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Crônicas-->1971 - Sorvetes -- 12/02/2017 - 11:36 (Jairo de A. Costa Jr.) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos



1.971 – Sorvetes

Vamos dar uma volta pelo shopping e depois passamos pela padaria, convite meu para Dona Edna, acrescentado de passar pelo caixa eletrônico e pela loteria. Aceito, fomos e quanto jovem, quanto jovem mesmo, a ponto de perguntarmos ao guarda o que estava acontecendo e ele sorrindo disse ser um rolezinho. Uma reunião modinha dos momentos atuais, quando os shoppings ficam cheios de adolescentes ávidos de consumo e de paquera e de jovialidade e de fazer o tempo passar e, no caso de ontem, exibir aquelas bermudinhas jeans bem altinhas quase acima do popô, se me entendem.

Bonito de se ver e de se lembrar de séculos atrás, quando rolezinho não passava pela minha cabeça e o rolê era dar uma volta pela Praça, cada um pelo seu lado. No meio dos jovens todos não deixei de notar que os Sorvetes Rocha se instalaram, com um quiosque e vieram para concorrer com o Rochinha, o Rei dos Sorvetes do litoral paulista; não deixei de notar também que o quiosque do McDonald’s estava lotado para comprar aquele sorvetinho mole, saído da máquina e colocado numa casquinha crocante e muito doce.

Deve ser por isso que peguei quatro picolés Megas e um pote de sorvete Diamante Negro, todos da Kibon; gostosos, mas super industrializados e daí, nem pensei nisso quando cheguei em casa e comi logo dois dos picolés e depois me sentei no sofá em frente à televisão e detonei o pote inteiro, inteirinho com todos os quinhentos e trinta gramas. Delícia, pensei e dormi até mais tarde. Nossa, acordei com uma nhaca, pesado e dor de cabeça. Por que será, não. Não deve ter sido o sorvete, de jeito nenhum.

Rei do sorvete foi mesmo o Jorge da Pastelaria, da Rua Miguel Terra e alguns se lembrarão dos seus picolés, como o de coco queimado, um primor e o de frutas, verdadeiros pedaços misturados no sabor tutti-frutti e geladíssimos, saídos daquelas máquinas antigas de sorvetes e picolés, que nem sei explicar o seu funcionamento; só me lembro que tinha uma caixa com muita água gelada, onde se colocava as formas com os preparados de picolés e uma espécie de cuba redonda, para o preparo do sorvete de massa, que girava dentro dessa água, com o Jorge firme ali revirando a massa. Era meio industrial, porém de bar e com um motor meio de caminhão, enfim uma geladeirona e a minha primeira lembrança de uma máquina dessas vem do Bar Central, onde hoje é o Foto Ueda.

O Jorge proporcionava um dinheirinho extra aos meninos, com as suas caixas de isopor para venda dos picolés e eu fui um feliz vendedor de picolés, principalmente aos domingos nos jogos do Esporte e do Botafogo. Vendia pelos dias de semana também, principalmente nos postos de gasolina e nas oficinas mecânicas da cidade. Com o calorão o pessoal nem se importava se os picolés estivessem meio moles e minha cota era de vinte picolés por caixa de isopor, o que dava para vender umas duas ou três, até um senhor invadir o nosso mercado com os picolés Spumoni, vindos de Sorocaba e ele percorria as ruas da cidade com um carrinho próprio. Ah, se o Jorge tivesse um carrinho desses, ele seria imbatível.

Depois fui vender balas de coco e deixei o ramo dos picolés, mas não a vontade de consumi-los e fiz isso muito em Itapetininga, numa sorveteria próxima da Campos Sales, na Rua José Bonifácio, quando fazia o terceiro colegial no Modesto e trabalhava no Café Santo André, dos Irmãos Giriboni, perto do Mercado. Saía para almoçar na minha Vó e na volta uma passadinha para um sorvete, ou um picolé, ou os dois. Isso pelo ano todo de setenta e um.

Já em São Paulo, quando eu ia assistir jogos no Pacaembu, ou no Parque Antártica, fui rei dos picolés, um atrás do outro enquanto o jogo rolava e depois me tornei pai de um casal de filhos e juntos crescemos no meio de sorvetes e de picolés, chupando-os e comendo-os lado a lado assistindo televisão, ou não, mas disputando-os sempre e temos ótimas lembranças dessa competição toda, que, neste domingo, doze de dois de dezessete, tenho saudade e vontade de repetir, só que eles cresceram e tomaram tento nas suas vidas. Bão, ainda tenho dois picolés no congelador...


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