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Ensaios-->Coisas de Mulher e Folclore -- 11/09/2002 - 21:38 (Thelma Regina Siqueira Linhares) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
Identificar o século XX por inventos não é tarefa fácil, haja a vista, a imensa diversidade de invenções que caracterizaram os últimos cem anos da história da humanidade.
Invenções simples às mais sofisticadas, complexas e/ou científicas fizeram a história do cotidiano do ser humano, nesse século recém-findo. Seja como componente integrante e significativo do dia-a-dia, seja como um referencial, um ouvir falar, às vezes longínquo, não compreendido, não fazendo parte da realidade do aqui e agora, dos diferentes povos do nosso planeta Terra.
E, por serem tão variadas e abrangentes refletiram, com certeza, em todas as atividades da vivência humana, interferindo/modificando/reforçando/reinventando a sua aventura, desequilibrando o status quo do relacionamento homem-mulher.
A mulher, especialmente nesse século XX, jamais será a mesma. Muitas foram as invenções colocadas a seu dispor e que tiveram como conseqüência a evolução/revolução do seu papel sócio-cultural, até, então, de sexo frágil.
Absorvente, pílula anticoncepcional, camisinha, inclusive feminina, AIDS. Mine-saia, silicone, carro, celular, aparelhos eletrodomésticos. Igualdade de direitos ao homem, garantida pela Constituição. Trabalhar fora, direito à escolha do companheiro, divórcio, inseminação artificial, produção independente, desestruturação familiar. Enfim, uma gama de pequenos e grandes inventos que permitiram à mulher assumir novos e outros papéis na sociedade, além daquele milenar, de mãe e dona de casa, já sacramentados em todas as sociedades, desde o aparecimentos da humanidade e a especificidade dos sexos.

O folclore, como ciência do pensar, sentir e agir do povo, tem nos assuntos relacionados à mulher e às fases que caracterizam a sua fisiologia, temática rica e variada. As cantigas de ninar e de roda e as histórias da carochinha... as crendices, superstições, tabus e faz-mal... as receitas de comes e bebes... os ditos e anedotário... são alguns dos muitos elementos do folclore que refletem os conceitos e preconceitos das questões de gênero.
O tema deste ensaio, Coisas de Mulher e Folclore, foi escolhido a partir da evolução observada nos absorventes higiênicos. Das toalhinhas higiênicas e dos primeiros absorventes presos em cintos com presilhas e calcinhas plásticas, da década de 70 aos atuais absorventes, aderentes, com e sem abas, anatômicos, fininhos e seguros, há um passo largo em prol da higiene e da comodidade feminina, inegavelmente. E, como uma coisa puxa outra, a curiosidade de pesquisar o universo do folclore feminino foi aguçada. Como tabus, superstições e crendices são incorporados pelas jovens da era da informática? Como mulheres vivenciam conceitos e preconceitos assimilados em outras etapas de vida?
Na expectativa de encontrar respostas para esses e outros questionamentos, começamos a pesquisa bibliográfica e de campo, que registramos aqui os primeiros dados para a revista on line Jangada Brasil.
Disponibilizamos o e-mail folcloremulher@bol.com.br para eventuais colaborações, sugestões ou críticas em algum aspecto do referido estudo, por parte dos leitores jangadeiros(www.jangadabrasil.com.br) e usineiros (www.usinadeletras.com.br).


Menina
No contexto social do próprio ambiente familiar, cabia à mulher – mãe, babá e, anteriormente mucama – a socialização dos fatos folclóricos às novas gerações. Com a modificação dos papéis sociais da mulher-mãe, agora mão-de-obra responsável, também, pelo sustento e sobrevivência da família, é a escola de Educação Infantil (antigo pré-escolar) e a Educação Fundamental, que cabe tal função social. Incluir em suas atividades cotidianas, a prática das brincadeiras populares, por exemplo, como componente socializador de meninas e meninos, é uma medida eficaz para o aprendizado do folclore entre as crianças.
Usar roupas de cor rosa, já no enxoval da menina. Brincar de casinha e utensílios do lar, artesanalmente feitos ou produzidos em indústrias. Panelinhas de barro. Bonecas de pano – as bruxinhas. São algumas expressões da fase mulher-menina.
Dentre as brincadeiras populares próprias do sexo frágil, figuram: pular amarelinha ou academia, corda, elástico (popularizado na década de 1990), passar anel, brincar de roda. Histórias da carochinha. Bruxas, fadas e príncipes, surgem e acompanham os sonhos da menina-moça e, às vezes, até as fantasias da mulher madura.


Menina-moça
O corpo da menina, mais cedo que no menino, começa a sofrer transformações. A puberdade começa e, em breve, dá lugar à adolescência. Época do surgimento de cravos e espinhas – o terror da menina-moça. Para acabar com esse mal duas receitas, dizem, infalíveis: passar, na área afetada pela acne, a primeira urina do dia ou o mênstruo do primeiro dia da menstruação. Em ambos os casos, deixar agir por alguns minutos, lavando com bastante água e o sabonete de uso diário. Repetir uma ou outra receita até atingir os objetivos.
Um método de provar a virgindade da donzela: pegar um cordão, cujo tamanho é obtido pelo dobro da medida do seu pescoço. Segurando as duas pontas do cordão na boca, tentar passá-lo pela cabeça. Se não conseguir, a jovem ainda é virgem.
Talvez, nessa fase biológica da mulher, a prática das superstições casamenteiras do ciclo junino sejam mais comuns. Especialmente, no dia dos namorados (12 de junho) - véspera de Santo Antônio (13 de junho) - jovens namoradeiras, em adivinhações, crendices e superstições diversas, buscam desvendar o futuro amoroso que as aguardam. Rezando, lentamente, a oração Salve Rainha, deixa-se pingar a vela num prato ou bacia, virgem, com água, até “mostrai-nos”. A letra que for formada será a primeira letra do futuro namorado...


Mulher
Coisas para passar dor de menstruação:
· deitar-se ao lado e abraçar o travesseiro, na altura da barriga;
· ao usar a privada, debruçar-se para à frente e abraçar um travesseiro;
· usar uma bolsa de água quente na barriga;
· beber chás caseiros: erva-doce, erva-cidreira, etc.


Coisas que devem ser evitadas durante o período menstrual:
· tomar banho de mar ou piscina:
· ir à praia;
· praticar atividades físicas;
· sentar ao chão;
· sentar em lugar quente;
· pegar em peso;
· comer alimento remoso (porco ou peru);
· comer crustáceos;
· comer cebola e ovos – para não acentuar o mau-cheiro;
· comer determinadas frutas ( abacaxi, laranja, manga, limão, jaca ou banana-anã);
· comer frutas com sementes na cor preta (pinha/ata, graviola, melancia, etc.)
· andar descalça;
· lavar os cabelos;
· dormir sem calcinhas;
· varrer a casa;
· ter relações sexuais;
· entrar em cemitério.


Coisas para chegar a menstruação:
· tomar água inglesa;
· tomar Regulador Xavier;
· tomar banho quente;
· tomar chás caseiros (erva-cidreira, alcachofra, cuminho, quebra-pedra);
· pular;
· fazer exercícios físicos.


Superstições para uma gravidez saudável:
· comer bem, evitando gorduras;
· dieta saudável, alimentação leve;
· dormir bem;
· fazer exercícios moderados;
· andar/caminhar;
· não transar;
· não tomar banho de mar;
· não subir escadas;
· não sentar em batentes;
· não pegar em peso;
· não colocar chave no seio para o bebê não nascer com lábio leporino;
· não falar a ninguém que está grávida para o nenê nascer bonito;
· ter os desejos realizados, pois do contrário, pode perder o bebê.
· olhar fotos de gente bonita, para o bebê, também, nascer bonito;
· não ir a zoológico, para o nenê não nascer com cara de macaco.


Superstições para passar enjôos:
· chupar limão ou gelo;
· apertar um limão inteiro;
· cheirar casca de laranja descascada em fita;
· cheirar canela;
· cheirar as axilas do marido;
· cheirar uma axila do marido, quando ele chegar da rua, suado e sem ele perceber;
· tomar chás caseiros (louro, boldo, erva-doce);
· mastigar grão de arroz;
· mascar cravo da índia;
· mascar um palito de fósforo;
· colocar uma moeda dentro do sutiã;
· segurar firme uma moeda com a mão bem fechada;
· pedir ao marido para passar a perna por sobre seu corpo, enquanto estão deitados.


Superstições para prever o sexo do bebê:
· cortar um coração de galinha ao meio e por para cozinhar. Fechando, nascerá menina.
· se a barriga for redonda, menina. Se pontuda, menino;
· colocar uma tesoura fechada e uma aberta, embaixo de duas almofadas. Se a gestante sentar sobre a tesoura aberta, terá uma menina;
· pedir a mão da gestante. Se ela estender a mão com as palmas para cima, terá uma menina;
· enjoar muito, nascerá uma garota;
· fazer ultra-sonografia para saber o sexo do feto;

Para ter uma boa hora no parto:
· rezar para Nossa Senhora do Bom Parto;
· acender velas para N. Sra. do Bom Parto;
· trazer consigo a imagem de N. Sra. do Bom Parto;
· fazer a trezena para N. Sra. do Bom Parto;
· muita oração;
· ficar bastante calma e pensativa;
· fazer respiração “cachorrinho”;
· tomar xícara de café quente com manteiga;
· não dormir muito.


Outros nomes para menstruação:
· boi;
· tá de boi;
· bezerra;
· incomodada;
· regrada;
· (estar) doente;
· mulher doente;
· regra;
· Chico;
· marido;
· TPM;
· estressada, nervosa;


Piadas:
· O monstro chamou a monstrinha:
- Vamos fazer um monstrengo?
- Não, pois estou monstruada!

· Um rapaz na noite de núpcias, quando notou a mulher menstruada disse:
- Jogo adiado. Campo alagado...




Referências Bibliográficas
SOUTO MAIOR, Mário. Os Mistérios do Faz-mal. 20-20.
CASCUDO, Luiz da Câmara. Dicionário do Folclore Brasileiro.
MELLO, Luiz Gonzaga de. Mulher, comparação e Machismo. FUNDAJ – Folclore 163 -
out/ 1985.
Enjôos, sexo dos bebês e superstições de gravidez. O Povo – 2º caderno. Fortaleza
15/05;1986.

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