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Cartas-->Testemunho de uma sobrevivente familiar. (1) -- 02/04/2013 - 16:55 (Ana Zélia da Silva) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos

Testemunho de uma sobrevivente familiar. (1)
Ana Zélia
Manaus, 22.01.1976. Retirado de um diário que silencioso foi testemunha fiel da minha vida.

Vamos aos relatos.
O que vou escrever hoje será como testemunho da minha vida, quando for assassinada terão meus colegas nesse diário,

argumentos sérios para condenar esse sujeito que some trouxe infelicidade, não só a mim como a meus filhos.

O seu primeiro erro foi dizer que eu não era mais virgem quando casei; o segundo foi dizer que o tinha traído

e o terceiro é o de julgar-me uma mulher qualquer.
Ando correndo com meus filhos, não digo com medo deste homem, mas tentando evitar essa desgraça.
Ontem quis me bater, juntamente com minha filhinha, uma vez já o fez quando ela tinha um mês de nascida,

ela ficou com o rostinho roxo, fiquei até tarde na rua, de vez em quando ela perguntava, já passou a cachaça dele?

Ele não vai me bater, nem na senhora? Coitada, custou a dormir, dormiu agarrada comigo,

hoje novamente me fez a pergunta, ela como os outros está nervosa, com medo.
O que farei meu Deus? Não sou covarde, mas deixá-lo agora será pior, ele sempre me persegue

quando o deixo já fiz três vezes e a quarta quero que seja definitiva.
O que eu tenho a fazer é ter fé e esperar nque um dia Deus me ajude um pouco mais.

É um alcoólatra inveterado.
O que farei? Contar a alguém, a quem? Curso Direito e não sei como resolver meu drama, sou uma pobre coitada.
Se contar a meus professores, eles me aconselharão a deixá-lo logo, mas como?

Será pior, o que tenciono fazer é depois de formada ir embora se ele não me matar levar meus filhos para bem longe,

mas, minha filha é uma moça, tenho um quase rapaz e a pequena.
Será meu Deus que nunca poderei ser feliz? Fazer meus filhos pessoas sem recalques?

Ajuda-me Senhor a salvar meus filhos, por favor, estou desesperada e não tenho ninguém que me ajude, só Vós.

Ajuda-me meu deus, preciso vencer salvar essas crianças.
Por favor, não me deixe só, pois só tenho a Vós. É ruim não se ter amigos em quem se confie.

Se algum dia for vítima desse homem, Deus irá me livrar e meus filhos, mas se não o fizer, não o perdoem, pois eu jamais o faria.
Sei que ele é elemento perigoso, pois premedita facilmente, levará o crime para o sentido passional,

é capaz disto, talvez diga ser débil mental, nada disto é um patife que bebe para fazer o mal com duas doses começa

a se modificar completamente, falar me desmoralizar parece que se transforma quando passa aquela fase é um cordeiro, patife, covarde, odeio.
Por favor, colegas que o defenderem, é a missão do advogado, defender. Esse homem não merece piedade.

Deve pagar pelo resto da vida, pois jamais será um ser normal. Dê-lhe a pena máxima.
Pois se eu puder evitar isto, eu evitarei, fugirei para bem longe, mas serei como andarilho, sem lugar certo,

sem um canto para descansar, andarei fugindo sempre.
Pergunto: De que adianta o meu esforço, sacrifício para vencer, ser advogada. Para isso?

Às vezes sinto asco de mim mesma. Será que sou covarde? Não. Isto nunca serei, odiar-me-ia.

Quem ler essa página, por favor, reflita bem, quem escreveu foi uma infeliz desesperada que nunca

teve amigo a quem pudesse pedir ajuda. Só teve esse amigo mudo a quem confiou sua vida.
Adeus. Ana Zélia.
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Nota da autora- Eu sobrevivi, mas a cada dia dezenas, centenas de mulheres sãpo mortas covardemente

mesmo com a Lei Maria da Penha. Nada funciona a estes bandidos, são cruéis e desumanos. A eles a vingança maior é a morte da mulher.
Este diário escrevi entre os anos de 1975, 1976, quase finalista de Direito. Manaus, 02 de abril de 2013. Ana Zélia



 

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