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Artigos-->CORES, RITMOS E SABORES DAS FESTAS JUNINAS -- 06/06/2004 - 20:18 (Thelma Regina Siqueira Linhares) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
CORES, RITMOS E SABORES DAS FESTAS JUNINAS
Thelma Regina Siqueira Linhares (*)


Para muitos, o ciclo junino continua sendo o mais popular dos festejos folclóricos do Brasil. Em especial no Nordeste, onde é exaustivamente comemorado em diferentes arraiais, no mínimo, ao longo de todo o mês de junho.

São João, como genericamente se nomeiam as festas juninas ou joaninas, têm muitas peculiaridades. Nas cores da decoração das casas e arraiais. Nos ritmos de músicas e danças. Nos sabores de sua culinária típica.

Tudinho para agradar e reverenciar os três santos católicos, patronos das festas: Santo Antônio, São João e São Pedro. O casamenteiro, Santo Antônio, puxa o período das festas populares. Rezando trezenas em seu louvor, as jovens namoradeiras, buscam desvendar o futuro amoroso, nas inúmeras simpatias e crendices. O dia dos namorados, não por acaso no Brasil, cai na véspera do seu dia - 13 de junho. São João, o mais festejado, é comemorado no dia do seu nascimento – 24 de junho. Primo de Jesus Cristo foi Seu precursor e quem O batizou. Daí, também, ser chamado de Batista. A ele, inclusive, é atribuída a origem das fogueiras. Segundo a bíblia, sua mãe, Santa Isabel, usou desse artifício para comunicar seu nascimento à Virgem Maria, mãe de Jesus. Finalmente, São Pedro, que divide a data com São Paulo - 29 de junho. É o chaveiro do céu, o representante de Jesus Cristo, quando da fundação da nova religião, o primeiro papa da Igreja Católica Apostólica Romana.

Falar em festas juninas é lembrar das bandeirinhas multicoloridas, de papel crepom, plástico e, até, revistas e jornais. Correntes e lanternas de papel, também, são elementos de decoração em todo São João, que se preze... E, os balões decorativos? Super-coloridos, muitas vezes escondem as lâmpadas que o tornam, ainda, mais vistosos. Ecologicamente corretos, contrapondo-se aos grandes balões inflamáveis e causadores de incêndios em matas e degradações do meio-ambiente. Matutas, a caráter, com vestidos de chitão coloridos, muitos bicos e fitas. Matutos, com calças jeans remendadas, camisas quadriculadas e lenços ao pescoço. Chapéus de palha, para meninos e meninas, que curtem os quitutes da festa, ao som dos ritmos e danças da época. Ao calor da fogueira e entre estampidos dos fogos de artifícios.

A diversidade de ritmos e sons caracteriza o ciclo junino: forró, baião, xote, xaxado. Neles, a sanfona, a zabumba e o triângulo são os instrumentos essenciais. Caracterizando o autêntico forró pé-de-serra. Luiz Gonzaga, ainda o rei do baião. Seus eternos sucessos, fontes de inspiração e reinterpretação de muitos. Além de ilustrarem romances e bem-querer. Dominguinhos, Flávio José, Santana e tantos outros animam o período com antigas e novas músicas do cancioneiro popular ou clássicos da MPB.

A culinária junina tem por base o milho. Por isso, alguns estudiosos consideram o dia 19 de março, dedicado a São José, o início do ciclo junino. Naquele dia, uma das datas básicas da meteorologia popular, quando chuvoso e indício de bom inverno, começa o plantio do milho. Para, em junho, ser colhido e usado como ingrediente principal na culinária da época. Milho assado na brasa, da fogueira ou do fogareiro. Milho cozido. Pamonha. Canjica. Bolo de milho. Pudim de milho. Cuscus, entre tantas delícias.
Comprado em feiras livres, mercadinhos e supermercados, o milho quase sempre está com a palha. E, como é comprado em grande quantidade - uma “mão” de milho tem cinqüenta espigas - precisa, portanto, de um mutirão na cozinha. Para ser tirado da palha. Debulhado. Ralado. Liquidificado. Receita à mão, é hora de misturar os ingredientes. Mexer bastante se for canjica, por exemplo. Encher a palha de milho, se pamonha. E esperar esfriar, pacientemente e com água na boca, para se deliciar com tanta iguaria para lá de gostosa.

Um pudim de milho, aqui batizado de Pudim de Milho Dona Lourdes era a receita preferida de minha sogra, passado às filhas e filhos e, anualmente, sempre esperado por todos como a estrela das festas juninas da família. Agora, socializado nesse trabalho, fica a expectativa de vê-lo incorporado às tradições juninas de outras famílias.
Pudim de Milho Dona Lourdes
Ingredientes
milho de 15 espigas
leite de dois cocos
8 a 10 colheres de sopa de açúcar
3 colheres de chá de manteiga
1 colher de chá de sal
2 colheres de chá de erva-doce
1 colher de chá de cravo da índia
Modo de fazer
Liquidificar o milho, misturado com leite de coco (2 cocos para 1 copo d’água).
Coar o caldo (mais consistente que o ponto de canjica).
Acrescentar o sal e o açúcar (dependendo se mais ou menos doce).
Torrar, rapidamente, a erva-doce e o cravo da índia. Pizar no pilão e peneirar. Misturar à massa.
Na forma de pudim, untada com margarina, colocar a manteiga.
Levar para assar, em fogo baixo, por cerca de uma hora.
(O pudim de milho fica com a parte central bastante cremosa.)

Vale a pena brincar os festejos juninos, em suas diferentes manifestações folclóricas e populares. Em casa, num arraial de rua ou num mega cenário como Caruaru/PE e Campina Grande/PB. Colorir a vida e as lembranças com momentos felizes. Dançar, curtir as músicas, sonhar. Saborear da culinária junina, sob as bênçãos dos santos festeiros, sem excessos nem culpas.

Referências Bibliográficas
* LIMA, Cláudia Maria de Assis Rocha . História Junina. Recife
* SILVA, Leny de Amorim. O ciclo Junino e seus Santos. Na Antologia Pernambucana de Folclore. Pág 151.
* SOUTO MAIOR , Mário e VALENTE Waldemar. Antologia Pernambucana de Folclore. 1988 – Ed. Massangana. FUNDAJ.
* LINHARES, Thelma Regina Siqueira. Ciclo Junino. Jangada Brasil. Nº 46. junho/2002. (www.jangadabrasil.com.br)
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