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Crônicas-->Como um pássaro -- 03/06/2019 - 09:40 (Pedro Carlos de Mello) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos

 

            Saio de casa para pegar meu filho na escola. Ligo o rádio e ouço Leonard Cohen cantando:

 

            “Like a bird on the wire,

            Like a drunk in a old midnight choir

            I have tried in my way to be free”.

 

            Como um pássaro no fio,

            Como um bêbado num antigo coro da meia-noite

            Eu tenho tentado em minha caminhada ser livre.”

 

            Como um pássaro, alço vôo... em minha imaginação. Meu carro é um avião. A rua em frente à minha casa é uma pista de decolagem. Em segundos, estou em Boston, ouvindo Leonard Cohen cantar.

Foi no gélido dezembro de 2012, no deslumbrante Teatro Wang, que eu e minha esposa assistimos ao concerto de sua Old Ideas tour. Foram quase quatro horas de show. Nada obstante seus 78 anos, Leonard Cohen fez um show enérgico e pungente, do início ao fim, acompanhado por sua banda e back vocals maravilhosas. Começou com Dance Me to de End of Love, passando por Bird on the Wire, Chelsea Hotel, Hallelujah (dentre muitas outras), para acabar com Save the Last Dance for Me.

Digna de registro foi a interpretação expressiva e poderosa de Sharon Robinson, parceira de longa data de Cohen, para a canção Alexandra Leaving. Leonard Cohen compôs essa música baseado no poema “O deus abandona Antony”, de Constantin Cavafy P., que, por sua vez, inspirou-se na história de Plutarco, que conta o abandono de Antony pelo deus Baco (Dionísio) na cidade de Alexandria sitiada por Otaviano. A versão de Cohen é construída em torno de uma mulher chamada Alexandra.

Claro que, estando em Boston, permitimo-nos conhecer outras atrações dessa cidade, que é considerada a mais européia das cidades americanas, como o Museum of Fine Arts, o Boston Opera House, o Prudential Center, a Trinity Church, a Boston Public Library e o Isabella Stewart Gardner Museum.

No dia em que chegamos à cidade, pudemos assistir ao balé The Nutcracker (O Quebra-Nozes), com o Boston Ballet, no Boston Opera House. É uma história de fantasia que conta as aventuras de uma menina e um boneco quebra-nozes na noite de Natal. O balé, coreografado por Miko Nissenen, com música de Tchaikovsky, é baseado no libreto de Alexandre Dumas, pai, intitulado “A história do Quebra-Nozes”, que, por sua vez, foi adaptado de um conto de E. T. A. Hoffman “O Quebra-Nozes e o Rei Rato”. A literatura, a música e a dança unidas num espetáculo de grande beleza.

No dia seguinte, ensolarado, mas muito frio, visitamos a Trinity Church, uma igreja episcopal. É uma das mais importantes obras arquitetônicas dos Estados Unidos. Seus vitrais são magníficos. Alguns deles são de John La Farge, que também era pintor e escritor e foi o responsável pelo plano de decoração da igreja, em 1877. Dentre muitas e importantes outras obras artísticas, destaco o busto de Phillips Brooks (reitor da Trinity Church de 1869 a 1891), obra de Daniel Chester French, escultor do Lincoln Memorial, em Washington, DC.

Depois, fomos à Boston Public Library, que foi a primeira grande biblioteca municipal de acesso grátis dos Estados Unidos. Dentre seus 23 milhões de itens, encontram-se livros raros e manuscritos, partituras musicais e impressos. No 3º andar do prédio, podemos ver os espetaculares murais pintados por John Singer Sargent, versando sobre o desenvolvimento das religiões do mundo. 

A seguir, visitamos o Museum of Fine Arts. Vou dar somente alguns exemplos de pintores que encontramos em suas paredes: Ticiano, El Greco, Rembrandt, Rubens, Watteau, Tiepolo, Canaletto, Turner, Goya, Delacroix, Manet, Monet, Renoir, Van Gogh e Picasso. Mas estamos na América e quero falar de um pintor impressionista americano, nascido em Groton, em 1862, no mesmo estado da cidade de Boston, Massachussets, educado na própria escola do Museum of Fine Arts. Contemplemos sua obra Mother and child in a boat: Tarbell usou sua esposa Emeline e sua filha Josephine como modelos, as duas em cima de um barco a remo, elegantemente vestidas, o brilho da luz na água, as folhas das árvores e seu reflexo, as manchas da luz do sol no barco, as cores suaves, enfim, um conjunto de puro deleite para o nosso olhar.

No mesmo museu ainda vimos as exposições temporárias, dentre as quais, In your face, fotografias de Mario Testino, que, depois de passar por Buenos Aires, está no Museu de Arte Brasileira, FAAP, em São Paulo. Destaque para fotos de Gisele Bündchen, que, por sinal, mora em Boston.

 À noite, jantamos no restaurante Top of The Hub, no 52º andar do Edifício Prudential, com vista panorâmica privilegiada da cidade de Boston. Como não tínhamos reserva, tivemos que aguardar para sermos atendidos, mas valeu a pena, o Top of the Hub é um dos melhores restaurantes de Boston, a comida é excelente e o lugar é sofisticado.

Novo dia, o sol está escondido, o frio continua, virá chuva. Mesmo assim, saímos a caminhar. Fomos até o Isabella Stewart Gardner Museum. O prédio é uma réplica de um palácio veneziano do século 15. No centro, um belíssimo jardim climatizado. A exemplo do Museum of Fine Arts, obras-primas de grandes pintores, como Ticiano, Rembrandt, Michelangelo, Rafael, Botticelli, Vermeer, Degas, Whitler e Sargent (o mesmo dos murais da Boston Public Library).

À tarde, passeamos pela cidade, à espera do show de Leonard Cohen.

O ciclo se fecha. Aterrisso no meu cotidiano brasileiro. Pego meu filho na escola. É hora de almoçar em casa. A vida continua. Ainda bem que continua. 

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