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Crônicas-->É isto -- 07/01/2013 - 11:11 (valentina fraga) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
Olá amigos,
O autor desse texto, é sem dúvida, uma das melhores pessoas que já conheci. Bom de papo e bom de escrita. Um almoço em sua companhia nos restaurantes e bares do centro do Rio, vale mais que muitos almoços com qualquer outra pessoa.
Ao amigo Alfredo,
Obrigado por sua companhia, pelos toques literários, pelo bom papo, e torço para que em breve, tenhamos oportunidade de nos encontrar.
Da amiga Valentina


É isto
As coisas do dia a dia são engraçadas, não? O que vale para uma situação não vale
para outra; o que serve para um dos membros da família não serve para os demais; o
que agrada no momento irrita depois; a moda festejada anteriormente cai em desuso
facilmente; e assim vai sem previsão nem controle, até que estejam envolvidos os
mesmos personagens, do mesmo grupo familiar.

O meu filho trancou a matrícula no curso superior. Alegou estar indeciso quanto ao seu
futuro profissional. Também, pudera, escolheu engenharia elétrica. O “bichinho” não
difere uma tomada fêmea de outra chamada de macho. Nunca trocou uma lâmpada.
Mas paciência. Antes, havia escolhido, porém, agora desistiu. Aí, o que está fazendo nas
muitas horas vagas? Nada. Nada, não. Passa, no mínimo, quatro horas na academia.
Aquela de fazer fortões. Ao chegar a casa, a mãe corre com o que ele chama de
“nescauzinho”. De entrada, só para esperar o açaí engrossado, com tudo que é boa
fibra. A roupa, um tanto fedorenta, é largada por aonde passa. Tranca-se em seguida
no quarto, que não foi arrumado porque ele proíbe, alegando que não se deve mexer
nos pertences alheios, que serão arrumados daqui a pouco. Sabemos, é claro, que esse
tempo é nunca. Para fechar a tarde, ele vai dormir, já que não é de ferro. Aí, dorme,
dorme, até quando começam os “games”, que varam a noite.

A minha filha, sim, é uma pérola. Estudou no colégio de orientação católica, onde cursou
informática, culinária e costura, além das matérias normais. Possuía um cabelo longo,
liso, castanho, muito bem tratado, que fazia o orgulho da mãe. Sua pele era a mais
branca possível. Deixava a Branca de Neve com inveja. Usava uniformes impecáveis,
com rendinha nas mangas compridas e longas saias pregueadas. Trazia consigo uma
pulseira de ouro dada por nós, quando fez nove anos. Para acompanhar, havia pequenos
brincos, igualmente dourados. O conjunto da obra parecia o de uma princesinha. A até o
nome de batismo estava inserido no contexto angelical, Maria dos Anjos.

Hoje, a realidade de “Dos Anjos” é totalmente diferente. Para início de conversa, mudou
por vontade própria o seu nome, informalmente. Adotou o de Badr al Din, de origem
árabe, que, mais ou menos, quer dizer Lua Cheia de Fé. Para não errarmos no nome,
optamos por chamá-la de Din, o que ela corrige sempre que pode. Foi criada para ser
“lady”, acabou no estilo “gótico”. Instalou vários “piercing”, demarcando praticamente todo
o corpo. Contudo, um deles é especial, o da língua, que gerou ao mesmo tempo agrado e
nojo. As vistosas tatuagens estão sobrando, no esforço hercúleo de poluir o que era liso
e branquinho. O cabelo, outrora tão elogiado, transformou-se na cor lilás, picotado por
ela mesma; um verdadeiro espanto! A roupa é única, apenas toda preta, coadjuvada por
inseparáveis botas, também na cor. Aqueles adornos de menina foram parar em gaveta
desconhecida, fundeados num canto qualquer. Não fazem parte do modelito atual. As
grossas pulseiras de couro, com metais pontiagudos, ganharam espaço ao lado dos anéis
de lata envelhecida. Finalmente, merece ser realçado o atual visual das unhas. Elas são
tingidas de negro, de acordo com o desatino de a tudo empretecer. Fazer o quê?

Quanto à profissão, ao menos, ela a tem. Trabalha como segunda assistente de produção
de filmes independentes. Estes são destinados aos grupos marginalizados da sociedade,
levantando a causa das minorias injustiçadas. Passados oito meses, ainda não recebeu
remuneração. Din alega que o mercado está difícil para as pequenas produtoras, pois são
sufocadas pelas gigantes. Ah! Entendi. Sobra-lhe o quê? Respondo: juntar-se ao irmão, e
manterem a sobrevivência pedindo dinheiro ao pai. Legal! Não é que tudo fica bem?!

Alfredo Domingos
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