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Crônicas-->A visita do Santíssimo -- 14/11/2013 - 06:17 (Brazílio) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
E como fagulha no paiol, crepitou logo a notícia da iminente vinda do Santíssimo a

visitar o povoado de São Gonçalo do Brumado. E nem era domingo ou dia santo de

guarda, era um dia de semana qualquer e, pra variar, a fábrica mantinha a prioridade

para reclamar a presença de mamãe. Assim como tantas outras, e tantos os seus

parceiros. A fábrica já parava aos domingos e feriados e não fazia exceções - com todo

respeito ao visitante. Que já estava a caminho, nas sacras mãos de algum padre da

vizinha Velha Serrana.

Mas nada disso tirava solenidade e gravidade ao fato: Visita do Santíssimo, quanta

bênção e quanto pedido se podia fazer. E tão despachada quanto o visitante, mamãe não

se fez de rogada: botou-nos todos banhados, vestidos e penteados e nos confiou à zelosa

tia Vicentina que frequentemente nos pageava enquanto mamãe e papai se alternavam

em turnos fabris.

E já quase de saída pra "fapa", mamãe teve tempo e graça ainda para fazer aquele

ramalhete, mais de jasmim, tenho em mim, e colocá-lo na janela da frente da casa

apoiado na melhor e mais engomada guarnição que tínhamos. Era nossa homenagem

ao Santíssimo. Que aliás íamos ver de frente a frente, da casa de vovó na companhia

da tiarada. A casa de vovó tinha a vantagem de ficar na numa das ruas que formavam o

quadrado central do povoado e por ali não tinha escape, visitante ilustre pisava de rigor -

e quase sem opção - aquela leve subidinha pra percorrer o quadrado ou ir mais além, se

assim fosse desejado, amém.

Só que a "nossa rua", também chamada por alguns mais antigos a rua do Quenta-Sol,

apenas se relacionava com o tal quadrado ao sair dele - e dar em lugar nenhum, ou seja,

na porteira que levava ao pasto. E ao horizonte da mataria que se perdia, até que com o

céu se fundisse.

E assim, o Santíssimo, apressado como ele só pra salvar almas outras nas mãos alvas e

onanísticas do Vigário, não podia se dar ao luxo de visitar todas as ruas. Já o sabíamos,

tanto é que mamãe nos despachara para a casa de Vovó, e fizera questão de deixar o

guardanapo engomadinho e o ramalhete de jasmim bem espevitados para que ao dobrar

a esquina o Santíssimo que tudo vê, visse o arranjo e por meio de um seu Anjo o

borrifasse dumas gotas de suas bênçãos também ali pra nossa casinha.

Tia Vicentina foi que do fundo de suas lentes não ficou muito convencida da

possibilidade, dizendo logo que da distância da esquina daquela rua empoeirada não

dava pra ver nada, enquanto nos levava pra sua rua mais santificada. E me veio logo

uma pena de todo aquele esforço e entusiasmo de mamãe por nada. Por respeito ao

visitante ou por não alcançar um petardo fulminante, ainda ruminante, poupei a vida de

Tia Vicentina. Por um instante
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