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Crônicas-->No tempo dos bordéis e do cruzeiro -- 30/11/2018 - 15:06 (Adalberto Antonio de Lima) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos







Ainda nos idos de 1960, as doenças sexualmente transmissíveis assolavam as pequenas e grandes cidades brasileiras e o baixo-meretrício era o principal veículo de disseminação do cancro, da mula, do cavalo de crista e de outras tantas. 

Chegado há pouco na cidade, Zé Matuto julgou estar na hora de brincar verdadeiramente do coito e dar sua primeira “cachimbada”. Chega de levar coice! Recordava-se de ter amarrado uma jumenta e ela foi embora levando seu cinto no pescoço... 

Muitos de seus amigos contavam que trataram um cancro duro com nitrato... Nitrato de prata!... O matuto achou bonito aquele nome e também queria contar suas façanhas com as mulheres da vida. Afinal, tinha l4 anos completos e nunca tomara uma injeção. 

Pôs três cruzeiros no bolso e antes do cair da tarde de um domingo de primavera, desceu a rua do Cruzeiro e aproximou-se do Hospital São Vicente, em torno do qual havia muitos cabarés. 

A Boate Marajoara, já estava em sua mente. Bar Marajoara... Guadalajara... Casa Azul e muitos outros bordéis enfileirados que trabalhavam com alvará de “Barzinho” estavam ali, diante de seus olhos... 

Meio acanhado, deu uma espiada nas raparigas que bebiam no salão: lindas e caprichosamente arrumadas esperando a clientela. 

Sem jeito, desconfiando de tudo, não entrou... Beirou a calçada, exatamente na hora em que uma delas acabava de fazer a higienização de “seu hôme” e jogar a água suja da bacia pela janela... 

Pluft!... 

Que vergonha!... 

Não longe dali, um puteiro apelidado de “Pinga Pus” estava cheio de mulheres sujas, feias e mal vestidas que cobravam um preço mais barato.Ele já fizera sua escolha: tinha que ser com uma mulher bonita, mesmo que precisasse adiar os planos... 

Mesmo com pouco dinheiro,  entrou no Marajoara. 

— Quanto você tem menino? 
— Três cruzeiros! 
— É de maior? 

Zé impostou a voz e com segurança, afirmou: fiz vinte... 

— Pequeno desse jeito? 
— É...mas o mandiocal é grande! 






Adalberto Lima




Enviado por Adalberto Lima em 30/11/2018

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