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Crônicas-->O TRANSPORTE COLETIVO NO DF -- 27/09/2009 - 15:08 (Paccelli José Maracci Zahler) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
O TRANSPORTE COLETIVO NO DF

Paccelli José Maracci Zahler

Na Seção ‘Grita Geral’ da edição do dia 06.set.2009 do Jornal CORREIO BRAZILIENSE, p. 38, fiquei sensibilizado com uma queixa sobre os ônibus coletivos de Brasília, por parte de um leitor de 83 anos e indignado com a resposta do DFTrans (órgão de fiscalização do transporte coletivo da Capital Federal).
Reclamava o leitor que os ônibus coletivos paravam em qualquer lugar (no meio da rua, na faixa de pedestres, etc.) atrapalhando o trânsito e dizia que sua esposa, de 77 anos, ouviu de um motorista, incomodado com a dificuldade dela em entrar no ônibus, a pergunta que já virou rotina: “Por que a senhora não toma um táxi?”
Após o contato do Jornal CORREIO BRAZILIENSE, o DFTrans limitou-se a responder que o usuário deveria ligar para o número 156, especificando o “número da linha, a data e a hora em aconteceu o problema e a empresa responsável”.
Aqui começa a minha indignação.
Vivo há 27 anos em Brasília, DF, sempre me servi do transporte coletivo e já presenciei isso que o leitor reclamou e muito mais. Inclusive já liguei para o 156 dando o máximo de detalhes possível e o que recebi em resposta, 30 dias depois, isso porque voltei a ligar para lá, ressalte-se que não dão pelota para quem reclama, é que eles não tinham conseguido identificar o problema.
Fiquei imaginando a situação e a indignação de duas pessoas com 77 e 83 anos de idade respectivamente.
O transporte coletivo de Brasília é um dos piores e dos mais caros do Brasil.
O governador anunciou a troca da frota, os empresários maquiaram os ônibus, renovando a pintura, colocando letreiros luminosos, ‘vampirizando’ os assentos, isto é, tirando os assentos de alguns veículos e colocando nos outros para dar a impressão de novos. Só que a sujeira, as baratas andando pelos corredores, os chicletes grudados nos bancos, os papeizinhos jogados no chão e as marcas de graxa das mãos dos mecânicos que trocam óleo e fazem gambiarra nos motores continuam por meses e meses. Por exemplo, em um dos veículos que tomo no terminal do Cruzeiro, DF, a marca da mão do mecânico na porta de entrada do ônibus lá permaneceu por mais de 8 meses. Cheguei a comentar com outros passageiros, os quais continuam indignados, mas se dizem cansados de reclamar, de fazer abaixo-assinados, de falar com deputados distritais, de ligar para o 156, de reclamar na administração... ( só falta reclamar para o padre e para o bispo).
No ano passado, fiscais fizeram um circo na rodoviária. Entraram no coletivo da linha 152, lacraram a roleta, anotaram dados em pranchetas, recomendaram para o motorista só parar no terminal do Cruzeiro. Os passageiros pensaram que tudo ia se resolver. Ledo engano! Três dias depois o mesmo ônibus, com os mesmos problemas, o mesmo motorista, o mesmo cobrador e este mesmo passageiro estavam rodando em direção ao Cruzeiro, DF. Aliás, geralmente os veículos são barulhentos, sujos, têm escapamento desregulado, alguns poucos são adaptados para deficientes físicos e os obesos e as grávidas precisam passar em roletas apertadas.
E o governador querendo o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), importado da França.
Quanto à capacitação e à educação dos motoristas, embora eu tenha feito amizade com alguns deles, a situação fica a desejar.
Desde a década de 1980, quando começaram a circular motocicletas em maior número pelas ruas da cidade, certa feita fiquei preocupadíssimo com o motociclista. O motorista do ônibus onde eu estava começou a perseguir um deles, quase grudado na traseira da motocicleta e em alta velocidade. Se o motociclista se desequilibrasse, seria esmagado junto com a sua motocicleta. Respirei aliviado quando ele dobrou a primeira rua à direita que encontrou para ficar livre da perseguição do ônibus.
Também na década de 1980, a passagem era com centavos (Cz$ 1,25, Cz$ 1,75) e quem diz que os cobradores tinham troco? Se faltasse 5 centavos, o passageiro não podia passar a roleta; se faltasse 25 centavos de troco por parte do cobrador, só restava ao passageiro descer no seu ponto resmungando.
Já presenciei pessoas nas paradas com problemas de visão, que só enxergam o número do coletivo quando ele está bem perto. Como não conseguem identificar o número e dar o sinal em tempo hábil, ficam dependendo da boa vontade das outras pessoas que também esperam ônibus, ou ficam para o próximo coletivo, sabe-se lá quantos minutos depois. Entre motorista e cobrador o comentário que se segue é: “Será que o cara pensa que estamos à disposição dele?”
Algum tempo atrás eu estava com problemas crônicos na região lombar. Era difícil para mim subir no coletivo, permanecer sentado e sacolejando e descer no meu ponto. Naquele tempo, eu entendi como seria a situação de um idoso tomando o coletivo, com dores articulares, com problemas visuais, com dificuldade de se movimentar. Todavia, não posso ser injusto com motoristas e cobradores em reconhecer que houve uma melhoria no tratamento dos idosos por conta do Estatuto do Idoso, mas já vi mandarem descer do ônibus, lá onde Judas perdeu as botas, ou pagar a passagem, idosos que tinham acabado de perder ou tinham esquecido a carteira de identidade. Qualquer passageiro via no rosto que se tratava de pessoa com mais de 65 anos. Por outro lado, algumas mocinhas que jogavam charme para o motorista e o cobrador, viajavam de graça.
Na estação chuvosa, os motoristas dos ônibus se divertem jogando água das poças das ruas nos pedestres. Neste quesito, são comparsas de alguns motoristas de carros particulares.
Muitas vezes, os ônibus apresentam cheiro estranho, começam a soltar fumaça pelo motor e alguns passageiros ficam preocupados e reclamam, pedem para parar, querem descer, entram em pânico, influenciados pelas notícias da televisão. Já passei por situação semelhante e o motorista respondeu: “ Se pegar fogo, vocês pulam a janela!”
E quando os ônibus quebram no meio do caminho? Neste caso, as empresas adoram enlatar 80 passageiros onde só cabem 42, além da demora no envio de socorro.
Só me resta perguntar de quem é a culpa. Das empresas? Dos empresários que fazem doações para campanhas políticas ou são suplentes de políticos em exercício? Da falta de preparo e de condições de trabalho de motoristas e cobradores? Das chefias e da fiscalização do DFTrans tão estranhamente subservientes às vontades dos empresários, pois não me lembro de ter constatado em uma notícia de jornal alguma multa ter sido paga? Qual a utilidade do número 156? Fazer propaganda da responsabilidade social do GDF?
Ao invés de melhorar essa situação, tão comum que ninguém perde tempo reclamando para o DFTrans ou ligando para o 156, o governador quer importar da França o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) e, certamente, concorrer à reeleição.

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