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Crônicas-->Deus dá o frio... -- 07/11/2013 - 13:24 (Brazílio) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
Deus dá o frio conforme o cobertor. No nosso caso, e na nossa casa, ele foi pra lá

de generoso: deu-nos cobertores de lã, as cobertas de tear de pau, as colchas de

retalhos e aquele aconchego materno-paternal sem o qual, até dormir faz mal.

Rajadas de vento seco e frio, a úmida procela, nem ela, a gente temia, ainda que

tiritasse quando a cama ainda achasse fria.

Nas noites mais amenas, havia sempre uma certa preferência por determinadas

peças - e dessas - destaque sem igual cabia a uma coberta de tear de pau,

de fundo azul, com umas listrinhas verdes, que proporcionava o sono ideal. A

primazia, a cada dia, cabia a quem primeiro que a escolhia na quase gritaria.

Depois da reza, pois antes ou durante, quem ousaria?

Mas ao largo do povoado do Brumado, pelo jeito, o bom Deus, digo aos botões

meus, era mais acionado. Era frequente ver gente acorrendo à conferência de

São Vicente de Paula pra pedir os cobertores "de São Vicente". Esses eram

padronizados, na cor cinza, uma faixinha marrom, e embora fininhos, requéns,

parecia que tava bom, malgrado os poréns.

Já os cobertores Parahyba, esse pareciam estar ainda muito arriba. Quiçá cobrindo

os pés de Deus, pois o Chico Piaba, que morava só, em algum cafundó, quando

passava por nossa casa, batia à janela lembrando que era candidato às meias

furadas, que remendava, e o sono então o acalentava, em meio à noite brava, sob

o céu varrido a piaçava.
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