Usina de Letras
Usina de Letras
   
                    
Usina de Letras
79 usuários online

 

Autor Titulo Nos textos

 


Artigos ( 54837 )
Cartas ( 21056)
Contos (12106)
Cordel (9510)
Crônicas (21077)
Discursos (3107)
Ensaios - (9896)
Erótico (13126)
Frases (39798)
Humor (17544)
Infantil (3558)
Infanto Juvenil (2308)
Letras de Música (5411)
Peça de Teatro (1309)
Poesias (135519)
Redação (2869)
Roteiro de Filme ou Novela (1034)
Teses / Monologos (2371)
Textos Jurídicos (1913)
Textos Religiosos/Sermões (4172)

 

LEGENDAS
( * )- Texto com Registro de Direito Autoral )
( ! )- Texto com Comentários

 

Nossa Proposta
Nota Legal
Fale Conosco

 



Artigos-->210. DERRADEIRA MANIFESTAÇÃO DOS ALUNOS — ANTÓNIO MARCOS -- 18/05/2003 - 07:41 (wladimir olivier) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
WLADIMIR OLIVIER

Sem dúvida nenhuma estamos deixando a nossa marca nas estradas empoeiradas da vida. Ninguém que passe pelos caminhos de areia pode dizer que não imprimiu nele as suas pegadas. No entanto, muitos primam por dizer-se isentos de responsabilidade, que sua caminhada não pode ser rastreada e, com esse pensamento tolo, curam de safar-se dos crimes, dos desatinos que cometeram. Inútil, muitas vezes, insistir junto a esses indivíduos que estão agindo sob influenciação direta da aprendizagem carnal, pois o mundo da sociedade encarnada é sobremodo corrupto.

Não se nos afigura como viável, nesse caso, acoimar os assassinos, os ladrões, os sonegadores de impostos de criminosos, pois isto só iria fazer com que reagissem sob o influxo do desejo de se protegerem e essa reação, quando não recalcitrantemente defensiva, pode vir revestida de violência contra os exortadores e estimuladores do raciocínio evangélico. Por isso, vamos com muito cuidado, com rodeios, com frases que camuflem as intenções mais profundas, para não se desencadearem reações contrárias ao desiderato. Nesse caso, pode parecer que agimos sob o domínio da hipocrisia. Jamais, entretanto, intentaríamos fazer qualquer coisa que viesse a postergar mais a tomada de consciência das maldades e desarranjos morais.

O que visamos é obter do encarnado em litígio contra a sociedade ou contra os bens conscienciais implantados no espírito, estágio de cooperação, de simpatia pelo trabalho que iremos realizar. Essa dificuldade é muito comum entre os encarnados que colocam obstáculos a tudo que possamos arquitetar para derrubar as barreiras mentais, intelectuais ou emocionais que se criam à revelação da verdade. Estaremos diante de um dilema se não soubermos bem e determinadamente qual é o nosso objetivo básico, pois ficaríamos entre respeitar o senso de justiça e de equilíbrio organizado pelo encarnado e aquele determinado pela configuração das leis provindas das entidades espirituais superiores e que se presumem inspiradas pela Divindade. O descortino, no caso, nunca nos falha, pois sabemos, com certeza, que as ordens provêm de seres superiormente dotados e, para se conseguir atingir tal ápice na escala ascendente da moralidade, é porque se obtiveram, através de muito trabalho, de muito estudo, de muito sacrifício e sofrimento, os bens inalienáveis do saber como convém.

Desse modo, sempre que enfrentamos corações muito empedernidos, mentes arraigadamente viciadas pelos hábitos do mundo, intelectos altamente contaminados pelas falsidades da vanglória carnal, preferimos optar por procedimento indireto, através de exemplificação vigorosa, forcejando por induzi-los a meditar a respeito dos rastros que vão deixando na areia.

Esse lento despertar para a configuração da incompetência de viver segundo os padrões estabelecidos para a vigilância da concretização dos objetivos vitais é o produto de paciente trabalho de perquirição dos valores mais íntimos subjacentes no fundo da consciência, pois partimos do princípio de que “ninguém é vilão porque quer ser”, mas por injunções, por circunstâncias que se congregaram para tal efeito. Esse demorado despertar é que produz a necessidade de encarnações sucessivas, já que a renitência na mesma falha constituinte do aparato daquela personalidade é extremamente onerosa para todo o clã familiar, que se vê necessitado de amparar a entidade defeituosa. Há casos extremos de internações muito carentes em corpos físicos que representam verdadeiras prisões, de sorte que o espírito em débito se vê forçado a perquirir incessantemente a respeito das causas que produziram aquela disformidade e aquela situação coercitiva. Mesmo assim, casos existem em que a rebeldia é tão pronunciada que de nada adiantam essas encarnações repletas de suplícios.

De tudo o que estamos dizendo, pode o leitor tirar as inferências correlacionadas com sua vida. Se se julgar espírito etéreo a pairar sobre a poeira da estrada sem deixar marcas, então, pode ocorrer que, na verdade, esteja só na condição de receber influências muito indiretas. Caso, entretanto, ao se voltar para a estrada por onde perpassou e puder distinguir as próprias pegadas, talvez seu estágio evolutivo não esteja tão atrasado que não mereça ser inspirado diretamente naquilo de que esteja mais necessitado.

Este longo discurso pode parecer hermético e enfadonho. Quem assim o considerar deve perdoar-nos, pois nosso noviciado é resposta para as deficiências. Prometemos voltar ao tema quando mais afeitos à escritura mediúnica. Entrementes, não arredamos pé jamais do nosso ponto de vista, que se fundamenta nos conceitos dos maiores, a quem devemos respeito e consideração.

Graças a Deus, pudemos entregar as nossas páginas à luz do mundo e, se obtivermos de algum leitor a atenção de um sorriso de satisfação por ter encontrado nelas algum ponto de esclarecimento, estaremos exaustivamente recompensados pelo trabalho. Ao mediador, o agradecimento mais comovido. Aos mestres, o carinhoso desejo de que persistam em seu ministério para facilitar-nos a compreensão dos fatos da existência que nos devolverão a possibilidade de encaminhar-nos para a divina festa da confraternização universal.




COMENTÁRIO — HOMERO

António Marcos buscou caminho tortuoso para fazer com que o leitor possa admitir estar sendo muito orgulhoso e prepotente. Diz que devemos ir por vias muito indiretas quando se trata de espíritos muito perversos e extremamente ignorantes. Esse cuidado com a abordagem para o socorrismo de última instância se justifica pelas razões aventadas pelo nosso escritor e ainda por outras muitíssimas mais que poderíamos aduzir.

O que deve ficar bem clara é a ênfase que os espíritos dão ao trabalho socorrista, que merece de todos os círculos superiores atenção diuturna, redobrada, orientação constante, cuidado especial. Para o conhecimento de muitos procedimentos relativos a este tipo de tarefa espirítica, remetemos o leitor às obras de André Luís, através da mediunidade de nosso Chico Xavier e do confrade Waldo Vieira, os quais, com muito amor, apanharam valiosa coleção, em que se demonstra o valor e a necessidade do socorrismo espiritual.

O querido amigo António Marcos tracejou alguns dos princípios que elementarmente as equipes buscam para fundamentar o procedimento. Claro está que o escrito não visou a tal esclarecimento mas à exortação do encarnado em proceder a exame de consciência, para delimitar o estágio evolutivo, a fim de se consagrar às atividades regenerativas. Desse ponto de vista, a mensagem carece um pouco mais de vigor, de insistência. Mas que não seja esta palavra de desestímulo. Ao contrário, que tenha o condão de revelar ao novel escritor algumas marcas leves deixadas pela sua passagem na areia da psicografia.

Quanto à imantação do aparelho, esteve um pouco precária, dada a insistência do médium de auxiliar na produção textual, no sentido de lhe dar aspecto lingüístico que não desdoure (como está insinuando) o teor moral da mensagem. Sendo assim, não desanime se seu senso crítico divisar alguns percalços a serem corrigidos, mas atenda aos princípios norteadores que vimos ensinando, que suplantará em pouco tempo as dificuldades.

Indaiatuba, de 2 de novembro de 1989 a 9 de fevereiro de 1990.
Comentários

O que você achou deste texto?       Nome:     Mail:    

Comente: 
Informe o código de segurança:          CAPTCHA Image                              

De sua nota para este Texto Perfil do Autor Renove sua assinatura para ver os contadores de acesso - Clique Aqui