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Cartas-->VIVENDO ENTRE O AMOR E A PAIXÃO -- 04/02/2008 - 14:03 (GERMANO CORREIA DA SILVA) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos


VIVENDO ENTRE O AMOR E A PAIXÃO
(Germano Correia da Silva)

Estou escrevendo esta missiva com o intuito de comunicar-lhe que nesses últimos tempos, por mais que eu tenha tentado evitar, não tenho conseguido fazer com que o amor que eu sinto por você fique por aí, pelos quatro cantos das paredes, procurando envolver ardentemente o meu coração. Pelo que eu tenho percebido, ele tem estado nesses momentos a pedir socorro àquela parte mais sensata do meu ser e tudo indica que esse relacionamento entre nós está em vias de virar uma paixão.

Se por um lado esse amor tem procurado o meu coração para se aconselhar, por se sentir meio inseguro, por outro lado, o meu coração, que também tem estado um tanto quanto carente, tem conversado frequentemente com os pilares de sustentação dos muros de arrimo construídos nas encostas de minh’alma e ela, por razões inexplicáveis, tem se comportado como uma adolescente que está amando pela primeira vez.

Eu confesso que não tenho nada contra o comportamento do meu coração em procurar dar guaridas para o amor que tem tentado, a todo tempo, se aconselhar com ele, muito menos contra esse fogo ardente que, de uns tempos para cá, tem se apossado do meu peito, mas esse comportamento um tanto quanto doentio do meu coração está me deixando meio preocupado, pois eu entendo que não é certo o que ele anda fazendo.

A bem da verdade, o que eu sinto por você é amor, mas essa mudança de comportamento, ora meio indefinida, ora meio confusa, em que tem estado envolvido o meu coração, tem dado a transparecer que se trata de um uso inadequado da má influência advinda das atitudes levianas praticadas ultimamente por esse sentimento chamado paixão.

Já alertei severamente o sentimento amor, esse que tem procurado nos amparar nesses dias de insegurança emocional, e fi-lo acreditar que eu gostaria muito que ele se comportasse de forma madura. Que ele não promovesse nenhum tipo de desequilíbrio psicológico que viesse a perturbar a convivência da minha alma no âmbito delimitado pelas barreiras que tenderão formar o abrigo seguro do meu coração.

Ele se comprometeu a colaborar conosco. Disse-me, de forma enfática, que desde o dia em que ele conheceu a paixão ela tem se comportado de uma forma meio estranha, de um jeito meio aproveitador para com ele. Geralmente ela tem ficado esperando que as partes envolvidas em matéria de amor se envolvam cada vez mais e, sem fazer nenhum alarde, tem procurado se apossar da mente dessas pessoas, deixando-as, por vezes, enlouquecidas.

Sem alternativas para agir de forma diferente, eu tenho vivido nos últimos tempos entre o amor e a paixão. Ele, mais maduro e menos aproveitador, tem tentado a todo instante se segurar para não “dar bandeira” e, sem a devida experiência, entrar num jogo de lances perigosos. Já a paixão, mais afoita e, por vezes, um pouco aproveitadora da fragilidade dos seres que se entregam de corpo e alma, ora tem roubado o meu corpo, ora tem seqüestrado, temporariamente, a minha alma.

Diante de tanto desmandos praticados por eles contra nossa integridade física, nós não podemos ficar reféns desses dois sentimentos. Se nós nos descuidarmos e dermos atenção de forma demasiada ao amor, fatalmente estaremos nos envolvendo com o sentimento paixão. Se nos entregarmos de corpo e alma para o sentimento paixão, inevitavelmente, estaremos perdendo o controle de nós mesmos em relação ao amor.

Precisamos, sim, de muita prudência e de muita força para lutarmos juntos, e que em nenhum momento do nosso relacionamento o amor e/ou a paixão nos domine definitivamente. Todavia, se por alguma razão maior, dessas que chegam de forma sorrateira e se apossam do corpo e da alma das pessoas que amam, sem que esses seres reúnam condições de se desvencilhar, venham nos expor diante da fragilidade do nosso ser, que essa entrega seja breve.

Na verdade, eu preciso muito de todo esse amor que você tem para me oferecer e quero retribui-lo na mesma intensidade, mas com uma condição: que essa entrega recíproca ocorra sem a intervenção do fogo da paixão, sobretudo dessa que tem o hábito de dominar os amantes e fazê-los seus prisioneiros em pontos distintos de um grande labirinto, levando-os a uma verdadeira loucura.

 


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