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Crônicas-->CHANELZINHO -- 15/10/2015 - 17:03 (Henrique César Pinheiro) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos

Nós sempre falamos, de forma geral, de coisas ruins, principalmente nestes tempos em que as intempéries assolam o Brasil, com a corrupção corroendo as entranhas dos três poderes; a inflação batendo à nossa porta com toda sua intensidade; a recessão ameaçando tirar o emprego de muitos e muitos cidadãos, pais de família, e quase nada nos leva a falar de coisas boas; a Anta dizendo imbecilidade em suas falas. E a cada dia que passa mostra mais ainda sua total incompetência, deixando antever o futuro que espera nossa Pátria se ela e seus asseclas continuarem no poder.
Tempos em que estamos à mercê da bandidagem em geral. Nos três poderes, pilares de uma nação democrática, a corrupção impera, juntamente com o jogo de poder e os interesses pessoais. Onde se leiloa com dinheiro do povo a permanência no poder da presidente da República e da Câmara dos Deputados e a esperança do povo se esvai a cada minuto no mar de corrupção. Tempos em que as pessoas de bem, como Joaquim Barbosa e Sérgio Moro, são perseguidas por bandidos. Bandidos que querem manter-se no poder a qualquer custo para escravizar um povo. Poucas coisas de bem temos para contar.
Entretanto, mesmo como todas as nuances políticas e econômicas que nos cercam e nos deixam à mercê das decisões inábeis de um desgoverno, rodeado de comunistas ávidos por implantarem um regime ditatorial no País, ainda encontramos gente que nos levam a acreditar num futuro promissor para nossos filhos e nossos netos.
Com a recessão batendo à nossa porta e a inflação nos calcanhares do povo, não deixa de ser válido o desespero de comerciantes que de tudo fazem para vender suas mercadorias, seus serviços, seus produtos. Muitos usando de subterfúgios e outras práticas espúrias para vender e aumentar preços.
Basta dizer que em uma época já remota, quando tivemos o maior índice de infração do país, no desgoverno Sarney, presencie uma cena que podemos chamar de ridícula e desonesta. Mais ridícula e desonesta ainda por partir de uma empresa que fazia parte de um dos maiores conglomerados – para usar uma palavra fora de moda – empresariais do Ceará naquele tempo.
Até bem pouco tempo, as revendedoras autorizadas de veículos eram somente quatro no Brasil: a Ford, a Volks, a Chevrolet e a Fiat. Outros fabricantes entraram no País a partir da década de 1990. Os automóveis fabricados tinham poucos modelos, e eram movidos à gasolina e a álcool. O veículo flex não havia sido ainda inventado.
Pois bem, as remarcações de preços eram constantes, dada a alta inflação, que chegou, pasmem, em um mês a 84%. As tabelas de preços sucediam-se quase que diariamente. Nos supermercados as máquinas de etiquetar funcionavam vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana. Quantos aos carros, estes tinham preços diferentes se fossem a álcool ou à gasolina.
Certa noite, fui a uma revenda e como conhecia o pessoal da empresa fiquei conversando por ali, enquanto alguns empregados trabalhavam e faziam tabelas de preços de veículos novos. Além de calcular o preço dos veículos propriamente dito, calculavam também o preço dos acessórios para cada um. Fiquei observando o trabalho e notei que o preço de um toca-fita - os carros na época tinham toca-fitas e não kit multimídia como hoje, e não vinham acoplado ao veículo; eram postos na hora da compra, se o cliente quisesse – para um carro a álcool era diferente do preço de um toca-fita para um carro a gasolina.
Diante daquela aberração, visto que não havia componentes ou adaptações a serem feitas em um toca-fica instalado num veículo a álcool e num à gasolina, perguntei à quem estava calculando os preços por que aquela diferença? Não obtive resposta.
Numa época em que a grande maioria dos estabelecimentos comerciais estão vazios,lojas sendo fechadas Brasil afora pelos maiores grupos empresariais, com vendas escassas, é normal quando se entra num estabelecimento qualquer, os vendedores ou os donos de lojas queiram empurrar suas mercadorias de qualquer maneira.
Dito isso, passo ao relato do tema que me fez escrever esta crônica, que, repito, ainda nos dá um alento quanto à esperança de dias melhores.
Tenho problemas crônicos de coluna, que de vez em quando me levam a crises intensas. Não digo insuportáveis, porque seria falácia, já que mesmo sofrendo muitas dores; suporto-as. Banco de carro é sempre um problema sério para mim. Se vou trocar de carro, a primeira análise que faço é do encosto dos bancos; qualquer curvatura é um suplício para minhas costas.
No fim do ano passado troquei de carro e não analisei muito bem o aspecto da curvatura do banco do carro que estava comprando. Por ser muito pequena não dei importância para o detalhe. Achei que não teria problemas, mas com o passar dos dias vi que me enganara e os incômodos surgiram.
Fui à loja especializada em materiais ortopédicos e comprei um encosto para o assento, que aliviaram minhas dores por algum tempo. Como o incômodo nas costas voltou, procurei uma loja aqui em Fortaleza que trabalha com estofamento de bancos de veículos, que em outra ocasião, fez uma excelente adaptação no banco de um carro meu.
Ao chegar à loja, observei que não tinha nenhum cliente, e o dono não estava. Por contaminação havia escrito não se encontrava, mas lembrando-me do professor Pasquale Neto mudei para não estava, por que ele diz: “Quanto perguntar por uma pessoa e alguém lhe responder: não se encontra; diga-lhe: procure que você acha.”.
Passado alguns minutos, chega um jovem, que soube ser filho de Chanelzinho, o dono da loja, e com muita simpatia pergunta em que poderia me ajudar. Mostrei-lhe o assento do carro e disse-lhe que desejava fazer uma adaptação de forma que a curvatura desaparecesse. Expliquei-lhe sobre o serviço que fizera ali em outra oportunidade, que tinha dado certo.
Depois de examinar o banco do carro, ele disse-me que não seria possível fazer aquele trabalho, porque, se cortasse a esponja na altura da coluna lombar, o couro do banco ficaria todo frouxo; se preenchesse as partes mais vazias, os bancos ficariam deformados, devido às costuras.
Lamentei. E passamos a conversar. Depois de algum tempo ele me disse que tinha a solução para o meu problema. Foi lá dentro e trouxe um assento de bolinha, desses usados por motoristas profissionais.
Examinei o assento e prontifiquei-me providenciar um. Quando fui saindo ele entregou-me o assento e mandou que eu levasse, e que podia ficar por uns tempos. Ponderei que era desnecessário, até mesmo porque ele não me conhecia para me fiar aquele bem.
Não se preocupe, pode levar, você tem jeito de boa pessoa e não é um assento deste que vai deixar de devolver, respondeu-me.
Diante da insistência e até mesmo para não ser mal-educado aceitei a oferta e comprometi-me a devolver dali a quinze dias. Passado o prazo, fui à loja do Chanelzinho e devolvi o assento. Ele gentilmente agradeceu meu procedimento, dando-me de presente o assento.
A honestidade do rapaz ao rejeitar meu trabalho ensejou este artigo ou esta crônica – a diferença é mínima e não vamos brigar por uma classificação - pois vivemos hoje no país uma onda imensa de mau-caratismo e de falta de escrúpulos. Muitos comerciantes simplesmente teriam aceitado meu serviço, a exemplo daquela empresa que marcava preços diferentes para toca-fitas iguais somente porque o veículo era a álcool ou à gasolina. Ter feito o serviço de qualquer maneira para ganhar dinheiro e depois, se não desse certo, arranjaria uma desculpa esfarrapada qualquer e eu arcaria com o prejuízo.
Entretanto, aquele rapaz, mesmo pobre, por sua luta diária e pelo serviço que presta não demonstra, pelo menos, ter muitas posses; que nunca havia me visto, deu-me de presente um assento, quando sabia que estava precisando de clientes, pois, naquela ocasião disse-me haver vendido seu carro para construir a casa para morar.
Parabéns ao Chanelzinho por ter ensinado tão bem seu filho a ser um homem honesto, trabalhador e não um vagabundo qualquer; que diante das dificuldades da vida busca facilidades e justificativas para se passar por vítima da sociedade. Parabéns ao Chanelzinho filho, por ter aprendido tão bem as lições ensinadas por seu pai.
Que o comportamento desses dois cidadãos sirva de exemplo a muitos brasileiros, principalmente à nossa classe política, pelo óbvio e em especial a muitos empresários inescrupulosos, e à presidente da República, ao presidente da Câmara e ao do Senado e muitos e muitos espertalhões que mandam em nosso país.

Fortaleza, outubro de 2015.

HENRIQUE CÉSAR PINHEIRO.
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