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Contos-->Uma estória de amor -- 13/06/2019 - 21:46 (Lorde Kalidus) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos

Ester não conseguia mais dormir. Embora já houvesse se acostumado com a sensação de não vir o marido a seu lado quando acordava de madrugada, a razão que o motivava a não estar na cama naquela hora sempre a perturba. Parecia, inclusive, ter criado uma espécie de sexto sentido que a levava a despertar exatamente naquela hora, não sabendo se, no fundo, sentia um certo agrado pela situação, quase uma fantasia sexual doentia segundo o conceito vigente de moral, ou se, no fundo, algo lhe dissesse que deveria fazer alguma coisa a respeito do problema. Afinal, era casada, sua palavra deveria valer de alguma coisa e talvez fosse hora do marido finalmente ouvi-la, não era possível que os dois não tivessem diálogo algum e ela não tivesse qualquer voz ativa junto ao homem com quem vivia.

Conheceram-se há coisa de um ano. Cada detalhe parece pipocar em sua mente cada vez que ele se levanta da cama de madrugada e a deixa. De alguns dias para cá isso tem acontecido com mais frequência. Leocádio era carteiro e entregava a correspondência na rua em que Ester morava. Ela, então casada com outro homem, aos poucos foi cedendo aos galanteios do homem que ocasionalmente entregava suas cartas sempre que o marido estava trabalhando e, após algum tempo, convidou-o para um café. A conversa tornava-se agradável, evoluiu até assuntos que aumentaram a curiosidade e aguçaram o apetite sexual da mulher e ela, logo, fazia uso da cama onde o marido dormia mais que o necessário para conceder ao carteiro a chance de fazer com ela tudo o que ele tivesse vontade. Práticas que até então lhe eram desconhecidas passaram a fazer parte da rotina e sempre que houvesse correspondência a ser entregue lá estava ele, fazendo a alegria de Ester, que se entregava a ele sem pudor ou limite, permitindo que o carteiro usufruísse de seu corpo da maneira que lhe aprouvesse.

A situação com o marido tornou-se insossa, quase que insustentável. Na cama era quase uma morta, abrindo-se apenas para que ele se satisfizesse rapidamente, como sempre faz, num ato sem calor algum, como já se esperava de um homem mirrado e desprovido de qualquer virilidade. Trabalhador, bom pai, e não deixava que nada faltasse em seu lar, mas era um meio homem comparado àquele que a deixava de pernas trêmulas durante uma ou duas tardes por semana. A aversão a ele chegou a um ponto em que se divertia quando o beijava, após a chegada do trabalho, ainda com o gosto do membro do amante em sua boca. Como não podia deixar de ser, em face do relacionamento com Leocádio estar num ritmo melhor que com o marido, Ester decidiu partir, levando consigo o casal de filhos.

Mudaram-se, então, para a casa do carteiro. Tudo parecia certo, ela o teria para si todas as noites, saboreando com uma frequência maior o sexo que ele lhe proporcionava anteriormente. E foi o que aconteceu, ao menos no começo. Como não poderia deixar de ser, as coisas caíram na mesmice, o fogo não era mais o mesmo, mas, curiosamente, os olhos de Leocádio pareciam estar, agora, fixos em outra direção que não a mulher que deixou o marido e a casa para morar com ele.

Um dia, finalmente, como se assim seu sexto sentido houvesse surgido, ela acordou de madrugada e notou a falta do amasio ao seu lado. Levantou para procura-lo, acreditando que talvez não estivesse conseguindo dormir e tivesse ido para a sala assistir tv. O silêncio parecia absoluto e o brilho da tela de uma televisão ligada não emanava da sala de estar. Por outro lado, um estranho rangido vinha do quarto das crianças, como se algum móvel estivesse sendo mexido com uma familiar insistência. Aproximando-se da porta, apenas encostada, ela pode visualizar Leocádio nu, segurando o enteado de seis anos pela cintura enquanto este se apoia contra a escrivaninha do quarto com os cotovelos, de olhos fechados, como se não quisesse olhar para trás e isso lhe fosse ajudar a ignorar ou esquecer a sensação de dor e entupimento causada pelo membro do padrasto, que lhe invadia de forma tão incessante quanto cruel, em meio a gemidos baixos e contidos, enquanto a filha, um ano mais nova que o irmão, permanecia sentada no canto do quarto, encolhida e tremendo, sem saber se seria a próxima ou se estava preocupada com o aparente sofrimento do irmão. Ester, da porta, permanecia imóvel, sem saber que atitude tomar ou se deveria tomar alguma. Como que impotente diante da cena, afastou-se e voltou para o quarto, deitando-se na cama acreditando não ter sido vista pelo companheiro. Mordendo as mãos até sangrarem, como se a dor fosse fazê-la esquecer o que viu, ela começa a buscar por algo que a impeça de lembrar do horror de assistir o filho violentado e passa a se masturbar. Se a ação é motivada por algum fetiche horripilante ou unicamente para fazê-la afastar da mente o que presenciou ela não sabe dizer.

E, agora, lá estava ela, mais uma vez, caminhando silenciosamente em direção ao quarto dos filhos, que, desta vez, permanece em silêncio, exceto por um gemido baixo. Desta vez era a filha, de joelhos, que tinha os cabelos puxados enquanto o membro de Leocádio desaparecia dentro de sua boca, quase até a garganta. Ester parece sentir o jantar procurar caminho até sua garganta, ansioso para deixar o estômago. A respiração ameaça arfar, mas ela se contem e retorna ao quarto, novamente tomando seu ritual, massageando o próprio clitóris, como se ver a filha escravizada sexualmente pelo padrasto a tivesse excitado de uma forma que ela não pudesse se conter e não como se quisesse simplesmente afastar de sua mente o que o homem por quem largou o pai de seus filhos estava fazendo com eles.

Talvez em seu íntimo, pensa ela, não fizesse nada por saber que era refém da situação. A diversão com as crianças era um preço a pagar pelo sustento, pensa ela. Mas seria mesmo isso, ou, na verdade, o que pesava mesmo era o fato de que não conseguiria viver sem o prazer que seu amante bem dotado lhe proporcionava e as crianças eram, na verdade, filhos de um relacionamento fracassado, que não possuíam necessariamente algum valor? Ela, provavelmente, não possuiria vocabulário suficiente para explicar a situação desta forma, mas, com certeza, era exatamente como se sentia.

Algum dia talvez houvesse uma ocasião em que a situação ocorrida com os filhos e o amante viessem a seu conhecimento de forma oficial e a obrigasse, talvez, a tomar algum tipo de providência. Talvez haja um dia em que as próprias crianças o entreguem. Talvez a vergonha ou o fato de não saberem como agir diante do ocorrido os impeça de se manifestarem. Seja como for, até que algo lhe seja dito, ela poderá continuar agindo como se nada ocorresse e Leocádio iria continuar se servindo de seu corpo e lhe proporcionando prazer. Ela não conseguiria viver sem o homem e o que ele lhe faz sentir, então era assim que a coisa teria de ser. Afinal, a vida é difícil para todos...

Esses pensamentos lhe afastam a angústia e funcionam como uma espécie de calmante. Mantendo-se, então, alheia a todos os acontecimentos da madrugada, ela encosta a cabeça no travesseiro e volta a dormir. 

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