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Crônicas-->NA ESTRADA -- 06/11/2008 - 01:54 (Ivone Carvalho) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
NA ESTRADA
(Ivone Carvalho)


Há alguns dias tive que sair de São Paulo logo cedo, com destino ao Interior. Tinha que ver alguns processos nos Fóruns de Jaú e Barra Bonita, onde correm algumas ações de um dos meus mais antigos clientes.

Gosto dessas viagens, embora cansativas, já que vou e volto no mesmo dia, pois é impossível me afastar do escritório por mais tempo, vez que os prazos a serem cumpridos chegam diariamente.

Sair da Capital, mesmo a trabalho, é uma forma de espairecer, saindo da rotina, contemplando outras paragens, respirando o ar puro que não encontramos nas grandes metrópoles, especialmente na minha.

Além disso, dirigir na estrada é, para mim, aliviar a tensão que faz parte do meu dia-a-dia. Mesmo quando viajo a trabalho, transformo a viagem num momento de lazer, ouvindo as minhas músicas preferidas, cantando, muitas vezes silenciando para me concentrar nos pensamentos sobre situações que exigem decisões, mas, principalmente, contemplando a estrada e as paisagens que a margeiam.

Durante o trajeto, observo como o céu é muito mais azul onde não há poluição, como o número de estrelas que podemos ver é tão maior que na minha cidade, como as variedades da cor verde embelezam o cenário, como a natureza apresenta a sua perfeição de tantas formas.

As montanhas avistadas ao longe, as plantações tão verdinhas e bem cuidadas que formam verdadeiras figuras geométricas nos seus variados tons, alguns animais descansando, se alimentando ou apenas pastando, enfim, tudo que é impossível, infelizmente, banhar os nossos olhos numa cidade onde o céu é cinza quase que constantemente, a paisagem que também possui figuras geométricas é composta de concreto e iluminação artificial e as avenidas estão repletas de veículos que poluem o ar e massacram a nossa saúde.

Minhas idas a Jaú e Barra Bonita são, há alguns anos, um tanto freqüentes, por isso conheço bem aquelas estradas e suas paisagens.

Em Barra Bonita, não há dia que esteja lá, que não pare por algum tempo às margens do Tietê, o mesmo rio que atravessa a minha São Paulo e que, no entanto, é tão diferente do leito que aqui vemos. Lá, a água é cristalina, limpa, digna de um rio, enquanto que aqui mais se parece com um lodo, disposto a receber o lixo que é jogado pela falta de educação do homem que não sabe respeitar os maiores bens que a bondade divina nos concedeu. É bem verdade que isso já está começando a mudar, mas apenas começando.

Entretanto, nessa última viagem, eu não consegui conter algumas lágrimas que brotaram nos meus olhos quando transitava pela estrada que une Barra Bonita a Jaú. Na verdade, vi semelhante cenário em grande parte do meu percurso, mas ali, notadamente, a vegetação se encontrava quase toda morta devido, também, à falta de chuva por longo tempo.

Não posso negar que as queimadas que avistei durante a viagem dilaceraram o meu coração. Tampouco que a vegetação seca me causou uma imensa tristeza.


Mas ali, naquela estrada, existia uma árvore que, na minha ignorância de quem nasceu e sempre viveu na Capital, não reconheço a qual espécie pertence. Mas era uma árvore linda, frondosa, sempre tão verde!

Notou? Eu usei o tempo pretérito! Existia! Era! Pois é, aquela árvore que sempre recebeu o meu sorriso e o meu cumprimento quando passava por ela, parecia um simples pedaço de madeira seca, cortada ao meio. É isso mesmo! A “minha” árvore estava literalmente com o seu tronco partido ao meio, pendendo os seus galhos, então secos, totalmente para baixo, arrastando-se ao chão!

Como é possível que o homem permita que uma árvore possa sofrer tanto pela falta de chuva? E nem pense você que ela estava plantada no meio da estrada! Não! O espaço onde ela fincou suas raízes se encontra dentro de uma área cercada, onde há muita vegetação que também estava completamente seca!

Ainda que estivesse na estrada, eu não me conformaria, já que não consigo admitir que os responsáveis pelas rodovias não sejam responsáveis, também, pelo zelo e manutenção da vegetação que margeia as estradas.

Mas, numa propriedade particular, como pode alguém tomar posse de um pedaço de terra, nela plantar, ou receber a vegetação como presente da natureza e deixá-la sujeita tão somente aos fenômenos naturais?

Será que o homem ainda não percebeu que os excessos da natureza, para mais ou para menos, são causados por ele mesmo que, há muito, não mais sabe respeitá-la?

Nos últimos dias choveu. Sim, as bênçãos de Deus chegaram por aqui através da água. Mas eu não duvido de que muita gente reclamou por ter que sair de casa com roupas impermeáveis, guarda-chuvas, enfrentando um trânsito ainda pior!

Com certeza essas pessoas não viram a “minha” árvore morta, com o seu tronco partido ao meio e os seus galhos secos tocando a terra árida!

22/08/2008
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