Usina de Letras
Usina de Letras
                    
Usina de Letras
133 usuários online

 

Autor Titulo Nos textos

 


Artigos ( 56937 )
Cartas ( 21165)
Contos (12589)
Cordel (10045)
Crônicas (22167)
Discursos (3133)
Ensaios - (8976)
Erótico (13389)
Frases (43457)
Humor (18418)
Infantil (3758)
Infanto Juvenil (2648)
Letras de Música (5465)
Peça de Teatro (1315)
Poesias (138108)
Redação (2919)
Roteiro de Filme ou Novela (1053)
Teses / Monologos (2399)
Textos Jurídicos (1924)
Textos Religiosos/Sermões (4811)

 

LEGENDAS
( * )- Texto com Registro de Direito Autoral )
( ! )- Texto com Comentários

 

Nossa Proposta
Nota Legal
Fale Conosco

 



Contos-->A Pequena Bárbara -- 09/06/2019 - 18:50 (Lorde Kalidus) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos

Bárbara se deita cedo na noite de sábado, sabendo que precisa visitar o pai no dia seguinte, ritual que ela segue todos os finais de semana religiosamente e sem pestanejar há cerca de seis meses, desde que o pai foi levado por homens que disseram ter uma ordem para fazê-lo, que o acusaram de fazer a ela algo que um pai jamais deveria ter feito à própria filha. Alguns vizinhos disseram coisas, a mãe negou tudo e ela mesma protestou contra a partida de seu pai, dizendo que ele jamais a havia ferido como foi dito pelos policiais, mas, independentemente de suas lágrimas, ele foi levado na parte de trás da viatura, algemado.

Ela chorou. Chorou muito. Nos dias seguintes chorou menos por ser informada de que poderia visitar seu pai, mas, ainda assim, não gostou de saber que não poderia mais vê-lo todos os dias em casa como costumava fazer. E que não teria mais suas visitas à noite, quando a mãe caísse no sono, como naquela noite, quando ela tinha quatro anos de idade. O pai a beijou no rosto e a abraçou com ternura, propondo a ela uma nova brincadeira, que ela não hesitou em aceitar, visto que ele era seu pai e o que ele propunha só podia estar certo, de forma que ela não viu mal algum em tomar seu membro com a mão e manipulá-lo vagarosa e, em sequência, mais rapidamente, ficando até mesmo impressionada ao ver como aquilo aumentava de tamanho à media que ela brincava com ele. A menina ria e achava tudo muito engraçado, até mesmo quando o pai lhe dizia para levar o que ele chamava de brinquedo à boca e beber o líquido que iria sair de lá, alegando que seria saudável para ela. Apesar de ser um pouco amargo, ela fez o que seu amado pai ordenou e bebeu cada gota, sem desperdiçar nada, repetindo as doses nas próximas noites que se seguiram.

Passado algum tempo, a menina cresceu. Ainda era uma criança, mas, puxando a mãe, suas formas chamavam cada vez mais a atenção. O pai manteve as brincadeiras antigas, mas acrescentou outras. Bárbara levou tempo para conseguir receber totalmente o brinquedo através do lugar por onde soltava o número dois, mas o pai a confortava e dizia para aguentar firme, que apenas no começo doía. Ela enxugava uma ou outra lágrima e seguia em frente, até, com o tempo, acostumar-se com as investidas. A sensação no banheiro era tão estranha quanto engraçada, mas ela não demorou a se acostumar.  Afinal, o pai falou que estava tudo certo, então não havia mal algum naquilo.

Um dia, porém, na escola, a confiança com alguns amiguinhos começou a aumentar e, ao convidar alguns para brincar, Bárbara quis pôr em prática as brincadeiras que aprendeu com o pai. Em consequência disso, era constantemente procurada pelos meninos, inclusive alguns mais velhos, que queriam que eles lhe ensinassem as brincadeiras que aprenderam e que colocavam em prática no banheiro da escola. Alguns, sem que Bárbara soubesse, comentaram com seus pais, que não tardaram em procurar o diretor da escola que, como não poderia deixar de ser, acionou a polícia, que foi à casa com um mandado de prisão e deteve o pai da menina.

Até aquele dia, Bárbara nunca havia ouvido a palavra “estuprador”. Simplesmente não sabia seu significado, somente que ela soava estranhamente desagradável aos seus ouvidos infantis. Os amiguinhos acusavam seu pai, faziam comentários grosseiros, e seus professores a tratam com uma atitude diferenciada, como se precisasse de mais atenção do que os demais alunos. Ela não entende a atitude, mas lida com cada uma de acordo com as circunstâncias, revidando as mais agressivas e ignorando as que considera mais inofensivas. O apego à mãe e à casa permanece o mesmo e ela toda semana anseia pelas visitas de domingo, quando o pai a recebe de braços abertos e a convida para brincar com outros amigos que convivem com ele. Segundo a mãe, é importante que ela trate bem os companheiros de seu pai, pois eles o ajudam com o sustento da casa enquanto os homens maus não a deixam retornar ao seu lar. A menina odiava aqueles sujeitos que abriam e fechavam os portões e não deixavam seu pai ir embora, mas a mãe lhe dizia que tinha de ser daquela forma por enquanto.

Fosse como fosse, amanhã ela estaria lá para vê-lo novamente. Aqueles homens mexeriam na comida que a mãe prepararia e as duas iriam passar pelo estranho aparelho que ela não sabe como funciona, bem como pelos numerosos portões adiante até que ela, finalmente, estivesse com o pai novamente. Ele passaria um tempo com Bárbara, depois iria caminhar com a mãe pelo pátio gigantesco enquanto ela passa parte do dia com os amigos dele dentro do quarto pequeno onde moram e que possui grades nas janelas. Não é sempre que queria, mas a mãe era persuasiva, ainda que de forma carinhosa, e sempre lhe convencia que papai não poderia trabalhar enquanto estivesse naquele lugar... e que era importante que ela fizesse isso.

Ao chegar a hora de partir, tão logo a sirene soasse de novo, ela iria, aos prantos, deixar seu pai para trás novamente. Durante a semana, a mesma rotina de olhares complacentes de professores e comentários maliciosos e sem sentido de seus amigos. Seja como for, ela sabia que, independentemente disso, ao final da semana eles se veriam mais uma vez, seu pai e seus novos amigos... e isso faria tudo valer a pena...

Comentários

O que você achou deste texto?        Nome:     Mail:    

Comente: 
Perfil do Autor Seguidores: 1Exibido 103 vezesFale com o autor