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Crônicas-->NOITE DE VERÃO -- 07/02/2009 - 20:24 (Ivone Carvalho) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
NOITE DE VERÃO
(Ivone Carvalho)

É noite de verão. A temperatura, já amena pelo adiantado da hora, faz o corpo, cansado do calor, relaxar. O banho morno também ajudou um pouco, mas ainda não tenho sono.

Coloco um CD para tocar. Escolhi o “Sweet Memories”, nome com o qual meu irmão batizou a gravação que fez para mim, com músicas do meu tempo de bailes, na juventude. A primeira canção é exatamente a que dá o nome ao disco e que enche minh’alma de ternura e encantamento ao ouvir Ray Charles.

E venho para a janela, pensar na vida. E contemplar esse céu tão azul, tão lindo desta madrugada. A lua cheia, que o domina, ilumina toda a noite, fazendo-a parecer-se quase dia. As estrelas que povoam o cenário parecem brilhar mais e demonstram alegria por estarem vivendo uma beleza maior.

Minha insanidade me faz conversar com elas. Penso alto. Faço uma breve retrospectiva dos últimos acontecimentos. Aproveito para fazer uma oração e agradecer a Deus por estar sempre iluminando os meus passos.

A música que agora me leva ainda mais à nostalgia é “Georgia on my mind”, com The Uniques. Talvez você nem conheça esta música, mas ela me traz recordações maravilhosas da adolescência. Era a minha preferida, naquele tempo, e o Roberto, um grande amigo que eu considerava um irmão, mas que mais tarde revelou-se apaixonado por mim, não me permitia dançá-la com outra pessoa que não fosse ele.

Sorrio, me lembrando daquela época. Mais de trinta anos se passaram e a memória não deleta essas lembranças tão gostosas, que permanecem vivas na cabeça da gente.

E nem que eu quisesse, neste momento não poderia deixar de continuar recordando a adolescência. Mal começo a me recuperar das lembranças dos bailinhos com a turma do colégio e vem Everybody’s talkin’, com Nilsson.

Ah! As aulas de inglês! Curso aos domingos, no final da tarde! Quando todos saiam para passear, namorar, descansar, lá estava eu, por três horas que pareciam apenas alguns minutos, de tão rápido que passavam, por tão deliciosas que se transformavam naquele estágio onde tudo era apenas conversação e música e o Nilsson fazia parte das nossas traduções por várias e várias aulas. Diga-se de passagem, quem me levou para esse curso de inglês foram os Beatles e o “Let it be”! Tudo que eu queria, naquele momento, era cantar e entender os Beatles!

Como é bom recordar! Estou ouvindo agora California Dreamin’, com The Mamas and The Papas. Que delícia! Paro de pensar um pouco, para cantar junto com eles. Baixinho, porque é madrugada alta e todos dormem.

Será que é possível parar de pensar? Falei bobagem, com toda certeza! Num momento destes não há como esvaziar a mente. Filmes se passam rapidamente em meus pensamentos, sinto-me até mais velha porque de repente descubro o quanto já vivi. Mas está tudo tão fresco na memória que não parece fazer tanto tempo assim!

Lembrar de amigos que nunca mais foram vistos nem tive mais notícias, lembrar de caminhos por onde passei e jamais voltei, sentir-me nos braços de rapazes que disputavam sempre a dança seguinte, rostos colados, olhos fechados e a música sussurrada no ouvido.
Que saudade!

E, mais uma vez, minha atenção se volta para o presente. “These eyes”, com The Guess Who.

Como não pensar em você agora? Sei que a esta hora você está dançando nos braços de outra. Não quero pensar nisso, mas não há como!

Esta é a canção que deveríamos estar dançando juntinhos, rostos e corpos colados, olhos fechados, sem cantar, sem murmurar, apenas sentindo a proximidade, o calor, o perfume...

Nem sei se você gosta desta música, e também não sei por qual motivo ela me leva aos seus braços. Sei o quanto você gosta de dançar e creio que isso basta. Não há como não imaginar você, neste exato instante, deslizando pelo salão, envolvendo outro corpo, sentindo, talvez, a mesma vontade que eu tenho de que a música não termine.

Imagino suas mãos delicadas amparando um corpo que não é o meu. Posso ver seus lábios sentindo a proximidade de outros lábios que murmuram qualquer coisa apenas para que você vire o rosto um pouco mais para que sua boca seja alcançada por outra.

Não, não quero mais ouvir “These eyes”! Não posso mais ouvir coisa alguma. Não quero mais dar vazão ao meu ciúme...

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