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Crônicas-->DIAS DE UM JORNALISTA -- 01/08/2016 - 22:59 (PAULO HENRIQUE COELHO FONTENELLE DE ARAUJO) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos



Os idosos devem conhecer muitas formas de morrer. Por isso todas as noites ligo para a minha mãe já idosa, moradora do interior de São Paulo. Ela tenta me convencer de que voz de mãe afasta vampiros e ter o conhecimento da vida do filho neste mundo é necessário para validar todas as rezas e pedidos de proteção até a noite seguinte.

Hoje mamãe me fez as mesmas perguntas: Como você está? Como foi o seu dia? Tais perguntas parecem também me dizer que não posso perder meu tempo e devo aproveitar as oportunidades.

Respondi para mamãe descrevendo o meu trabalho como estagiário em jornalismo. Meus antigos colegas da cidade de Socorro já devem saber do meu estágio no Jornal.

Hoje recordei mamãe sobre o mês de janeiro do ano passado quando estive no Vale do Ribeira e visitei algumas das 300 cavernas da região e não me perdi.


Trezentas cavernas agora estão dentro de mim.

Para minha mãe isto foi indício de proteção e autoridade materna.



DOIS DIAS DEPOIS...



Mamãe me lembrou hoje da principal relação afetiva que eu vivi. Fez comentários sobre a rotina de Sônia, minha antiga noiva, que assumiu um cargo de assistente administrativa na prefeitura da cidade de Socorro e trabalha agora no próprio gabinete do prefeito. Mamãe disse que o prefeito, na finalização do expediente, no último dia vinte de dezembro, fez questão de festejar o aniversário de Sônia, sua nova funcionária, com bolo e docinhos.

Mamãe soube da festividade através das amigas.

Fiquei pensando. Sônia deve ter se julgado o máximo. Aliás, nos víamos todo mês até ela relacionar o seu desemprego ao nosso noivado. Sônia criou em sua cabeça uma via competitiva: eu desmanchava as suas chances de melhora de vida, porque enquanto eu escrevia no Rio de Janeiro, nada de bom lhe acontecia naquela cidade pequena. Mais ainda, o ar marinho que eu trazia de volta à Socorro deixava apenas azares.

O estranho foi que o emprego na prefeitura e o seu bolo de aniversário e todas as suas pequenas vitórias e docinhos surgiram-lhe somente após o término do nosso noivado. Coincidência.

Eu peço para mamãe não falar de Sônia, mas ao mesmo tempo, eu pergunto muito sobre Sônia. É uma fixação.

-Ela finalmente já está noiva do prefeito?

O prefeito parece um grande patriarca, mas o que me importa. O Rio de Janeiro produz mais princesas, mais resultados. Ouço mais discursos todos os dias.

 



DO LIVRO: " TOUROS EM COPACABANA"
 


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