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Crônicas-->LABIRINTO POLÍTICO BRASILEIRO -- 12/06/2017 - 00:45 (João Ferreira) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos

CAMINHANDO PELOS MEANDROS DO LABIRINTO POLÍTICO BRASILEIRO

Crônica urbana
João Ferreira

Nesta tarde de domingo, a tarde, em Brasília, esteve maravilhosa, com um pôr-de-sol divino. Vindo das margens do lago Paranoá, cheguei a casa bem disposto convencendo-me que podia até poetar um pouco. Em rápidos segundos, porém, veio-me a ideia de uma crônica. Por alguns motivos. Aceitei a ideia ao lembrar-me do ápice da crise política nacional que vivemos. E também porque nas nuvens internacionais aparecia esse enigmático bloqueio político imposto pela Arábia Saudita e alguns aliados ao reino de Catar. E ainda porque seria impossível passar adiante os últimos resultados das eleições da Inglaterra que vão inflamar os nervos de Teresa May pelos próximos tempos. E porque seria impossível também ignorar a notícia quente das legislativas na França para sabermos se os resultados vêm confirmar ou abalar a confiança do povão no Presidente Macron. Na pátria-mãe, que é o nosso Brasil, imaginem os leitores, a coisa também pede crônica. E desta vez uma crônica estratosférica, raramente ensaiada pelos nossos modelos e patronos da crônica nacional. Para dizer a verdade impõe-se que o figurino mude na medida em que as coisas, o mundo e a ação dos atores políticos vão mudando também. Não vou proceder a uma crônica mediúnica como aquela que o nosso cronista-mor Francisco Severino tem plantado com muita mestria e sucesso nas páginas do jornal mais conhecido da capital. O certo é que há várias ideias que pululam em minha cabeça para decidir pelo tipo de crônica que vou escrever. A ideia mais forte é aquela que me fez viajar até aos tempos do rei Minos, em Creta, onde me parece ter sólido laço para uma alegoria imaginativa. Estou propenso a aproveitar a ideia de labirinto, que resgataria como inspiração para movimentar as principais vozes que agitam nosso mundo político. Vozes de superfície e vozes cavernosas, diga-se de passagem. Sendo assim, resolvo mesmo fazer o périplo mediterrânico até ao palácio do rei Minos e me iluminar ali sobre a ideia de labirinto inventada por Dédalos que apavorou o povinho daquele reino e daquela ilha. Encontrado o paradigma, voltei ao Brasil apostando na capacidade verbal de nosso idioma que bem desafiado consegue dizer com propriedade todos os segredos e sentidos ocultos incluindo os que se passam na penumbra de nosso decadente mundo político. No contexto, eu seria não apenas um autor de crônica urbano mas me vestiria também de cientista político, ousando uma função para a qual tenho algumas bases e pouca vocação mas que poderei desempenhar casualmente, aqui, um pouco escondido, em nome do povo brasileiro. Quem me inspirou de verdade nesta minha estratégica crônica urbana de hoje, foi a princesa Ariadne, filha de Minos, que encontrei no jardim do palácio, em Creta, de mãos dadas com Teseu. Foi esta Ariadne apaixonada que inventou a solução genial para acabar com o terror do local onde morava o Minotauro- uma figura mitológica que devorava a todos os que se atreviam a entrar no labirinto. Trocando ideias e transplantando soluções do mundo antigo para o mundo moderno, Ariadne me lembrou, que o tempo é uma categoria secundária na eternidade da vida da humanidade. Comentando com ela a política de decisão do TSE reveladora da amplitude da crise política brasileira, ela serenamente me disse que entretanto há no horizonte, uma saída. Que há que respeitar porém a sacralidade dos deuses e a extrema soberania do povo sofredor. Ao me dizer isto, a confiança que percebi em Ariadne era tanta que ela me confessou, rotundamente que isso eram batatas contadas, como diz o povo. Que o Brasil tinha futuro. E acrescentou que a coisa do TSE aconteceu em linha diagonal, contrariamente ao ritmo da história brasileira, porque o Brasil ainda está aprisionado no labirinto. Na verdade, meu caro amigo -dizia-me enfaticamente Ariadne - "o monstro que domina a política brasileira existe. E é, nada mais, nada menos, também, um ser mitológico. Repetindo Creta, se quer saber, tal como nos tempos do Minotauro, no reinado de Minos". Exatamente isso. Mas, repare, disse ainda Ariadne: " Esse ser mitológico, que todos os brasileiros conhecem e do qual têm medo, chama-se corrupção. "É um ser degenerado, execrado pela maioria, mas amado pelos que o monstro tem escravizados em suas garras". E você sabe: ele tem ramificações representadas pelas máfias armadas, e pelas milícias que dominam a população, de muitas maneiras, pela ameaça, pelo medo e pelo terror. Ariadne falava serenamente e dava o segredo: "É pela ação que o Brasil derrubará o monstro". E para isso tem que haver adesão popular, interesse, amor e paixão. Mobilização mental, pelos meios de comunicação através da informação limpa e da crítica e da divulgação de dados para que uma nova mentalidade brasileira possa derrubar o monstro, que é a corrupção. Mudança de hábitos. - "Duas armas serão precisas" - disse a princesa. -Lembra? -"As mesmas que dei a Teseu para eliminar o monstro: Uma espada e um novelo de lã. De um lado, há que segurar a ponta de um fio sólido e resistente para o herói da mudança não perder o rumo nem se perder no labirinto. Por outro lado, há que dar uma arma eficiente e igualitária para que o herói, que representa o povo brasileiro, elimine o monstro. Essa espada é a Constituição Brasileira, que é o símbolo maior da lei. O fio de lã, que representa a ideia que desvelou o segredo da entrada e da saída no labirinto significará a decisão do povo brasileiro em dizer não ao monstro que paralisou e tronou doente o Brasil. O fio de Ariadne representará a lógica com que temos de reagir e trabalhar o futuro da nação. A lógica diz-nos que a corrupção é um estado decadente e punitivo para toda a sociedade brasileira. Um atentado à ética e aos direitos do cidadão. Dentro de uma lógica disposta a derrubar esta contaminação, impõe-se a ação de uma Ariadne brasileira.
Nesta atmosfera de fim de semana em Brasília, me imagino numa mesa especial de debate, em que meus convidados são preferencialmente jornalistas, intelectuais, cientistas políticos e muito, muito povão, com telões em praças públicas dispostos a debater esta nossa crise política. Nesta imaginativa reunião aberta para um grande público, coloco na abertura para meus convidados, a pauta da crise política centrada na corrupção e a retomada do raciocínio brasileiro. Convido meus amigos da mesa a terem coragem e praticidade em conseguirem expressar-se num discurso acessível para o grande público que nos assiste através dos telões nas principais praças brasileiras, tornando clara a este grande público a inadiável decisão de voltarmos a usar nossa razão. Temos de analisar o delito e tirarmos consequências válidas para nossa vida cidadã, dentro de uma estratégia global válida para sairmos do labirinto. Nosso jeitinho será o da palavra franca e clara, recorrendo a todas as formas de fazer entender ao povo a saída. Uma saída que passa pela maneira autônoma do povo pensar, antes de ouvir novos discursos políticos interessados em eleições. Um discurso que aponte uma saída que inclua nova forma política de organizar o país e de lhe dar vida própria em outros moldes. Recorrer a tudo, invocando raciocínios, práticas e silogismos,que demonstrem que há um caminho para o Brasil seguir em frente como nação civilizada. Com novos políticos esclarecidos, sem black blocks e sem anarquistas primários da badernação mercenária. Aproveitando o sentimento e a ação organizada do povo, ao lado de uma representação social, intelectual e política, bem serena, larga e sem tirania, que analise e discuta caminhos para a realidade brasileira. Ariadne prometeu nos acompanhar e estar conosco.
João Ferreira
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