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Erótico-->CONFISSÕES DE UM GAY - CAP. 16 -- 01/10/2015 - 21:33 (Edmar Guedes Corrêa****) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
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XVI

Fui para casa almoçar com os pensamentos em Fred; aliás, como vinha acontecendo nos últimos dias, desde que começara a me contar suas aventuras sexuais. Suas últimas confidências me deixaram num excitamento só. Ao chegar em casa, esse excitamento não cedera. Pelo contrário, tornara-se mais intenso a medida que eu procurava remoer as confissões de mais cedo, onde Fred me dissera manter o hábito de se depilar antes de um encontro.
A imagem de Fred nu, todo depilado não me saia da cabeça. Em minha mente vinha a imagem das nádegas lisas e volumosas dele, totalmente sem pelos; assim como a de sua virilha tão limpa quanto a de um bebê. Tudo isso quase me levava ao desespero, numa vontade incontrolável de experimentá-las. Aliás, uma vontade inexplicável, talvez fruto da associação com a tez lisa de uma mulher. E não podendo me conter, tive de ir ao banheiro e bater uma punheta, onde eu via a gente numa cama qualquer e meus quadris socando aquelas nádegas, tal qual ele me narrara que o professorzinho fazia.
Não sei se foi devido a uma excitação duradoura, já que me excitara com as primeiras palavras dele naquela manhã, ou se foi fruto da fantasia – é sabido que quanto mais intensa uma fantasia, mais rapidamente se chega ao orgasmo, -- o fato porém é que gozei nos primeiros movimentos da mão.
Se por um lado, o rápido gozo me tirou daquele desespero, por outro provocou-me uma sensação de frustração, pois o deleite da fantasia durou pouco demais, apenas alguns segundos. E quando isso acontece, normalmente o prazer fica pela metade. Confesso ter desejado estender as sensações provocadas pela fantasia e pelo friccionar do pênis com a mão por um tempo bem maior. Até porque, a fantasia me parecia tão real que eu poderia jurar que estava de fato possuindo Fred. Embora eu nunca tenha visto as nádegas dele, conseguia criar uma imagem constante delas, a qual se repetia na maioria dos meus devaneios.
Após o gozo porém a sensação de vergonha e o desconforto de ter meu amigo como fonte de deleite me afastaram completamente os pensamentos de Fred durante a refeição. Dir-se-ia até ter-me esquecido completamente dele, embora o fato de encontrá-lo em uma hora não me fizesse esquecê-lo de todo.
Durante o caminho de volta ao trabalho, tentei supor como seus pais acabaram descobrindo que ele tinha um caso com o professor de matemática e qual teria sido a reação deles. Eu não tinha dúvida de que fora um choque muito grande; aliás, como para qualquer pai. Por mais que o preconceito contra o homossexualismo tenha diminuído nas últimas décadas, é inegável que para um pai a coisa é muito mais complexa. Não se trata tão somente do fato de o filho ser gay e com isso ter de lutar contra o tabu que ainda persiste. Aliás, essa talvez nem seja a questão mais fácil de superar. O mais difícil, de um lado, é deparar-se com o fato de que o filho homem não é o homem que sempre se acreditou; de outro, a aceitação de que, por ser gay, o filho provavelmente não lhe dará um neto e portanto não dará continuidade à descendência. Afinal, este foi o ponto chave na formação dos laços familiares e da própria sociedade: a descendência.
Fred em nenhum momento falara sobre isso. Mas eu sabia que a descoberta de sua homossexualidade provavelmente fora o maior desafio enfrentado por seus pais. E se ele não falasse claramente acerca do assunto, eu mesmo me encarregaria de indagá-lo naquela tarde.
Um acidente a duas quadras do trabalho acabou por me atrasar alguns minutos. Pelo que pude saber, um motoqueiro avançara o sinal vermelho e fora atingido por um caminhão. Ao cair, o rapaz teve o azar de ir parar sob a roda traseira do veículo, a qual esmagou-lhe as pernas. Acabou sendo levado ainda com vida para o hospital. Se sobrevivesse, estaria para sempre numa cadeira de rodas.
Fred ficou bastante impressionado quando lhe contei do acidente.
-- È por isso que procuro viver intensamente a minha vida – exclamou ele. -- Hoje estou aqui, mas amanhã já não tenho certeza. O futuro é apenas uma possibilidade e jamais um fato consumado. Quem me garante que daqui uma ou duas horas eu não sofra um enfarte e caia mortinho da silva aqui no chão? Ou talvez, indo para casa, tenha o azar de sofrer um acidente e morrer da forma mais idiota possível, tal qual esse motoqueiro?
-- Credo! -- exclamei. Não imaginei que pensasse assim, embora de certa forma estivesse com a razão.
-- Mas não é? Nada é mais frágil e incerto do que a vida. Por que o homem precisa tanto da fé? Você já se fez essa pergunta?
-- Não. Nunca fiz – respondi.
-- Para suportar essa incerteza, para mascarar essa fragilidade. Acreditar em Deus e numa vida após a morte é uma forma de conforto; é um meio de suportar o fardo da existência. E o mais importante: dá algum sentido à vida. A maioria das pessoas não suportariam o fato de que a vida não tem sentido ou, pelo menos, não tanto sentido quanto acreditamos. Uma coisa que muitos ateus não entendem é que, por mais que as religiões sejam uma ilusão, ainda sim a maioria dos mortais comuns precisam dela. Achar que a vida continua depois da morte, faz com que preocupamos menos com a morte.
-- Então não estamos preparados para viver sem deuses?
-- Ainda não. Alguns estão. Aliás, isso depende de cada cultura. Alguns povos mais do que outros. Os europeus, por exemplo, estão mais preparados do que nós, os americanos, e do que os africados. Não quero entrar em detalhes, até porque isso é um tema sensível demais e discuti-lo não leva a nada e não se chega a lugar algum, mas há de chegar um dia onde as religiões terão desaparecido da face da terra.
-- Eu não apostaria nisso – discordei. Embora não fosse religioso e muito menos compactuasse com a ideia de um deus tal como os judeus, cristãos e muçulmanos, o fato de o mundo não ter se originado de um ser primordial ainda me era caro demais. -- mesmo que o cristianismo venha praticamente a desaparecer, não creio que a religião muçulmana terá o mesmo destino. O ateísmo para eles é um crime punido com a morte.
-- Há mais ateus entre os muçulmanos do que você imagina. Eles apenas não admitem isso para não sofrer as consequências. E quanto aos radicais, estes com o tempo serão dizimados justamente por causa de seu radicalismo. Quando eles se tornarem uma verdadeira ameaça para o mundo, e olha que não falta muito para isso acontecer, serão caçados nos quatro cantos do planeta. Pode ter certeza disso!
Mais uma vez discordei dele. Ele insistiu em suas teorias e disse que em dez ou vinte anos eu lhe daria razão. Eu o ouvi por mais alguns minutos, mas de repetente aquela conversa não me agradava mais. Assim, procurei encerrar o assunto com a desculpa de que precisava ir ao banheiro.
Quando retornei, pedi que voltasse a nossa conversa de mais cedo. Ele concordou. Afinal, prometera me contar toda a sua história.
-- E então? Como seus pais descobriram?
-- Como eu disse, não sei direito. Mas foi minha mãe quem desconfiou e ficou de olho em mim. Eu não percebi nada, mas ela já estava de olho em mim desde aquela história de ir à São Paulo para participar da olimpíada de matemática. Pelo que ela me contou muito depois, tudo começou quando voltei demonstrando um comportamento estranho. Ela disse que já tinha achado esquisito o fato de eu nunca falar de garotas. Realmente ela me perguntou umas duas ou três vezes se tinha alguma garota bonita na minha sala, se eu tinha alguma namoradinha na escola. Eu me esquivava de todas essas perguntas. Normalmente, falava com entusiasmos de Marco Aurélio. Isso foi um dos motivos.
-- Mas tiveram outros?
-- Teve sim. Além do fato de eu ter voltado “estranho daquela viagem”, como ela mesmo disse, um dia ela encontrou uma mancha estranha na minha cueca.
-- Mancha estranha?
-- É. Vou te contar o que aconteceu. Foi em dezembro. A gente tinha ido passar o natal com minha avó. Ficamos quatro dias na casa dela. Quando voltamos, chegamos por volta de três horas da tarde. Tava morrendo de saudades do Marco Aurélio. Por isso disse a minha mãe que ia na casa do Alexandre. Era um dos meus colegas de escola. Usei-o apenas como justificativa para sair de casa, pois minha mãe conhecia a mãe dele e sabia que eu e o filho dela éramos da mesma classe. Ela não queria me deixar ir, mas depois de muita insistência acabou permitindo, desde que eu voltasse em meia hora. Claro que esse tempo era muito curto, mas saí correndo e fui para casa do Marco Aurélio. Lá, a gente arrancou a roupa ali mesmo na sala e transamos. Ele nem se importou de eu ter gozado no sofá. Depois de gozar, ele não saiu de mim. Ficou ali, em cima de mim, me fazendo carinhos e me perguntando da viagem. Ele queria saber tudo que eu tinha feito. Contei. Então eu disse pra ele que precisava ir pra casa, pois minha mãe tinha me mandado voltar em meia hora. E já fazia mais que isso que eu tinha saído de casa. A gente se levantou, corri até o banheiro e me limpei. Só passei um papel na bundo e tirei a porra dele que escorria pelas minhas nádegas. Não fiz como costumava fazer: sentar no vaso e expelir a porra dele que ainda estava dentro de mim. Não tinha tempo pra isso. No caminho de casa, senti ela escorrendo pelo meu cu. Mas aí eu não podia fazer nada. Pensei: “quando chegar em casa, tomo um banho”. E foi isso que fiz. Minha mãe estranhou a minha pressa em correr para o banheiro. Durante o banho, ela chegou na porta e disse para eu abrir que ela precisava usar o banheiro. Fiquei tão apavorado que esqueci de lavar a cueca. Só lembrei quando já estava no meu quarto, mas aí já era tarde. Ela já estava no banheiro.
-- Que azar, hein!
-- Põe azar nisso. Eu nunca tinha dado uma mancada dessas. E quando ela saiu, já saiu com a cueca na mão, perguntando o que era aquela mancha. Só que ela não desconfiou que a mancha era de algo que escorrera do meu cu, pensou que era do meu pinto. Pelo cheiro ela deve ter deduzido que era porra. Afinal ela sabia muito bem qual o cheiro de porra!
-- Mas dava pra saber que a mancha era atrás e não na frente?
Ao imaginá-la, visualizei-a mentalmente no fundo da peça.
-- Claro que dava. Embora fosse bem embaixo, estava na parte de trás da cueca. Perguntou o nome da menina que eu tinha ido encontrar. Pego de surpresa, não consegui atinar uma resposta. Talvez vendo que eu estava muito constrangido, não insistiu. Mas daquele momento em diante, passou a prestar mais atenção em mim. E por mais que eu tenha sido cuidadoso, não fui o bastante.
-- E o que mais levou a sua mãe a descobrir o seu caso?
-- Foi alguns dias depois. Eu tinha ido passar a tarde na casa do Marco Aurélio. Quando saí de casa, o dia estava bonito, mais depois foi ficando nublado e caiu uma chuva de repente. Ele até me ofereceu um guarda-chuva quando deixei a casa dele, mas a chuva tinha dado uma trégua e pensei que não ia chover mais. Quando desci do ônibus, próximo de casa, tava caindo um pau d`água daqueles. Até esperei alguns minutos no ponto, mas a chuva não parava e já estava tarde. Eu deveria ter voltado pra casa há tempos. E como eu já estava meio molhado, resolvi correr na chuva. Quando entrei em casa, dei de cara com minha mãe. Ela mandou eu tirar aquela roupa ali mesmo. Não tive outra saída. Não podia molhar o tapete da sala. Tirei o tênis, a camiseta e por último a calça. Deixei a calça por último na esperança de que ela não visse a as minhas pernas depiladas. Eu tinha me depilado naquela tarde, antes de ir pra casa do Marco Aurélio. Entreguei a calça e sai correndo para o meu quarto, mas acho que ela percebeu. Meia hora depois entrou e perguntou porque eu estava de calças compridas novamente se não estava frio e não ia sair de casa. Eu disse que era porque gostava de usar calças. Quem gostas de usar calças compridas dentro de casa, podendo ficar à vontade? Quem tem algo a esconder. Ela não se conteve e quis saber o que eu estava escondendo. Eu disse que não era nada. Por sorte não me pediu para abaixá-las. Mas aquilo deixou ela ainda mais com pulga atrás da orelha.
-- As peças foram se encaixando?
-- Foram. Não me lembro exatamente de quando, mas duma hora para outra, ela começou a me perguntar se eu tinha uma namorada. Eu caí na besteira de dizer que não, que não tinha. Então ela insistiu em saber o que tanto eu fazia na rua, já que saia todo sábado e domingo e só voltava no final do dia. Menti. Disse que ia jogar bola com os colegas da escola. Achei que tinha satisfeito sua curiosidade, mas não. Naquela semana mesmo, ela encontrou com a mãe do Alexandre e perguntou se eu ia com frequência na casa dela. Ele disse que eu nunca tinha ido lá. Foi a gota d`água. Depois disso, minha mãe passou a me vigiar sem que eu desconfiasse. Primeiro, ela me seguiu até o ponto de ônibus, para ver pra onde eu ia. Depois, ela seguiu o ônibus e descobriu que eu descia na casa do Marco Aurélio.
-- Então ela descobriu que você ia pra casa dele?
-- Descobriu.
-- E descobriu que vocês tinham um caso?
-- Não. De início não. Ela me fez perguntas e quis saber o que tanto eu fazia na casa dele. Eu disse que ia para estudar, que ele estava me dando algumas aulas de graça nos fins de semana pra eu me preparar para o Ensino Médio, já que estava na oitava série.
-- E ela acreditou?
-- Você conhece algum pai que não seja cego? O meu erro foi não ter contado para ele sobre as desconfianças da minha mãe. Também fiquei morrendo de medo de perder ele. E se ele ficasse com medo e resolvesse me deixar? Se nosso caso viesse a público, ele estava ferrado. Era prisão na certa.
-- E o que mais aconteceu pra ela chegar ao seu professorzinho?
-- Numa quarta-feira de cinzas, eu passei a tarde na casa dele. Isso foi depois do carnaval. Fazia uma semana que a gente não se via. Ele tinha ido passar o carnaval no interior e só voltara na terça à noite. A gente estava com tanta vontade de transar, que cheguei na casa dele, nos atracamos, ele me pegou no colo e me levou pra cama dele. Foi uma transa selvagem. Ele me beijava, me mordia e me possuía selvagemente. Eu estava tão excitado, que não senti as mordidas dele. Foi uma transa inesquecível. Ele gozou três vezes sem sair de mim, uma pouco depois da outra. O meu gozo foi um dos mais gostosos que já tive. Acho que transamos por maia de uma hora sem parar. Até fiquei com cu ardendo de tanto ser fodido. Quando o Marco Aurélio saiu de mim, minha barriga, meus quadris, minhas nádegas e minhas coxas estavam toda lambusada de porra. Tanto minha quanto dele. A cama também estava manchada e o quarto só cheirava a porra. Também, depois de três gozadas! Apesar do desconforto no cu, voltei feliz da vida pra casa. Quando entrei no meu quarto, minha mãe entrou atrás com uma camiseta nova que ela tinha comprando no shopping. Ela tinha ido com meu pai ao shopping. Disse para eu tirar a que estava usando e experimentar. Não me lembrei das mordidas do Marco Aurélio e tirei a camiseta. Então ela viu as marcas.
-- Mas não deu pra você inventar uma história?
-- Tentei. Ela fez questão de examinar e viu que eram mordidas de gente grande. Eu disse que tinha brigado com um garoto no futebol, mas ela disse que era mentira, que eu não tinha ido jogar bola coisa nenhuma. Quis saber o que eu estava escondendo. Eu neguei evidentemente. Começou a me fazer um montão de perguntas. Quis saber até se eu usava drogas, se eu estava envolvido com alguma gangue de adolescentes e coisas assim. Imagine! Eu envolvido com gangues? Só minha mãe mesmo! Mas em nenhum momento me perguntou se eu era gay, apesar de todas as evidências.
-- Talvez estivesse na cara, mas o fato dela não querer acreditar mascarava essas evidências.
-- Foi isso sim. Ela disse que ia falar com o meu pai para ele ter uma conversa comigo. Eu insisti que não tinha nada errado e que não era para ela contar nada. Enfim. Passou-se duas semanas sem que ela viesse com novidades. Aí, um dia, ela entrou no meu quarto, depois que voltei da casa do Marco Aurélio, e viu que eu tinha trocado de roupa e posto outra calça comprida. Então ela me mandou tirar a calça que ela queria saber o que eu estava escondendo. Acho que ela pensou que eu estava me tatuando ou coisa parecida.
-- E você tirou?
-- Tentei convencê-la que não precisava, que não tinha nada de errado. Mas como ela estava irredutível, inclusive ameaçando a mandar meu pai me obrigar quando chegasse, acabei cedendo. Só não tirei a cueca. Quando ela viu as minhas pernas depiladas, levou um choque. Ficou muda por alguns instantes. Depois, quis saber porque eu fazia aquilo. Então comecei a chorar e contei que era gay. Não tinha mais como esconder isso. O meu choro a comoveu e ela me abraçou e choramos juntos por algum tempo. Então ela perguntou se eu tinha um namorado. Eu disse que sim. Naquele dia ela não fez mais perguntas.
-- Também depois duma revelação dessas, que mãe teria condições de fazer? Nenhuma. Ela deveria estar arrasada.
-- Estava sim – confirmou ele.
Aliás, ao falar de tais momentos, Fred pareceu-me melancólico. Havia uma certa tristeza tanto em sua voz quanto no seu olhar. E ao me aperceber disso, senti uma grande vontade de abraçá-lo e ampará-lo. Durante essas duas semanas de confidências, ainda não tinha visto em Fred tamanha tristeza. Não me foi difícil deduzir o quanto ele sofrera durante aquele período.
--Pensei que ela ia contar para meu pai, mas não contou. Agiu de forma estranha comigo por uns três ou quatro dias. Acho que ela estava digerindo aquela notícia e criando coragem para me fazer mais perguntas. De fato foi o que aconteceu. Foi numa sexta-feira. Me lembro perfeitamente disso. Eu tinha acabado de voltar da casa do Marco Aurélio. Ela sentou ao lado da minha cama e perguntou se eu transava com o outro. Sem saber como se referir ao meu namorado, ela o chamava de “o outro”. Eu disse que sim. E aí veio a pergunta mais dolorosa. Ela quis saber se eu punha nele ou ele punha em mim. Foram essas palavras que ela usou.
-- Imagino. Pois se para um pai já é difícil aceitar que o filho é gay, mais difícil ainda é aceitar que outro homem fode o cu dele, gozando no rabo dele e deixando a porra nele – comentei com uma certa dramaticidade, pois, diferentemente das demais confissões, esta não me provocava prazer, não me excitava e muito menos era motivo de riso e descontração.
-- Eu sabia disso. Por isso relutei em confessar. Disse-lhe: que importância tem isso, mãe? Isso não vai me tornar mais ou menos gay. Ela abaixou a cabeça e voltou a chorar. Acho que o fato de eu negar, respondia a sua pergunta. Até porque, se eu me depilava, usava cabelos longos e gostava de roupas justas era porque eu usava uma estratégia usada pelas mulheres.
-- E seu pai?
-- Ela não contou nada para ele. Só foi contar uns dois anos depois, mesmo assim aos poucos. Acho que ficou com medo da reação dele. Talvez temia que meu pai pudesse inclusive a me expulsar de casa. Não creio que fizesse isso, mas ela temia.
-- E como ela descobriu que o outro era o seu professor?
-- Nos dias seguintes, ela quis saber quem era ele, onde morava, o que fazia, quantos anos tinha e coisas assim. Aliás, o que toda mãe quer saber sobre a namorada do filho. Afinal de contas, a maioria das mães vê a outra como uma rival, como alguém que quer lhe tomar o filho. No meu caso, não era a outra mas o outro. Só que isso não mudava nada. Pelo contrário, queria até saber mais do que se fosse uma namorada.
-- E você contou?
-- Não. Menti em alguns momentos e me esquivei em outros. Isso só fez aumentar a curiosidade dela. Na primeira terça-feira de abril, saí de casa e fui para casa do Marco Aurélio. Ainda me recordo perfeitamente daquele dia. Estava um dia ensolarado e quente. Eu estava tão feliz. Como minha mãe não estava em casa. Ela tinha saído meia hora antes para ir na casa de uma amiga, vesti um shortinho apertado, uma camiseta bem justa. Ele gostava de me ver assim. Cheguei na casa dele e toquei a campainha como sempre fazia. Ele demorou mais do que de costume para me atender, por isso toquei novamente. Não desconfiei de nada. Quando ele abriu, pulei nos braços dele ali na porta, dizendo “estava morrendo de saudades, meu amor”. Ele não me segurou no colo como fazia das outras vezes. Parecia paralisado. Olhei nos olhos dele e ele parecia ter visto um fantasma. Quando olho para dentro, vejo minha mãe de pé diante do sofá. Acho que ela estava sentada, mas quando me viu chegar se levantou. Só escutei sua voz: então ele é o seu namorado?
-- Que enrascada, hein?
-- Eu não consegui dizer nada. Minha mãe começou a discutir com o Marco Aurélio, acusando-o de ter me seduzido e abusado sexualmente de mim. Súbito, ela foi pra cima dele e começou a agredi-lo dizendo que ia na polícia, que ia denunciá-lo por ter me violentado e me feito virar gay. Ele tentava acalmá-la, dizendo que não era bem assim, que nunca quis se aproveitar de mim. Eu comecei a chorar e insistir que ele não tinha feito nada daquilo, que fui eu quem seduzira ele, que eu já tinha transado com outros garotos antes de conhecê-lo. Foi essa revelação que a fez parar. Isso a chocou tanto quanto o fato de eu ter me envolvido com Marco Aurélio. Lembro dela perguntar: O quê? Repeti que já tinha transado com outros garotos da escola antes de conhecer o professor. Ainda chorando, disse-lhe: mãe, não foi ele que me transformou eu gay. Eu sempre fui gay. Eu sempre gostei de homens. A senhora lembra do Paulo André, aquele menino que ia lá em casa? Ela balançou a cabeça afirmativamente. Continuei: Então. A gente namorava e transava também. Quando eu disse isso, ela veio para cima de mim e começou a me bater, chamando-me de puto, sem vergonha. Tava com muita raiva. Marco Aurélio, segurou ela e disse para ela se acalmar. Acho que se não tivesse feito isso ela teria me espancado. Dali a pouco ela se acalmou e sentou no sofá. Chorou mais um pouco. Eu e o Marco Aurélio ficamos ali, em silêncio esperando. Foi terrível. Foi o pior momento da minha vida.
-- E ela chegou a ir a polícia?
-- Não. Eu disse que se ela fosse eu ia embora de casa. Acho que ele ficou com medo. Apenas disse para ele desaparecer das nossas vidas. Disse para ele ir embora da cidade e ir para longe, que não queria mais ouvir falar o nome dele. E que se ele não fizesse isso, aí sim ela ia na polícia. Marco Aurélio não era idiota. Sabia das consequências. Casos de pedofilia eram comuns na imprensa. E embora eu fosse um rapaz de quase 15 anos, o fato dele ser meu professor tornava a situação dele complicadíssima. Além de ir para a cadeia, perderia para sempre o direito de dar aulas. Enfim, sem outra saída, ele acabou concordando.
-- E te abandonou?
-- Sim. A única coisa que consegui da minha mãe foi o direito de me despedir dele. Ela queria que eu fizesse isso na frente dela, mas convenci ela a me esperar do lado de fora. Foi uma despedida triste. Disse-lhe que ia ligar para ele, no celular dele. Ele tinha comprado um celular há alguns meses, mas não tinha me dado o número ainda. Na época dissera que era muito arriscado. Mesmo ali, não queria me dar. Disse que achava melhor a gente nãos se falar por algum tempo, mas eu insisti. Disse que se ele mão me desse o número do celular, ia fugir de casa. Tava desesperado e essa me parecia a única forma de não perdê-lo para sempre. Ele acabou me dando. Escondi o pedacinho de papel dentro da cueca para minha mãe não ver.
-- E ele foi embora?
-- No outro dia já não deu mais aula. Alguns dias depois, correu um boato no colégio que ele tinha parado de dar aulas porque estava com AIDS. Eu sabia que não era nada disso, mas não podia falar a verdade.
-- E você ligou para ele?
-- Tentei várias vezes, durante uns dois meses. Mas nunca consegui falar com ele.
-- Você deve ter sofrido um bocado, hein?
-- Sofri sim. Mas não há dor que o tempo não cure. E nada como uma nova paixão para fazer a gente esquecer a outra – disse ele dando uma risadinha. Era a primeira vez que sorria naquela tarde.
-- Não vai me dizer que você se envolveu com outro professor? -- perguntei, tirando sarro.
-- Não, não. Foi um rapaz que conheci na festa Junina do Colégio. Ele se chamava William.
-- E como ele era?
-- Hum... -- fez ele, olhando-me nos olhos. Súbito, deu um sorriso. -- Dessa vez vou te deixar curioso. Da próxima vez eu te conto. E só para te deixar ainda mais curioso, vou te contar só uma coisinha sobre ele: nosso caso durou quatro meses. A gente começou a ter problemas na cama. Não se preocupe. Vou te contar tudo depois. Foi o que me fez desistir dele e arrumar outro.
Insisti para que Fred me adiantasse alguma coisa, mas ele não quis. Ele tinha esse problema. Quando dizia que não contaria mais nada, não contava mesmo.


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