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Crônicas-->MOSTRANDO UM QUADRO VERDE -- 08/02/2013 - 00:17 (João Ferreira) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
Mostrando um quadro verde
Jan Muá
07 de fevereiro de 2013

Esta é uma crônica escrita num dos meus passeios solitários pelo parque Olhos d`Água. Neste dia, após chuvas intensas umidificando as matas, uma claridade solar invadiu o recinto verde do parque. O sol pôs a nu todo o fundo amplo de uma imensa variedade de criaturas verdes. A maioria com a alegria vegetal estampada na pele. Outras, com a dor e a morte estampada em seus caules e galhos secos. O destaque está na variedade e aparição cousal disposta em formas. São formas de matéria densa, sutis por vezes. Dominando a vista, mostram-se troncos de todos os tipos. Troncos lisos como colunas de palácio. Troncos corcundas como a corcova do pedinte de Notre Dame de Paris. E também troncos jovens e saudáveis com a senha da alegria de viver à vista, ao lado de troncos velhos e doentes, já se despedindo da vida, e troncos problemáticos revestidos de cortiça desgastada pedindo uma atenção. Em volta da esteira de tijolo por onde caminho, uma infinidade de volumes e formas se transformam em fundo de pintura com seus ramos e folhas, terminais infalíveis das donas do parque, que são as árvores. Para dar mais equilíbrio ao quadro, alguns tufos de grama de Formosa guardam as laterais do caminho.Ali pousam pássaros raros de poupa armada buscando pequenos grãos de paínço. Há a novidade de um ventinho passando por aqui. É uma beleza sentir as copas e os ramos dançarinando. Redondas ou cilíndricas, retorcidas, longas ou estreitas, largas, simétricas ou não simétricas, todas participam do baile. São como artigos de fina tecelagem, quando as olhamos individualizadas explodindo de vida ou dilaceradas e abusadas pelos humanos. Tudo aparece como detalhe que nasce da tinta geral que uso para pintar meu quadro. E aqui é como na vida. As pessoas jovens mostram seus corpos atléticos alardeando energia e vida, da mesma forma que árvores hirtas e soberbamente vitalizadas sinalizam a plenitude do élan vital nelas presente.Mas há que olhar o contexto biológico do parque ao lado da flora. Há cupinzeiros vivos e termiteiras e grandes fossas e palácios de formiga cortadeira. São armas da natureza ditando regras indizíveis que dizem ser importantes para o equilíbrio do planeta. Rigorosamente falando, nada sei acerca da verdade desse discurso. Mas sei que o mundo tem uma lógica. A vida tem uma lógica. E mais do que isso, tem uma lei. E a lei é tão forte que nela e por ela vivemos e por ela emigramos para o nada na esperança de que ainda poderemos voltar a reviver. É uma filosofia complicada mas deixa o enigma da vida, em suas variadas formas, mais próximo de nós. Nesta avenida, e acompanhando o cortejo que vai se desdobrando aos olhos dos que passam silenciosos, parece que vai fluindo um corolário dizendo que todos, você e eu, que passeio no parque, e demais população do mundo, assim como todos os seres, as árvores e os pássaros, os ofídios, as formigas e os cupins, e a própria população mineral, em seu núcleo energético e em sua inquietude magnética, participam deste movimento universal a que chamamos vida, tocada a toda a hora pelo instinto de viver.
Jan Muá
07 de fevereiro de 2013
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