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Crônicas-->Asfalto selvagem -- 17/09/2001 - 21:57 (Pedro Carlos de Mello) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
É sábado e estou caminhando com minha esposa Marlei pela calçada da pista principal do Lago Norte.

Os carros passam rápido. No meio da pista, uma folha dupla de jornal recebe o impacto das rodas de um deles. O vento faz com que a folha de jornal rodopie no ar. Passa outro carro em cima e novamente a folha do jornal voa. Estranhamente, sinto pena daquela folha de jornal, perdida, maltratada pelos carros. Sinto em minha mão direita o saco plástico com os jornais do dia, seguros, aguardando a hora para serem lidos. Olho novamente para a folha do jornal, intacta, fazendo malabarismos na pista. Leio a manchete “Asfalto selvagem”. Que coincidência! Resolvemos resgatar a folha do jornal. Provavelmente os motoristas dos carros que continuavam passando rápido não entenderam nosso esforço para pegar a folha do jornal. Conseguimos.

No caminho para casa, refleti sobre o porquê do gesto. Creio que “salvamos” aquela folha por dois motivos.

Primeiramente, porque no início da semana havíamos visto pela televisão as imagens impressionantes dos ataques terroristas ao World Trade Center em Nova Iorque e ao Pentágono em Washington. Isso deixa qualquer um abalado, com os sentimentos em prontidão. Tanto que antes do episódio da folha de jornal, passamos por um cavalo arfando sob o sol, atrelado a uma carroça parada no acostamento da pista. Sentimos pena do pobre animal. Será que não estaria com sede, com fome e cansado? Diante disso, não é de se admirar que tenha sentido pena da folha do jornal.

Segundo, pela importância que tem o jornal e também pela importância que dou ao jornal. Principalmente nos sábados e domingos, faço verdadeira maratona para conseguir todos os jornais que quero de Brasília e de várias capitais de estados, além de alguns jornais do exterior, que busco na Internet.

E a reportagem sobre o “Asfalto Selvagem” estampada na folha de jornal perdida e recuperada? Não era bem o que imaginávamos. O jornal falava da Rota 66, a estrada símbolo da contracultura que une Los Angeles a Chicago e que completa 75 anos no imaginário norte-americano.

Mas vejam o círculo se fechando: Estados Unidos de novo. O asfalto não era selvagem, mas o céu de Nova Iorque sim.

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