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Crônicas-->...Levem junto nossos corruptos -- 06/08/2015 - 17:02 (João Rios Mendes) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos

Estamos em 2015. Hoje pela manhã o taxista argentino disse-me que Mendoza está com o clima muito mudado. A culpa é do El Niño:

- Mudou tanto que há quatro anos não cai neve e, entre hoje e amanhã, a cidade enfrentará uma ventania com ventos variando entre fortes e fortíssimos.

Um aviso na recepção do hotel pede para fecharmos bem as janelas.
O noticiário da noite informa que a Operação Lavajato prendeu ‘o braço direito de Lula’ e também outro senhor, sendo este muito respeitado e maior responsável pelo programa de energia nuclear brasileiro. Ambos acusados de corrupção dentro da Petrobrás.

Não gosto do termo ‘corrupto’ porque fora estabelecido pelos corruptos e seus aliados. É feio chamar de ladrão alguém de terno e gravata. ‘Ladrão’ é para quem usa chinelo. Tanto é assim que se gritarmos ‘socorro, pega corrupto, pega corrupto’ ninguém mexerá sequer a sobrancelha. No entanto, se gritarmos ‘socorro, pega ladrão, pega ladrão’ um montão de homens fortes aparecerá procurando pelo gatuno.

Desde o julgamento do Mensalão o Brasil tem passado por uma catarse no combate à corrupção. Empresários ilustres e acima de qualquer suspeita tem sido algemados e enjaulados. Alguns políticos estão sendo investigados e o Judiciário tem-nos dados uma lufada de esperança autorizando apreensões nas casas dessas autoridades.

- Cada vez que a polícia visita essas casas a corrupção sofre um golpe... Se não ficarem presos por muito tempo, pelo menos quebra a crista desse pessoal, além de deixar outros tantos sem dormir e com medo de atender à campainha... Pode ser a Polícia Federal –
Filosofou Suzana enquanto admirava as lágrimas de um vinho delicioso.

A cada investida da Polícia Federal nas casas ou empresas desses políticos eles abotoam o paletó, acertam o nó da gravata e, com ar aristocrático (meu pai diria “mais empinado que galo na chuva”), sobem à tribuna para explicarem-se aos seus eleitores e aos demais parlamentares, que serão seus juízes. Choram, culpam os adversários, juram que são inocentes, mas nenhum deles, nenhum mesmo, mostra o extrato bancário nem a conta telefônica detalhada.

Assim a sociedade brasileira vai vibrando com a expectativa de amanhã outro figurão - que há tempos deixou de ser ‘acima de qualquer suspeita’, ser preso ou ter sua casa visitada pela Polícia e ver seus carros e dinheiro serem levados para averiguação policial.

Esses senhores, todos eles, há pouco tempo frequentavam as rodas da mais alta sociedade, eram respeitados pelos altos escalões do governo e eram admirados pela sociedade como grandes empreendedores produzindo riquezas para o país. Tinham nosso orgulho por estarem construindo nosso país. Em vez disso estavam nos roubando e destruindo nosso futuro.

Agora voltemos aos anos 1860:

- ...Eu já lhe disse uma vez que há dois modos de se ganhar muito dinheiro: um é na construção de um país e outro, na destruição. Dinheiro lento na construção, dinheiro rápido na derrocada. Lembre-se de minhas palavras. Talvez lhes sejam úteis algum dia.

- Muito aprecio um bom conselho – disse Scarlett, reunindo todo o sarcasmo que podia -, mas não preciso do seu. Acha que meu pai é pobre? Ele tem todo o dinheiro de que preciso e, além disso, tenho as propriedades de Charles.

- Imagino que os aristocratas pensavam praticamente a mesma coisa até o exato momento de subir ao carroção que os levaria à guilhotina.

Esse diálogo deu-se entre o capitão Rhett Butler e a mimada Scarlett O’Hara no livro “...E o Vento Levou”.

...Que esses ventos levem junto nossos corruptos.
 

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