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Crônicas-->Eu fui -- 29/01/2001 - 10:39 (Pedro Carlos de Mello) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
A minha ida ao Rock in Rio 3, em 2001, começou a ser traçada em Punta del Este, no Uruguai, em abril de 1975. Na época, eu morava no Rio Grande do Sul e para nós, gaúchos, não era tão difícil conhecer o Uruguai. Pois foi em Punta del Este que escutei, pela primeira vez, a belíssima música de Crosby, Stills, Nash & Young, numa loja de discos. Trouxe comigo o long-play “Déja vu” do quarteto. Amei, principalmente, “Carry On”, de Stephen Stills, “Teach your Children” e “Our House”, de Graham Nash, “Helpless” e “Country Girl”, de Neil Young e “Déja vu” de David Crosby.

Seguiram-se, dentre outros discos, os magníficos “CSN”, de Crosby, Stills & Nash”, “Harvest”, “Rust Never Sleeps”, “Freedom”, “Harvest Moon” e “Sleeps with Angels”, de Neil Young. Recentemente, em 1999, o quarteto se reuniu novamente e gravou “Looking Forward”. Neil Young gravou, em 2000, “Road Rock”.

Nesses anos todos vim acompanhando, por meio dos seus discos, tanto a trajetória do grupo, quanto a dos seus integrantes quando em carreira solo, principalmente a de Neil Young. Infelizmente, seus discos nem sempre são fáceis de encontrar no Brasil. Em 1999, estive em Vancouver, no Canadá ( país natal de Neil Young) e fiquei contente ao verificar que a megaloja de discos “Virgin” reservava uma estante só para Neil Young. Comprei vários CDs que faltavam à minha coleção.

Por tudo isso, não é difícil imaginar a minha suprema satisfação ao saber que Neil Young tocaria sua guitarra e cantaria, pela primeira vez no Brasil, no Rock in Rio. (Anteriormente, ele esteve perto de se apresentar para os fãs brasileiros em 1995 --numa edição do Hollywood Rock Festival, no Rio--, mas acabou cancelando a vinda quando soube que o patrocinador do evento seria uma companhia de cigarros). A despeito de morar em Brasília e de ter um certo receio de multidões, eu não poderia deixar de ir ao show. Meus 48 anos de vida mereciam esse prêmio. E os 55 anos de idade e os mais de 30 anos de carreira de Neil Young precisavam ser reverenciados. Seria, o coroamento de minha longa paixão pela música cativante de Neil Young.

Eu fui. Cheguei à Cidade do Rock às 18:00 horas do dia 20 de janeiro de 2001. Acompanhei atento e com prazer as apresentações dos Engenheiros do Hawaii, Elba e Zé Ramalho, Kid Abelha, Dave Matthews Band, e Sheryl Crow, anteriores a de Neil Young. Não me importei que o aperitivo era mais longo do que o prato principal. Foram mais de sete horas antes de ouvirmos os primeiros acordes das guitarras de Neil Young e de seus companheiros da banda “Crazy Horse”.

O que se viu e ouviu a partir daí foram momentos de pura magia. Neil Young mostrou toda a sua competência ao manejar a sua guitarra movida a alavancas e pedais, extraindo dela sons inebriantes que pareciam penetrar em nossos ossos de tão potentes, ao mesmo tempo que flutuavam suavemente no ar antes de entrar em nossos ouvidos, para deixar sua marca em definitivo em nossas mentes. Ao vivo e a cores, uma a uma, únicas, as músicas “Sedan Delivery”, “Hey Hey My My”, Love and Only Love”, Cinnamon Girl”, Fuckin’Up”, “Cortez the Killer”, “Like a Hurricane”, “Rockin’ in the Free World”, “Powderfinger”, “Down by the River” e “Welfare Mothers” desfilaram no Palco Mundo do Rock in Rio.

Foram cerca de duas horas de puro espetáculo, considerada aí a mais completa acepção que essa palavra “espetáculo” possa ter. Durante a execução do hino “Like a Hurricane, que nos envolveu por 16 minutos, Neil Young exigiu tanto de sua guitarra Les Paul, que uma das cordas rompeu-se, ferindo-o. Mesmo sangrando, ele encostou a guitarra no estrado da bateria, e com a corda arrebentada começou a batê-la contra os captadores, arrancando desse agora inusitado instrumento sons inimagináveis, deixando a música “Like a Hurricane” mais comovente ainda. “Rockin’in the Free World”, que durou 13 minutos e a antepenúltima música tocada “Powderfinger”, 7 minutos, foram outros dois grandes momentos do show. Soberbos.

Cansado das nove horas quase inteiramente de pé, sujo da poeira em que o gramado havia se transformado, mas feliz, saí de alma lavada, ciente de que havia participado de um dos grandes eventos da música no Brasil. Valeu a pena.

As manchetes e os artigos dos jornais dos dias seguintes confirmaram a qualidade do espetáculo: “O velho e bom Young - os dois principais críticos de música do JB assistem ao show de Neil Young e decretam: quem não viu, perdeu um rock ‘n’ roll de primeira” (Jornal do Brasil, 22.01.2001). “Young, sozinho, valeria o festival. Com idade de dinossauro, compositor fez uma apresentação exemplar e inesquecível. Rock mesmo: sem cenários, efeitos especiais ou figurinos transados, o sexagenário roqueiro canadense fez o mais visceral show da maratona” (O Globo, 22.01.2001). “Cortez the Killer: Neil Young defendeu o primado da música ao vivo. Sua acachapante apresentação no Rock in Rio 3 justificou toda a expectativa dos fãs e o entusiasmo do empresário Roberto Medina quando de sua contratação. Foi o melhor show de toda a história do festival, aí incluídas as edições de 1985 e 1991. Nunca o Brasil havia presenciado tamanha entrega de um artista estrangeiro, rivalizada somente pelo auto-exorcismo praticado por Kurt Kobain no Hollywood Rock de 1993” (Arthur Dapieve, O Globo, 26.01.2001).

Obrigado Roberto Medina, por ter trazido Neil Young ao Brasil. Obrigado Neil Young, por ter vindo.


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