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Erótico-->CONFISSÕES DE UM GAY - CAP. 24 -- 22/03/2016 - 22:28 (Edmar Guedes Corrêa****) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
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XXIV

Fred telefonou-me no outro dia por volta de nove horas, para me dizer que não poderia se encontrar comigo à noite porque teria de levar a mãe à rodoviária e pô-la no ônibus para Ribeirão Preto. A tia, esposa do irmão de sua mãe, fora diagnosticada com câncer no pulmão e a mãe ia dar seu apoio à família.
Segundo ele me contou, o cigarro era a causa do tumor, já que ela fumava desde os 16 anos em media dois maços de cigarro por dia.
-- E o pior que ele ainda é nova. Tem só 39 anos. Meu tio está arrasado porque ele também fuma e eles têm dois filhos ainda menores de idade. O Marquinhos tem 15 anos e a Manoela só 12. Agora imagina o que vai ser dessas crianças se a mãe morre? O pai é um caipira que não move uma palha para ajudar a esposa em casa. É daqueles homens machistas que acha que a única obrigação é pôr comida em casa. Daí você vê que não terá a menor condição de criar os filhos. Se minha prima ainda fosse mais velha, poderia até assumir a casa, mas uma menina de 12 anos?
-- É verdade! Ainda mais com um pai desses. Conheço muitos assim. Ainda nos dias de hoje vivemos numa sociedade machista. Mas o estado dela é grave?
-- Ela será operada depois de amanhã para a retirada de metade do pulmão. Mas pelo que o meu tio disse a minha mãe, o tumor já está num estágio bem avançado, o que diminui bastante as chances de cura – explicou Fred.
-- É. Não é fácil. Mas talvez dê tudo certo. Talvez com a quimioterapia o câncer não volte mais. A medicina evoluiu muito nos últimos anos e hoje em dia a maioria dos pacientes ficaram curados e levam uma vida perfeitamente normal. Tem uma amiga da minha mãe que foi diagnosticada e teve de remover os seios há mais de cinco anos e continua forte e firme. Na época não deram um ano de vida pra ela.
-- Se o câncer não se espalhou, ela ainda pode se recuperar. Estamos torcendo. Minha mãe, quando soube hoje de manhã, ficou abalada. Acho que o que mais afetou ela foi a lembrança de meu pai, que, pouco antes de morrer naquele trágico acidente, ainda aviou minha tinha sobre o excesso de cigarro. Minha mãe diz que ele chegou a dizer várias vezes para ela que se continuasse fumando daquele jeito o cigarro ia matá-la. Ela ainda curtiu com a cara dele, dizendo que ele ia morrer antes dela. E de fato morreu.
-- Nossa! Que coisa sinistra! -- exclamei.
-- São os mistérios da vida. Como diz o velho ditado: pra morrer só basta estar vivo. Eu não fumo, não bebo, mas também não deixo de viver. Hoje estou vivo mas quanto a amanhã já não posso garantir. Depois do que aconteceu com meu pai, aprendi que se deve viver plenamente o hoje, pois o amanhã é só uma possibilidade. Deixar de viver pensando tão somente numa vida-longa não vale a pena.
-- Eu também faço esses questionamentos de vez em quando. Mas não consigo não pensar no dia de amanhã e me preocupar com ele. Embora não seja uma regra, tenho de admitir que renuncio a muita coisa com medo das consequências futuras. O futuro já é incerto por natureza e torná-lo mais incerto ainda não faz parte do meu lema.
Andando de um lado para outro nos corredores do almoxarifado enquanto falava com Fred, voltei à mesa, puxei a cadeira, sentei e, tombando levemente a cadeira até que ela se apoiou na parede, estiquei as pernas e as pus sobre a mesa.
-- Não que eu não renuncio. Mas raramente faço isso. E quando o faço, faço-o por minha mãe. Evito magoá-la. Fora isso, não estou nem aí para o futuro. Você acha que se eu me preocupasse com ele teria vivido intensamente como venho vivendo todos esses anos? E você acha que me arrependo de alguma coisa? Não. Não me arrependo de nadica de nada! E se me fosse dado a oportunidade de viver tudo novamente, pode ter certeza que eu ia querer viver tudo do mesmo jeito: cada dor, cada prazer, cada suspiro e pensamento.
-- Queria ser assim. Talvez seja isso que mais invejo em você: essa coragem – falei. -- Mas, mudando de assunto. Então o nosso jantar fica pra amanhã?
-- Minha mãe só volta lá pra semana que vem. Assim, terei esses dias livres, sem que ela fique me vigiando. Ela até insistiu para eu ir, mas você acha que eu ia perder essa oportunidade de ficar tanto tempo livre? Ah, mas não mesmo! Assim, você vem pra cá, a gente pede uma pizza ou qualquer outra coisa para o jantar e aí eu te conto o resto da minha história.
-- Ótimo! Gostei da ideia. Vou sim – falei com entusiasmo. -- Saio daqui, passo em casa, tomo um banho e vou correndo pra aí. Prometo não chegar tarde.
Fred riu da minha pressa. Interrogou-me se isso tudo era por causa da história que vinha me contando. Surpreso e um tanto embaraçado, acabei respondendo que também era por isso.
-- E por que mais?
Fiquei mudo por alguns instantes. Não queria que ele soubesse sobre minhas fantasias e menos ainda sobre o meu estranho desejo por ele, que dia a dia vinha ficando maior. No entanto, tenho de admitir que, ao saber que ele estaria sozinho em casa por alguns dias, ocorreu-me de passar a maior parte do tempo com ele e, num dado momento, quem sabe, surgir a oportunidade de fazê-lo perceber, sem que isso o magoe. Caso isso viesse a ocorrer, eu acreditava que ele não me negaria aquela experiência, mesmo que por uma única vez, de transar com outro homem.
-- A sua companhia. Gosto de estar contigo – confessei com uma certa timidez.
Fred deixou escapar uma gargalhada do outro lado da linha. Infelizmente, por não estar cara a cara com ele, para ver-lhe na face o verdadeiro sentido daquele sorriso, não posso afirmar que ele tenha gostado da minha resposta. Talvez aquela gargalhada tenha sido de satisfação, fruto de um prazer que também ele talvez venha ocultando. Por outro lado, Fred também pode tê-la deixado escapar por me considerar um bobo, alguém que talvez o considere mais do que ele a mim embora em nenhum momento eu tenha duvidado seu apreço por mim; pois se este não existisse ele não estaria me expondo seu passado e menos ainda me convidando para ir a sua casa como vinha fazendo nos últimos dias.
Antes de desligar, disse que me esperaria.
Talvez por passar o dia naquele almoxarifado sem ter muito o que fazer, tenha tido os mais variados devaneios ele. Na maioria deles, eu nos víamos em sua casa, o que desencadeava, após um toque sutil ou até mesmo deliberado de minha parte, uma reação por parte dele, a qual nos levava expor nossos desejos um pelo outro, desejos esses que culminavam com nossos corpos entrelaçados, ora ali na sala da casa dele, ora na cama dele, ora no banheiro e até mesmo num motel. Todos esses devaneios eram premiados com orgasmos intensos -- mais de um até. Ora eu nos via deitados em algum lugar e meus quadris afundado em suas nádegas, ora ele estava de quatro e eu, atrás, com as mãos a agarrar-lhe os quadris, penetrando-o profundamente, deixando meu sêmen nele; ora, ele sentando no meu colo, se deixa cair para trás enquanto minha mão, agitando-lhe o falo, nos levava ao gozo.
Essas e tantas outras fantasias me deixaram num estado que, ao chegar em casa no final do dia, não tive alternativa a não ser correr até o banheiro e bater uma rápida punheta. Digo rápida porque o excitamento era tamanho que só bastaram uns poucos movimentos para que o jato de esperma erasse o alvo e fosse parar na torneira e não dentro da pia.
Quando eu era mais novo, costumava me masturbar diante do vaso sanitário ou embaixo do chuveiro. Mas nos últimos anos acabei descobrindo que na pia do banheiro, diante do espelho, muitas vezes olhando através dele de cima para baixo, a sensação de prazer é maior. Acho que sou um pouco narcisista. Claro que em diversas ocasiões ainda me masturbo durante o banho, usando a água do chuveiro para lubrificar-me o falo. Aliás, antes de ter essas fantasias com Fred, quase todas vezes em que me masturbara, eu me fantasiava com uma bela mulher ali comigo, onde nossos corpos jaziam cobertos pela espuma do sabão. Então nos entregávamos ao prazer enquanto a água do chuveiro caia sobre nós. Agora, ainda tenho essas fantasias sob o chuveiro, mas na maioria delas as belas mulheres foram substituídas por Fred.
E foi justamente essa fantasia que me levou logo de manhãzinha no outro dia a bater uma nova punheta. Nem mesmo a possibilidade de estar com ele no final do dia fez com que eu resistisse ao desejo.
A bem da verdade foi até bom, pois se não o fizesse, meus devaneios ao longo do dia seriam mais intensos, o que consequentemente me deixariam ainda mais excitado e tornariam quase impossível de lhe ocultar as chamas que me consumiam. E mesmo que eu não chegasse a cometer uma imprudência, talvez ainda sim Fred poderia perceber o meu desespero, a minha quase incontrolável vontade de possuí-lo. Por isso, enquanto me dirigia a sua casa no começo da noite, disse a mim mesmo uma dezena de vezes para tomar cuidado, ser cauteloso e não me deixar levar pelo impulso.
Quando parei diante de sua porta e toquei a campainha, eu me sentia como um jovem que vai ao primeiro encontro com a primeira namorada. Meu coração palpitava e eu procurava a todo custo conter a ansiedade.
Fred abriu a porta usando apenas uma cueca. Seus cabelos estavam molhados e numa das mãos uma toalha branca.
-- Nossa! Você veio rápido mesmo, hein! Te esperava só daqui uma meia hora ou até mais. Acabei de sair do banho.
Deixei escapar um sorriso amarelo. Ele me disse para entrar, sentar no sofá e esperar que ele acabasse de se vestir.
Cheguei a cogitar em dizer-lhe que assim ele estava ótimo, mas não tive coragem. Sentei no sofá e aguardei.
Fred retornou alguns minutos depois vestindo um calção colado ao corpo, o qual delineava todos seus traços. Confesso que ao vê-lo assim achei-o bastante sexy.
-- Tá com fome? -- perguntou ele, sentando-se do meu lado e pegando o controle da TV.
-- Não. Comi alguma coisa em casa – respondi. De fato tomara um copo de café com leite antes de sair. Não sabia quando comeria novamente, pois ainda era cedo – sete horas – para o jantar.
-- Então quer beber alguma coisa?
-- Depende.
-- Que tal um vinho. Temos ótimos exemplares aqui em casa. Tenho um tio que é enólogo e ele sempre manda uma garrafa pra gente. Minha mãe não gosta de beber e eu dificilmente bebo sozinho. Não vejo muita graça abrir uma garrafa e tomá-la sem a companhia de alguém. Mesmo assim não deixo de fazer isso vez ou outra.
-- É uma ótima ideia.
Fred se levantou, foi até a adega – um pequeno móvel na parte de trás da mesa de jantar, e de lá retirou uma garrafa.
-- Que tal esse? Um Cabernet Sauvignon de 1992. Direto de Bordeaux?
Antes que eu respondesse, pegou outra garrafa e perguntou:
-- Ou esse? Um Malbec argentino de 1989? Outro dia eu quase abri esse aqui. Mas estava sozinho e fiquei com pena. Falei: deixa para um momento especial. É um vinho bem envelhecido. Que tal a gente abrir esse?
Embora gostasse de vinhos, não entendia patavinas. Eu nem mesmo sabia diferenciar um bom vinho de outro apenas razoável. Na dúvida, ia pelo preço, achando que, por ser mais caro, deveria ser melhor.
-- Pode ser esse – respondi.
Ele foi até a cozinha, abriu a garrafa e retornou com ela e duas taças na mão. Serviu-nos e voltou a sentar do meu lado.
Foi quando pedi para continuar sua narrativa.
-- Então. Depois daquele episódio, fiquei nove dias sem falar com ele. Mais aí bateu uma saudade. Não era bem uma saudade, mas uma solidão, uma falta de companhia. Então resolvi procurá-lo e ter uma conversa séria com ele. Telefonei-lhe e disse que queria conversar. João Paulo apareceu todo sem graça, com aquele ar de arrependido. A primeira coisa que fez foi pedir desculpas. Disse que se arrependia do que tinha feito e que não voltaria a fazer aquilo.
-- Eles são sempre assim. Fazem-se de arrependidos e a primeira coisa que dizem com aquela seriedade é: prometo que não vou fazer mais isso. Mas na primeira oportunidade tão lá cometendo o mesmo erro – falei.
-- Você tem razão. Não os culpo por isso, pois sei que a vontade é mais forte do que a capacidade de resistência. Algumas pessoas são dominadas pelos seus instintos. É mais ou menos o que ocorre com os pedófilos. O desejo sexual por crianças e adolescente é tão forte que não conseguem se conter e arriscam tudo: Família, amigos, dinheiro, liberdade e até a própria vida para uns momentos dum prazer proibido.
-- Não. Não acredito que você está defendendo esses monstros! -- interrompi-o com um certo ar de revolta. Era a primeira vez que eu me discordava plenamente de algo que ele dissera.
-- Não. Não estou defendendo ninguém. Muito menos os pedófilos. Só acho que somente a prisão não impede um pedófilo de continuar a sê-lo. Ele deve sim pagar pelo ato que cometeu, uma vez que abusar sexualmente de criança ou mesmo de um adolescente é um ato o vil, mas eu vejo a pedofilia muito mais como uma doença, um problema comportamental do que simplesmente um ato criminoso. Embora muita gente os veja como alguém pior do que aquele que mata para roubar, eu não vejo a coisa assim. Quem comete um latrocínio o faz muitas vezes por vingança, por ódio ou até mesmo para evitar que seja reconhecido pela vítima. De certa forma, a decisão de disparar contra a vítima é puramente racional, exceto numa pequena minoria. Mas o pedófilo é uma pessoa atormentada, que vive sob o julgo de um desejo que ele muitas vezes não pode controlar. Muitos conseguem conter esse desejo e o mantém sob domínio, evitando o abuso sexual. Não deve ser nada fácil conviver com um desejo que não pode ser satisfeito. Mas outros não são fortes o suficiente para resistir e se deixam levar por essa vontade incontrolável. Aliás, pelo que sei a maioria dos pedófilos foram no passado vítima de algum tipo de abuso sexual. Claro que, diante de um desejo proibido e pernicioso, o mais correto seria que essas pessoas procurassem um especialista a fim ajudá-los a controlar esses impulsos. Só que não fazem isso e chega uma hora que acabam perdendo a cabeça. E aí, meu amigo, ato praticado, crime cometido.
-- Não vejo a coisa por aí. Se a maioria de nós é capaz de resistir aos nossos desejos, desejos que muitas vezes sabemos que não podem ser satisfeitos, por que eles também não podem.
– Não sei responder direito. Mas sei que algumas pessoas conseguem controlar seus instintos e outras não. Talvez falte-lhes força de vontade, convicção. A maioria das pessoas tem algum tipo de desejo que não pode conter. – disse ele.
– Como o seu ex-namorado João Paulo? E você acha que ele cumpriria sua promessa?
-- Não. Mas a questão não era essa. Eu só precisava encontrar um meio de evitar que ele voltasse a perder a cabeça. Normalmente o desejo se apossa de nós quando algo o desperta e há uma oportunidade clara de realizá-lo. No caso do João Paulo, eu só precisava evitar que esse desejo fosse despertado e o levasse a perder a cabeça.
-- Aposto como ele perdeu muito antes do que você imaginava. Não foi? -- indaguei-o num tom provocativo, com uma certa raiva até. Aliás, desde as primeiras narrativas de seus momentos com o professor de matemática que eu passei a ter uma antipatia por seus parceiros. Talvez porque, na minha visão, todos eles queriam, no fundo, aproveitar-se de Fred. Ele sempre negava, mas isso não movia uma palha na direção de reduzir minha antipatia.
-- Foi. Aliás, cumpriu-a por três meses e meio. E me pondo no lugar dele, imagino como deve ter sido difícil para ele se deitar comigo e ter de conter o desejo de me causar dor. Muitas vezes, vi em seus olhos aquela vontade incontrolável dominando-o, mas quando ele estava para perder a cabeça, eu dava um jeito de desviar-lhe a atenção a fim de que ele pudesse recuperar o autocontrole. Mas disso falarei daqui a pouco. Antes que eu me esqueça, deixa eu te contar como foi nosso reatamento.
-- Ele te pediu desculpas e você aceitou e ficou tudo bem.
-- Não foi bem assim. De fato ele me pediu mil desculpas e veio com aquela conversa de que não me machucaria mais. Só que eu não sou idiota. Fui franco com ele. Disse-lhe que ele ia fazer de novo assim que tivesse uma nova oportunidade. Ele negou. Insisti, dizendo que isto estava no sangue dele e que teria que aprender a lidar com aquilo. Então ele perguntou se estava acabado tudo entre a gente. Eu disse que não. Mas impus-lhe algumas condições. Uma delas foi: nada de me amarrar. Pois, se ele perdesse o controle, eu teria como agir para evitar que ele me machucasse. Disse-lhe também que assim que eu percebesse que ele faria alguma coisa capaz de me causar dor, imediatamente a gente pararia, se levantaria e ia beber alguma coisa para esfriar a cabeça. Ele concordou.
-- E isso alguma vez deu certo?
-- Ah sim! Deu. Mais ou menos um mês depois dessa conversa, fomos ao motel. Estávamos no meio de uma transa. Eu de quatro e ele me possuindo por trás. Acho que ele estava perto de um orgasmo. Então ele me pediu para deitar que ele queria me possuir, deitado em cima de mim. Fui deitando devagarinho para que ele não saísse de mim. Nisso, eu fiquei espichado na cama e ele por cima. Ele continuou a se movimentar. Eu não só sentia o pau nervoso dele ir e vir dentro de mim e os quadris dele nas minhas nádegas. Súbito porém, ele me levou o braço esquerdo por baixo do pescoço. Com a mão direita começou a me dar palmadas nas coxas, bem aqui – mostrou, pondo a mão do lado direito, pouco abaixo da nádega. -- Por uns instantes até deixei, porque isso também estava me provocando prazer. Ele começou batendo de leve. E eu sentia o momento do meu gozo se aproximar. Mas aí ele começou a dizer: vou arregaçar teu cu todinho, seu viadinho! Vou foder ele até ele ficar arregaçado! Então eu o senti apertar o meu pescoço. E antes que a coisa ficasse mais séria, porque ia ficar mesmo!, empurrei ele para o lado e disse-lhe que estava indo longe demais. Ele chegou a demostrar sinais de raiva. Lembro dele gritar: Porra, por que você fez isso? Mas eu o relembrei da nossa conversa e o fiz ver que, feito um alcoólatra ao sentir o sabor do álcool, ele não seria capaz de se controlar. Ele admitiu ter perdido o controle, e reconheceu que aquela interrupção o salvara de cometer um ato mais sério. Não chegamos a levantar para beber um copo de água como o combinado; apenas voltei a deitar, disse-lhe para tornar a trepar em mim, mas sem aquele braço por baixo do meu pescoço e nada de palmadas nas minhas coxas. Ele teve o orgasmo dele alguns minutos depois.
-- E você?
-- Não consegui. Aquela interrupção acabou com o meu tesão. Ele ainda se ofereceu para me masturbar, mas eu recusei. Disse-lhe que ficaria para a próxima, na qual ele se comportou e então tivemos dois orgasmos cada um.
As taças já estavam quase vazias. A de Fred inclusive não tinha mais nada. Por isso ele estendeu a mão até a mesinha de centro e apanhou a garrafa, tornando a encher ambas.
-- E mesmo assim ele ainda tentou outras vezes?
-- Tentou. Foi umas três ou quatro semanas depois. A gente estava aqui em casa. Minha mãe tinha ido viajar e só voltaria em dois dias. Abri uma garrafa de vinho e ficarmos os dois nus aqui na sala, deitados nesse mesmo sofá. Ele não tinha o costume de tomar vinho e acho que isso fez com que ele embebedasse um pouco. Percebi pelo olhar e pela voz dele. Afinal, dá para perceber facilmente quando uma pessoa está bêbada. Num primeiro momento, isso até me deixou feliz. Lembro de ter pensado: agora ele está facinho e posso fazer com ele o que bem entender. Claro que eu também estava exagerando, pois uma pessoa sob o efeito do álcool não perde totalmente a noção dos seus atos. Ela apenas fica mais vulnerável e seus instintos aproveitam para dominá-lo. Por isso uma pessoa com tendência a violência, por exemplo, se tornará violenta. Ele não estava excitado, mas agachei diante dele e comecei a chupar o pau dele. Ele demorou um pouco para ficar excitado. Aí sentei no pau dele, o qual penetrou-me totalmente. Por algum tempo, fiquei em cima dele rebolando para lá e para cá. Ele ria e gemia de prazer. Mas aí ele disse que queria vir para cima de mim. Trocamos de posição. Cheguei a ficar de quatro aqui em cima, mas ele disse que não era bem assim que ele queri. Então me fez ficar de joelhos, com o resto do corpo apoiado aqui, bem assim – Fred se levantou, depositou a taça na mesinha, ajoelhou no chão de frente para o sofá e curvou-se para frente, sobre o assento. -- Então ele veio por trás de mim e me penetrou.
Por muito, mas muito pouco mesmo, não me levantei também e me pus no lugar de seu ex-namorado. Talvez se eu não tivesse me masturbado de manhã ou se o vinho tivesse provocado em mim o mesmo efeito que provocara naquele rapaz, eu teria, assim como ele, fatalmente perdido a cabeça. Mas comedido, não me deixei levar pelos instintos.
-- Por alguns momentos tudo correu bem. Confesso que estava sentindo um grande prazer em transar com ele assim, mas ele tinha que perder o controle.
-- O que ele fez? -- interrompi-o.
-- Ele se curvou sobre mim, agarrou-me pelos cabelos com uma das mãos e os testículos com a outra. Aí ele puxou meus cabelos com tanta força que minha cabeça virou para trás – Fred levantou a cabeça bruscamente como se ela estivesse sendo puxada. -- Então ele perguntou: é assim que você gosta de ser fodido, seu bichinha? Nessas horas ele sempre me chamava apenas de “seu bichinha” e não de “meu bichinha” como costumava fazer. Nisso, a mão enfiada entre a perna e o sofá se fechou, apertando-me os ovos. Dei-lhe uma cotovelada e o empurrei para trás. Ele caiu sentado no chão. Desequilibrado, tombou para trás. Por pouco não bateu com a cabeça naquela móvel ali. -- Tratava-se duma raque, sobre o qual jazia a TV de tela plana e alguns vasos de plantas. -- Fazendo-se de desentendido, perguntou o que tinha acontecido. Respondi: Nada. Você só estava indo longe demais. Aí ele caiu na real e se desculpou. Ele quis continuar, mas eu disse que estava com sede. Como ele continuava excitado, voltamos a transar uma meia hora depois, mas eu já sentia mais o mesmo tesão e novamente não consegui gozar.
-- Então ele não conseguiu se segurar mesmo?
-- Não.
-- E ele te disse se fazia isso com outros parceiros?
-- Perguntei isso umas quatro ou cinco vezes para ele. Nas primeiras, ele negou e disse que nunca tinha feito isso. Mas eu não acreditei. E toda vez que surgia uma oportunidade, eu tornava perguntar. Pouco antes da gente se separar, uns três ou quatro meses depois desse episódio que acabei de te contar, ele me confessou que já tinha feito isso várias vezes. Contou-me inclusive que tinha namorado um cara que adorava ser maltratado. Perguntei o que ele fazia com esse cara e ele me contou que batia nele quando estavam transando, que amarrava ele todo e enchia ele de chicotada até deixar ele todo marcado, que enfiava coisas no cu dele para provocar dor e até chegou a fincar agulhas nele..
-- Que coisa louca!
-- Põe louca nisso! Claro que eu quis saber mais detalhes de como eram essas “coisas” que o João Paulo enfiava nele, inclusive para me prevenir, já que ele fizera isso comigo uma vez. E sabe o que ele me disse? Que enfiava de tudo. O que tivessem em mão. Ovo de galinha, limão, cebola, cenoura, banana, pepino, frasco de perfume, creme de barbear, copo, garrafa de refrigerante e qualquer outra coisa que fosse longa e circular. E contou-me mais: ele tinha vários pênis de borracha e dos mais variados tamanhos. Disse que de tanto enfiar as cosias no cu, o cu dele tinha se alargado tanto que uma garrafa de refrigerante, dessas de 500 ml, entrava facilmente. E não parou por aí: que mais de uma vez o namorado pediu-lhe para juntar bem os dedos da mão e enfiar no rabo dele. E afirmou que na maioria das vezes isso o fazia gozar, o que também provocava grande prazer nele, João Paulo.
-- Não! Isso não é verdade! -- Interrompi-o porque eu não poderia acreditar que alguém em sã consciência fosse sentir prazer com a introdução de objetos desse tipo no ânus. Embora eu não tivesse preconceito quanto ao sexo anal, deformar o ânus dessa forma por prazer me assemelhava coisa de uma mente doentia.
-- Se realmente é ou não, eu não posso te garantir. Mas não vejo razão para ele ter mentido. E do jeito que me contava, não parecia inventar isso. Aliás, quando perguntei sobre as agulhas que ele fincava no namorado ele não titubeou um instante em afirmar que agulhas de vários tamanhos e até alfinetes. Então eu perguntei: mas onde você fincava essas agulhas? Ele respondeu: em várias partes, mas principalmente nas nádegas, nos ovos e até no pinto. Aí eu insisti: Nos testículos e no pênis? É, ele respondeu. Mas não machucava e doía muito?, perguntei. Rindo, ele exclamou: Mas era a dor que lhe dava prazer. Então eu quis saber como ele fincava essas agulhas nele. E ele me contou. Disse que nas nádegas elas eram fincadas enquanto ele, João Paulo, fodia ele por trás. Era uma meia dúzia de agulhas, dessas de costura, e ele enfiava de cima para baixo, como se fosse aplicar uma injeção, quando o namorado estava perto de gozar. Ele disse que isso fazia ambos gozarem ainda mais rápido, pois ele começava a sentir mais prazer e o outro começava a gemer pedindo para fincar mais. Nos ovos, João Paulo disse que o namorado sentava no colo dele e ele o penetrava. Aí o namorado ficava rebolando no colo dele até ficar superexcitado. Então pedia para ele, João Paulo, pegar uma agulha e ir fincando no saco dele, o qual já tinha sido amarrado antes. Ele disse que o namorado sentia um prazer incrível. Mas não só ele. João Paulo me confessou que isso também lhe provocava prazer, o que fazia muitas vezes que ambos chegassem ao orgasmo.
-- Não. Esse cara era um pervertido sem tamanho. Vai ver que foi por isso que esse tal de João Paulo tomou gosto pelo sadismo – deduzi.
-- Foi. Porque ele me contou que tinha uns quinze anos na época e o namorado vinte e um. E eles ficaram um bom tempo junto. Cerca de seis anos. Isso certamente pesou muito. Mas o João Paulo deveria ter uma tendência ao Sadismo. É como o alcoólatra. Se você tem predisposição, vai se tornar um com apenas uma dose; mas se não tem, pode beber sem medo que não se tornará um.
-- Então tá explicado. O cara transformou ele num sádico. E para ficarem todo esse tempo junto, ambos sentiam prazer no que faziam um ao outro. Aposto que quando terminaram, esse João Paulo, passou a acreditar que o prazer estava em causar dor no outro, não só porque ele achava que os outros eram como o seu ex-namorado, mas também porque acreditava que ele só poderia sentir plena satisfação causando dor nos outros. Eu não tenho dúvidas de que esse rapaz, assim como você me afirmou várias vezes, viveu os melhores momentos de sua vida naquele primeiro e duradouro relacionamento.
-- Você tem razão. Eu não havia pensado nisso – concordou Fred. -- De certa forma, a gente tinha algo em comum. Assim como ele, eu também não encontrei alguém com quem eu realmente pudesse dizer que era com ele que eu quero ficar para sempre, como aconteceu com o Marco Aurélio. Confesso que o fato de não encontrar outro Marco Aurélio nos meus parceiros, porque realmente nunca encontraria, acabou sendo a causa de meu desapontamento. Da mesma forma que eu venho, mesmo que inconsciente, procurando outro Marco Aurélio, João Paulo muito provavelmente também buscava nos seus parceiros alguém como aquele seu ex-namorado. Porque embora não me tenha dado muitos detalhes, usou do sadismo com os demais parceiros depois desse seu ex-namorado.
Nisso, Fred consultou o relógio. Passava de oito e meia.
-- E o que você vai querer comer? Tem alguma preferência? -- indagou-me em seguida.
-- Você tinha me falado numa pizza mais cedo. Pode ser.
Ele se levantou, apanhou o celular e pouco depois discou. Em seguida perguntou:
-- Tem alguma preferência de sabor?
-- Não. Como qualquer uma. Deixo por sua conta. Confio no seu bom gosto – falei.
Lisonjeado, pediu meia de mussarela de Búfala e meia de camarão.
-- Você me ajuda a arrumar a mesa? -- indagou.
-- Vamos lá – respondi, ao me por de pé.


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