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Crônicas-->Moro, o gênio do mal -- 08/11/2018 - 09:38 (Félix Maier) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos

"Moro, o gênio do mal", por Erika Diniz, juíza de direito no Tribunal de Justiça de São Paulo

 

 
 (Baptistão/VEJA)
 
Há quatro anos, numa tarde chuvosa, Moro sentia-se entediado com seu trabalho. Ao invés de pedir uma remoção, resolveu engendrar uma grande operação, a pretexto de combater a corrupção no país, mas que na verdade teria o único objetivo de condenar e prender o ex Presidente Lula, alijando-o da disputa eleitoral.
Assim agindo, esperava obter um cargo no novo governo eleito.
Nem Aécio, nem Dilma, pensou ele, o próximo Presidente será o deputado Jair Bolsonaro, mas para isso Lula não deve disputar a eleição!
Procurou, então, a sede da Polícia Federal. Orientou centenas de agentes a forjarem provas, depoimentos, testemunhas e laudos para que o ex Presidente fosse condenado criminalmente.
 
“Mas por que faríamos isso?”, perguntaram os agentes em coro.
 
“Porque quero um cargo no novo governo a ser eleito”
   
Achando justa a pretensão do magistrado, as centenas de agentes passaram a forjar as provas.
 
A seguir, Moro procurou o Ministério Público e orientou os procuradores a oferecerem denúncia sem provas, já que pretendia obter o tal cargo.
Os procuradores acharam razoável a ideia do Juiz e ofereceram a denúncia, sem qualquer prova.
Não era suficiente. Moro sabia que a sentença condenatória deveria ser mantida em Segunda Instância.
Há 27 desembargadores no TRF4, mas Moro sabia em qual Câmara o recurso contra sua sentença seria julgado. Procurou os desembargadores e os avisou.
 
“Sei que minha sentença condenou o réu sem provas, mas os senhores devem mantê-la tal como está, porque quero um cargo político no próximo governo”
   
Entusiasmados com a ideia, os desembargadores não apenas mantiveram a sentença condenatória sem provas,mas também exasperaram a penalidade imposta.
Mas... não era suficiente.
Moro sabia que seria interposto recurso no STF.
Incansável, comprou passagens e rumou para Brasília.
Reuniu todos os ministros e foi direto ao ponto:
 
“Os senhores deverão manter minha sentença e também alterar a jurisprudência da Corte, para que seja admitida a prisão após condenação em Segunda Instância, porque quero um cargo no próximo governo, quiçá o de Ministro da Justiça!”
   
Os ministros pensaram consigo: “Lascou-se! Se esse juiz de Primeira Instância quer tanto o Ministério da Justiça, vai acabar conseguindo. Melhor fazermos logo o que ele quer, para não haver indisposição com o futuro Ministro da Justiça!”.
Se você achou essa história plausível, a questão não é mais política, mas psiquiátrica.
Procure um médico.
Teorias da conspiração em excesso podem acarretar sérios danos à saúde mental.
 
Erika é juíza de direito no Tribunal de Justiça de São Paulo
 
Com Blog do Augusto Nunes, Veja

(Publicado originalmente no Jornal da Cidade)
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