Usina de Letras
Usina de Letras
                    
Usina de Letras
40 usuários online

 

Autor Titulo Nos textos

 


Artigos ( 56823 )
Cartas ( 21161)
Contos (12583)
Cordel (10010)
Crônicas (22151)
Discursos (3132)
Ensaios - (8953)
Erótico (13387)
Frases (43338)
Humor (18382)
Infantil (3751)
Infanto Juvenil (2630)
Letras de Música (5464)
Peça de Teatro (1315)
Poesias (138023)
Redação (2918)
Roteiro de Filme ou Novela (1053)
Teses / Monologos (2394)
Textos Jurídicos (1923)
Textos Religiosos/Sermões (4764)

 

LEGENDAS
( * )- Texto com Registro de Direito Autoral )
( ! )- Texto com Comentários

 

Nossa Proposta
Nota Legal
Fale Conosco

 



Crônicas-->Freguesia de Amorim -- 23/02/2009 - 13:27 (Márcio Filgueiras de Amorim) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
A freguesia de Amorim situa-se a cerca de três quilómetros da sede do concelho de Póvoa de Varzim, no distrito do Porto. O seu orago é Santiago cuja festividade se celebra em 25 de Julho. Também se realizam duas importantes manifestações religiosas nesta terra: a romaria de Santo António, em 13 de Junho, e a Procissão dos Passos, no quarto Domingo da Quaresma.
O povoamento do território de Amorim é bastante remoto e a comprová-lo está a proximidade da “Cividade” de Terroso, citada várias vezes antes e depois do século XII. A própria toponímia é uma prova da antiguidade da povoação: assim Amorim é um genitivo do nome pessoal “Amorinus”, diminuitivo de “Amor”, correspondendo a povoação a uma “villa de Amorini”. O nome Amorim consta já da primeira inumeração paroquial da Igreja de Braga, feita no século XI, após a restauração da Diocese; o Censual indica as dádivas e obrigações pagas, de acordo com o direito de visitação que lhes assistia.
Amorim foi instituida na terra de Faria e nas Inquirições de 1220 é referido que grande parte de Amorim, senão a sua totalidade, pertencia à Ordem do Templo, aludindo também aos reguengos e foros.
Amorim é atravessada pelos caminhos de Santiago e, desde a descoberta do túmulo deste apóstolo, entre os anos 812 e 814, em Compostela, a freguesia foi ponto de passagem de vários peregrinos, entre eles alguns ilustres reis e rainhas, como a Raínha Santa Isabel em 1325, ano em que ficara viúva de D. Dinis.
O pároco de Amorim intitulava-se reitor e era apresentado alternadamente pelo ordinário e pelo Padroeiro. Nas Inquirições de 1220 era mencionado que “rex non est patronus” ou seja, a igreja não era do padroado real.
A nível administrativo, tendo sido da “terra” medieval de Faria, foi do termo de Barcelos, no século XIII; em 1434, o Arcebispo D. Fernando da Guerra anexou a igreja de Amorim, com as suas rendas, ao cabido de Braga que a usufruiu durante pouco mais de um século pois em 1546 estava unida “in perpetuum” ao Convento de Santa Clara do Codeçal da cidade do Porto. Em 1835, Amorim passou a integrar o termo de Vila do Conde, mas por volta de 1870 ou 1871 foi anexada ao concelho de Póvoa de Varzim.
Amorim possui um invejável património arquitectónico religioso. A sua Igreja renascentista, que foi a igreja paroquial até 1922, mais conhecida hoje pela Igreja Matriz, data de 1595. Tem três naves e duas sacristias e patenteia pormenores arquitectónicos de uma primitiva igreja românica desaparecida aquando desta construção, Dessa primitiva igreja restou um capitel românico, em exposição no Museu Soares dos Reis, na cidade do Porto, que exibe nas três faces livres do seu tambor um dos episódios da “Chanson de Roland”, concretamente a cena em que, na batalha de Roncesvales, em 778, entre Carlos Magno e os mouros, Roland com a sua espada “Durandal” ataca e prende o rei mouro Chernuble.
A capela de Santo António, de 1651, que foi erigida no lugar de Cadilhe, também faz parte do património cultural religioso construído na freguesia.
Em 1922, foi inaugurada a nova igreja paroquial, projectada pelo arquitecto Arnaldo Redondo Adães Bermudes, um monumental edifício de avultadas proporções e traça arquitectónica ao gosto romântico, eclético e revivalista da primeira metade do século, construído à custa de uma família de ricos brasileiros “Os Bonitos de Amorim”. Descendentes de emigrantes portugueses no Brasil, desde o início do século XIX, os Bonitos de Amorim rapidamente se tornaram notáveis face à riqueza conseguida através da cultura e comercialização da cana de açúcar. Todavia, não foi sá a riqueza que notabilizou esta família. Foi, acima de tudo, a sua benemerência. A esta família se deve não sá a construção da nova Igreja Paroquial, ou igreja nova como é popularmente conhecida, mas tamb´´em a abertura de estradas, o alargamento do cemitério da freguesia, a construção do pavilhão do Hospital da Póvoa de Varzim e o painel de azulejos que se encontra na escadaria dos Paços do Concelho. Uma das colectividades desta freguesia é o Centro Social Bonitos de Amorim, homenagiando assim aquela ilustre família.
Até 1922, a população de Amorim era constituída por duas etnias distintas: o homem da beira do mar, pescador e argaceiro, geralmente ruivo e bastante encorpado e o homem da aldeia, lavrador descendente dos antigos casais de Amorim. Enquanto que o pescador se ocupava das actividades do mar e da pequena actividade agrícola das terras litorais, o lavrador dedicava-se essencialmente ao cultivo do milho, centeio e linho. Muitos delas dedicavam-se também às artes de pedreiro, ferreiro e carpinteiro. Em 1922, a faixa litoral da freguesai foi desanexada e criada a actual freguesia de Averomar.
Amorim foi das primeiras freguesias rurais a ter posto médico de atendimento e farmácia e ainda um importante Centro Social de Acolhimento dos mais desfavorecidos, um jardim-escola e um infantário. Apesar de algumas carências materiais, a autarquia em conjunto com a população, tem procurado preservar todo o património da freguesia.
Comentários

O que você achou deste texto?        Nome:     Mail:    

Comente: 
Perfil do Autor Renove sua assinatura para ver os contadores de acesso - Clique Aqui