Usina de Letras
Usina de Letras
                    
Usina de Letras
31 usuários online

 

Autor Titulo Nos textos

 


Artigos ( 56723 )
Cartas ( 21160)
Contos (12583)
Cordel (10005)
Crônicas (22134)
Discursos (3130)
Ensaios - (8936)
Erótico (13378)
Frases (43199)
Humor (18335)
Infantil (3739)
Infanto Juvenil (2597)
Letras de Música (5463)
Peça de Teatro (1315)
Poesias (137948)
Redação (2915)
Roteiro de Filme ou Novela (1053)
Teses / Monologos (2386)
Textos Jurídicos (1922)
Textos Religiosos/Sermões (4723)

 

LEGENDAS
( * )- Texto com Registro de Direito Autoral )
( ! )- Texto com Comentários

 

Nossa Proposta
Nota Legal
Fale Conosco

 



Crônicas-->Minhas escovas de dentes -- 07/06/2019 - 09:37 (Pedro Carlos de Mello) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos

Minhas escovas de dentes

 

            Em 30 de novembro de 2012, estava voltando da Feira do livro de Guadalajara.  Faria conexão na Cidade do México e depois em São Paulo, com destino à Brasília. Por motivos que não ficaram muito claros, o avião que partiria ainda na noite do dia 30 somente partiria no dia seguinte, 1° de dezembro, pela manhã.

            A companhia aérea providenciou o traslado e acomodações para os passageiros. Coube a mim o Hotel Century Zona Rosa. Como teria que levantar muito cedo no dia seguinte, optei por não retirar a bagagem, para não gastar tempo com o redespacho. Com isso, assim que me instalei no hotel, resolvi dar uma rápida saída para comprar uma escova de dentes e creme dental.

            Foi uma boa surpresa. A Cidade do México é muito grande. Não conhecia essa parte da cidade. A Zona Rosa é uma região bastante movimentada, com muitos bares e restaurantes e as ruas têm nomes de cidades européias. O hotel ficava na rua Liverpool e comprei a escova no Sanborns Café, na rua Londres. Lembrei-me do Parque Chass, em Buenos Aires, que também tem as suas ruas com nomes de cidades da Europa.

            Voltei à Brasília e continuei utilizando a escova de dentes. Principalmente pela manhã, quando pegava a escova, as lembranças da ocasião em que a adquirira vinham a mente, quase sem me dar conta. Eram lembranças agradáveis, contrariamente ao que se poderia esperar, em face dos transtornos ocasionados pela alteração do vôo. E assim, todos os dias, eu viajava novamente ao México.

            No dia 2 de julho de 2013, eu estava em Oslo, na Noruega, com minha esposa e meu filho. Quis conhecer o Centro de Cultura dedicado ao escritor Knut Hansun, que ficava em Hamaroy, no norte do país. A cidade mais próxima servida por aeroporto era Bodo, a 1.500 quilômetros de Oslo e, segundo vi na internet, a 60 quilômetros do meu destino. Minha esposa e meu filho preferiram ficar em Oslo e eu tomei um avião para Bodo, pela manhã, com a passagem de volta marcada para o final do mesmo dia. Ao chegar ao aeroporto de Bodo, aluguei um carro com GPS. Marquei o destino final e em vez dos 60 quilômetros esperados, o aparelho marcou 220 quilômetros. Ia demorar mais do que eu pensara.

            A paisagem era belíssima, a estrada margeava os fiordes noruegueses, mas estava chovendo. Além do Hansunsenteret, visitei a casa de infância do escritor e o farol de Tranoy, localizado junto ao fiorde Vest. Quando iniciei o retorno a Bodo, já vi que seria difícil chegar a tempo de pegar o vôo marcado. Realmente, não consegui. Para complicar, não havia mais vôos para Oslo naquele dia. Não teve jeito. Remarquei a passagem para o dia seguinte, pela manhã, e fui à cidade procurar um hotel. Instalado, fui passear um pouco pelas ruas e, mais uma vez, comprar uma escova de dentes e creme dental. Fiz um lanche e caminhei bastante antes de voltar ao hotel. A cidade já estava ficando deserta, eram 11 horas da noite, mas ainda era dia. Não iria escurecer. Bodo está localizada dentro do Círculo Polar Ártico. Noite e dia é mera convenção. O dia continuou por toda a noite.

            Na volta à Brasília, continuei usando a escova de dentes. Novamente, bastava pegar a escova e eu me lembrava da aventura norueguesa. Escovava os dentes com a imagem do dia infindo de Bodo.

            Com a globalização, as escovas de dente são muito semelhantes. Mas isto não é relevante, o importante é que elas estavam lá (no México, na Noruega) e eu as trouxe para cá e, com elas, as lembranças das viagens. Doravante, em viagem, não vou mais levar escova de dentes. Comprarei no destino e continuarei usando aqui e me lembrarei com prazer e saudade de onde as comprei. É um belo tempero na simples rotina de escovar os dentes. 
Comentários

O que você achou deste texto?        Nome:     Mail:    

Comente: 
Perfil do Autor Seguidores: 2Exibido 26 vezesFale com o autor