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Humor-->Filho de uma égua -- 27/12/2016 - 06:27 (Adalberto Antonio de Lima) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos

Presidente era filho de uma égua manga-larga cruzada com um cavalo pangaré da fazenda vizinha. A égua estava no cio e o pangaré rompeu a cerca. Generoso comprara a égua Leopoldina, numa exposição em Montes Claros, pagara uma fortuna pelo animal e quando soubera que ela ficou prenhe de um cavalo à-toa...Reclamou do vizinho.

— Seu cavalinho desclassificado invadiu minha manga.

— Conserte a cerca!

— A cerca não é só minha. Está na divisa. Dou o arame e o senhor paga a mão-de-obra.

— Não gasto um tostão. Tem outro senão! Recue sua cerca. Está dentro de minhas terras.

— A referência é o jenipapeiro. E a cerca tá coladinha nele.

— O pé jenipapo era meu. Agora está dentro de sua fazenda.

— Não refiz a cerca. Não mudei os limites da divisa. Já estava assim, quando comprei do antigo dono — disse calmamente, Generoso.

— É rixa antiga, respondeu o outro. Mas não vai ficar assim.

Quando égua  de meio-sangue pariu um potro sem raça definida, Generoso teve raiva do cavalo e o dono. Mas depois de crescido, o cavalinho  revelou-se  bom de campo, e recebeu o nome de Presidente. Agora derrubara o patrão na frente dos vaqueiros, e outra vez,  Generoso teve raiva de Dolmênico, o dono do pangaré, que não respeitara a procedência genética de Leopoldina.

***

Adalberto Lima - fragmento de Estrada sem fim...

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