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Crônicas-->Violento é o silêncio -- 06/05/2017 - 22:19 (João Rios Mendes) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos

Semana passada foi muito movimentada em termos de assuntos ambientais. No dia 19 tivemos as comemorações e debates sobre o Dia do Índio; uma amiga me falou entusiasticamente do Dia da Mãe Terra e ouvi o grito do amigo Wagner Friaça defendendo a árvore que foi cortada. É sobre esses assuntos quero refletir com você, que é descendente dos povos indígenas, depende da Mãe Terra e também se indigna quando agridem a natureza.

De 24 a 28 de abril, Brasília recebeu indígenas de todo o Brasil para o ‘Acampamento Terra Livre’. Foi uma semana farta de convivência com lindos cocares coloridos, brincos, danças e linguajares que a gente não entende. Dentre os debates falou-se do empoderamento dos povos indígenas. Eles vão se organizar para eleger nas próximas eleições políticos comprometidos com as causas indígenas. Vão apresentar seus próprios candidatos, dentre os quais existem advogados, antropólogos, filósofos e outras profissões de nível superior... Muito superior.

A ONU comemorou o Dia da Mãe Terra, que é uma denominação oriunda dos povos andinos que eles chamam Pachamama. O que me encantou na frase `Mãe Terra` é a proximidade com a terra que esse vocábulo mostra. `Mãe` remete a carinho, aconchego e proteção. Aqui não existe a impessoalidade quando falamos `planeta terra` ou apenas `terra`. Na frase `preserve a mãe terra` tem mais aproximação e pertencimento do que na frase `preserve o planeta terra`. Fica aqui o meu apelo para que os colegas professores, pais e sociedade comecem a usar o `Mãe Terra`.

Meu amigo Wagner gritou indignado com a derrubada de um lindo Ficus que oferecia sombra e abrigo a vários pássaros no jardim do Senado Federal. Os colegas que o cortaram alegaram que a planta estava muito grande, ameaçava cair sobre os carros ou pedestres e suas raízes estavam danificando o calçamento e ameaçando as tubulações de água e esgoto. Argumentos sensatos se não fosse a indignação wagneriana que se contrapôs a tamanha violência:

- Era a árvore que estava atrapalhando a calçada e as tubulações que o homem resolveu instalar a sua volta... Foi mesmo merecida a serra elétrica nela e a agressão a todas as espécies de aves que foram afetadas... Ora, onde já se viu.. árvore escrota!

Só me restou aplaudir o Wagner. Só que os colegas que a cortaram não o fizeram por maldade, foi para proteger pessoas, bens e o prédio. Acontece que quando aquele Ficus foi plantado não foi feito um estudo para que a árvore fosse protegida. Por exemplo, o Ficus, e qualquer outra planta, se tiver suas raízes cobertas por cimento e asfalto ela vai tentar subir para respirar e captar água da chuva. Como sua força é estrondosa, ela quebra o que estiver sufocando-a. Portanto, quando você se deparar com aquela árvore quebrando calçadas, em vez de cortá-la tire uns pedaços da calçada ou do asfalto que impede a penetração de oxigênio e água. Ela te recompensará com sombra e abrigará pássaros que gratuitamente cantarão para ti todos os dias.

O Ficus em questão abrigava muitos pássaros. Presenciei disputas ferozes de alados defendendo seus ninhos. Em tese cada árvore é o território de determinada espécie. Quando você estiver observando um pássaro atente-se que ele sai mas cerca de vinte minutos ele está de volta. Saiu apenas para se alimentar e voltou para cuidar da família e proteger o lar.

A foto que acompanha este texto tem um Sabiá Laranjeira meio perdido procurando abrigo. Se ele lesse esse artigo, acho que ele diria:

- Isso mesmo Wagner. Grite, grite bem alto. Defenda os mais fracos... porque violento é o silêncio.






‘Violento é o silêncio’. Frase num cartaz na Universidade de Brasília

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