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Crônicas-->A GRANDE INDAGAÇÃO -- 18/02/2008 - 20:43 (ANGELA FARIA DE PAULA LIMA) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos

A GRANDE INDAGAÇÃO
Ângela Paula Lima



Ainda não era uma paixão...

Era o encantamento de estar descobrindo uma nova dimensão.A oportunidade de saber que a vida tem muito mais habilidade em construções lentas do que em grandes arroubos. A satisfação de perceber que os encontros de almas ainda são possíveis. Que o Tempo, Senhor da Verdade, ainda é capaz de promover o amadurecimento do afeto entre duas pessoas com vivências tão paralelas.

Só desconhecia que seria por um breve momento. Tarde demais para o tanto do amargor de sua alma inquieta e dolorida.

Percebi, de imediato, seu sofrimento imenso, sua necessidade em ter alguém que o escutasse e compreendesse suas razões, seus martírios, suas aflições profundas, seus desvalidos esforços para manter-se íntegro em sua sanidade física e emocional.

Combalido pela doença que implacavelmente roubava-lhe a energia, tentava ainda dar um novo rumo à sua vida, reerguer-se da inércia que lhe devastava o orgulho e o mantinha longe de tudo o que acreditava ser o seu Bem maior.

Bom caráter, muitas vezes até ingênuo, com a bondade típica dos que compreendem as aflições alheias, muitas vezes foi usado por oportunistas que descobriam a sua enorme compaixão e desprendimento. Não podia imaginar uma necessidade de alguém sem logo tomar a iniciativa de resolvê-la.

Para depois descobrir que o caminho era de uma direção só. Não havia retorno para si mesmo. Era sempre um “ir-sem-vir”.

E doía-lhe a alma, secavam-se-lhe os ossos, enrugava-lhe o espírito e perdia um pouco mais da fé no ser humano cada vez que percebia ter se esgotado em ser reconhecido e nunca sentir o gesto delicado da retribuição.

Amou demais, doou-se muito, sofreu reveses incríveis, teve a carne e o espírito devorados por monstros reais e os imaginados por sua mente obsessivamente compelida em compreender os porquês de suas desventuras, quando seu desejo era de paz e harmonia.

Foi nesse ponto que entrei em sua realidade: já cansado e desiludido. Mesmo assim aceitou a chance de ser feliz.

Contou-me sua vida, suas buscas, não escondeu nada. Estava relutante, mas com o passar dos dias entregou-se com desprendimento à tarefa de enxergar uma nova maneira de enfocar a existência.

Ouviu-me com atenção e cuidado, anotou idéias que lhe pareciam eficazes e percebi um leve movimento de esperança ao vislumbrar um novo caminho a ser palmilhado.

Nesse momento tivemos longas conversas, traçamos planos e vivemos muitos instantes mágicos.

Torci pelo seu resgate, alegrei-me com seu entusiasmo repentino, e desejei, no fundo do meu coração, que ele tivesse alcançado o ponto de mutação da sua história.

Infelizmente hoje sei que não deu conta de carregar a grande mágoa que lhe assolava a existência. Sucumbiu ao peso imenso da sua história e deixou-se engolfar pela Grande Vaga, para enfim, encontrar a sua paz.

E eu fiquei aqui, refém da ilusão de que a sua superação poderia ter sido a realização do meu desejo de encontrar a pessoa destinada a me fazer feliz e completa.

Vivi intensamente essa esperança mesmo reconhecendo a dificuldade da empreitada. Tentei, inutilmente, ajudá-lo, pois percebi a sua essência real. Aquela que, em vão, procurei como ideal.

Hoje convivo com a eterna incerteza do que poderia ter sido. E com a certeza triste de que nunca mais poderei ter resposta a essa minha indagação.

Mas aprendi com ele que, mesmo mortalmente ferido, nunca se deve deixar de se exercitar a Esperança.

Nem que seja o último alento para enfrentar o Desconhecido Absoluto!...

18/02/2008
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