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Crônicas-->Rosario -- 27/09/2008 - 16:52 (Pedro Carlos de Mello) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
Estou no Restaurante Da Vinci. Não é na Itália, não. É em Rosario, na Argentina. Estou comendo polenta (com queijo) à bolonhesa de cordeiro. Estou tomando vinho branco (Norton, Chardonay joven) de Mendoza, Argentina. Os vinhos argentinos aqui na Argentina são baratos. Não podemos deixar de tomá-los.

Estou escrevendo isto para simples registro. Um dia vou morrer. Quem saberá que estive aqui em Rosário, na Argentina, jantando no Restaurante Da Vinci? Os outros clientes, provavelmente, às vezes, olhando para os lados, me vêem. Vêem, mas não vêem. Não sabem quem eu sou, não lhes interessa saber quem eu sou, não estão aqui para isso. Numa mesa ao meu lado está um homem sozinho. A velinha da sua mesa, assim como a minha, não está acesa. Logo à frente, um casal com uma menininha: a velinha da mesa deles está acesa. Outras mesas, outros clientes, outras velinhas acesas. Eles também não me vêem.

Mas estou aqui. Não importa que seja Rosario, na Argentina. É um paraíso: muitas livrarias. Enquanto esperava a comida li um trecho do livro “Oficio de lector”, de Santiago Sylvester: “ ‘Quien acumula conocimiento acumula dolor’, adverte el Eclesiastés. En esta fatalidad está implícita la naturaleza paradojal de lo que hacemos: la atracción por saber y el precio que se paga, la cara y contracara de una misma seducción, y la imposibilidad de ignorar lo que se sabe, que no es sino el círculo de la vieja necesidad: ver y aceptar la complejidad de haber visto”.

Rosario é a cidade natal de Che Guevara. Não me interessam seus feitos como guerrilheiro. Mas tenho que admirá-lo por seu “oficio de lector”. Li um texto do livro “O Último Leitor”, de Ricardo Piglia, em que ele apresenta Che Guevara lendo em cima de uma árvore. Guevara, nos intervalos da guerrilha, subia numa árvore, em busca da solidão e do silêncio, para dedicar-se de corpo e alma à leitura. Hoje comprei o livro “Che desde la memoria. Nele, o capitulo 13, “um lector interminable llamado Ernesto”: vemos fotos de Che Guevara lendo Goethe, “Dias e Noches”(?), Pablo Neruda e a famosa foto dele lendo em cima da árvore.

Estando aqui, à tarde, fui ao parque Hipólito Yrigoyen, onde foi fixada uma estátua de Che Guevara de quatro metros de altura e 1,5 toneladas de peso, erguida em sua homenagem aos 80 anos de seu nascimento, em junho deste ano (2008). A estátua foi criada pelo artista plástico argentino Andrés Zerneri e se trata da primeira estátua do revolucionário de corpo inteiro que se instala em um espaço público da Argentina. Para sua realização, admiradores de todo o país doaram chaves e objetos de bronze que foi fundido para construir o monumento, com uniforme e boina, e a cabeça inclinada para seu ombro direito.

Agora estou comendo a sobremesa (postre), divina: tiramisu (não é a Itália, mas que parece, parece). Em compensação, no almoço comi “vacio” aos três queijos (parrilla), legitimamente argentino.

O vinho é bom, solta o verbo, mas o registro está feito. Aqui estive, aqui me senti bem, aqui li, aqui escrevi, aqui vi, aqui vivi (pequeníssima parte de mi vida, é claro – mas, some tudo isso com outros momentos e verás: a vida vale a pena).
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