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Crônicas-->Viagem à Ilha de Páscoa -- 16/04/2000 - 12:58 (Pedro Carlos de Mello) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
Em certo dia do ano de 1999, José Heitor Ribeiro, consagrado escritor brasileiro, desembarca do avião na Ilha de Páscoa: ficção.

Em 21 de março de 2000, eu, acompanhado de minha mulher, desembarco do avião na Ilha de Páscoa: realidade.

No ano passado, escrevi um conto, ao qual dei o nome de “Ficção ou Realidade?”. O conto foi selecionado pela Federação Brasileira das Associações de Bancos e publicado no livro “Banco de Talentos”, em dezembro de 1999, e no livro “Banco de Contos”, em fevereiro de 2000. Também está divulgado neste site da “Usina de Letras”. Embora não seja o assunto principal do conto, a Ilha de Páscoa integra o seu texto.

Neste ano, resolvemos aproveitar nossa viagem de férias para visitar o Chile e, seguindo uma vontade de há muito tempo, conhecer a Ilha de Páscoa ou Rapa Nui, com o seus moais (gigantes esculpidos em pedra), seus vulcões, suas praias, seu povo polinésio, seus enigmas e suas lendas. Isolada no meio do Oceano Pacífico, a Ilha de Páscoa fica a meio caminho entre o Chile e o Taiti.

A nossa viagem não foi em decorrência do conto selecionado. Pelo contrário, acredito: a menção à Ilha no conto já deve ter sido reflexo do desejo latente de visitá-la. Mas, é óbvio, quando surgiu a oportunidade concreta da viagem, lembrei-me do conto, e dos livros em que ele foi publicado.

Então, naturalmente como se leva um filho a passear, resolvi que levaria meu livro passear na Ilha de Páscoa. Seria como se eu devolvesse à Ilha, pela sua participação no conto, uma parte da alegria que tive em ver a história publicada. E assim fiz.

Foram quatro dias de deslumbramento, que só a visão ao vivo pode proporcionar. Além das paisagens belíssimas da ilha, das crateras dos vulcões há muito adormecidos e do mar, a história está presente em todos os cantos da ilha. Não foi somente uma viagem a uma ilha. Foi também, e principalmente, uma viagem ao passado. Que força estranha impelia o povo rapa nui a esculpir incansavelmente os seus moais? Como os transportavam? Como os ancestrais dos pascoenses chegaram até à ilha há centenas de anos atrás? O que queriam dizer com os seus desenhos estranhos, com sua escrita em pedra e madeira? Muitos mistérios, muitas suposições, poucas certezas.

Mas, as curiosidades não se esgotavam ali. Goiaba é como praga na ilha. Por todo lugar que íamos, lá estavam os pés de goiaba, como se fossem uma vegetação rasteira com um pouco mais de porte. Enjoamos de comer goiaba. Que maravilha, também, ver os cavalos, quase selvagens, soltos pela ilha. A música cativante, as danças típicas e o curanto (comida típica que se come com as mãos) complementavam a peculiaridade da ilha.

Mas, e o meu livro, o que foi feito dele?

Num dos passeios que fizemos, acompanhados de um guia e de outros turistas, quando subíamos as encostas da cratera do vulcão Rano Raraku, onde os moais eram esculpidos, o filme de nossa máquina fotográfica acabou e, para nosso pesar, não havíamos levado outro. Se houvesse ali, nas encostas do vulcão, uma lojinha de venda de filmes, quanto não pagaríamos por um? Minha mulher não se acanhou e perguntou em alto e bom som se alguém teria um filme para nos emprestar e disse que daria depois dois filmes em troca. Um jovem e simpático casal brasileiro, em lua de mel, gentilmente nos socorreu e pudemos completar nossos registros fotográficos do passeio.

No dia seguinte, quando fomos entregar os filmes ao casal, eles somente aceitaram um, aliás, como era de se esperar, uma vez que todos nós que fazíamos os passeios já estávamos bastante familiarizados.

Bem, diferentemente de um filho, não precisava trazer o livro de volta, pois tinha mais exemplares em casa. Por quê não retribuir a gentileza do casal, presenteando-lhes com o livro de contos? E foi assim que o meu livro mudou de mãos e continuou viagem, desta vez ao Taiti, que era para onde o casal se dirigia antes de voltar para o Brasil.

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