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Crônicas-->O CARTÃO DE CRÉDITO -- 28/09/2009 - 22:32 (Edmar Guedes Corrêa****) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
O CARTÃO DE CRÉDITO


Nos últimos meses, a mulher vinha deixando o marido com os cabelos em pé por causa da fatura do cartão de crédito, o qual só crescia mês a mês. O que ele recebia como pedreiro mal dava para cobrir o limite da fatura e pouco sobrava para as compras. Havia dia de chegar em casa e estar faltando comida enquanto a mulher andava de um lado para o outro num luxo que só. Embora amasse a esposa e gostasse de vê-la bem vestida, viu naqueles gastos exagerados com roupas e acessórios um disparate. “Para que tantas roupas se já não tem mais onde colocar?”, foi a pergunta que se fez certo dia.
No final do mês, quando no jantar havia tão somente arroz, feijão e macarrão, o marido irritou-se com a esposa. Esta para se justificar, disse que ele precisava trabalhar mais pois o salário não estava dando para manter a casa.
-- Mas estou recebendo quase o dobro do que ganhava no ano passado! -- exclamou o coitado um tanto vexado.
E para conter os gastos da esposa, resolveu confiscar-lhe o cartão e só ir dando-lhe dinheiro aos poucos para que ela não o gastasse de uma vez. Ela esperneou o quanto pode, fez chantagem, proibiu-o de procurá-la na cama, mas ele se manteve irredutível. E quinze dias depois a mulher voltou a ficar uma seda: atenciosa, prestativa e não se esquivou quando o marido a procurou ao se deitar. Todavia esta pareceu um tanto fria, distante como se algo entre eles se rompera.
A princípio, o marido não deu importância ao fato. Achou que fosse devido ao confisco do cartão de crédito. Mas os dias foram passando e nada do relacionamento entre ambos voltar a ter o mesmo calor de antes.
Três meses depois, quando a fatura do cartão veio quase zerada, o marido querendo a velha esposa de volta, resolveu devolver-lhe o cartão. Ela por sua vez recusou o cartão alegando que não precisa mais dele. O marido achou estranho, contudo mais uma vez não disse nada. Achou que ela só estava bancando a difícil, “fazendo cu doce” como ele mesmo chegou a dizer, mas que dois três dias depois pedir-lhe-ia o cartão.
Passou-se uma semana e nada da esposa pedir-lhe o cartão. Foi então que intrigado, resolveu abrir a parte do guarda-roupa da esposa para ver se não havia alguma peça nova, embora não se lembrava de vê-la usando. Levou um susto quando encontrou três vestidos caríssimos comprados recentemente. Correu à cozinha onde a mulher lavava a louça e pediu explicações.
– Foi o Roberval.
– Roberval? Mas que Roberval? – inquiriu o marido exaltado.
– Um amante – Foi direta.
– Um amante?
– Isso mesmo! Uma mulher cujo marido não consegue dar o que ela quer ou troca ele por outro ou arruma um amante capaz de satisfazer seus caprichos. Foi o que eu fiz. Os vestidos que você não compra para mim ele me dá em troca daquilo que você come de graça.
O marido furioso, fora de si, partiu par cima da esposa, e, ao empurrá-la violentamente, ela bateu com a cabeça na quina da mesa e, com a nuca perfurada, caiu morta.



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