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Contos-->Beijo no escuro -- 10/05/2018 - 18:59 (Adalberto Antonio de Lima) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos


...E aquela blusa que você usava 
Num canto qualquer tranquila esperava.
—Roberto Carlos—


 

Era dezenove de abril.
Champanhes estouraram. Balões  subiram decorando o teto com diversas cores. “À saúde dos noivos!”  Tilintaram as taças em sintonia com um coro de vozes.  “Viva os noooivos...” 

O jantar foi servido, sem que houvesse tempo para muita conversa.

— Os nubentes estão cansados — disse alguém em tom zombeteiro.
— Cansados de quê?
— De esperar que os convivas se retirem.

Houve uma explosão de riso, seguido de pisadas de vultos que se retiravam. 

Os noivos ficaram  sós e o que se passou entre quatro paredes, nem as paredes devem saber.

 No dia seguinte...


— Larga essa vassoura, Morgana... Morgan... Morguinha...
— Comerás o pão com o suor do teu próprio rosto.
— Posso te ajudar?
— Só temos uma vassoura. Recolha as bexigas e as garrafas. Ponha os cristais na pia...
— Deixa que eu arraste os móveis. São pesados demais.
— Lá em casa, sempre carreguei o piano.

Robert  lembrou-se do piano de cauda da casa dos Castros. Mas com certeza, Morgana falava mesmo era do trabalho difícil, principalmente, depois da morte dos pais dela.

— Dê cá essa vassoura!  Posso não ter me casado com uma bruxa, mas me acho enfeitiçado por ela.
— Para Bob! Não me faça rir. Se eu perder o controle, acabo fazendo xixi nos lenções.

Robert riu contagiando a companheira, ela tanto riu e chorou. E o riso trouxe uma torrente de água salgada a escorrer no rosto... (e nas pernas).

— Eu avisei. Agora, com licença. Preciso trocar os lenções de cama.

Morgana assumiu um semblante sério.

— Prometeste não narrar no livro nossa  lua-de-mel. Vai manter a palavra, não vai?
— Claro. Vou falar só da lua de xixi.

O quarto explodiu em gargalhada e os lenções tiveram, novamente, que serem  trocados.

Abriu as janelas
 A brisa  suave da noite veio acariciar  a pele macia da semideusa deitada a fio comprido sobre lençóis macios. Lá fora,  as águas batiam  forte nas pedras artificialmente colocadas, para conter a ressaca do mar. E a lua empenhava-se em mostrar a brancura das ondas desfeitas quebradas nas pedras.

Era  noite do segundo dia.
— Este jornal que lês é de ontem. Penso que podemos fazer algo melhor, disse Morgana, com ar de riso.

 Robert   estendeu a mão para desligar o abajur.

— Oh, não!... Tenho medo do escuro.
— Logo virá a aurora dissipar teus medos.
—  Será Por que os medos se ocultam à luz do dia, e nos atormentam, assustadores na escuridão?
— Para explicar os medos noturnos é preciso que estabeleçamos um paralelo entre sonho e pesadelo. 

Morgana ficou curiosa.

— Podes explicar isso, sem tomar valioso tempo de nosso sono?

Pesadelo é a explosão de problemas reprimidos, que se manifestam em sonhos aflitivos. Quem nasceu no campo, sonha com boi querendo chifrá-lo. Quem mora na cidade, sonha com assalto. Isto é reflexo de seus medos que  se transformam em pesadelo. Já o sonho tem um leque muito vasto de significados. Existem até vendedores de sonhos.

— Falavas sério. Agora, gracejas. Que estória é esta de vender sonhos?
— Quem escreve livros. Vende sonhos.

Robert   quebrou a concentração de Morgana, com uma gargalhada. 

— Por que riste?
— Lembrei-me de um verbete de Machado.
— Qual? 
— ‘O sonho coincidiu com a realidade, e as mesmas bocas uniram-se na imaginação e fora dela. ’

Morgana que estava muito interessada em desvendar os mistérios do sonho e do pesadelo. Levou um susto. E assim que pôde falar, disse carinhosamente: “ Safadinho! Quase me sufocou com teus beijos.”

 — Gostei do ‘safadinho’! Na variante linguística carioca, safadinho pode  significar menino travesso. E fazer travessuras é muito bom!
— Não me fale em Rio de Janeiro, me dá medo de bala perdida!
— Durmamos de mãos dadas, a aurora não tarda chegar.
 

***
Adalbeto Lima, fragmento de "Estrela que o vento soprou."
Imagem: olhares.sapo.pt.

Leia também:


 O Primeiro Beijo

 III Ilha do Amor

Arco do cupido


 Nuvens passageiras 

 
 Um sorriso e uma lágrima   

 - ILHA DO MEDO      

 PEGADAS NA AREIA
     




 



Adalberto Lima


 




Enviado por Adalberto Lima em 10/05/2018

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