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Crônicas-->Caminhando pela rua -- 21/04/2001 - 14:50 (Pedro Carlos de Mello) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
Todos os sábados, pela manhã, gosto de dar uma olhada, pela Internet, no suplemento “Revista de Libros”, do jornal “El Mercurio”, de Santiago do Chile. Sempre tem coisas interessantes para se ler. Hoje, 21 de abril, um artigo, em especial, chamou a minha atenção: “Libros en Tránsito”. Os autores, Felipe Correa e Enrique Vila-Matas, abordam a leitura em metrôs, trens ou ônibus.

Enrique Vila-Matas registra: “Há dias em que, melhor que escrever novelas, prefiro ler a novela da rua. Algo disso me aconteceu quando, viajando em um ônibus sem rumo fixo, de repente decidi abrir uma investigação sobre o que as pessoas lêem nos transportes públicos... Como disse Antonio Tabucchi, todos os escritores somos um pouco voyeurs, todos espiamos um pouco a vida pelo buraco da fechadura. A vida é demasiado breve para viver um número suficiente de experiências: é necessário roubá-las. A isso eu me dedicava a fazer viajando sem rumo fixo, quando de pronto iniciei minha investigação sobre o que a gente lê quando viaja”.

Embora interessante a pesquisa a que o autor se propunha, não foi isso que chamou minha atenção. O que me agradou foi o seu enfoque de como fazer a pesquisa e as noções utilizadas de “ler a novela da rua”, “escritores são um pouco voyeurs”, “espiar um pouco a vida pelo buraco da fechadura”, “é necessário roubar experiências”.

Foi com esses conceitos ainda na cabeça que saí com minha esposa para dar uma caminhada pelas ruas do Lago Norte, bairro em que moro, em Brasília. As ruas do bairro, estritamente residencial, são calmas e praticamente todas as pessoas que por ali transitam também são moradores, dando a sua caminhada matinal. Dificilmente seria em uma ocasião como essa que eu conseguiria roubar alguma experiência para transformar em literatura.

Mas, eis que, atravessando a rua que separa a QI 4 da QI 6, deparamo-nos com um objeto inusitado no chão: uma touca de banho, dessas de plástico transparente, com algumas camisinhas dentro. As camisinhas provavelmente haviam sido utilizadas, já que fora de seus invólucros.

Apenas lixo, diriam alguns. Mas a curiosidade do escritor não aceita essa explicação simplista. A sua imaginação o leva a pensar em uma orgia em algum dos motéis da cidade, em uma traição e o descarte da prova do crime, em uma noite de amor entre adolescentes fugindo do controle dos pais, ou até mesmo em algum sacana que preparou e jogou a touca e as camisinhas no meio da rua para que um aprendiz de cronista que nem eu encontrasse e escrevesse sobre isso. Bem, mas tudo isso são hipóteses. O que efetivamente aconteceu, só os autores da proeza saberão dizer.

Os fatos do dia, entretanto, deixam uma lição. É preciso observar o mundo com atenção, “ler a novela da rua”. Depois, fazer uma história em cima disso, é mera conseqüência: basta ter vontade, tempo e saber escrever.
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