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Artigos-->PÁGINAS PROIBIDAS -- 01/03/2005 - 13:07 (wladimir olivier) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
WLADIMIR OLIVIER
WLADIMIR OLIVIER










PÁGINAS PROIBIDAS





GRUPO DAS TENTATIVAS VÁLIDAS















Edição da CASA DO MÉDIUM

Rua Cinco de Julho, 1184
Indaiatuba — SP



ÍNDICE


Proposição ...................................
1. Penduricalhos ................................
2. A propriedade ................................
3. A colaboração ................................
4. A proteção divina ............................
5. Curas sem milagres ...........................
6. O comentário oportuno ........................
7. O pão nosso de cada dia ......................
8. A felicidade .................................
9. O desejo do médium ...........................
10. A vontade de ser perfeito ....................
11. O escárnio à imagem da santa .................
12. Imbróglio moral ..............................
13. A esperança não deve morrer ..................
14. A fé remove montanhas ........................
15. Receber em paz a bênção do Senhor ............
16. O reconhecimento dos defeitos ................
17. A autoridade de Kardec .......................
18. Os dias de descanso ..........................
19. O teor da mensagem ...........................
20. Trabalho gratuito ............................
21. O querer e o poder ...........................
22. Existe desperdício? ..........................
23. Compatibilidade vibratória ...................
24. O mesmo estribilho ...........................
25. Da qualidade da mensagem .....................
26. Quebrando o jejum ............................
27. Em nuvens de fumaça ..........................
28. Os sentimentos do médium .....................
29. Arregaçando as mangas ........................
30. Mentiras de caridade .........................
31. Nada como um dia após o outro ................
32. Um dia após ..................................
33. Sem remorso ..................................
34. O caminho do saber ...........................
35. A verdadeira caridade é amor .................
36. Cabeça-dura ..................................
37. Só um empurrãozinho ..........................
38. O roteirista se perturba .....................
39. Perto do fim .................................
40. Roteiro de amor ..............................
Posfácio .....................................








PROPOSIÇÃO





Esta turma não pretende transpor os limites do compreensível, porque irá apresentar texto eivado de sugestões de procedimentos espiritualmente idôneos, batidos e rebatidos pelas leis universais, tal como se apresentam a nós, estudantes da Escolinha de Evangelização.
Em assim sendo, não há que se admirar o escrevente dos termos em que se irão vazar as mensagens, especificamente no que concerne aos tópicos doutrinais de maior complexidade. Para o leigo das prescrições morais oriundas dos Evangelhos, o que se irá ler não se constituirá em algo fluente, de fácil inteligibilidade. Escreveremos no sentido bíblico das proposições cristãs reclamadas pelos apóstolos de descodificação pelo Mestre. Isso, porém, não haverá de ser critério absoluto, porque muitos de nós engatinhamos enredados nos entraves conceituais.
Caso se tornem obscuras certas passagens, como a intrincada sintaxe do período anterior, por causa das construções inusitadas ou preciosas, com dúbio gosto literário, deixe passar as aleivosias dos autores como defeitos ou impropriedade originada das deficiências incrustadas em nossas mentes. Faremos até de propósito para evidenciar as falhas, o que nos propiciará ensejos de correção, frustração para a qual nos preparamos, na demonstração dos desvios das personalidades.
Se o exemplo vier a frutificar, tanto melhor. Entretanto, não é objetivo nosso que os escritos se divulguem, para o que solicitamos do mediador o máximo de paciência e espírito de solidariedade, porquanto lhe haverá de ser fastidioso apanhar ditados sem proveito, ao contrário do que pedia ao Senhor na prece de recebimento da influenciação magnético-fluídica, para a concretização do trabalho mediúnico.
Seremos egoístas? Não. Apenas trabalharemos com o nosso pessoal, o Grupo das Tentativas Válidas, sob o comando eficiente do Mestre e Amigo Jeremias.
Columba in coelum volat.







1

PENDURICALHOS





Muitos se enfeitam de quejandas virtudes quais se fossem irreprocháveis perante a sinfonia universal do amor. Atentos para os desperdícios, no entanto, os protetores ferem o direito adquirido da burrice e fustigam quantos desandam, sem paz íntima mas acreditando-se superiores.
Não queiram, amigos, pertencer aos quadros dos que assim agem, com excessiva permissividade, no desafogo dos anseios que se reprimem, porque invejosos da santidade dos mais doutos. Aporrinham-se aqueles quando percebem que estão fabricando ilusões mui dificilmente arrecadáveis no plano da realidade, que é o em que existem os espíritos, embora território haja em que tais eventos se concretizem, pela ignorância da vontade.
Atualmente, no mundo, vicejam os crimes como se verdadeiramente fossem da natureza humana, por origem. Quantos são os que sofrem a desdita de se vingarem, de eliminarem os opositores, adversários de uma hora na face da Terra, perenes no Umbral e nas Trevas. Por infelicidade, pertenci ao grande grupo alienado dos que se sentem injustiçados, peregrinando em dor pelas paragens profundas da consciência culpada. Se dado me fosse reencarnar, iria ter de pagar caro os deslizes doutras eras, todos cometidos contra pessoas a quem pensava que devia o revide, a vindita.
Pensam como eu pensava os homens sem propriedade, os desligados dos bens materiais, cegos para a recompensa que Deus lhes poderá dar, caso se manifestem concordes com a trama urdida pela sorte, tendo em vista os graves distúrbios mentais de que são portadores.
Quanto de malefício acreditam ser vítimas, porque não têm o que comer, o que vestir nem onde morar! Apedrejam os vitrais da religião de Deus e se sustentam pelo ódio, incapazes de compreender a grandiosidade do perdão e a necessidade do carma. Ao contrário, quando descobrem companheiro afeito à miséria (engrandecido, porém, moralmente), investem contra ele, dizendo-o tonto, desarrazoando os argumentos deles para justificarem a rebeldia.
Velejem, amigos, pelas túrbidas águas desta vida sem glórias terrenas, mas não vão afogar-se nos males da irrisão do protesto contra aquele que criou a vida e a morte, a dor e a ofensa, o lenitivo e a suprema condição da felicidade celestial dos que vencerem as tormentas.
Vamos seguir com Jesus, que se apiedou até dos algozes que, sem compaixão, sem dó, o crucificaram. Oremos as preces todas que sabemos de cor e inventemos outras, segundo o nosso nível de inspiração e a nossa possibilidade de compreender. Mas que se torne a primeira aspiração de todos o aperfeiçoamento dos espíritos nas virtudes diáfanas da benquerença, dando o que temos e recebendo com benevolência o que nos tocar.
Deus seja louvado!







2

A PROPRIEDADE





Estamos pensando em nós, deste lado da realidade. O que possuímos que podemos dizer exclusivamente nosso? O ânimo, a vontade muitas vezes indomável de progredir e mais alguns tópicos conquistados muito laboriosamente, após percalços mil.
Estamos vivendo em colônia de espíritos equilibrados, capazes de reunir vibrações de boa especificação, com o que montam os redutos de amor para a reunião de irmãos necessitados de repouso. São os chamados centros hospitalares, nos quais assistem os mais capacitados quanto à restauração dos perispíritos avariados pelos vícios e pelos crimes.
Esses amigos possuem o trabalho, que lhes dá a capacidade de pleitearem ajudar os estropiados. Ao contrário do que sucede na Terra, o desempenho desse tipo de caridade não cansa. O que pode não ser muito proveitoso é o tempo que se destina ao próximo, quando poderia ser empregado em tornar os estudos mais e mais profundos, no campo dos conhecimentos universais. No entanto, o saber não é apanágio dos que se dedicam a escarafunchar os compêndios. É preciso oferecer à prática o melhor de cada coração. E isso é objetivo que não se separa do amor crescente pela humanidade, em todos os planos da realidade.
Se tivermos paciência, após compreendermos o quanto de deficientes somos, iremos perlustrar os ínvios caminhos da dor, até embocar no oceano da felicidade perene. Mas esse é esforço para muitos séculos, para muitos milênios, após inúmeras tentativas de seviciar os ímpetos do egoísmo, que arrasta a todos nós, medíocres e inferiores criaturas, pela superposição dos valores materializados que trouxemos do plano terreno.
Vai caber aos leitores encarnados, que sempre os há para os textos dos mensageiros mais evoluídos, caracterizar o que possuem de seu e o que extraíram da natureza corpórea de que se revestem enquanto mortais. O tanto de moléculas e átomos, a freqüência energética que se compôs para o efeito da vida, o organismo montado segundo padrões cármicos integrados às espécies, pelos cromossomas das antigas linhagens, tudo é de empréstimo, evidentemente, dissolvendo-se em tempo oportuno, desmanchando-se e reintegrando-se ao todo desse nível específico, de acordo com a natureza de que se impregnaram pelo Criador, faixa de realidade grosseira mas utilíssima para o aprendizado de como se realizam os desígnios do Pai.
Gostaríamos de ser didáticos para prescrever as modalidades mais condizentes com as necessidades dos amigos encarnados. Contudo, não avançaremos o sinal, senão no intuito de considerarmos o reflexo das palavras sobre a mente dos próprios companheiros do grupo que ora se apresenta. Não será esta mais uma tentativa válida?
Já temos material suficiente para as discussões da turma. Fique o irmão escrevente na paz do Senhor! Graças a Deus!







3

A COLABORAÇÃO





Exigir que o médium colabore é pretexto para que se doe irresponsavelmente, quiçá a obsessores inescrupulosos. O que devemos é solicitar, esclarecendo muitíssimo bem quão dificultosa é a tarefa de apanhado de ditados, a cada dia, com o sacrifício, muitas vezes, da carreira profissional e dos momentos de lazer com a família.
Vamos meditar um pouco mais a respeito da ajuda mediúnica, para que não nos exponhamos pelas reclamações de dedicação aos planos do etéreo contaminados pelo mal. Claro está que não poucos se constituem em pedra de tropeço, para efeito de subjugação, uma vez que impregnam a mente de encarnados insensatos com a vontade soberana de se relacionarem com espíritos de escol.
Devem os médiuns aquartelar-se, pois, em seus redutos de amor, e concentrar-se para a recepção das mensagens quaisquer sejam. No entanto, após a conclusão dos trabalhos, é de todo aconselhável que as comunicações sejam discutidas, quanto ao mérito e quanto à forma, para a caracterização não apenas dos elementos que compareceram como também e principalmente dos conselhos embutidos nos dizeres, às vezes aparentemente inócuos.
Muitos irmãos no plano material temem a opinião dos companheiros de mesa ou de casa, impedindo-os de expenderem pareceres sobre os escritos que subtraem à vista dos confrades. São os que não se sentem seguros em relação ao próprio trabalho, porque cheios de orgulho, de vaidade e de egoísmo. Quem está apanhando as transmissões do etéreo não pode querer responsabilizar-se pelas mensagens, como se fossem obra sua. Ao contrário, devem sentir-se aliviados pelo fato de não se integrarem ao grupo que estabeleceu o contato, revigorando-se apenas no que respeita ao crescimento da facilidade com que concretiza o vínculo mediúnico.
Não seremos nós quem irá objetar a que se resguardem a propósito dos assédios inoportunos. Nesse caso, porém — isso é sabido —, a oração pelos mensageiros inconscientes da perturbação que possam causar irá despertar os espíritos de luz para a orientação adequada.
Colaborar, sim; e sempre. Entretanto, servir com discernimento, padronizando o proceder pelas diretrizes fixadas pelo Codificador n O Livro dos Médiuns, indubitavelmente o manancial mais precioso para a configuração das atitudes inteligentes e sensibilizadas.
Não serve o presente texto para o médium que o recebeu. Seria como recomendar os alunos ao professor. A ele, o que podemos solicitar é que prossiga colaborando com nós todos da Escolinha de Evangelização, de acordo com a programação do trabalho de cada dia, em determinado horário. Nenhuma parcela de tempo será desperdiçada — pelo que antecipadamente estamos agradecendo —, até quando os textos se demonstrarem faltos de unidade, de coerência, de elegância, de clareza.
Fique com Deus!







4

A PROTEÇÃO DIVINA





Como se exercerá a preservação do que foi por Deus criado? De que adiantaria a perfeição da obra do Senhor se devesse perder-se?
Tais questões, não poucas vezes, afloram de nossa meditação. Temos tido a felicidade de receber conselhos, orientações e lições preciosíssimas dos mestres. Procederá, então, o Pai por meio dos próprios filhos o esclarecimento daqueles que, estultos, ignorantes e presunçosos, se julgam sem necessidades?
Tal reflexão é que nos levou a desconsiderar os pouco prováveis méritos destas peregrinações teóricas, motivando a observação inicial de que não queríamos os textos divulgados. Entretanto, a partir do fato de estarmos sendo ajudados, podemos estar cometendo grave erro de interpretação dos fatores da mediunidade, impositiva, sem dúvida, quanto à transmigração de conhecimentos e de sentimentos de uma esfera a outra.
O que nos leva a ponderar pela falta de impregnação de conhecimentos úteis para os encarnados é o fato de estarmos apenas entrando em contato com o mundo bibliográfico espírita, com o qual nos espantamos deveras, porque não compreendemos que a humanidade possa olvidar o trabalho missionário de tantos espíritos competentes literariamente falando.
Essa atitude de deslumbramentos e de descobertas obsta a que tenhamos discernimento relativamente ao quantum de conhecimentos positivos seremos capazes de insuflar nestas páginas. Pesará, sem dúvida, o fato de reproduzirmos as aulas que os mestres nos ministram, mas até que ponto temos a visão nublada para a importância dos temas que estamos precisando assimilar?
A tomada de consciência das dificuldades de formação espiritual é o principal escopo a que visam os mentores que se preocupam conosco. Nas conversas e discussões, tudo gira em torno da maior ou menor dificuldade de compreensão do que nos falta. Alguns de nós têm variadas leituras, contudo não incorporaram ao procedimento as normas evangélicas superiores, de sorte que não fixaram os preceitos como norteadores de programação a ser vencida pela turma, menos ainda para ser formulada como currículo para a transformação em mensagens mediúnicas de valor.
Neste ponto, havemos de considerar como o topo da montanha a intenção de prestar serviço, sem a contrapartida da segurança integral dos dizeres e da colocação dos pensamentos. Trata-se de vibração meramente emocional, jungida ao tema geral da proteção que Deus desejaria que propugnássemos para sua obra.
Cabe-nos, pois, concluir que o medo faz parte do serviço de proteção aos incautos que nos viessem a ler, desprevenidos, evidentemente, quanto às deficiências temáticas, mas boquiabertos, quem sabe, pela verborrágica manifestação intelectualizada.
Temos dito.







5

CURAS SEM MILAGRES


Diversos são os pontos de vista concernentes aos chamados tratamentos espirituais, a partir da feição religiosa ou filosófica dos encarnados. Há quem assegure que curas não existem, sustentando que, no caso de doenças degenerativas, não se conhece, dentro da literatura espírita, uma única ocorrência de regressão do quadro clínico-morfológico.
Aqui devemos referir-nos ao fato de que os espíritos são os mesmos homens que desencarnaram, conservando, muitos deles, os conhecimentos adquiridos no plano carnal, interessados em desenvolvê-los sob o prisma das ciências do etéreo. Dessa forma, os médicos desejam estimular-se para o aprendizado das novas descobertas e a aplicação de novas terapias, simplesmente porque não desejam desatualizar-se quanto aos eventos humanos. Outros seguem caminho diverso, enfronham-se nas pesquisas puramente corretivas dos desvios da saúde espiritual e se tornam socorristas sem vínculos com os terráqueos. Boa quantidade de seres, entretanto, busca aplicar os conhecimentos hauridos da Medicina puramente sobrenatural, assim considerada a que se dedica à apreciação da sintomatologia física, a partir dos desregramentos originados na mente, o chamado relacionamento psicossomático, aos que sofrem encarnados, buscando dar-lhes alívio às dores e reforçando-lhes o sentimento da fé, elemento indispensável para que se concretize a cura e se mantenha a saúde, conforme pregou Jesus na célebre observação: “Foi tua fé que te curou!”, encontradiça em diversas passagens evangélicas.
Colocados os diferentes aspectos adquiridos pelos conhecimentos da Medicina no plano espiritual, temos de avaliar a possibilidade de tratamento pelo sistema fundamentado na mediunidade.
Podem os encarnados interferir no processo degenerativo, quando ingredientes do soma se perderam? Sim, desde que se extraia da própria natureza os elementos com que substituir as peças orgânicas desaparecidas. São fáceis de compreender as operações, por exemplo, de implantação de pontes de safena ou as mais modernas dos transplantes.
Estarão aptos os espíritos a realizar semelhantes cirurgias? Perfeitamente, e é o que mais costumeiramente executam, não tomando os órgãos como se apresentam, senão refazendo-os através da condensação meramente energética dos tecidos, com base nas informações genéticas.
E quanto a males para os quais a cura pelos procedimentos humanos ainda é impossível? Para esses, a Medicina curativa, vamos assim chamar a que se preocupa com os doentes e não com as doenças, no plano da espiritualidade, não tem o poder de interferir, dado o caráter miraculoso que assumiria perante a opinião pública. Seria uma espécie de revogação das leis naturais, o que contrariaria frontalmente os dispositivos cármicos de que está impregnado este setor existencial.
Teóricos da doutrina espírita promoveriam a discussão da necessidade da fé, desvinculada da interferência direta do Criador. Onde não existe a cura corpórea é certo que haverá a necessidade da superação espiritual das dificuldades oriundas das provas e das expiações. Quando as pessoas se materializam no orbe terrestre através da gestação, aceitam tácita ou expressamente as condições que os entreveros da densidade deste plano vão propiciar-lhes para o crescimento moral, espiritual. De que adiantaria a pressão da carne, se, a partir das situações mais dolorosas e angustiantes, tudo se resolvesse como em passe de mágica? Neste caso, não é o corpo que se deve curar mas a alma.
Eis o que tínhamos para hoje.







6

O COMENTÁRIO OPORTUNO





Quem lê as mensagens mediúnicas aproveitadas por Kardec nas diversas obras da Codificação Espírita, por força notará que muitos textos se referem a tópicos discutidos durante a reunião que antecedeu a fase da concentração dos médiuns para a psicografia. Da mesma forma, procedem muitos irmãos no plano da espiritualidade, para que os encarnados vençam os titubeios evidenciados durante a meditação sobre o procedimento falho a ser superado.
É de todo plausível, portanto, que os amigos acatem pacificamente a advertência que lhes chega do etéreo, muitas vezes com o caráter de determinar claramente o que pensam os mentores e protetores, em contraste com o que poderiam dizer ou sugerir os obsessores.
Não aceitar a mensagem, por medo de que esteja eivada dos conceitos emitidos naquele mesmo instante, haverá de ser atitude deveras pueril, porque põe em dúvida até a ciência das comunicações entre os planos, além de desprestigiar a colaboração efetiva dos espíritos amigos, interessados no progresso dos protegidos, no campo mesmo a que dedicam a atenção.
Por outro lado, não é simpático (para dizer o mínimo) pôr em dúvida a capacidade dos mensageiros relativamente às teses aventadas, dado que muitos textos existem produzidos por irmãos das esferas mais elevadas. Vamos ouvir o que têm a dizer os instrutores, porque pode ocorrer que revelem algum aspecto novo, mesmo que não adiantem as soluções definitivas.
O que solicitam os mentores aos grupos de alunos é que não favoreçam as discussões acadêmicas, mas que toquem nas minúcias relacionadas às necessidades daqueles que irão receber a notificação. Às vezes, essa necessidade, evidentemente, é de caráter subjetivo, intelectual, porque integrada ao conjunto dos procedimentos em aperfeiçoamento e a gente não pode desconsiderar o aspecto científico da sabedoria. Nem tudo na vida ou na espiritualidade se adquire apenas pela intuição. Se assim fosse, o método estaria restrito ao sistema filosófico humano e se degeneraria após o desencarne.
Ao contrário, o ensino, nesta e em outras colônias de mesma categoria, visa a incentivar a elaboração de sistemas coerentes de conhecimento, facultando que o progresso possa fixar-se em tratados, tal qual se faz na crosta. Contudo, não se há de ser gênio para perceber que esse é o meio mais eficaz para estimular os estudos àqueles que se compenetram de que precisam saber cada vez mais.







7

O PÃO NOSSO DE CADA DIA





Estranha o médium que estejamos comparecendo em dia consagrado ao descanso, feriado de doze de outubro, misto de dia santificado e dia de lazer para as crianças.
Evidentemente, as datas de resguardo do trabalho se dão em prejuízo do que habitualmente se estipulou como norma mais geral de obtenção de ganhos. No entanto, separam-se alguns dias para os extraordinários, quer do comércio oportunista, quer do comércio efetivo.
Para nós do etéreo, não têm esses feriados nenhuma especial atração, visto que o comércio com os valores maiores deve ser diuturno, na contínua aprendizagem dos bens eternos, aqueles que a traça não come, os ladrões não furtam nem a ferrugem corrói.
No entanto, estes dias são aproveitáveis para observações extraordinárias do procedimento dos encarnados, quando os estudiosos se fartam do alimento especial que se constitui nos relacionamentos sob o influxo das disposições sociais em equilíbrio.
Notará o recém-internado nesta casa de atendimento espiritual quais são as diferenças entre o tônus habitual do procedimento humano e o específico dos dias sem trabalho? Com maior ou menor dificuldade, poderá explicar algumas atitudes, sem, entretanto, fundamentá-las psiquicamente, no que respeita aos problemas do espírito.
Digamos que os pais se juntem aos filhos para a comemoração da data, brincando com eles de modo mais saudável, atendendo-lhes aos anseios do amor que se firma pela admiração das providências que possam satisfazer as aspirações dos petizes. Eis aí o cadinho em que se fundem os nutrientes de peregrina e incorruptível amizade.
Digamos que os fiéis seguidores da doutrina católica se deixem contaminar pela idéia do amor divino pelas criaturas, através do manto protetor da Virgem, e busquem concretizar, aos pés do altar, seu fervor evangélico, pela promessa íntima de cumprir os ditames das leis de Deus e da Igreja. Eis aí a postura exemplar a ser analisada pelas consciências, em função da pregação cristã.
Para estes modestos críticos do procedimento comprometido com a verdade, resta evidenciar os tópicos que podem ser caracterizados como o pão do dia de hoje, oferta que o Pai nos dá por meio do universal desejo de amor que se espraia pelo Universo, nem sempre convenientemente compreendido por nós, embutidos nas idiossincrasias espirituais que desejamos ver prevalecer sobre a realidade tangível, dando ao mundo a nossa interpretação pessoal, quando deveríamos abrir as mentes e os corações para o jorro de luz que significa a existência.







8

A FELICIDADE





A questão que se deve pôr se refere mais especificamente ao fato de a felicidade ser perdurável. Se a riqueza material não persiste no etéreo, não quer necessariamente significar que o homem rico esteja em definitivo alijado do reino de Deus. Assim, não podemos considerar os pobres como herdeiros da miséria no plano transcendental. É fácil de se concluir com Jesus (e com Kardec) que as qualidades morais, as virtudes, dentre as quais se destaca a da caridade, são o que Deus irá pesar para o ingresso dos espíritos em seu reino de felicidade.
Ora, para se obter a paz da alma, será preciso que a pessoa seja feliz, conceito extremamente perverso, se considerarmos que a felicidade é subjetiva, dependendo de cada pessoa estar satisfeita consigo mesma e com os atributos de toda ordem que possui.
Há quem, por exemplo, possua todos os bens materiais e se contenta com eles. Essa pessoa pode considerar-se feliz? Do ponto de vista dela, se o seu nível de aspiração se limita a esse padrão existencial, tendo tudo o que deseja, ela mesma vai julgar que está sendo apaniguada pelo Pai, que tudo lhe tem proporcionado de melhor. Contudo, não são eternos esses haveres e a lei da transferência obrigatória para outro plano, através do portal da morte, uma hora ou outra, vai erguer-se soberana, inexorável, à apreciação de todos.
Em geral, os encarnados na situação do exemplo julgam que poderão, através da inteligência ou da esperteza, convencer os que forem encontrar do outro lado a se conformarem à sua personalidade. Pura ilusão, porque os valores não hão de ser os mesmos.
Aonde queremos chegar? Simplesmente, ao fato de que os homens devem instruir-se evangelicamente, para tomarem ciência de quais são os valores vigentes no etéreo e dedicar-se à aquisição deles, tão logo se compenetrem de que essa busca, por si mesma, é a própria felicidade que se antecipa.
Por outro lado, muitos nada têm quanto aos bens materiais e se frustram por não consegui-los. Então, procuram integrar-se em algum grupo religioso, na intenção de compreender o que se espera deles para a vida futura. Sacrificar as aspirações de enriquecimento material é o que mais comumente se dá no âmago dessas mentes. Não se contentam com o pouco mas aguardam que a miséria de hoje se recompense com o ingresso imediato nas paragens paradisíacas, em convivência íntima com os gloriosos espíritos de luz. Longe de se sentirem felizes desde já, vão postergando a sensação de harmonia interior, de paz, para apenas sufocarem as ânsias de revolta contra a sorte avara.
Merecerão estes últimos a glória eterna, pela indulgência forçada de agora? Fique a pergunta.
A felicidade, pois, deve transcender o aspecto meramente corpóreo, mas tem de se estabelecer a partir dele, veículo da transitoriedade existencial na carne. Mas se trata do início da caminhada, da busca incipiente dentro da relatividade de cada um. Por isso, não se há de cobrar de ninguém que esteja absolutamente feliz, mas cobrar-se-á, sim, o estado de espírito que aceita a dor e todas as penas, como passo indispensável para a superação dos vícios e imperfeições.







9

O DESEJO DO MÉDIUM





Para se justificar a classificação de bom médium, não se deve fazer restrição alguma aos comunicados do etéreo?
Tal proposição, se respondida afirmativamente, irá contrariar os dispositivos discutidos por Kardec, segundo o qual, pela influenciação benigna dos mentores que o serviam, os médiuns não podem deixar que os maus espíritos imponham sua vontade aos encarnados. Para Kardec e todos os seguidores dele no âmbito do Movimento Espírita, os corruptores só podem manifestar-se quando encaminhados para doutrinação por equipes socorristas, caracterizadas pelas apreciações dos benfeitores que se aprestam para a desobsessão.
Entretanto, quando o médium trabalha sozinho e se vê às voltas com um ou mais espíritos danosos para a saúde evangélica, será também justo deixar de atendê-los, para que não se corra o risco de ser conduzido estrada afora?
Vamos beirar os limites das exposições sem sentido, fazendo prevalecer o sentimento de incompetência dos mensageiros sem categoria, anotando o linguajar impuro dos que visam a perturbar tão-somente ou será preferível conter o jorro das expressões maliciosas, orando com fervor pela assistência dos protetores mas deixando de lado o trabalho que nos é pedido, qual seja o de captar as comunicações, o que descaracterizaria o trabalho mediúnico?
Evidentemente, não estamos buscando complicar o sentido das explicações do Codificador nem as lições prudentes e sábias dos eméritos encarnados que se encarregam da formação dos trabalhadores da seara espírita. Estamos, sim, testando a argumentação paralela, aquela que se dá no seio das classes em desenvolvimento nesta Escolinha, porque nos preocupa o fato de muitos de nós sermos bem pouco adiantados, o que nos limitaria a participação no campo das transmissões, impedindo estas apresentações de tão melancólica estrutura.
Que garantias teriam os médiuns de que não iriam ser mistificados nem obsidiados, a ponto de perderem horas preciosas, que seriam melhor aproveitadas, se os textos tivessem fundamentos doutrinais mais seguros e contextura verbal mais apurada? Somente a garantia de sólida formação evangélica deles mesmos, para não se deixarem penetrar por influenciação deletéria. E também a apreciação de pessoas tão ou mais experientes no trato dos textos mediúnicos, atividade de difícil consecução, tão empenhados estão os doutos em trabalhos de maior fôlego e responsabilidade.
Sendo assim, que o amigo que nos atende deixe passar estas tardes da maneira melhor para todos nós, ou seja, transcrevendo as idéias segundo os dizeres que lhe vão chegando ao pensamento, dando-lhes o valor do rascunho, da tentativa, da aprendizagem. Terá feito o seu trabalho, sem dúvida, mas sem assumir o compromisso tremendo da divulgação. Que fiquem esquecidas estas páginas, porque, futuramente, todos nós haveremos de encontrar-nos no etéreo, para formulação final dos conceitos por ora apenas delineados.
Não será esse o desejo do médium que visa a dar aos mensageiros as condições ideais de desenvolvimento, no campo teórico do socorrismo evangélico?







10

A VONTADE DE SER PERFEITO





Quando lemos em Mateus que Jesus recomendava aos homens que buscassem a perfeição, ficamos frustrados, muitas vezes, por sermos tão egoístas, tão maldosos, tão maliciosos, tão peraltas. Um pensamento, porém, deve pautar-nos a conduta, na caminhada ascensional que todos empreendemos, qual seja, o de que, um dia ou outro, estaremos em condições de nos equipararmos aos espíritos de luz, obrando com discernimento tal que poderemos pleitear lugarzinho junto ao Mestre, no reino de Deus.
Certo é que milênios e milênios transcorrerão até o desfecho desse ideário evangélico, pela inferioridade em que nos encontramos. E não adianta lamentar a pendência da decisão de aperfeiçoamento, dado que tudo promanará da firmeza do caráter.
Se há fatores impossíveis de melhoria atualmente, como a qualidade da inteligência, da mesma forma que a gente não consegue aumentar um côvado à estatura, também temos em perspectiva as vidas subseqüentes, encarnação após encarnação, até que se esclareçam todos os defeitos de noss alma, para o sentimento evolutir no sentido do perdão, da benignidade, do desprendimento, da abnegação, da paciência e demais virtudes, padrão ideal da pessoa de bem.
Qual seria a perfeição agora? O atendimento superno das recomendações de Jesus, como o amor aos inimigos, ponto nevrálgico da pregação do Dulcíssimo Pastor . Como nos pediu que sejamos perfeitos, como é perfeito o Pai, temos de concluir, necessariamente que Deus perdoa todos os seus inimigos, que não são poucos, quais sejam tantos quantos deslustram a Criação, dentro da própria ignorância. Também devemos anotar o fato de que Deus ama a todas as criaturas, porque, se Deus não for amor, não terá um dos dons da perfeição. Mas o Senhor não poderá execrar nenhuma forma de tentativa de se sujeitarem os indivíduos à vontade dele, uma vez que orar Deus não ora, porque não oraria a si mesmo.
Oremos nós, solicitando o auxílio dos irmãos maiores, que ultrapassaram os limites da nossa débil estrutura moral, pairando acima de nós, ansiosos por ver a humanidade inteira aprendendo a proceder segundo os ditames do Cristo. Para eles, pois, não será a perfeição o estender a mão aos que, como nós, morreram sem atingir os primeiros degraus da bondade e do amor? Para eles, não será a perfeição o repartir o pão da sabedoria, ensinando-nos a proceder de forma a incorporar à nossa personalidade as qualidades que Jesus exemplificou e que Kardec esclareceu?
Pensem nisso e vão em busca das dissertações do Codificador, especialmente as que desenvolveu em O Evangelho Segundo o Espiritismo, recomendação esta que resume o ponto em que nos situamos diante da vontade de sermos perfeitos.







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O ESCÁRNIO À IMAGEM DA SANTA





Existe legislação específica entre os humanos que prescreve respeito às crenças e a tudo que a simbolize. Isto é muito antigo em todas as culturas e tradições. Locais há em que a simples referência injuriosa à divindade reverenciada se situa dentre os crimes puníveis com a pena de morte.
Muito recentemente (episódio ainda inconcluso), a leviandade de ministro religioso desvirtuou a pregação de amor ao próximo e aos inimigos enfatizada por Jesus Cristo, ofendendo de público escultura em gesso consagrada por outra religião. Como pôde o tal bispo esquecer-se de que o Senhor Jesus prega a comiseração, o perdão, enquanto a divisa de sua própria Igreja anuncia que a verdade está nos Evangelhos?
Do nosso ponto de vista, poderia o pastor dizer tudo o que disse de maneira mais contundente, sem, entretanto, ofender a nenhuma pessoa. Bastava que se referisse ao fato de que o que vale é a alma, é o plano espiritual, é o futuro com Deus no Paraíso. A imagem, como não poderia deixar de ser, é feita de matéria, ou seja, da essência energética do plano mais denso em que se concentra a forma constritiva dos espíritos que se encarnam.
Julgamos, a partir dos preceitos em que acreditávamos quando na Terra, que o culto do fetiche pode adquirir aspectos de sublimidade, no momento em que entendem os crentes que a representatividade de sua fé carece de algo concretizado materialmente. Muitos, respaldados em antigas tradições, acreditam que pode haver concentração de energias extraterrenas em amuletos, para a proteção das pessoas quanto à influenciação deletéria emitida a partir dos espíritos, dentro, portanto, da realidade transcendente ao plano corpóreo.
Os espíritas, Kardec à frente, sabem que existem obsessores capazes de conduzir os desatentos para descaminhos morais, colocando-lhes em perigo a própria vida e a aquisição das virtudes. Ora, não é de todo ilógico que os menos sutis quanto à inteligência venham a pleitear dos benfeitores espirituais que impregnem de vibrações positivas os seus bonecos e demais artefatos cabalísticos, extraído do termo qualquer nuança pejorativa.
Da mesma forma que as palavras adquirem conotações capazes de afugentar delas as almas mais melindrosas quanto à importância das imposições do outro mundo (e até mesmo deste, quando se considera de má sorte pronunciar termos como tuberculose, AIDS, câncer, morfético etc.), requerem aquelas pessoas que se estabeleça campo de repulsão a quantos intentem praticar o mal contra si. Se, desde crianças, vão os fiéis aprendendo a ver pelos olhos dos pais e das autoridades, nada mais justo que se dêem ao culto com coerência, talvez sem discernimento, mas sempre com o interesse de cumprir com seu dever.
Por outro lado, se cada pessoa se ativer ao cientificismo que se pretende implementar na doutrina espírita, é certo que não iremos presenciar nenhum ato de agravo contra qualquer imagem de culto, porque não teríamos nenhuma, conforme já constava das prescrições mosaicas, tantas vezes desrespeitadas.
Precisaríamos infirmar, nesta altura da dissertação, o paralelo da situação que deu azo a este desenvolvimento ao fato de haver muitos amigos filiados ao Movimento Espírita que mantêm, em suas casas de atendimento evangélico, imagens de santos, o que gera a condenação dos que se pretendem mais próximos das formulações kardequianas. Entretanto, a interação dos planos aguarda ainda inteligência capaz de elucidar todos os aspectos, na busca sensata da compreensão da fenomenologia mediúnica, no que respeita à persistência das crendices dos que desencarnam dentro dos princípios doutrinários das diferentes religiões.
O certo, indubitavelmente, é que a força da fé transmuda os indivíduos, como nos casos das curas efetuadas por Jesus, forçando que concluamos que o principal está dentro dos corações e não nas manifestações de repúdio às atitudes dos irmãos menos afeitos a estas elaborações teóricas de cunho espiritista.
Terá razão o pastor? Terão razão os que se sentiram ofendidos? Eles que tenham paciência até se apresentarem a comunidade do tipo da nossa, em que as discussões ganham novas dimensões, perante a realidade da vida espiritual.







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IMBRÓGLIO MORAL





Temos sido convidados com freqüência para assistirmos ao produto da imaginação e criatividade dos encarnados que se dedicam a construir obras para a fascinação do vulgo. Em pouquíssimo tempo, desanimamos, porque estamos cientes dos interesses ocultos, fáceis para nós de evidenciar. Quase sempre, o primitivo pendor para a sobrevivência se transforma em ganância, o que vai gerar, mais adiante, o terrível engodo de os autores se sentirem melhor dotados, mais adaptados às normas vigentes e, portanto, com direitos de propriedade acima da média da população.
Seres humanos existem que se deixam embalar pelo poder e pela glória extraídos do dinheiro fácil obtido pela conjuntura que os favorece, criada e argamassada segundo as falácias sociais consignadas nos costumes e, principalmente, na legislação de garantia dos que ocupam os primeiros lugares da escala gregária.
Quando surgem pessoas verdadeiramente cônscias dos valores evangélicos, distraem-se em conjeturas de sublimidade etérea e não participam, com total veemência, da vida comunitária, para que se sanem os desvios acima apontados. Aqui e ali, despontam gênios que oferecem aos coevos o sacrifício de suas vidas, na tentativa de se tornarem o exemplo vivo da aplicação das leis do amor, da justiça e do trabalho.
Sendo tão díspares os extremos, só pode resultar desse amálgama de intenções, de objetivos e de capacidades, o imbróglio moral que temos de deslindar, a partir dos estudos evangélicos oferecidos neste educandário.
Para a compreensão dos indivíduos, é necessário conhecer com clareza como formaram a base sobre que irão ser aplicados os recursos do século. Haverá muito que perdoar do procedimento alienado da verdade cósmica, porque inócua a contenção do substrato instalado na consciência. Isto se considerarmos que houve acrescentamentos de virtude desde a anterior peregrinação carnal, porque, quando deduzimos que são péssimas as condições de entrada no orbe, o que modernamente chamaríamos de feedback espiritual, presumimos que a caminhada haverá de ser tortuosa, com enormes concessões aos vícios e demais defeitos inerentes ao esquema mundano em que se inseriram tais espíritos.
Tem este texto o intuito de descrever, mal-e-mal, o grau de dificuldade que enfrentam os alunos das turmas de formação de socorristas, porque caminhamos com os próprios pés, apoiados pelos mestres naquilo que a experiência lhes aponta como suporte psíquico, para a preservação do equilíbrio emocional, pois, do contrário, iríamos desandar mediante a transferência das observações do que ocorre no plano da matéria com o que nós mesmos produzimos durante toda a existência. Em outras palavras, a análise dos seres que merecerão atendimento dos grupos especializados em facilitar o ingresso e a permanência daqueles em colônias de resguardo das emissões vibratórias de baixo teor dos inimigos e seres menos evoluídos visa ao desenvolvimento das qualidades embrionárias que conseguimos amealhar com muito esforço.
Bom exemplo é a dificuldade para a confecção da mensagem, o que qualquer um poderá sentir. Vem repleta de conceitos e de boas intenções, sem dúvida, mas permanece tão confusa quanto o acima aludido imbróglio moral dos seres encarnados.
Qual a conclusão que esperamos extrair deste tipo de argumentação desprovida de rigorosa linha de raciocínios? Que estamos tão necessitados de aperfeiçoamento no âmbito da criatividade quanto aqueles mesmos que nos causam engulhos, cada qual na faixa de atuação em que se situa, porque todos estamos sempre aprendendo.







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A ESPERANÇA NÃO DEVE MORRER





A esperança é a última que morre, diz a sabedoria popular. Pois nós dizemos que não deveria jamais morrer, mesmo que se concretizem os males que se temem. É que Deus é Pai de amor e de misericórdia e, se não atender numa encarnação, irá prescrever que a conjuntura existencial se arme a favor da realização dos bens, em outra peregrinação.
Não é exatamente assim que devem pensar os espíritas, cônscios das explicações de Allan Kardec?
Se é bem verdade que, nos textos dos evangelistas, algumas palavras de Jesus nos fazem lembrar a condenação eterna, também não há de padecer dúvida o fato de que o Senhor é todo-poderoso, o que significa, necessariamente, que nenhum mal haverá de reservar para as criaturas, mesmo que sejam contumazes no erro, na ofensa, na ignorância, na prepotência, na soberba, na vaidade, no orgulho, no egoísmo e caterva de tantas outras viciações da alma.
O rebanho do Senhor reunir-se-á, um dia, no Paraíso, e essa é expectativa que não pode deixar de habitar a mente e o coração de todos nós.
O que virão a ser, então, para Jesus, as trevas exteriores, onde haverá prantos e ranger de dentes? A consciência culpada, pejada de acusações, porque, apesar de convidados, muitos não comparecerão, conforme se lê na parábola do festim de bodas. Daí a conclusão óbvia: muitos são chamados e poucos, escolhidos.
A estreiteza da mentalidade do povo a quem explanava o Mestre fez Kardec justificar a necessidade da pregação concernente aos feitos de uma única encarnação. Assim, poderemos, dentro da realidade da vida que transcorre, pensar em que muitos serão os que vão ser expurgados do seio da sociedade dos bons, uma vez que o cumprimento das leis universais do amor, da justiça e do trabalho, é postergado pela maioria. Neste caso, é justo admitir-se que a esperança haverá de morrer para os que são condenados às trevas.
Contudo, se a visão se estender para a seqüência das vidas, mesmo durante a estadia no Umbral, momento de feroz reconhecimento da debilidade evangélica dos espíritos imperfeitos, ainda poderemos manter a esperança viva, dado que a idéia preponderante a respeito do Pai deverá contemplar a bondade como principal atributo dele.
E onde ficará o sentido da eternidade? Para os filósofos, tal conceito se lhes dissipará aos poucos das mentes, porque se encontra preso ao sistema cármico dos parâmetros materiais, onde a degeneração fixa o transitório como norma geral, sem exceções. Ao dar-se a compreensão de que o tempo inexiste para o Pai, porque suprema inteligência, causa primeira de todas as coisas, em quem nada degenera, todos os seres (porque todos teremos a nossa fase de pensadores puros) estaremos adquirindo a consciência de que o reino de Deus se abre, eternamente, para todas as criaturas.
Não há, portanto, que fenecer jamais a esperança.








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A FÉ REMOVE MONTANHAS





Já tratamos da esperança. Quanto à caridade, são poucos os textos mediúnicos em que não se pede à Humanidade que uns colaborem com os outros, dando do que possuem, mesmo a custa de sacrifícios.
É preciso revelar que, no que respeita à fé, nós estamos um passo atrás, na medida em que Kardec sempre exigiu dos fiéis seguidores da Doutrina Espírita que apóiem o sentimento da fé na razão, tornando a virtude um tanto ou quanto controvertida, uma vez que o sentimento exige que a pessoa seja mais ou menos cega e muito apaixonada.
No entanto, é preciso compreender que a fé pode, de verdade, remover montanhas, tanto que muita gente, após meticulosos estudos, aplicando os recursos disponíveis, aparam a paisagem, desfazendo os montes e arremessando as terras e rochas no fundo dos vales, aplainando o terreno para a passagem de estradas.
Esse transportar de montanhas pode parecer por demais prosaico, material, exemplo não muito próprio, uma vez que o Cristo falava em termos de parábola, cujo significado não se deveria referir, naturalmente, ao campo das utilidades práticas. Entretanto, sem fé raciocinada na capacidade de trabalho e na eficácia dos projetos, ninguém chegaria a resultado algum no desempenho das atividades profissionais.
Amadoristicamente, o efeito, muitas vezes, é desastroso, tanto que muita gente destrói a natureza, apenas com o interesse espúrio do lucro imediato e fácil. Neste último caso, haverá, dentro de maior ou menor período de tempo, a necessidade de se aprestarem os engenheiros, os geólogos, os geneticistas e demais cientistas da área para socorrer os habitantes da região, na refacção dos ambientes, ou a vida se tornará impossível nesses locais. Exemplos são os desertos provocados pela ganância dendroclasta dos seres humanos imprevidentes.
Voltemos a tratar da fé.
Se a pessoa possui fé fundamentada no enleio puramente sentimental, conforme se lê nos textos da codificação, vai correr o risco de se deixar envolver por idéias falaciosas, tornando-se o alvo fácil dos espíritos maldosos, porque se deixam influenciar pelas palavras, sem se darem ao trabalho de buscar a verdade. São como aqueles que destroem as florestas inconseqüentemente, porque não se previnem quanto ao futuro, interessados em resolver os anseios de entrarem em contato imediato com os seres angelicais, quando não estão empenhados já em se situarem perante o Senhor. Quantos são os que dizem que trazem Jesus no coração, como se o Mestre fosse o sangue que lhes corresse pelas veias, sem nenhuma necessidade de se aplicarem ao conhecimento, para a fundamentação dos aspectos mais importantes da existência!
Vamos remover as montanhas das dúvidas, das imperfeições, dos vícios, dos maus hábitos, estudando com veemência os elementos que se infiltraram em nossa psique, seja por que meio tenha sido, quer pela influenciação dos registros sociais, quer pela palavra das autoridades religiosas, quer pelo empenho em nos revelarmos perante os olhos alheios como categorizados para o enfrentamento dos testes definitivos da bondade, do amor e da virtude, sem a preocupação de atravessarmos os ásperos caminhos das provas, das expiações, da temperança, da paciência, do esforço, do sacrifício, enfim, de todas as regalias que a fé fácil e sentimentalóide nos proporciona.
Quanto tempo mais deveríamos ficar expondo a respeito da fé, para convencer-nos de que já superamos a dificuldade do tema, na compreensão exata de que os companheiros estão a nos pedir que interrompamos este jorro de idéias? Nenhum instante mais.
Obrigado.
Apenas o lembrete final de que temos a intuição de que iremos ter de nos dedicar com mais afinco ao aprendizado que estamos expondo. Aí haverá de crescer a nossa fé em que, um dia, estaremos aptos ao trabalho socorrista.







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RECEBER EM PAZ A BÊNÇÃO DO SENHOR





Todos sabemos que o Senhor, pela eternidade, abençoa as criaturas. Nem poderia ser diferente pela obrigatória concepção de Deus, após os estudos filosófico-evangélicos, a partir dos ensinamentos de Jesus, realizados por Kardec. Essa é a Doutrina Espírita em plenitude de atuação sobre a nossa mentalidade.
É, pois, de senso comum atender ao preceito de bem receber as bênçãos do Senhor, entrando em vibração conjunta com o Universo, como produto da Criação. O espírito, encarnado ou não, deve assimilar a noção elementar de que participa do conjunto da obra divina.
Quer começar a se afligir? Ponha em dúvida as idéias acima, adotando linha de pensamento materialista, imprimindo ao mundo e a tudo que nele se contém o cunho do acaso, do aparecimento espontâneo, da autogênese ou mesmo da inexistência da realidade tangível, considerando-se apenas a impressão e não o registro ponderável dos seres.
Entretanto, se a pessoa que rejeita a existência de inteligência superior, causa primária do Universo, e ainda assim se mantém serena, aceitando a injunção carnal sem as tropelias de acusações descabidas, porque não tem contra quem arremessá-las, estará, à revelia, aceitando em paz as bênçãos do Senhor.
Muito pior é quem se dedica às preces e à caridade, estabelecendo para si mesmo os parâmetros da fé e da esperança como virtudes essenciais a pautarem o seu procedimento no campo das relações sociais, e se desespera perante o fracasso de muitos empreendimentos, exigindo, pela bondade da atuação junto aos demais, que seja reconhecido pelo Poder Supremo, momento em que deveria sentir a felicidade mais pura, menos infestada de preocupações corpóreas.
Neste caso, estão muitos que se refocilam nas Trevas, emaranhados nos próprios pensamentos de superioridade moral, não compreendendo absolutamente a razão de estarem sendo provados mais uma vez no etéreo, quando sofreram o peso da densidade carnal, em angústia dedicada como sacrifício ao Pai.
O nosso caso particular se resume em não alcançarmos sucesso nas exposições dos pensamentos, como fruto dos estudos que levamos a cabo por orientação dos mestres. Sofremos a desdita não da imperfeição, porque esta sabemos bem que todos possuem estando no mesmo nível em que existimos, mas da incapacidade de refrearmos os anseios de incentivo ao trabalho de aperfeiçoamento integral, esquecidos de que esse é desenvolvimento para várias encarnações e muitíssimos cursos nas escolas do plano espiritual.
Quais serão as tarefas dos espíritos de luz, aqueles que confraternizam com Jesus nos páramos superiores das esferas quintessenciadas do amor? Não sabemos nem seríamos capazes de supor. Contudo, de uma coisa pensamos ter certeza: as entidades de grande poder moral têm a paz necessária para usufruírem as bênçãos do Senhor.








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O RECONHECIMENTO DOS DEFEITOS





É norma da Escolinha de Evangelização que os mensageiros-alunos reconheçam, sempre, a inferioridade de seu desempenho, a pouca extensão de seus conhecimentos, a fragilidade de suas dissertações, de seus textos poéticos, de suas descrições psíquicas, de suas narrativas de sentido literário. Não são poucos, entretanto, os encarnados que, ao tomarem contato com as mensagens, se colocam na situação de crítica ferina, atacando, inclusive, o despojamento com que pretendemos demonstrar a condição de aprendizes.
Estranho é, muitas vezes, que nos acoimem de falsidade, porque julgam a atitude desonesta, vendo, nas palavras, o subterfúgio da pregação moral superior, momento em que nos acusam de fraude, sem testemunharem devidamente a verdade das assertivas que expendemos.
Se dissemos, de início, que nossos objetivos não eram os da divulgação, da impressão nem, ao menos, da leitura simples dos mais chegados ao médium, não estamos, neste instante, esforçando-nos por nos apresentar ao grande público, como o teor da presente mensagem poderia fazer imaginar. Este é o rascunhão mais bronco, aquele primeiro escrito que irá para o lixo, tão logo mereça o comentário dos instrutores.
Quer dizer que dia virá em que escreveremos para sermos verdadeiramente lidos pelos mortais? Sem dúvida, se, até lá, daqui a alguns milênios, a leitura estiver na ordem do dia, para aferição dos dados culturais e dos elementos científicos e literários. Não será mais lógico pensar em que o desenvolvimento humano irá prescrever outros tipos de absorção dos conhecimentos, fundamentados em motivações de caráter psíquico, por meios difíceis de prever?
Quem sabe, por essa época, estejamos dedicados à assimilação dos novos processos, enquanto o tempo irá passando e, com ele, o desenvolvimento humano irá elucubrando novas maneiras de comunicação?! Assim é a vida. Se nos demorarmos a aprender os métodos da época, vamos correr o risco de ficarmos obsoletos antes mesmo que tenhamos tido o mérito da apresentação coeva aos avanços dos encarnados.
Em vez de estarmos, agora, incumbindo-nos da elaboração de páginas e páginas de desenvolvimentos teóricos, não seria mais atual se influenciássemos diretamente as pessoas encarregadas da mídia, de forma a possibilitar aos mortais que apreendam as lições do Cristo, segundo a nova roupagem dos textos construídos visualmente, cineticamente, como na linguagem cinematográfica, apenas para dar um exemplo?
Como se vê, não há fugir da tentativa de demonstrar que somos verdadeiramente muito atrasados em relação ao vanguardismo da humanidade, embora sejamos obrigados a constatar que muita gente ainda se posta intelectualmente de maneira selvagem, grosseira, absolutamente incompatível com os anseios dos que dominam o progresso das ciências e das artes.
Por que, então, não escrever para esse contingente mais imperfeito, menos exigente, menos consciente dos avanços hodiernos? Simplesmente porque, para esses, existem inúmeros livros impressos, de fácil acesso e de leitura não dispendiosa, uma vez que se encontram disseminados pelas bibliotecas gratuitas.
Gostar de mostrar as dificuldades de aprendizado e de expressão não será a nossa principal qualidade, contudo, não é com pequeno gozo que constatamos termos a capacidade de nos julgarmos exatamente como somos, exclusão feita à impressão que muitos têm de que estamos exagerando na modéstia.
Graças a Deus!







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A AUTORIDADE DE KARDEC





Dar-se-á que Kardec se tenha equivocado algumas vezes na promulgação das diretrizes fundamentais do Espiritismo? Teremos nós, encarnados ou não, suficiente discernimento para distinguir as falhas de conceituação ou as apreciações, no mínimo, mal formuladas ou menos amadurecidas? Poderemos estabelecer as idéias incorretas que o Codificador implantou nos comentários, a partir dos preconceitos de época e de sociedade? Quem nos possibilitaria o argumento contrário, com o devido respeito, para que se não ofendam os seguidores fiéis das elucidações kardequianas, a partir das informações hauridas dos espíritos de escol que o assistiam?
Praticamente, vamos ter de observar um trechinho da magnífica obra O Evangelho Segundo o Espiritismo, título que Kardec queria diferente, tendo sido dissuadido por companheiros a que modificasse a pretensão de chamar o compêndio de Imitação do Evangelho, conselho que se constituía em censura que o bom homem acatou.
Comentando a união matrimonial e seu corolário, o divórcio, escreveu Kardec: “[...] na origem da Humanidade, quando os homens ainda não estavam pervertidos pelo egoísmo e pelo orgulho e viviam segundo a lei de Deus, as uniões, derivando da simpatia, e não da vaidade ou da ambição, nenhum ensejo davam ao repúdio “.
Ora, é básico para o Codificador que uma das leis universais impostas pelo Criador às criaturas é a Lei de Evolução. A considerar-se correta a assertiva transcrita, teríamos o contrário, ou seja, quem não era egoísta ou orgulhoso se tornou, fugindo de viver segundo a lei de Deus.
Não temos como defender Kardec, a menos que desenvolvamos, por força de argumentação capciosa, alguns sofismas, como, por exemplo, se disséssemos que os homens primitivos eram tão perfeitos que evoluíram para fora dos círculos terrenos, ficando, para exercerem a modificação das leis, espíritos perversos. Outro meio de contornar o problema seria através da consideração de que os tais homens que cumpriam a lei de Deus eram ingênuos, simples, naturais, e precisaram tornar-se cada vez mais racionais, para compreenderem, em profundidade, a natureza de sua gênese. Aí, poderíamos entender que houvesse degeneração de cunho moral, sem a conseqüente retrogradação espiritual, significando a aquisição do egoísmo e do orgulho um passo à frente no caminho evolutivo.
Entretanto, para nós, há de ser mais honesto considerar o pensamento de Kardec errado. E pronto! Com isso, iremos desmerecer a obra grandiosa do sábio lionês? Iremos desrespeitar o ilustre cientista, por ter tido uma fraqueza na exposição de fraçãozinha teórica da belíssima Doutrina Espírita?
Absolutamente, não! O fato de se apresentarem falhas na obra do principal autor de nossa sacratíssima tese filosófica apenas nos faz mais orgulhosos de seu discernimento, quando afirmou, por diversas vezes, que outras pessoas apareceriam, no decorrer da História, para propor novos dispositivos doutrinários, conforme os seres humanos fossem aperfeiçoando-se.
Não seremos nós, contudo, quem se predisporá ao esmiuçar das ligeiras distorções do pensamento do Codificador. Fique a anotação para futuras discussões do grupo, nos termos elevados que pretendemos fixar para a apreciação do que foi considerado por nós tão-só insignificante deslize. E quem não os tem?








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OS DIAS DE DESCANSO





Aproxima-se o fim de semana, quando o médium não se dispõe a trabalhar conosco, motivado, evidentemente, pelo cansaço de toda uma semana estressada pela preocupação de vir dar-nos sua contribuição.
Não gostaríamos de parecer um peso para os ombros do amigo encarnado, tanto que os temas são transmitidos sem muita cobrança, na exigência mínima de que os conceitos se vistam de palavras e expressões conhecidas, sem torneios de frases de rebuscado gosto.
A par disso tudo, temos alguns minutos para a transmissão de textos poéticos, os quais geram tensão um pouco maior, à vista da necessidade de se contarem sílabas e de se regularem as terminações pelas normas próprias dessa forma de comunicação, entre outras exigências.
Posto o fato, temos de considerar o aspecto meramente psíquico do aproveitamento integral dos dizeres que pretendem os mensageiros passar pela ágil pena do médium. Esse é fator lúdico, porque desencadeia, no instante mesmo do trabalho, o interesse do mediador pela qualidade do que escreve. Inerentes à sua intelectualidade, agregam-se os conhecimentos, a cultura e o desempenho pessoal, para fugir ao engodo do animismo, peste que dizima boa quantidade de neófitos, quando não percebem, de imediato, que é bom que o começo do trabalho tenha origem nos fundamentos mentais dele mesmo.
Ultrapassados os problemas meramente formais, vamos levando o texto, de modo a possibilitar ao escrevente que se atenha aos contornos mais gerais, deixando para o dia seguinte estudo mais minucioso do léxico, quando algumas palavras que não se passaram chegam à meditação do revisor, por força de estarmos mais livres para considerações periféricas.
Exemplo do que estamos dizendo é o termo capcioso que se encontra na mensagem anterior, apagado da memória do amigo justamente porque se preocupou demasiado com a palavra e não em captar apenas a idéia. Fora ele médium mecânico, guiado pela mão invisível do comunicador, e teria melhor condição de tudo registrar segundo os preceitos literários daquele. No momento em que se viu sem o vocábulo intuído, o médium se perturbou e, por instantes, fechou o canal de comunicação, até que se refez e deu continuidade ao apanhado do ditado, substituindo provisoriamente o termo esquecido.
Hoje, como estamos referindo-nos exclusivamente ao trabalho mediúnico, põe redobrada atenção nos fundamentos teóricos, ansiando por ver cumpridos os princípios da boa escritura, tantos são os textos que conhece dentre os melhores da literatura espírita. Isso o deixa de orelha em pé, conquanto não interfira substancialmente no teor da mensagem, tanto que flui o ditado com muita rapidez, quase sem interrupções para ajustes de última hora.
Outra preocupação constante do amigo encarnado é quanto à extensão das mensagens, que devem padronizar-se pela norma adotada pelo grupo, de sorte que o número de parágrafos não diminua nem exceda, para controle seu de quando está na hora de suspender a tarefa. Essa é preocupação menor, dado que as dissertações terminam, após a argumentação final, pela reiteração da tese de início exposta.
É chegado, pois, o momento de abandonar a mesa, visto que todos os preceitos foram cumpridos, abrindo-se o tempo do descanso semanal, à perspectiva do retempero para a volta na segunda-feira. E dizer-se que o nosso médium já transcreveu ditados capazes de preencher muitos compêndios, para mais de cinqüenta, conforme nos informa!
Quem estaria apto a oferecer-se com melhor desenvoltura? Eis a pergunta a que o grupo deverá responder, após rigoroso exame dos trabalhadores que se aprestam para o desenvolvimento mediúnico.







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O TEOR DA MENSAGEM





Quando chegamos para as transmissões, sempre trazemos o tema desenvolvido, após decisão tomada unanimamente. Então, quando o médium nos solicita que falemos ou que não falemos sobre determinados assuntos, estamos cientes do que irá pedir, dada a tendência psicológica ou espiritual que lhe conhecemos a fundo.
Como é possível estar tão a par de todas as características mentais do amigo encarnado?
Simplesmente porque é imprescindível, para o bom sucesso dos trabalhos, que saibamos escolher a pessoa que nos irá reproduzir os pensamentos, o que ocorre com este médium isolado como com os que se reúnem nos centros espíritas. Nesta última situação, até os que poderão atender a uns e não a outros temos de reconhecer.
Se algum médium sofrer acidente de última hora e ficar impedido, os espíritos escolhem outro ou ficam sem se manifestar?
Ou uma ou outra coisa, dependendo, evidentemente, da disponibilidade intelectual ou sensorial dos que se encontrem em torno da mesa.
Uma última questão.
O que acima ficou dito quer, necessariamente, significar que são bem definidas as mensagens que cada trabalhador capta, segundo a amplitude de sua possibilidade de abertura para a recepção das vibrações?
Sim e não. Quando o médium se contenta com o que tem, dificilmente receberá novas formas de textos ou impulsos diferentes daqueles a que estão habituados. Neste caso, estão muitos médiuns que não conseguem sequer abrir a mente para outros espíritos que não seja o guia familiar. Não é o que se passa, também, com as pessoas que se deixam subjugar por espírito maldoso, que assume as diretrizes dos procedimentos, vamos dizer, por nos faltar terminologia mais adequada, espiritualistas?
São as pessoas a resultante de diversos fatores antropomórficos, dentre os quais um se encontra na base das leis universais, qual seja o da melhoria, para o merecimento se ampliar aos olhos do Pai. Quando, porém, o ser humano se acha apaniguado por determinadas qualidades e consegue sobressair-se perante os companheiros, tende a fixar esses valores como primaciais, persistindo na repetição dos atos que lhe deram prevalência ou projeção gregária, estacionando, portanto.
Ao contrário, se os médiuns adquirem o vezo dos estudos, ampliando o campo da visão espírita, podem incluir outras modalidades de recepção de mensagens para reprodução oral, escrita, em prosa ou verso, pictórica, musical etc. Quanto maior o leque das possibilidades do receptor, maior facilidade encontrarão os espíritos em preparar o material para a próxima sessão. No caso específico deste escrevente, não lhe pediríamos jamais para redigir em outros idiomas que não o português, uma vez que, em aramaico, em chinês ou grego, por exemplo, lhe seria de todo impossível (e a nós também).
Estaremos todos de acordo com o texto, em nosso caso, quando cada um de nós tiver percebido como é que age ou reage o mediador. A partir dessa observação conjunta é que estabelecemos o teor da mensagem, independentemente das solicitações de última hora.







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TRABALHO GRATUITO





A mediunidade caracteriza-se, por tradição, desde Kardec, como tarefa redentorista, ou seja, seu desempenho é iluminado por espíritos que colocam os humanos em posição de exercer a mediação entre os planos existenciais. Não há, pois, que desejar cobrar pelo exercício passivo da escrita ou da fala, em momentos determinados pelos seres incorpóreos.
Estabelecido o primeiro fato, vamos raciocinar em termos cristãos.
Jesus não cobrava pelas curas. Recomendou, inclusive, conforme se lê nos Evangelhos, que os apóstolos nada exigissem de quantos lhes recebessem assistência .
Entretanto, o Cristo precisava comer e vestir-se; precisava proteger-se da intempérie; precisava viajar para levar adiante a sagrada pregação. E era pobre.
De onde provinham os víveres e demais utensílios que lhe davam a possibilidade de sobreviver? Evidentemente, havia algum tipo de arrecadação, tanto que, muitas vezes, eram os apóstolos que alimentavam os seguidores do Messias, como se revela no episódio da multiplicação dos pães e dos peixes.
Seriam, então, de milagres que os peregrinos se fartavam? Não é o que se diz em local nenhum das escrituras. Antes, Judas e outros apóstolos recriminaram Maria, irmã de Marta e de Lázaro, por haver desperdiçado, segundo eles, o caríssimo bálsamo com que ungiu o corpo ao Mestre. Disseram que melhor proveito teria o precioso perfume, se fosse vendido, para que pudessem ajudar os pobres.
A que conclusão queremos chegar? Simplesmente, estamos tentando estabelecer que os discípulos de Jesus arrecadavam dinheiro, para sustento deles e de seus seguidores durante as peregrinações, tanto que é conhecida a recomendação de Jesus aos apóstolos para que aceitassem a boa hospitalidade das pessoas, abençoando as casas, pedindo paz ao Senhor.
Hodiernamente, muitos médiuns trabalham absolutamente sem visar a ganho algum, embora altamente necessitados de dinheiro para as obras filantrópicas que levam a cabo em suas casas de atendimento evangélico. Para tanto, trabalham pesado, buscando o auxílio dos mais abonados e distribuindo a mesma comida e o mesmo agasalho que o povo proporcionava a Jesus e este aos necessitados.
O fato nos leva a pensar que existem os que recebem sem trabalhar, como os doentes, nos hospitais, os loucos, nos hospícios, os presos, nas cadeias, e os miseráveis, nas vias públicas. Recebem e quase nunca retribuem, porque incompetentes pelo intelecto e pelo sentimento. Por causa disso vamos deixar esses seres humanos ao desamparo? Jamais. Vamos dar-lhes as condições o mais ideais possível, para que venham a reconhecer que foram ajudados, em tempo oportuno, quando tiverem o ensejo de meditar a respeito da vida e da obrigatoriedade do amor.
A caridade é, portanto, o fulcro das atividades de todos os seres compenetrados de que, sem ela, não haverá salvação.
Podemos esperar a recompensa do Senhor?
Se não tivermos confiança na justiça do Pai, é melhor nos colocarmos desde logo na situação de recebermos o auxílio dos mais capacitados, porque estará faltando-nos um elemento imprescindível, para que possamos evoluir pelas normas das leis universais.
Quem tenha desenvolvido, portanto, a faculdade mediúnica deve fazer de tudo para oferecê-la sem ônus para quem dela se aproveitar, mesmo quando o médium estiver carente de todos os bens materiais. No caso extremo da mais absoluta penúria, que se coloque na condição de assistido dos companheiros de centro espírita, tomando da mesma sopa distribuída aos mendigos e agasalhando-se com a mesma roupa de segunda mão.
Deus providenciará para que todos os seus filhos cheguem aos páramos da felicidade.








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O QUERER E O PODER





Temos encontrado, por todo canto, pessoas que desejam prestar serviços no campo da mediunidade. Nem todas, porém, conseguem pôr-se em sintonia com os espíritos, obstando, por inúmeros meios, que se comuniquem livremente.
O mais que ocorre é impor-se o encarnado quanto aos temas e explicações, forçando que os dizeres assumam exatamente a conotação que desejariam ver impressas nas mensagens. Simplesmente, condicionam os textos aos princípios que introjetaram na mente e no coração, uns porque vêem, nas comunicações do etéreo, o supra-sumo da perfeição; outros, o dever inexaurível da prestação de informações privilegiadas.
Alguns, mais prudentes, admitem qualquer manifestação, impondo somente a si mesmos os parâmetros da moral evangélica, de sorte que não oferecem resistência no campo das palavras, mas das idéias e sentimentos. Sendo assim, também não aceitam que os irmãos da espiritualidade desfilem sua imperfeição, almejando alcançar apenas escritos de alto cunho filosófico, dentro, evidentemente, da teoria de Kardec.
Modestamente, muitos trabalhadores da seara espírita se postam perante o incogniscível, oferecendo, sem resistência, os meios de que dispõem para a apresentação de irmãos em péssimas condições cármicas, entidades carentes de toda assistência, quase sempre levadas às sessões por grupos de socorristas, para que possam compreender o mal que vêm fazendo contra si mesmas e contra outros seres, encarnados ou não. Neste caso, os doutrinadores se cercam de muitos cuidados vibratórios, rogando com humildade sejam auxiliados pelos protetores da casa e de cada um dos médiuns. Desde Kardec, a estrutura dessas reuniões se fixou de forma a consignar certa unidade de procedimentos, os mais favoráveis a que ninguém se veja envolvido perigosamente nas malhas dos malfeitores, que os há por toda a parte.
A última consideração nos reportará aos que aspiram tão-somente a vantagens materiais ou à consecução de vinditas, no envolvimento lúdico das atividades humanas que restringem a liberdade de aquisição dos benefícios à maioria da sociedade pelos elementos que se reuniram em grupo humano circunscrito por insólitos princípios. Falando mais claramente, estamos referindo-nos aos que se dão de caso pensado à invocação dos seres sabidamente malfazejos, para combinarem feitos degradantes e deletérios. Tal é, por exemplo, a atividade da chamada magia negra, em cujos rituais se sacrificam, inclusive, seres humanos.
Nos casos em que pessoas saem prejudicadas, podemos dizer que o querer resultou em poder? Evidentemente, sim, mas com a prerrogativa de se sedimentarem apenas relacionamentos de baixo escalão na hierarquia espiritual.
Não poderemos elogiar os que não cumprem as obrigações evangélicas, embora admiremos, muitas vezes, a facilidade com que tais médiuns se dirigem diretamente às entidades do plano etérico. Futuramente, quando se compenetrarem de que perderam precioso tempo e excelentes oportunidades de progresso, vão poder aproveitar-se desse espúrio treinamento, para, entre outras finalidades, resgatarem os malefícios da época de escuridão mental.
Querer, pois, há de ser poder, sempre, contudo, havemos de entender que o proveito das atividades mediúnicas, para o aperfeiçoamento da alma, poderá adiar-se indefinidamente, pela aplicação do livre-arbítrio.
Escrevêssemos com o intuito da divulgação e seria agora o instante da pregação cristã, para a influenciação positiva no ânimo dos que desejam, às vezes inocentemente, tão-só caracterizar seu procedimento como santo.








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EXISTE DESPERDÍCIO?





Um dia a mais ou a menos, que diferença pode fazer no cômputo geral das jornadas levadas a cabo com o máximo proveito?
Hoje é o dia dedicado a render homenagens aos mortos, Finados, o que, segundo as expressões colhidas nos Evangelhos, Jesus não teria aprovado, dando aos mortos a condição de enterrar os seus mortos, momento de imensa grandeza espiritual dentro da doutrina cristã.
Mas não podemos esquecer-nos de que estamos sendo lembrados por pessoas as mais queridas e mais chegadas, apesar de, muitas vezes, termos levado a efeito projetos de desmembramento familiar e de prejuízo dentro das próprias hostes de amigos.
Então, não vamos restringir o pensamento às considerações mais frias do respeito às filigranas do raciocínio lógico. Vamos deixar-nos embalar pelas emoções, ao menos um pouquinho, para que vibremos apaixonadamente pelas pessoas que nos merecem total consideração e afeto, pessoas a quem dedicamos o amor mais profundo capaz de se conter em nossos corações.
Muito obrigado, Senhor, por nos ter facultado este íntimo relacionamento entre os seres, para que jamais possamos olvidar o sentido do sacrifício de Jesus, em nome de toda a Humanidade. Quando nos pediu para que nos amemos uns aos outros como ele mesmo nos amou, estava definindo a profundidade do sentimento, após a apreciação da verdade através da razão.
Neste dia, muitos de nós fomos agraciados pelo perdão dos que ofendemos, ainda que nós mesmos não tenhamos sido suficientemente cordatos para perdoar. Se não viéssemos, portanto, manifestar o nosso pensamento e o nosso sentimento, por força de dispensarmos o escrevente, teríamos, sim, desperdiçado esta magnífica oportunidade para perorar a respeito de tema tão importante.
Sabemos que muita gente não tem qualquer respeito pelos que se foram, mesmo quando íntimos no relacionamento, como no caso dos pais que permanecem olvidados até na data especial. Sabemos, também, que a efeméride, para outros, não lhes tem nenhuma influência sobre o ânimo, dado que, dia a dia, nas preces, se reportam aos seres que deixaram o invólucro carnal de forma tão intensa que este dia nada acrescentará.
Nós mesmos estamos sendo assediados por sentimentos de diferentes vibrações, que nos confundem, que nos pressionam, que nos obrigam às reflexões mais contundentes contra a maneira de ser imperfeita que temos adotado, porque estamos, freqüentemente, a impor a vontade sobre a consciência que desperta para os valores cristãos.
Neste dia, portanto, nada mais justo do que evitar as dissertações de cunho filosófico, para dar vazão à crônica subjugada pelos sentimentos. O que será melhor do que a prece reconhecida ao Pai, pelo bem de nos ter dado a criação e de nos ter ofertado este leque imenso de prerrogativas de prazer, a partir da constatação inequívoca de que caminhamos todos para o Reino da Eterna Felicidade?!
Não desperdicemos, pois, nenhum momento de confraternização entre os planos da realidade, para que possamos acender a nossa luzinha na chama perenal do amor de Jesus.








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COMPATIBILIDADE VIBRATÓRIA





Nem sempre os médiuns devem conjeturar que sua vibração se coadune exatamente com os manifestantes do plano espiritual. Se assim fosse, poucas pessoas teriam condições de realizar trabalhos de alto nível, dado que muitos dos mensageiros descem dos páramos mais perfeitos da esfera em que mourejamos. Por sua vez, os que aceitam as comunicações mais broncas iriam desestimular-se para a tarefa, evidentemente por suspeitarem de que seu desenvolvimento moral esteja atrasadíssimo, a ponto de se equipararem com os criminosos e suicidas a quem dão voz.
Em todos os casos, exercem função de muita relevância os doutrinadores e demais auxiliares do campo espiritual, utilizando meios de aproximação dos que se comunicam com o fator da constituição energética do encarnado. São esses benignos seareiros do socorrismo mediúnico que se encarregam de filtrar os pensamentos e sentimentos oriundos dos seres que aspiram fazer-se entendidos pelos mortais, de sorte que compatibilizam as ondas emitidas ao aparelho receptor que as deverá traduzir para o humano entendimento.
No preâmbulo, parece que dissemos tudo, não é verdade? Entretanto, existem multíplices formulações, tanto que nem todos os trabalhadores conseguem decifrar as mensagens que lhes são passadas, mesmo quando treinados sob a orientação metodológica dos beneméritos das casas de atendimento evangélico.
Para exemplificar, é notório que, durante muitas sessões de desobsessão, os espíritos se deixam levar por eflúvios de pesadas emoções, perturbando-se em demasia, principalmente quando se descobrem em débito para com os semelhantes e para com o Criador. Muitos exageraram na absolvição de si mesmos, de modo que a descoberta das falcatruas perpetradas os leva a condições precaríssimas de domínio de si mesmos. Aí, não há recurso disponível na sala de reuniões, precisando os médicos e enfermeiros do etéreo retirarem o infeliz para tratamento nos hospitais das respectivas colônias. Quase sempre, nesses casos, a reação que se desejava era exatamente essa, ficando os dirigentes espirituais da reunião encarregados dos esclarecimentos aos trabalhadores encarnados, para a devida explicação do descontrole dos obsessores.
Perder-se-ão, também, por muito sutis ou sublimes, textos de seres exponenciais? Por outra: haverá a possibilidade de serem mal escolhidos os médiuns que lhes dariam atendimento, inferiores à expectativa ou à confiança que lhes foi depositada?
Dificilmente as informações dos seres mais evoluídos deixam de constar do rol dos textos com que contam os mortais. Contudo, havemos de entender que os meios de expressão e de comunicação disponíveis aos terrenos não haverão de ser, obviamente, os mesmos dos que pairam acima das injunções do mal que assoberba as mentes e os corações dos seres que necessitam vagar sobre a superfície do orbe terrestre, por se constituírem em peregrinos eivados de defeitos, carentes de aperfeiçoamento, tanto que se submetem a provas e expiações, quando por mais não seja, pelo fato de estarem condicionados à dor e à morte.
Mas os textos são passados da melhor maneira possível, tanto mais fácil e fortemente quanto mais recursos apresentar o médium, quer pelas qualidades inatas advindas do progresso das vidas anteriores, quer pelo dedicado e meticuloso estudo que venha realizando ao longo da existência atual.
Que nota se poderia atribuir ao presente escorço, no que respeita ao nível de desenvolvimento dos comunicadores e do amigo encarnado?
Pelo que podemos deduzir das observações expostas, cada um irá decifrar, um pouco mais ou um pouco menos, as intenções subjacentes às apreciações traduzidas, de forma que cada qual poderá consignar valor próprio ao provável mérito ou demérito do texto, sem que ninguém esteja rigorosamente equivocado, a não ser se o fizer de má vontade ou se não tiver aceitado a mensagem como oriunda do etéreo.







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O MESMO ESTRIBILHO





Não passa um único dia que não nos deparamos com situações de verdadeira crise moral dentre os parceiros de grupo. É que estamos muito próximos das desditas terrenas, a todo momento relembrando os fatos mais desagradáveis das derradeiras existências, arrependidos e desorientados em relação ao que fazer para suplantar os motivos de desesperança.
Não se cansam os mestres de nos demonstrar o quanto de sabedoria existe num pensamento firme de superação pelas leis cármicas, a do amor à frente, mas não nos abalançamos para o trabalho efetivo, porque tememos aventurar-nos pelas sendas desconhecidas do bem, tanto fomos nocivos aos companheiros.
Aí, haveriam os mortais de suspeitar que estamos obsidiando o médium, na tentativa de passar-lhe textos de sublime sabedoria, como se todos os conhecimentos se resumissem em cada um de nós, evangelicamente dispostos, de sorte a facilitar a apropriação da mente do encarnado que nos serve diariamente.
Mas, como não temos a intenção de fazer publicar estes comentários, vamos apenas perorando entre nós, sacrificando o médium, é verdade, mas dando-lhe oportunidade para se pôr a serviço do plano etéreo, se não para obras-primas, ao menos para o desabafo de trempe que deseja o menos possível constituir-se em peso morto.
Sabemos, pelo pouco de fé em nossos corações, que dia virá em que teremos o domínio da vontade e exerceremos o direito de nos controlarmos perante a necessidade da prestação de socorro às vítimas do egoísmo, do orgulho, da vaidade, da malícia, da preguiça e demais defeitos d alma. Por enquanto, apenas a compreensão desse avanço é que estabelecemos como premissa para nos oferecermos a este trabalho de deslindamento da precária condição psíquica.
Então, está a perguntar o amigo médium, como é que fomos capazes de desenvolver algumas páginas que, segundo ele, têm mérito e merecem divulgação?
A resposta parece-nos óbvia. Basta observar os seres humanos pagos por tarefa para escreverem crônicas para os periódicos ou para serem ditas perante os telespectadores. É só encomendar o texto e são capazes de desenvolver as idéias de agrado do mecenas. Leia-se a literatura antiga, já cristalizada quanto aos objetivos menos nobres dos autores, e encontrar-se-ão exemplos inúmeros do que vimos afirmando.
Não poderá, pois, o amigo encarnado confundir-se quanto à solidez dos pensamentos, mas envolver-se-á sempre, no que concerne à fragilidade do fluxo emocional. Pedem-nos que sejamos dignos das palestras dos orientadores. Para isso, temos como prioridade não desencantar as expectativas dos que nos dirigem a aprendizagem. Fazemos das tripas coração e nos apegamos ao fato de estarmos direcionados com eficácia para a salvação de nossos espíritos, já que não pretendemos reingressar nas Trevas.
Esta última consideração é a mais importante quanto à hesitação de início revelada, porque errar, para quem conhece os parâmetros da verdade, é fatal, no que respeita ao caminhar evolutivo.
Não parecerá aos colegas que repetimos o mesmo estribilho dos sofrimentos íntimos que cada qual tão bem conhece?







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DA QUALIDADE DA MENSAGEM





Ninguém mais do que nós gostaríamos de transmitir mensagens de categoria superior, eivadas dos melhores sentimentos, na descrição eficaz do saber próximo das esferas mais elevadas. No entanto, carecemos de estudar, de trabalhar e de vivenciar o amor e todas as formas de pureza espiritual, porque a imperfeição está, de há muito, cristalizada em nosso coração. Não fora assim, e não estaríamos sendo assistidos por professores tão dedicados, nesta Escolinha de Evangelização, onde permanecemos atentos a todo ensino, no sentido de atender aos apelos dos encarnados.
Como estamos principiando a carreira socorrista, bem imaturos quanto aos conhecimentos específicos de como desencadear, na alma dos sofredores, a vertente dos conselhos mais justos e oportunos, vamos aproveitando a deixa que obtivemos junto a esta mesa, para firmar os conceitos que se assimilam de forma meramente intelectual. É fase importantíssima, sem dúvida, sem a qual não nos formaremos jamais.
Estas informações parecem-nos o que de melhor podemos passar para o médium, que solicita constantemente que nos esforcemos por apresentar trabalhos de muito mérito, mesmo que à custa dos preceitos dos mentores. Esta assertiva exige melhor explicada, visto que se poderá julgar o mediador por demais exigente.
Na verdade, tudo o que lhe vem à mente ele reproduz, segundo as vibrações do momento, sem o intuito de vir a transformar os textos, dando-lhes feições menos grosseiras, mais literárias ou de acordo com o gosto das pessoas do mundo. Por isso, tem a sensação do rascunho, do temporário, do perenemente perfectível, sempre manco em alguns aspectos fundamentais.
No dia de hoje, estamos respondendo às observações que o companheiro encarnado realizou durante a preparação para o cumprimento da tarefa, ao ler atentamente trecho da obra O Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec. Eis como se traduz a exigência do amigo!
Em sã consciência, sabe ele muitíssimo bem que atingir o ápice da escritura do sábio francês será objetivo quase impossível para qualquer pessoa que se aventure a desdobrar os conhecimentos da época, aplicando-os à sabedoria dos espíritos superiores. Não seremos nós, evidentemente, que nos aventuraremos a sequer imaginar algo nessa linha de procedimento.
Contudo, estamos esmerando-nos para registrar algo proveitoso, de forma a satisfazer parte da solicitação. Não lhe parece, caro amigo, que o texto em vias de terminar tem os seus lampejos de boa redação? Um dos parâmetros mais eficazes para ganharmos sua confiança está em elaborar pequenas mensagens onde os erros não se acumulem. Aos poucos, devemos confessar, pretendemos ir ampliando a largueza da perspectiva doutrinária, o que nos favorecerá comunicações cada vez mais primorosas. Por enquanto, contentemo-nos todos com o que temos, sendo um dos nossos melhores atributos o fato de estarmos convictos de que trabalhar com afinco haverá de ser o caminho que nos conduzirá à almejada perfeição.
Finis coronat opus. Mas não certamente esta daqui, que se promete a si mesma totalmente provisória e insuficiente.
Obrigado, irmão, pela paciência e pela perseverança!







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QUEBRANDO O JEJUM





Quase sempre quem comparece para a escrita chega enferrujado, porque, desde há muito, se deixou embalar pelas falácias fantasiosas dos estudos aproveitados no sentido egoístico do aprimoramento moral. Ao chegar aqui, sente-se impelido a oferecer as condições de seu progresso aos irmãos, de forma organizada e didática, conforme lhe é sugerido pela programação da casa.
Quanto a mim, fiquei alheio à manufatura dos textos desde a última encarnação. Mas isso não é o pior, porque passei por treinamento intensivo, jornalista que fui. Pior acontece a quem jamais se dedicou a escrever, como muitos dos colegas, alguns analfabetos em muitíssimos regressos ao plano corpóreo. Quem redigiu algo, escreveu cartas; e olhe lá!
O que me deixa um tanto perplexo é a necessidade de enquadrar meu estilo neste escaninho metódico dos mentores, livre que sempre me considerei para o desenvolvimento do noticiário e das matérias de pouco profundidade científica ou filosófica. Não me aventurei aos editoriais, conquanto tenha tentado substituir alguns dos redatores faltosos, imitando-lhes os vezos lingüísticos. Mas essa é produção paupérrima.
O que me maravilhou foi a possibilidade de dilatar o texto, no sentido do comentário pessoal, evidentemente frustrando a denúncia da pessoa que fui, porque esse não é objetivo do grupo (posso dizer que nem da Escolinha). Espanta-me, também, a facilidade do ditado, acumulando o médium as funções de escrevente, ou seja, de alguém que simplesmente transcreve as idéias que lhe brotam na vertente da memória, e de sisudo censor dos defeitos gramaticais, apurando, incontinênti, os desvios mais flagrantes das normas cultas. Além do mais, oferece ao redator a modalidade do linguajar metalingüístico, pondo em discussão, no plano das idéias, as prerrogativas de testemunhar contra os atrevimentos inconsistentes.
Pois muito bem! Sinto-me realizado, após vinte e cinco anos de jejum, porque não me foi ofertada qualquer condição de, objetivamente, colocar-me frente a frente com as folhas em branco. Lembro-me de Jesus escrevendo na areia, enquanto ouvia os disparates dos acusadores da mulher adúltera, e me sinto coagido a formular algum benéfico pensamento para a orientação dos companheiros de grupo, sempre ávidos por novidades, dentro da programação.
Em suma, da mesma forma que ninguém observou os dizeres do Mestre, tenho para comigo que esta mensagem vai tão-só permanecer gravada nos arcanos de minha mente, apesar de registrada com tanto rigor, no aparato eletrônico de que se serve o médium. Nem preciso mencionar que, para mim, o sistema está se apresentando como absolutamente funcional, eficaz sobretudo no processamento das corrigendas necessárias, como quando os dedos ágeis do médium acionam indevidamente alguma tecla em descompasso com a ortografia.
Perdoem-me não oferecer nenhum ensino particular. Fique a impressão desta alegria de poder volver ao exercício da linguagem escrita, posto que diferente o jargão e distinta a finalidade. E a recomendação de que todos devem preparar-se para ocuparem, por sua vez, algum lugar junto aos médiuns escreventes ou para o desenvolvimento de páginas de compreensão e de amor, no evidenciar necessário de que se equilibra diante dos desafios inusitados. Faz parte do currículo dos socorristas ler e escrever, ainda que a leitura e a escrita não se ajustem aos parâmetros terrenos, dadas as diferenças essenciais entre os planos.
Peço a Deus que me sejam oferecidas outras oportunidades, porém, com tema bem melhor estudado e discutido dentre os do grupo, para que não deixe a idéia de que aqui esteve aquele mesmo que improvisava, pela coerção da exigüidade do tempo.
Empolgo-me e peço perdão pela síntese desproporcional ao corpo da mensagem, porque, após haver ditado o trecho que trouxe rascunhado, senti que bem melhor teria sido se me tivesse dedicado com mais energia. Saio acreditando muito mais em minha condição de redator.
Muito obrigado a todos!








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EM NUVENS DE FUMAÇA





Imagine o caro amigo viver envolto pelo negrume produzido pela queima do carvão, em minas obscuras e profundas, enevoar perpetuado pela lúgubre situação de desesperança, forçando a que o ser se acostume às trevas, como se destinado fosse a considerar-se réprobo entre as criaturas. Essa a perspectiva de todos os colegas da equipe, há não muito tempo atrás.
Se lhe parece tétrico o quadro, ainda mais o atemorizará a descrição das penas que nos impusemos, pela recordação dos fatos da maldade que se nos incrustou na alma, no decorrer das existências na carne. As suspeitas de que fôramos impelidos às realizações de péssima conduta por energúmenos antagonistas só por pouquíssimo tempo, graças a Deus!, nos atormentaram. Logo nos descobrimos os causadores das desditas e dos sofrimentos.
A só constatação da culpa, entretanto, não nos bastou para clarear o ambiente, luz que tínhamos da lembrança do Sol, esplendorosos dias em que deveríamos conter os ímpetos da impureza mas que nos deram a infeliz noção de que sempre teríamos meios de desempenhar a contento a mascarada de bons e íntegros mortais.
Tenho o salvo-conduto dos colegas para falar em nome de todos, coletivamente autônomos perante a existência, apesar de estreitamente vigiados, no sentido moral das elucubrações teleológicas, pelos mentores que se responsabilizaram pela turma. Por isso, atrevo-me a generalizar as impressões, porque outras não seriam para tantos quantos se espojaram nos malfeitos e nas querelas pela propriedade, no campo da matéria.
Ainda agora, pelos textos que temos transmitido, deve ficar muitíssimo claro que estamos, de certa forma, imersos na penumbra espiritual, com a agravante de que sabemos da existência da luz, sem a capacidade de abranger, pelo pensamento, a necessidade da condução de todos os atos para os feitos integrados evangelicamente às diretrizes do Pai.
Jesus nos dá o amparo para que não fraquejemos, mantendo acesa a esperança de virmos a cometer ações de subido interesse coletivo. Eis declarada a diferença que se tem dos tempos umbráticos, embora nem todos estejamos perfeitamente em paz, o que se traduz na impaciência para com nós mesmos, perante a insuficiência de recursos que alocamos para os escritos.
Cada um de nós haverá de vir concordar com que seja disparatado manter a expectativa da divulgação dos trabalhos, mesmo com o nobre intuito de se caracterizarem como advertência para as crises, caso os amigos não atenderem aos reclamos da verdade de que o mais importante é invisível aos olhos corpóreos, porque a vida se estende para esferas superiores, onde o amálgama dos valores se faz pelas virtudes supremas do amor transfigurado em serviço aos semelhantes e em profunda adoração ao Criador.
Muita gente poderá confundir-se com o roteiro que imprimimos às dissertações, observando até certo descortino psíquico para a realidade transubstanciada do verbo divino. Gente inculta, inclusive, poderá iludir-se com a terminologia esotérica, apropriada mais ao engodo dos cultos fechados ao domínio público, acreditando estar diante de espíritos iluminados por conhecimentos oriundos da perfeição dos atributos, após renhida luta contra os maus hábitos milenares.
Doce e ledo engano, como diria o poeta. Somos, sim, a resultante provisória da dedicação dos abnegados instrutores e mentores da colônia, que em nós divisam a possibilidade dos primeiros entendimentos doutrinais, cujo desdobramento nos encaminhará, após peregrinação tortuosa, à quintessência da espiritualidade.
Outro não poderia ser o sentido do texto nem a subseqüente interpretação.








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OS SENTIMENTOS DO MÉDIUM





Deveríamos mudar o título para outro que designasse mais precisamente toda e qualquer influência do humor do encarnado a serviço dos espíritos, em fase de entrosamento vibratório.
A perfeição do estilo não existirá, caso se mesclem as intenções dos que trabalham em prol da fixação de mensagens de cunho pessoal. Se o amigo que atua no plano corpóreo, por exemplo, estiver passando por fase francamente pessimista e se deixar transparecer esse sentimento de caráter negativo nos textos que apanha, impregnando-os com a tendência de sua psique, irá descaracterizar o intento do mensageiro, o qual deverá ser suficientemente arguto e proficiente para superar, previamente, a dificuldade.
No caso de espíritos pouco evoluídos, poderão falir os médiuns que não levarem em consideração as sutilezas das enunciações, no que concerne às nuanças de perspectivas, adulterando os conteúdos no sentido de tornar todos os ditados mais ou menos uniformes pelo próprio padrão.
Se venho trazer o resultado de severo estudo a respeito de tema tão objetivo, concentrando-me tão-só no assunto de interesse do Grupo das Tentativas Válidas, não poderei aceitar que o mediador se insinue com sugestões de fracasso, mesmo quando influenciado pela freqüência com que é envolvido pelos menos esperançosos junto à sua mesa. Desta forma, quando o médium se desprende da conjuntura mental em que está imerso, pode oferecer-se isento de perturbações de caráter sentimental, apreendendo o tônus vibratório dos mensageiros.
Tudo o que acima observamos relativamente ao humor predominante nos textos, vale ainda mais no que respeita aos pensamentos, ou seja, aos aspectos doutrinais, religiosos, filosóficos e culturais. As dificuldades para o humano aumentam, sobremodo, quando é burlada a expectativa de desenvolvimento a que se acostumou pelas leituras ou pelos estudiosos anteriormente transcritos. Daqui o sério óbice da repetição conceitual, não tanto pelas idéias, que se fundamentam nas leis universais e nas sacratíssimas noções morais do arsenal evangélico, porém, quanto ao trabalho, pelo conjunto das imagens ou maneiras de exposição, segundo o nível evolutivo do companheiro desencarnado.
Esta dissertação, evidentemente, segundo o modelo estabelecido pelos mentores, vai ter de se satisfazer com mal tocar nos pontos primordiais do tema, tanto que não nos custará recomendar a leitura do soberbo O Livro dos Médiuns, de Kardec. Mas não terei de lamentar a falta de conhecimento ou de capacidade, desempenhando que estou apenas tarefa de estudante, apesar de muito experiente no campo dos silogismos, por força da sistematização adquirida por anos seguidos de atuação profissional vinculada ao magistério.
Eis que determino, pela revelação, que se estabeleça a dúvida relativamente ao implante pelo médium de princípios hauridos da própria experiência, professor aposentado que é. Mas que fora a vida se não se deixasse fustigar pela associação livre dos pensamentos estimulados?!
Não quero furtar-me à tentação de questionar os companheiros quanto à maior ou menor transferência dos meus sentimentos e dos que se extraem do equipamento mediúnico. Será possível evidenciar os pontos em que transparecem? Só neste derradeiro parágrafo?








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ARREGAÇANDO AS MANGAS





Além de virmos trazer o noticiário dos pensamentos e dos estudos, também temos a obrigação, durante a jornada, de efetuar o atendimento rudimentar de muitos irmãozinhos desentranhados das Trevas, que jazem inermes nas câmaras de restauração magnético-fluídica, sob a assistência dos denodados terapeutas espirituais com que conta a colônia.
Temos a macabra tendência de suspeitar de que o nosso desempenho seja rústico, porque somos por demais críticos quanto à sobrecarga de maldade que sentimos permanecer no coração. É como se trabalhássemos com forte peso na consciência, porque estamos a exigir das pessoas muito mais do que poderíamos nós mesmos oferecer em iguais circunstâncias. No entanto, também passamos por essa fase e tão-só hoje nos encontramos convalescentes dos duros embates contra as acusações íntimas e contra as vibrações de baixo calibre arremessadas pelos inimigos.
Arregaçar as mangas se torna imperativo para quantos suspiram por se encontrar, em breve, na condição de socorristas, o que nos leva a facultar à própria consciência certo alívio, segundo a fé de que o trabalho promove o esquecimento momentâneo das falhas de caráter.
Será o despertar rude demais, a nos fazer recair em cismas de excessiva maldade? Pelo menos, muitos dos companheiros relatam que as revelações causam mal-estar acima dos que sentimos durante a peregrinação angustiada do Umbral. Quanto a nós, a experiência nos demonstra que deverá ser sempre assim e cada vez pior, porque os acréscimos de compenetração do ideal hão de estar cada vez mais contrastantes com a realidade de procedimento.
Até quando iremos nesse ritmo de descobertas desagradáveis? Ou melhor, quando abriremos os olhos, em radiosa manhã de sol, para a verdade da redenção, sem mais nos suspeitarmos devedores? Assim que estivermos acompanhados de todas as pessoas que deixamos em descompasso com as leis do Senhor, indispostas para conosco, em virtude de atitudes desprimorosas, o que engloba legiões inteiras de seres humanos, quando, por exemplo, desafiamos as normas cristãs discriminando pela cor, pela religião, pela raça, pela pátria e por tantos outros meios de tornar o semelhante inferior e não irmão, e não próximo, no sentido evangélico.
Se estivéssemos empenhados em redigir para os encarnados, temeríamos muitíssimo desagradar tanta gente, inclusive do meio espírita, dado que a rejeição se encontra no seio do próprio movimento, quando certas diretrizes metodológicas ou certos conceitos doutrinários os opõem com tanta rispidez, a ponto de se xingarem até pela imprensa.
Sabemos que o médium deu título a estas páginas e pretende fazer com elas o mesmo que vai fazer com as outras, ou seja, oferecer ao público, mediante o convencimento oportuno de algum intimorato editor. Caso obtenha sucesso, rogamos ao público que releve as diversas manifestações promovidas pelo preconceito impregnado nas mentes dos mensageiros, tornando as passagens infelizes meramente o que são: passagens infelizes, o subproduto ou rejeito dos raciocínios e sentimentos defeituosos.
Para nós, a observação acima está tão distante da realidade, que desfrutamos comodamente da posição a cavaleiro do remoto, do inacessível, do improvável, do simplesmente impossível. Em todo caso, não nos custa deixar bem claro que continuamos a solicitar do mediador que se acautele quanto aos impulsos de divulgação de páginas tão imperfeitas, mesmo que alguma idéia lhe tenha sugerido estarmos no caminho certo da recuperação. Nem poderia ser diferente, porque estamos em pleno desenvolvimento do programa para nós montado com o objetivo preciso de nos tornar melhores, quanto ao desempenho moral e intelectual. Em suma, para não nos tornarmos ainda mais enfadonhos, no fim haveremos de colocar os textos nas mãos de quem saberá, melhor do que nós, refletir sobre os temas neles aventados.
Se cada amigo se compenetrar de que deve pôr mãos à obra em prol do engrandecimento da alma, pelo estudo e pelo trabalho, sob o amparo dos irmãos maiores, invocados em preces de sublime expectativa, com fé, com esperança e com real ânimo caridoso, aí poderemos até rejubilar-nos por termos contribuído.
Quem tem a ousadia de transcrever o que pensa deve ter a humildade de ouvir o pensamento alheio.








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MENTIRAS DE CARIDADE





Por estarem muitos encarnados convencidos de que o plano espiritual se situa bem longe dos viventes, em plagas que o próprio homem localizou nas profundidades ou nas alturas, permanece, no Espiritismo, a tendência a considerar como local de torturas as cavernas umbráticas, distantes do sol, e como paraíso dos felizes outras esferas, colocadas em páramos celestiais. Quando muito, os mensageiros vêm dizer aos humanos que permanecem ao derredor dos encarnados, explicando, porém, que aqui estão porque têm o mesmo pique vibratório, quanto ao grau evolutivo.
Poucos se atrevem a vir discorrer de forma a perturbar o conceito material haurido das aparências que as coisas assumem no campo denso em que se encarnam os chamados viventes. Entretanto, para que o benefício do progresso possa contemplar os que se encontram sob a influência energética da matéria, já se oferecem teorias segundo as quais há inteira possibilidade da existência de camadas sucessivas de realidades diferenciadas quanto às suas essências, mas passíveis de interpenetração, dentro dos limites extremos em que cada uma se localiza.
Kardec suspeitou algures de que a escala periódica dos elementos químicos se estendia para além dos agrupamentos conhecidos dos componentes atômicos, tanto no sentido do mais simples como do mais complexo. Imaginou o Codificador que o campo espiritual, em ambos os aspectos acima relacionados, se comporia de matéria energeticamente equilibrada, de forma que dava a possibilidade de interpenetração sem a necessária desvinculação dos parâmetros existenciais que se conhecem.
Não afirmamos, absolutamente, que Kardec estivesse certo mas podemos vislumbrar, através da hipótese, bom argumento para predispor as mentes para a avaliação de quanto pode a imaginação humana, mesmo quando conduzida por princípios que se desejam completamente científicos. Basta suspeitar de que nem todos os tópicos genéticos sejam apreendidos pela experimentação laboratorial, para mergulharmos em teses de caráter meramente sobrenatural, pelo apoio dos silogismos fundamentados em razões consideradas plausíveis.
Interessar-nos-á trazer o conhecimento da realidade relativamente aos pontos considerados? Não, evidentemente, porque estaríamos elaborando mais uma doutrina, pela impossibilidade de demonstração físico-química. Matematicamente, a linguagem iria tornar-se simbólica, dado que os elementos constituintes não constariam do aparato científico dos encarnados. Filosoficamente, concepções existem ainda mais argutas do que a que se propõe com a existência tangível, elaboradas por meio do enredamento dos neurônios nos cérebros humanos. Passaríamos da verdade para a fantasia, num piscar de olhos.
Tudo o que acima empreendemos visa a considerar as diretrizes da consciência de cada qual, não como tendência fixada em determinadas casas ou associações do Movimento Espírita, nem como pregação de certas linhas ou conjuntos de espíritos, conforme os ditados passados a um ou mais médiuns. Filiar-se a este ou àquele roteiro de idéias pode economizar para o pensamento série incalculável de silogismos e de comprovações por via do raciocinar lógico. Eis que se abre o campo da fé de maneira frontalmente contrária ao que dispôs Kardec, que a desejava imantada às diretrizes científicas.
Voltando ao princípio das múltiplas camadas existenciais, é justo que se perguntem os leitores a respeito de como se organizariam as esferas. Seriam como vemos na cebola?
Longe de nós querer concretizar visualmente os pensamentos esboçados, entretanto, a idéia da cebola está muito longe do que estamos sugerindo. Tais círculos estão impressos no substrato mnemônico dos encarnados, a chamada consciência (ou inconsciência) coletiva, desde que o homem observou que os astros percorriam o espaço com regularidade que acreditavam circular. Daqui nasceria, inclusive, a perspectiva de que os planetas, pela distância da Terra (que estaria no centro do Universo), abrigariam seres em escala de perfeição, porque mais próximos do firmamento ou do Céu, como se lê, por exemplo, em A Divina Comédia, de Dante Alighieri, desde o final da Idade Média.
O que estamos tentando enunciar é a idéia de que as diferentes unidades essenciais da existência se codificam por princípios próprios, ocupando (o que contrariaria uma das leis da Física) o mesmo espaço, segundo sua natureza energética ou vibratória.
A nossa colocação não tem o mérito de adiantar conhecimentos, mas cremos que poderá fazer meditar a respeito de que o Universo não está estruturado de acordo com o modelo em que temporariamente se encarnam os espíritos na Terra. Haverá outros mundos habitados? Pois o mesmo pensamento deverá presidir a busca da verdade, porque existe, no universo material, unidade corpórea, apesar de muito pouca coisa ter sido descoberta até o presente pelos mortais.
Sejam consideradas, pois, as teses em voga entre os encarnados apenas como mentiras caridosas, para que prevaleçam os valores do aqui e agora, na influenciação positiva para o desenvolvimento espiritual, através dos dispositivos evangélicos. Quanto antes forem absorvidas as virtudes pelo caráter, quanto antes imergirão os seres nos mistérios da existência.
Quia pulvis es... mas não para sempre!








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NADA COMO UM DIA APÓS O OUTRO





Pedíamos, na anterior transmissão, que muitas das informações correntes no meio espírita sejam colocadas de reserva, sem se darem a elas maiores créditos, depositando-se mais fé naquilo que se alcançar comprovar através das ciências. Referíamo-nos a Kardec, o que nos obriga a sugerir a leitura da obra A Gênese, os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo, porque foi através desse verdadeiro tratado que o sábio francês deixou as diretrizes mais avançadas de suas teses.
Dentre outros pontos, expõe o autor a necessidade de se ter a revelação como obra de fé, muitas vezes incomprovável através dos elementos de que dispõe a materialidade humana. Contudo, em várias passagens, deixa bastante claro que, com o avanço das ciências, sob o amparo dos espíritos porta-vozes de Deus e de avatares encarnados, a Humanidade irá inteirando-se das verdades cósmicas, sem precisar estabelecer parâmetros meramente sentimentais ou psicológicos.
O futuro, porém, se abre em perspectiva de longa espera, para que os conhecimentos se disseminem por essa forma, preconizando-se muita paciência e espírito aberto para os eventuais fracassos, desde que nem todos os espíritos se desenvolvem com a mesma facilidade ou aptidão para a melhoria.
Dispunha Kardec de elementos oriundos do plano espiritual e acreditava com fervor, pelas inúmeras comprovações de que foi munido pelos amigos e benfeitores da Espiritualidade, que seria para breve o advento da Verdade como norma de julgamento da obra divina, podendo todos os homens, através das religiões, estabelecer a teoria por ele credenciada a mais próxima da Terceira Revelação como a que prevalecerá sobre todos os desmandos das demais concepções.
Perto de duzentos anos depois, lemos as observações como pouco prováveis, tanto está o mundo perturbado pelo ódio, pela guerra, pelo materialismo mais contundente dos que não agem em favor dos irmãos, mas no interesse próprio, sempre em detrimento dos que não são capazes de se defender.
Deveríamos, pois, acoimar as previsões de melhoria do gênero humano como falaciosas, para engodo dos que se deixam envolver pela lógica do pensador, fundamentado em pesquisas que se desvaneceram ou que se reproduzem com muito maior dificuldade, em áreas restritas de domínio exclusivo de uns poucos apaniguados pelas comunicações tangenciáveis, em alguns centros espíritas?
De maneira alguma. Seguem de pé as orientações hauridas dos ensinos dos mentores espirituais de Kardec e todas as palavras dele devem receber o apoio incondicional de cada leitor, desde que entendam, com perspicácia, que as coisas não se passam no orbe terrestre segundo leis arbitrárias, devendo cada passo ser medido segundo o tamanho das pernas. Ou seja, é preciso dar tempo ao tempo, aguardando, em paz, que as condições sejam favoráveis para a compreensão das leis do amor, da reencarnação, do trabalho, da caridade, da justiça etc., uma vez que os espíritos dos encarnados não recebem o influxo maravilhoso da intelectualidade sublime que se exige de quem queira assimilar os silogismos e demais desenvolvimentos da obra kardequiana.
Se se quiserem descobrir as causas que talvez tenham dado origem a uma certa precipitação de expectativa, que se estudem as diretrizes metodológicas do grande pedagogo, captadas diretamente dos princípios científicos mais avançados de seu tempo. Para se obter o mesmo nível de compreensão, hão os homens de se despojar de todo marasmo cultural que os prende aos usos e costumes incrustados nas mentes, para saciarem a sede de conhecimentos nos círculos universitários. Sabemos quão poucas pessoas têm o privilégio de se dedicarem a tão profundas pesquisas e meditações.
Para o comum dos mortais, resta a compensação não desprezível de que o próprio Codificador se sentia incapaz de abocanhar a matéria teórica toda da Doutrina, afirmando que a história do Espiritismo teria momentos posteriores de grandes descobertas e de novas revelações. Para ele e por ele, certamente a base estava estabelecida. Mas estará para as pessoas analfabetas, miseráveis, famintas, perseguidas, injustiçadas?...
Vamos confiar, com o pensamento firme no Senhor, acreditando haver o Cristo feito a demonstração da pequenez dos seres humanos ao ser crucificado, em que os benfeitores espirituais, a mando de Deus, vão fazendo o trabalho de divulgação da Verdade. Enquanto isso, façamos, por nosso turno, o melhor que pudermos.








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UM DIA APÓS





Desde que enunciamos a necessidade do trabalho diuturno, sem esmorecimentos, preocupou-nos a idéia de que possam estar suspeitando de que tais palavras representem certa raspança, certa recriminação, como se a tudo censurássemos e nada nos satisfizesse. Não é bem assim. Estamos preocupados em dirigir as atividades para o socorrismo, ou seja, para a assistência e ajuda dos que tateiam na penumbra das ações menos virtuosas. Qualquer interpretação de que almejamos pôr na linha as criaturas em débito com o próximo irá falir por absoluta falta de base na realidade de nossa consciência.
Quando proibimos a divulgação dos textos, proclamando-os inferiores e incompletos, estávamos tão-somente prevenindo-nos quanto às possíveis interpretações de que o Grupo das Tentativas Válidas não fosse tão confiável, apesar do nome. Agora, após mais de trinta ditados, estamos observando que as mensagens não estão de todo más, embora se nos afigure que muitas delas poderiam merecer críticas quanto à extensão ou profundidade das discussões. É que progredimos durante este último mês e meio, a ponto de nos considerarmos um pouquinho menos atrapalhados.
Apesar da constatação de melhoria e por força de compararmos as produções das diversas turmas precedentes, ainda nos parece precipitada a idéia de colocar os textos nas mãos dos encarnados, porque lhes faltam unidade temática, interesse artístico, facilidade de linguagem e demais itens capazes de provocar o estudo ou a meditação.
Se, ao menos, houvéssemos optado por outra modalidade, sem a pretensão de elaborar crônicas e ensaios, se tivéssemos julgado mais plausível a confecção de romance ou de contos, tendendo para a fantasia bem mais do que para a realidade objetiva, talvez alcançássemos melhor resultado. Mas a iniciativa nos deixou apavorados, pelo raciocínio simples de que tais textos seriam considerados publicáveis, no sentido de atender aos reclamos de composição com objetivo bem definido. Como fazer o médium entender que deve deixar engavetada produção dentro dos ditames artísticos?!
Estamos voltando ao tema da impropriedade verbal dos elementos do grupo, com a idéia formulada de que talvez não tenhamos alternativa quanto ao fato de que haverá de ser tentada a impressão e a distribuição, mesmo que restrita, destes comunicados plenos de citações de Kardec e, pasmem, de Jesus! Seria como querer julgar o examinador e isto não estamos desejando, deveras.
Deveremos considerar o dito por não dito? Cremos que não. A fragilidade dos textos é flagrante, tanto que viemos insistir nesta linha de dissertações para evidenciar o valor, para reafirmar que não acreditamos no mérito destes desenvolvimentos, posto eivados de termos extraídos dos diferentes setores do humano saber. Haveremos de vencer pelo cansaço, da mesma forma que fazem os amigos que transmitem seus versos perversos, os quais tão-só testemunham experiências no campo da descoberta das próprias vicissitudes.
Se não for essa a impressão que causarmos, podem considerar-se bem fracos em sua agudeza na avaliação das mensagens de caráter moral ou doutrinário. Terá valido a pena insistir? Por certo, ao menos para desafogo das preocupações da consciência.








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SEM REMORSO





Dia após dia, temos vindo transmitir as mensagens que consideramos as mais importantes para nós mesmos. Não são, o que esperamos ter deixado claro, o que melhor deveríamos apresentar aos encarnados, razão mais do que suficiente para, de novo, volvermos ao tema da impropriedade que se cometerá se, por acaso, forem publicadas.
Quando dizemos sem remorso, propugnamos que os possíveis leitores não se sintam culpados por não realizarem todos os preceitos doutrinais espíritas, o que poderia ser tido como demasiado pretensioso. Gente perfeita não se encontra dentre os mortais nem junto às numerosíssimas hostes que perambulam pela crosta, na qualidade de espíritos livres da densidade corpórea.
Às vezes, visitam-nos, vibratoriamente, espíritos de maior magnitude, especializadíssimos na condução das diretrizes a serem estabelecidas para a colônia, porque se situam na augusta condição de mentores de eleitos, estes pelo cotejo com a ignorância crassa da maioria dos estudantes. São mestres dos nossos dirigentes e mentores de nossos guias, no entanto, apresentam-se sem empáfia, admitindo que estão muito atrasados em relação às esferas superiores. Inundam-nos de luz e se dizem sem a mínima claridade, porque reconhecem, nos seus anjos guardiães, qualidades melhores que as deles.
Tais criaturas se predispõem como o alvo mais próximo de nossos orientadores, no entanto, não provocam, na maioria dos alunos da Escolinha, muitos frissons de entusiasmo, tendo em vista que não chegamos sequer a compreender o que os torna importantes para os professores. Acostumados à hierarquia terrena, onde os valores não se pesam pela formação moral superior, mas por conhecimentos específicos, acreditamo-nos aptos a desempenhar aquelas mesmas funções, se nos forem atribuídas após curta fase de mero treinamento.
Eis que se revela a nossa condição da inferioridade quando, por mais que imaginemos, não atinamos com os meios mais eficazes para alçarmos vôo naquela direção. Há os que imergem nos estudos. Há os que se afogam de trabalhos. Há os que visitam os mais imperfeitos e lhes passam os próprios conhecimentos e apreensões, como julgamos, no fundo do coração, que estamos fazendo. Há os que tentam influenciar o ânimo dos professores, para forçá-los a lhes proporcionarem tarefas condizentes com as responsabilidades mais efetivas dos que estão próximos da esfera seguinte.
Entretanto, sem remorso, vimos expor o nosso ponto de vista, para oferecer condições de meditação a respeito dos deveres de todos como filhos de Deus, das obrigações para consigo mesmos e, principalmente, para com os semelhantes e demais criaturas, por mais humildes sejam. Por isso mesmo, como não estamos preparados para revelar nenhum método novo capaz de abreviar a estadia nos círculos da dor e da expiação, como não temos meios de explicar como se chegar a resultados positivos na evidência exata das razões de se situarem os espíritos no corpo, para a necessária purgação dos defeitos específicos de cada qual, efetuamos apenas este treinamento, para avaliarmos como repercutirá nos corações as palavras enunciadas sem muita convicção.
Aqui chegam os professores e instrutores, apontando as falhas, revelando as qualidades, administrando com eficácia os ensinamentos mais convenientes para o grupo, como um todo, e para os alunos, em particular, explorando minuciosamente cada manifestação, para o demonstrar dos motivos que nos impuseram estas e não aquelas idéias e considerações.
Não queremos deixar impresso que estamos realizando trabalho de natureza extraordinária. Ao contrário de muitos que nos antecederam, estamos em momento por demais vulnerável de nossa habilitação para o atendimento socorrista a que visamos, razão mais do que suficiente para que nos leiam sem remorso, oferecendo ao Senhor as preces mais lídimas de sua compulsão evangélica.








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O CAMINHO DO SABER





Entregues às fainas diárias, muitos de nós nos esquecemos de que necessitamos crescer espiritualmente, o que somente se alcançará se formos capazes de elaborar ou de reorganizar a doutrina emanada das fórmulas superiores diretamente extraídas das leis cósmicas. Em outras palavras, temos de compreender a sabedoria dos maiores, aquela mesma que lhes dá a condição da angelitude, que lhes amplia a luz no envolver dos ditosos afilhados, que lhes dão atenção e lhes apóiam as recomendações, com muito discernimento intelectual e muitas ações em prol dos semelhantes.
Como se sentiriam os apóstolos se o Cristo Jesus não lhes ditasse o procedimento de cada hora e a reflexão mais oportuna quanto aos métodos de abordagem dos conhecimentos? Certamente, protestariam, como protestaram no que concernia aos mistérios das parábolas ininteligíveis, para a sua pouca desenvoltura evangélica.
Bem comparando, não poderemos nós proceder por outra forma, porque temos a consciência despertada para a aquisição da verdade, antes e acima de tudo, o que nos arremessará, irremediavelmente, de encontro aos paredões da ignorância, para a derrubada dessas muralhas de Jericó. Se mantivermos a fé na capacidade de todos os seres de progredir, estejamos no ponto em que nos encontrarmos, poderemos aspirar a ascender em paz rumo aos alpendres da casa do Senhor.
Para que dê tudo certo, iremos trilhar as veredas, palmilhando sobre as pegadas de Jesus, escolhendo a porta estreita, por onde deveremos passar se deixarmos para trás o orgulho, a má-fé, a vaidade, o egoísmo, a malícia e todos os vícios patrocinados pelas falhas da alma, tais como a preguiça, a gula, a voraz vontade de consumismo, em detrimento dos parceiros de existência, etc., sem falarmos nos problemas que se originam da ambição, da ganância e da ausência de pudor.
Fiquemos, pois, atentos para as influenciações dos amigos mentores, que se fazem passar pela consciência, soprando nos nossos ouvidos como é que nos prejudicaremos sempre que contrariarmos os preceitos de Jesus, fixados indelevelmente no inconsciente coletivo da Humanidade. Mesmo que desconfiemos destas assertivas de maus psicanalistas sociais, devemos ajuizar melhor a respeito das responsabilidades cármicas, porque seria por demais perigoso para a saúde espiritual desprezarmos a possibilidade de prosseguirmos existindo em outra realidade, como a que enfatizamos com a nossa presença.
Caberia desenvolver o tópico das desconfianças relativas à honestidade do médium, mas isso não faremos, porque não estamos interessados em que os encarnados nos leiam. Se lerem, obviamente haverão de entender que muitas outras mensagens foram, estão sendo e serão transmitidas através de numerosíssimos amigos mediunicamente preparados para a santa tarefa das pequenas revelações do etéreo, cuja codificação necessitou de sábio do quilate de Allan Kardec.
Sendo assim, o caminho do saber está aberto para todos nós, como valiosa alternativa de preparação mental para a aceitação das ponderações dos mestres e para a absorção de todos os conhecimentos que nos faltam e que se constituem de infinitos tópicos. Praticamente, poderemos falar que, perante o saber universal, apenas tartamudeamos, afásicos, débeis, completamente alienados da magnitude do poder de Deus.
Resta-nos ser afáveis, esperançosos, caritativos, amorosos para com todos, que esta é sabedoria que flui do domínio que somos capazes de exercer sobre as emoções e demais atributos da personalidade, no que respeita aos sentimentos. Mas este também é ponto expressivo da aprendizagem a ser realizada.







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A VERDADEIRA CARIDADE É AMOR






Amor é palavra que nos há de lembrar Jesus; e o Pai. Caridade é o lema da salvação estabelecido pelo Espiritismo. Precisaremos alongar-nos a respeito da junção desse sentimento e dessa ação? Precisaríamos, se fôssemos suspeitar de que alguém pudesse imaginar que a prática da caridade não carece, necessariamente, do amor. No entanto, como todos os presentes concordam em que a atividade dos seres deve visar ao conforto e bem-estar tanto físico quanto espiritual de todas as criaturas, o desenvolvimento da tese irá cair no marasmo dos axiomas.
Temos, porém, de concretizar a redação em termos positivos, para dar ao grupo a contextura da felicidade de realizar o programa determinado pelos mestres, como resultante da aplicação dos conceitos e preceitos doutrinários a cada atividade. Em resumo, tanto o momento da reflexão, quanto o da discussão, passando pela confecção dos textos e chegando à transmissão mediúnica, devem ser como que amparados pelo sentimento do amor, para o efeito da caridade, justamente pelo apoio a que visamos em todas as atitudes evangelizadas.
Haverá certeza, sempre, no coração e na mente dos denodados membros do Grupo das Tentativas Válidas? Por certo, não, tanto que pleiteamos sermos esquecidos. O que fizermos, porém, haverá de se constituir no breviário que deveremos ler todo dia, até que possamos repetir as idéias de cor, sem titubeios, sem hesitações, sem desvios do verdadeiro teor cósmico que devem ter.
Dada a amplitude universal das virtudes a serem assimiladas, fica-nos a impressão de que muito do que escrevemos esteja totalmente equivocado. O que é pior, tal suspeita se carrega no sentido de que muitos pensamentos se forjam nas crises da consciência, momento delicado para a cristalização dos roteiros curriculares.
Os mestres conhecem bem o problema e nos pedem, constantemente, que incentivemos a modéstia e a autocrítica, para que não nos vangloriemos inutilmente por termos adquirido domínio dos mecanismos mediúnicos e da formulação de textos, segundo a linguagem aperfeiçoada desde a última encarnação. A percepção do crescimento intelectual deve dar-se em conexão com o sentimento de que as emoções se depuraram, alijando-nos dos defeitos maiores da vaidade, do orgulho e do egoísmo.
Quem veio para redigir a notícia do dia deseja transmitir a segurança de que o grupo todo se coaduna na expectativa de que não haja nuanças muito perigosas a nos arremessar no abismo em cuja borda nos achamos. Por isso, inventamos fórmula capaz de enquadrar a todos, estendendo o texto até o limite antecipadamente proposto e não permitindo que a maior desenvoltura de uns possa suplantar as limitações dos outros.
Para nós, é ato de pura caridade alijar-nos das qualidades que nos distinguiriam, para oferecer o sentimento do amor possível a nossos corações, revigorando-nos na alegria de verificar que muitos companheiros se destacam nesse objetivo, contradição buscada com afã, pelo trabalho diuturno de contenção dos lampejos individuais.
Caberia citar um adendo em latim, como já fizeram alguns, contudo, esse não será o nosso desiderato final. Faça-o o amigo que melhor nos entendeu.
Aurea mediocritas —, como nos sugere Horácio, por meio do escrevente.








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CABEÇA-DURA





Como muitos dos amigos, também reluto em aceitar as exposições dos professores. Enquanto não tenho a comprovação material dos fatos, fico a ruminar razões para me fixar nos princípios antigos, indispondo-me contra todas as doutrinas que me parecem preparadas para desbancar-me a autonomia do pensamento.
Diz-me a consciência que tal prerrogativa da vontade demonstra tão-só a sumidade do orgulho e a defesa do amor-próprio. Por mais que me acuse de estar egoistamente defendendo meu ponto de vista em detrimento da verdade, ainda assim me considero vítima das injunções cármicas da personalidade, tais como a ausência de perspicácia intelectual, a obliteração, através dos quiasmas sentimentais, de qualquer reação despojada da interferência do desejo, embora, a todo momento, esteja a murmurar o pai-nosso, suspicaz em tornar a vontade do Pai a que melhor realizará o progresso.
Se me fosse dado controlar o aprendizado, possivelmente elaboraria roteiro muitíssimo distinto do que somos forçados a seguir, porque contrariaria o vezo dos mestres de tornar os tópicos necessários. Iria ao meu bel-prazer, dispondo os itens segundo a ordem de importância que minha compreensão estabelecesse como ideal, fragmentando os ensinamentos de Jesus, aproveitando apenas os que me visse na condição de satisfazer de imediato. E não viria relatar essa vontade quase incontida de permanecer hermeticamente encerrado na rede tecida desde a última encarnação.
Virei, então, a contragosto? Muito pelo contrário. Tenho a imensa satisfação de relatar a verdade, que é como estou aprendendo a definir os dizeres que dispomos na tela do computador. Mas a verdade se volta contra mim mesmo e aí devo genufletir-me perante os amigos e instrutores, para solene pedido de perdão, por não estar à altura do desempenho dos demais. Ainda bem que me apóiam outros que comungam dos mesmos problemas.
Aí vão me censurar o fato de tão bem compreender onde estão os pontos falhos, sem a desenvoltura necessária para debelar os fantasmas que me atormentam a consciência. Bem comparando, fumante inveterado que fui, até deste lado da realidade passei longos anos com o pito na boca, imaginária condição de dependente da quimera. Não será outro o vício que me afogará, senão que se repetirão todas as conjunturas psíquicas da Terra, chegando a postergar, irremediavelmente, as conquistas preconizadas por Jesus.
Alertaria os mortais se me fosse possível e para isso me preparo com denodo, sufocando, até certo ponto, os anseios de prevalência em relação aos enunciados que intimamente rejeito. Aprendi a ser hipócrita? Não, evidentemente. Apenas reconheço a falência dos objetivos primários, esforçando-me por integrar à personalidade os dispositivos morais e filosóficos que se debatem junto aos colegas.
Considero-me, após ter ouvido os testemunhos e depoimentos dos amigos, mais um simples ser iludido pelas grandezas que atribuí ao mundo material. E posso afirmar, sem perigo de equívoco, que muitos espíritos existem que irão demorar várias encarnações até atingirem este chão de estrelas em que piso distraído.
Deus esteja conosco em cada pequenino empreendimento do coração e da mente!







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SÓ UM EMPURRÃOZINHO





Na verdade, muitos do grupo apenas necessitam de pequeno incentivo para desencadearem aprendizados vigorosos, no campo da pretendida evolução espiritual. São os que chegam bem preparados pelos mentores particulares, verdadeiros anjos de guarda, que patrocinam os primeiros ensaios na vereda da salvação.
O que o grupo determina, com maior ou menor eficácia, é a coesão que deve presidir aos trabalhos que só podem realizar-se em conjunto, porque são muitas as tarefas distribuídas, cada qual desempenhando função específica. Seríamos por demais infantis se déssemos exemplo como o da construção de arranha-céu ou da formação profissional dos médicos, advogados ou engenheiros? Pois fique a sugestão para que se reelaborem os pensamentos segundo os quais se possa acreditar que um ser sozinho tenha o condão de promover total auxílio.
Jesus recorreu aos apóstolos e demais discípulos para a divulgação do evangelho. Como poderíamos nós, tão impotentes perante a magnificência universal, sequer reivindicar que alguém possa deduzir que somos todo-poderosos em algo?!
Entretanto, os que se apresentam melhor preparados para a tarefa socorrista são logo guindados a monitores, de forma a possibilitar aos outros apressamento no campo das experimentações, pelo apoio incondicional que recebem dos que perpassaram pelas câmaras de tortura que são os fracassos na consecução dos objetivos morais colimados. Quase sempre, nesse setor, o que existiu foi precipitação, imaturidade, de modo que a responsabilidade acresce de importância e o sentimento de culpa se instala com fundas raízes na psique dos menos afortunados. No que tange ao trabalho a nos ser solicitado, tais eventos não poderão estar na ordem do dia, porque não se admite que grupo, formado rigorosamente dentro dos parâmetros estabelecidos pelos mentores, venha a trocar os pés pelas mãos, como fazemos freqüentemente nas dissertações faltas de propriedade e de conhecimento.
Se é certo que os treinamentos vão dando-nos maior confiança no tratamento da matéria teórica, também é muitíssimo exato que geram discussões aprofundadas da metodologia, da linguagem, do ponto de vista, do princípio filosófico emanado das profundezas dos costumes arraigados na consciência. Após a revisão dos textos e enquanto não se chega a resultado plausível, não apenas com a concordância de todos os elementos do grupo, mas ainda e inderrogavelmente com a aprovação dos professores, não iremos ousar o registro mediúnico de forma definitiva.
Enquanto houver apenas descrição das atividades e dos meios de que nos utilizamos para sanar os defeitos dentro do transcurso dos trabalhos estudantis, isto é, enquanto se faz apenas a história das realizações acadêmicas, tudo bem, porque o assunto é leve e passível de compreensão, mesmo que o colaborador do dia não domine com proficiência o veículo lingüístico. Um pouco de meditação por parte dos leitores irá dirimir as suspeitas de que possa haver a intenção do engodo, da mentira, do passa-moleque.
Eis que estamos propugnando que os textos se constituam naquele empurrãozinho que auxiliará os amigos a saltarem o riacho da dúvida, para a margem da decisão pelo bem, pela verdade e pelo Pai.







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O ROTEIRISTA SE PERTURBA





Temos tido a coragem de vir falar claramente a respeito das facécias que nos pregaram os maus costumes adquiridos na Terra. Muitos confessaram que se mantêm fiéis às impropriedades de procedimento impregnadas em suas personalidades. Contudo, falta-nos o necessário desprendimento para revelarmos as dúvidas que levantamos junto aos mestres, quando da discussão plenária.
Fui aquinhoado com tal tema, porque tenho sido o mais constante nesse aspecto da deterioração dos mananciais do saber dos mentores e guias individuais. Tanto forcei os debates em torno de questões de ordem, para que os temas não se deixassem influenciar pelo magister dixit, que hoje tenho a obrigação de contornar os problemas junto a possíveis leitores encarnados, não apenas relativamente aos textos de agora, mas aos de tantas outras turmas.
Por que tais cuidados quanto a tão simples fenômeno psíquico, evidente que é que os pobres alunos devam possuir dúvidas inumeráveis?
Dúvidas, sim, mas a aleivosia do levantamento de problemas é ponto sobre o qual muitos deverão debruçar-se, na justa conclusão de que somos viciados nas formulações assimiladas, quando nos indispúnhamos contra as prescrições da lógica tradicional fixada na Terra por séculos de dominação de certas camadas sociais sobre os que se mantinham ignorantes, por força das leis que davam (e dão) prioridade aos abonados financeira e intelectualmente.
Alguns de nós foram repatriados pelo método drástico do assassinato das guerras revolucionárias, apagados, como diríamos na época, por mercenários a serviço da classe sob cujo guante deveríamos quedar sem voz, na cumplicidade tácita de quem se julga no direito de viver e, portanto, no de se resguardar, para a comodidade do bem-estar relativo de consciência que atribui aos outros totais responsabilidades, no que respeita aos fatos mais escabrosos da sociedade humana.
O parágrafo acima dá bem o sentido das colocações que estamos habituados a apresentar aos mestres, não na tentativa de colocá-los em maus lençóis, o que seria flagrantemente pretensioso, mas para perceber através de que retórica ou por meio de quais raciocínios amparados pela verdade conseguem safar-se das suspeitas de que estejam a serviço de seres interessados, mesmo aqui, na submissão dos mais débeis, agora no aspecto da ignorância crassa dos valores espirituais cósmicos.
Tivemos oportunidade de testemunhar, em fita gravada, a reação de pessoal muito mais funesto, pronto para a impertinência da rebeldia, quando vimos que muitos foram alijados do direito de prosseguir hospedados na colônia, porque não concordaram com a disciplina rígida reinante.
Teriam sido mal escolhidos para a preparação evangélica?
Absolutamente, não. As vibrações apontavam-nos para espíritos de natureza sã, tanto que não resvalaram para a escuridão das Trevas, mas foram convidados a se organizarem em colônia própria, para a qual deveriam estabelecer roteiro de conduta, a fim de que houvesse bom sucesso no empreendimento. Além de completa assistência, foi-lhes prometido que retornariam, se assim arbitrassem.
Após período da mais completa balbúrdia, lograram admitir algumas normas. No entanto, seu vezo para a crítica pungente terminou por dispersá-los, alguns arrependidos, outros eminentemente avessos a qualquer subordinação moral. Os primeiros se reintegraram à colônia, tanto que muitos se encontram na qualidade de instrutores e professores, havendo um que se destacou a ponto de pertencer ao conjunto dos mentores mais categorizados. A este cabe velar pelos demais insurrectos, orientando-os, quando alcança ser ouvido, no sentido de torná-los menos acerbos nas acusações. Os demais, os insaciáveis quanto às veleidades de tudo apreenderem segundo ponto de vista autodidata, estão reencarnados, que foi a fórmula que melhor apreciaram de proceder à revisão dos conhecimentos.
Quanto a quem veio para informar sobre este tópico insólito, muito se perturbou, no que tange às iniciativas agressivas, embora jamais houvesse notado, da parte dos professores, nenhum arrepio ou intento de sufocar-lhe a maneira de ser, uma vez que é corrente que tudo que aqui se faz vale para a interpretação das causas, objetivando a mudança espiritual para o carisma da pregação cristã. Este texto pretendemos que sirva para a captação dos sinais de que nem tudo no ambiente da classe transcorre na paz que se pensa existir no Reino do Senhor. Estamos em fase de aprendizado e de transformação moral: algo deveremos aceitar como subproduto do egoísmo, do orgulho e da vaidade.








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PERTO DO FIM





Devemos compreender que nem tudo podemos, no campo das dissertações mediúnicas. Planejado o sistema e estipulada a extensão, haverá momento em que se haverá de divisar o término do serviço. Sendo assim, chegará a hora das conclusões e dos agradecimentos, para que não se demonstre grosseria no trato com as entidades.
Neste ponto, devemos aceitar a crítica final e a reelaboração do roteiro de aprendizagens a serem satisfeitas para o desenvolvimento do curso de socorristas. Não sabemos qual será o passo seguinte, porque estamos presos ao resultado a que chegarmos, à vista das apreciações dos mentores e professores. Entretanto, tanto fomos ásperos com nós mesmos que não podemos aspirar a encômios por qualquer mérito.
Mas tal expectativa deve ser modestamente postergada, para a reflexão individual a que estaremos obrigados, desde que nos recolhamos aos nossos tugúrios, onde precisaremos não somente recompor o trajeto percorrido mas também restabelecer o ponto donde partimos para a configuração da realidade que foi alterada pelo proceder organizado do último período.
Claro está que a fase de ditados mediúnicos é parcela ínfima do conjunto curricular desenvolvido, porque, se assim não fosse, seria possível deduzir, desde logo, que fracassamos redondamente na consecução das propostas. Reafirmar a incoerência da divulgação destas Páginas Proibidas, entretanto, haverá de ser por demais enfadonho e não queremos dar essa impressão ao caríssimo escrevente, que nos tem servido com muita ânsia, no aguardo de que algo de valioso ainda sejamos capazes de ditar. Mas se conforma o coitado, à vista da falta de preparo dos que trazem as comunicações. Contudo, não podemos ser sarcásticos, uma vez que sempre algo seremos capazes de extrair de bom do conjunto das mensagens, porque nelas investimos o que de melhor possuímos, sem a pretensão de sermos perfeitos, mas com a convicção de que, se não dermos tudo, não mereceremos a retribuição do Pai.
É de notar que todos os companheiros se apresentaram ao menos uma vez, existindo uns poucos que se atemorizaram e que pretendem a dispensa conveniente, para não comprometerem demasiado a classe. Eu me contava entre esses mas fui convencido de que o texto que me cabia era por demais fácil e que iria ser ajudado pelo médium, por estar tão hesitante e por apresentar destoante influxo de vibrações.
Ao contrário dos que logram vencer a falsa timidez, vou suspender cedo a comunicação, porque menos erra quem menos escreve. O que lastimo, deixando a preocupação em boas mãos, é o fato de que, se todos os menos dotados se reservaram para o final, haverá de ser melancólico o desfecho das apresentações. Terão os companheiros méritos suficientes para coroarem o trabalho com algo mais proveitoso? O futuro dirá.








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ROTEIRO DE AMOR





Não tivemos outra intenção para as comunicações senão adequá-las ao nível de conhecimentos dos encarnados, reconhecendo, embora, que dificilmente iremos vê-las divulgadas. Em todo caso, imprimimos aos textos certa tendência ao esclarecimento oportuno, dando de nós um pouquinho mais, no sentido de amparar os leitores quanto a prováveis dúvidas perante o arrazoado nem sempre totalmente integrado aos ditames da doutrina espírita.
Recolhemos alguns tópicos evangélicos e desenvolvemos algumas intuições, sob inspiração fruída diretamente de Kardec. Fizemo-lo com o máximo respeito, para não ofendermos a ninguém, mui especialmente a quem se nega a considerar que é do Codificador a assertiva segundo a qual o Espiritismo deve evoluir em todas as épocas, conjuntamente com o espírito humano integrado na vibração em que se situa a dimensão corpórea.
Não nos afeta o grau de verdade dos pontos analisados, especialmente se considerarmos que temos todo o tempo do mundo para a fixação das diretrizes evangélicas. Contudo, não poderíamos menosprezar o imediatismo inexorável dos que mourejam na carne, prenhes de conceitos transitórios, como se toda a Verdade pudesse caber em uma única encarnação. O homem precisa de fundamentos sobre os quais agir e não seríamos nós quem lhe iríamos, literalmente, puxar o tapete, porque estamos plenos de incertezas e são muito pobres os esforços para superação das limitações.
O que não suportaremos será que se duvide de que tenhamos elaborado roteiro de amor, padronizando as mensagens pelo rigor das virtudes maiores da caridade, da fé e da esperança. Se assim não parecer, expressaremos o desconforto de nossa posição através de compungidas preces, que elevaremos ao Pai por intermédio dos Espíritos de luz, na solicitação imprescindível de que se criem em nós os elos do perdão, da compreensão e da comiseração pelas fraquezas de que estamos possuídos.
Graças a Deus, a nossa principal qualidade, a modéstia, pudemos comprovar a cada passo, lamentando, é claro, que devesse ser justamente essa, porque gostaríamos de vir prestar socorro nos tópicos de mais difícil entendimento. De resto, a lição aprendemos dos instrutores e professores, os quais não se cansam de demonstrar que suas palavras se tornam pesadas pelo tanto de impropriedade, deselegância, obscuridade e ambigüidade, que não se filtram apenas por causa da vontade de serem definitivos em suas exposições.
Também não quisemos fazer o médium mais infeliz, onerando-o quanto à referência inicial de que elaboraríamos parágrafos esquisitos quanto à sintaxe e ao léxico, acentuando valores conotativos díspares das freqüências semânticas tradicionais. Evidentemente, estamos laborando em erro, justamente para comprovar o que deveria ter sido a escritura, se nos ativéssemos a cumprir o que prometíamos na mensagem introdutória. Leia-se ela de novo, caso não tenha ficado clara na memória, e ver-se-á o quanto desviamos do primeiro intento, forçando que o grupo contribuísse para a melhoria dos rascunhos, o que nem sempre se logrou.
Fiquem registrados os melhores agradecimentos a todos os que trabalharam conosco e para nós e a quantos tiveram a paciência de seguir os meandros dos pensamentos conturbados pela dor e pela miséria moral. Recolhamo-nos em oração, solicitando ao Pai que nos estimule para novos empreendimentos, cada vez mais importantes e responsáveis, no sentido de nos favorecer o crescimento para a consecução dos objetivos socorristas. Se não estivermos à altura da pretensão, que o Pai nos prodigalize outros momentos de reflexão, mesmo que não compartilhados pelos que nos suplantarem, por superior desempenho moral e intelectual.
Suavi mari magno...








POSFÁCIO





Nada teríamos a acrescentar, não fosse por solicitação do mestre, Professor Jeremias, que não nos quer ver deixar o serviço, sem prece de agradecimento, em ação de graças ao trabalho que estamos em vias de concluir.
Dissemos, a cada início e fim de sessão, na companhia do escrevente, um pai-nosso, buscando concentrar-nos no valor simbólico das rogativas, imaginando, por exemplo, que o pão nosso de cada dia fosse a comunicação da mensagem ou o aproveitamento dos recursos provenientes da discussões que se seguiriam.
Por isso, não vamos transcrever a excelsa prece de Jesus, rogando ao Pai, simplesmente, que nos favoreça o crescimento moral, através de muito trabalho no campo da ajuda aos semelhantes, incentivando-nos a fazê-lo por amor, carinhosamente, dedicando-nos com afinco e com cuidado a cada pequenino ser em desfalque cármico, mesmo quando nos seja impossível a prestação de favorecimento direto, por falta de conhecimento ou por excesso de pretensão.
Que nos seja permitido, Senhor, olvidar o quanto de proveito havemos de ser capazes de usufruir dos textos, para restringirmo-nos à verificação do quanto deveremos caminhar para além das pequeninas conquistas de cada dia, tanto estamos carentes das explicações e dos esclarecimentos evangélicos dos mentores. Sendo assim, qualquer mérito que se possa enxergar nas produções da turma que seja atribuído à doce proteção dos instrutores, zelosos pelo progresso de cada discípulo, na tentativa de nos evitar os mesmos desmandos de consciência de suas pregressas atividades.
Senhor, aliviai-nos, pois, dos problemas, fazendo-nos suficientemente inteligentes para fixarmo-nos em uma solução de cada vez, delimitando a área em que deveremos atuar para a aquisição sistemática da sabedoria, o que ocorrerá se alcançarmos sentir as vossas sacratíssimas bênçãos.
Caso, Pai, pudermos compreender como é que evoluem os melhores, ficaremos gratíssimos por pertencer a esta colônia de fervorosos seguidores das ordenações de Jesus. Para tanto, é preciso que sufoqueis os pendores nossos para o crime, para o vício, para a manutenção de todos os defeitos incrustados em nós.
Assim seja!
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