedir dinheiro no semáforo, sentiu em sua própria pele a sensação de revolta coletiva. Pagamos os impostos mais altos do mundo e ainda termos que arcar com as despesas dos usuários de drogas? Dai-me paciência... Os filhos de Candinha diziam, que o governo concede benefício social aos usuários de drogas, porque é, na pessoa de políticos corruptos, o fornecedor da droga. Mas Vannini nunca foi usuária. Ela limpava para-brisa dos carros, para ajudar financeiramente mãe nas despesas de casa.
— Não jogue essa água suja em meu carro sua pilantra. Não vê que o para-brisa está limpo! — Dissera certa vez um motorista. Outros, no entanto a gratificavam. Se por um lado, dar dinheiro a pedintes é incentivo à ociosidade, por outro lado, em não se “contribuindo com um pai que tem filhos para criar” pode ser que o proprietário tenha o  dissabor de ter seu carro depredado.
Estacionou  o veículo numa rua que deságua na avenida Nossa Senhora de Copacabana. Ali também, havia umflanelinha pronto para extorquir dinheiro: A prefeitura. A placa não deixa dúvida. ‘Área Azul’ significa que o cidadão tem que pagar por um bem construído com o dinheiro público. E se quando ela retornasse, seu carro houvesse sido furtado, a prefeitura indenizaria a perda? Pode ser que venha a ter ganho de causa, mas o ressarcimento... bem, a indenização precisa entrar primeiro no planejamento de exercícios futuros. Lamentavelmente, a contrapartida dos  impostos pagos é desproporcional ao ‘investimento.’  Ravenala teve vontade de chorar, mas naquele dia...naquele dia não cabiam mais lágrimas em seu rosto. Que fazer? Desceu descalça e caminhou na areia, deixando o rastro desalinhado  de suas pegadas. 
A linha ondulada das águas, brilhava esbranquiçada no fluxo e refluxo da maré. Teve medo. Pareceu-lhe ouvir gritos de náufragos pedindo socorro. Mas não havia naúfragos. Ela ouvia os gritos de seu coração




Adalberto Lima


 




Enviado por Adalberto Lima em 10/03/2018
Reeditado em 10/03/2018

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